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Falta de ousadia
postado em 07 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Por conta de uma citação sobre o técnico Fernando Diniz, do Audax, na postagem de ontem, recebemos um email com uma pergunta simples: Se esse treinasse um clube grande com a responsabilidade de ganhar, teria a ousadia de deixar o seu time jogar livremente?

Sem duvida uma pergunta pertinente, e para a qual cabe uma resposta com uma análise sobre o tema.

Na realidade os treinadores brasileiros, sejam jovens ou mais antigos, apresentam um grande defeito, e isso está atrasando o futebol. Os seus comportamentos à frente das equipes mostram a falta de coragem de ousar na formatação tática, preferindo o pragmatismo de resultados que vem sendo adotado na grande maioria dos clubes do país.

Com certa razão todos defendem os seus empregos, que não permite mudanças, para que não possam correr o risco com tal procedimento. Quem enfrenta desafios não tem medo de errar, pois faz parte do sistema, e nessa nova geração de técnicos, ninguém parece disposto a correr qualquer risco.

Certamente que Diniz por dirigir um clube sem torcida não enfrenta pressões por sua ousadia, mas quem pode afirmar que contando com peças de melhor qualidade não possa fazê-lo em um time de grande porte onde as opções são bem maiores?

Voltamos no tempo e encontramos João Saldanha, Telê Santana e Claudio Coutinho, já falecidos. Pep Guardiola na ativa e Cilinho aposentado, que sempre tiveram a coragem de se situarem à frente dos seus tempos, com procedimentos de mudanças no comportamento tático do futebol.

Todos ousaram e tornaram-se vitoriosos. Telê até hoje é uma referência no esporte brasileiro, João Saldanha um revolucionário com suas mudanças táticas, assim como Claudio Coutinho, que para nós está no patamar mais alto entre os técnicos de nosso futebol.

Cilinho conhecemos o seu trabalho de perto. Era um estrategista, preparava as suas armadilhas nos treinos, e durante os jogos essas se concretizavam. Os ¨menudos¨ de 1987 do São Paulo até hoje são lembrados.

Pep Guardiola é o maior representante do inconformismo tático. Mudou o formato do futebol europeu quando dirigia o Barcelona, quando trocava de tática em pleno jogo, com alterações nas posições dos atletas, e incentivando a troca de passes. Temos a certeza de que fará o mesmo com o Manchester City, que poderá se transformar em um dos maiores times do mundo.

No atual futebol brasileiro não existe ousadia. Hoje os times entram em campo para não perder, e se possível ganhar.

Fomos acostumados com um futebol ousado, que além da vitória visava o espetáculo, e quando uma equipe ficava com vantagem numérica, o treinador fazia a substituição certa para explorar as dificuldades dos adversários. Eram ousados, hoje são medrosos, colocam um zagueiro para garantir o resultado, mesmo com mais jogadores.

Atualmente temos mais volantes em campo do que atacantes, que é uma forma de proteção contra as derrotas, e sempre na espera de uma única bola. Não produzem nas formações bons armadores, dando a preferência aos brucutus de plantão.

O jornalismo esportivo brasileiro tornou-se juvenil, os mais antigos que pensavam foram substituídos, dando lugar aos novos que tem no google suas orientações.

Se discute muito os problemas do futebol brasileiro, mas os detalhes maiores são esquecidos, e um desses é o da morte da ousadia, que nos levam a jogos pobres e sem a menor emoção.

A ousadia com responsabilidade poderá trazer de volta o bom futebol de antigamente, com os clubes desejando as vitórias, mas sem relegar a qualidade e a beleza do espetáculo.

Os torcedores certamente voltariam aos estádios.

Para nós, Fernando Diniz teria espaço em um clube de maior porte do Brasil, e perguntamos a razão de não se tentar. Será que falta-lhe um bom empresário?

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Futebol Pernambucano
Pobreza técnica afugenta torcedor
postado em 05 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Náutico e Santa Cruz não conseguiram, no curto espaço de sete dias, levar dez mil torcedores aos estádios nos dois clássicos que disputaram, válidos pelo Pernambucano e pela Copa do Nordeste. Os dois times podem se confrontar seis vezes, nas duas competições, caso se cruzem na semifinal ou na final do Estadual. O Jornal do Commercio, na edição de sábado, publicou matéria com o presidente da FPF, Evandro Carvalho, que tenta liderar uma cruzada cujo objetivo é levar a CBF a rever o seu calendário. Bom notícia. Embora não saibamos se o esforço será exitoso, ou se a luta será inglória. Pelo menos o cartola pernambucano caiu na real, saiu da inércia, e encampa um movimento no sentido para tirar o futebol estadual e regional do fundo do poço.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, publica, hoje no seu blog, estudo feito pelo Instituto Paraná de Pesquisas que revela a "geografia do futebol brasileiro". Constatamos que a região Nordeste é uma das mais sacrificadas, visto que, 21,5% dos entrevistados, todos com mais de 16 anos, não torcem por nenhum clube. Flamengo e Corinthians são os líderes na preferência dos torcedores em todas as regiões. No Nordeste, o Bahia aparece na terceira posição com 7%. Entre os pernambucanos o Sport é o melhor colocado, aparecendo na oitava posição com 3,7%, ficando atrás do Ceará que tem 4%. O Santa Cruz está na décima=primeira posição com 2%.

Antes de mostrar o clássico pernambucano = Santa Cruz 1x0 Náutico = a televisão exibiu o jogo do Barcelona com o Atlético de Bilbao, confronto marcado pela vitória do time catalão por 3x0. Em seguida apresentou o clássico português entre Porto e Sporting. Antes, na grade de outros canais, foram oferecidos jogos dos campeonatos inglês, alemão... Enfim, existe uma concorrência desleal do ponto de vista técnico que contribui, de forma direta, para o êxodo dos torcedores do estádio. Tricolores e alvirrubros, a exemplo do que ocorreu há sete dias, quando do primeiro confronto entre ambos, fizeram uma partida de uma pobreza técnica absurda. Não foi fácil assistir a transmissão do clássico local após ver Neymar, Messi e companhia em mais uma boa apresentação do Barça. A concorrência passou a ser, também, com o melhor do futebol internacional.

O empobrecimento do futebol local e regional é decorrente de vários fatores, dentre eles a falta de qualidade nas equipes. A concorrência exige qualidade e competitividade. A rivalidade alimenta apenas a competitividade entre dois clubes, que de forma isolada não seduz o torcedor que tem ofertas bem mais atrativas na televisão. A diversidade criada no calendário brasileiro não respeitou o item qualidade que dá sustentação a qualquer competição. A reparação dos equívocos na agenda dos jogos é apenas um dos assuntos que devem ser vistos e discutidos pelas entidades, CBF e Federações. Naturalmente que, os mais afetados são os clubes, mas eles se contentam com qualquer preço, desde que venha em forma de adiantamento.

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Santa Cruz
"Parabéns Santinha"
postado em 03 de fevereiro de 2017

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CLAUDEMIR GOMES

 

O amigo, Aloísio Ferrer, me envia mensagem de "Bom Dia", pelo WhatsApp, com a frase: "Parabéns Santinha". Repasso a saudação para um outro tricolor e amigo, João Caixero de Vasconcelos. No final de semana, encontro o deputado, Augusto Coutinho, em momento de lazer com a família e ele me apresenta o neto fazendo a seguinte indagação ao garoto: "Qual o seu time?". De pronto ele respondeu: "Tricolor". Joca, Aloisinho e o neto de Guga representam três gerações de amantes do clube tricolor. A grandeza de um clube de futebol está sedimentada na capacidade da transferência da paixão de geração para geração.

O Santa Cruz Futebol Clube comemora, nesta sexta=feira, 3 de fevereiro de 2017, seu 103º aniversário de fundação. Tenho em minha frente, a maior obra literária sobre um clube do futebol brasileiro: Santa Cruz de Corpo e Alma. Título lançado ano passado, e que chegou a concorrer a um dos maiores prêmios da indústria gráfica nacional. Quem teve oportunidade de ler os três volumes que compõem a obra toma conhecimento do amor que serviu de combustível maior na construção de um rico patrimônio e para o somatório de conquistas que colocaram o clube no pelotão das maiores agremiações do futebol abrasileiro.

O que mais me chama a atenção é a doação do torcedor tricolor ao Santa Cruz. Não é por acaso que a torcida coral se auto=intitula de "a mais fiel" do futebol brasileiro. Fidelidade é coisa difícil de se mensurar, principalmente quando o assunto é paixão futebolísticas. Mas a história do Santinha é pontuada de mutirões. Esforços coletivos em prol de causas que se tornaram exitosas por conta da participação popular. Quando a causa é nobre o tricolor a abraça e se doa ao seu modo, do seu jeito, como pode, e até extrapola os seus limites. Gosto de conversar com os mais velhos para ouvir narrações de fatos que enriquecem nossos conhecimentos. Admiro a forma como os jovens se entregam e se permitem guiar pelo fogo dessa paixão. É confortante observar o crescimento do pelotão dos curumins.

É isso aí meu caro Aloísinho Ferrer: "Parabéns Santinha".    

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Futebol Pernambucano
Quanto vale Erick?
postado em 03 de fevereiro de 2017
Por ROBERTO VIEIRA

Dezenove anos de idade e dois meses.

No tempo em que você lê essas linhas o primeiro marcador já ficou pra trás.

Agora já se foi o segundo.

Erik para na linha lateral e vence mais um defensor do Central.

Não existe espaço vital?

Ele retorna e deixa a bola mansamente na sua perna esquerda.

A boa.

O cruzamento sai milimétrico.

Na cabeça de Maylson.

Eram decorridos 35 minutos da segunda etapa em Caruaru.

Erick de Arruda Serafim garantia os três pontos alvirrubros.

Apesar de ser de Arruda, Erick preferiu brilhar no Náutico.

Ele é a figura mais iluminada de uma nova geração de garotos bons de bola.

Tem o Joazi que já virou figura carimbada.

Tem o Manuel Ferreira Lima Neto, carioca de Natividade, lá na esquerda.

Como tem o Cal, o Gerônimo, o Nem.

E eles jogam uma bola redondinha.

Do jeito que a bola gosta de ser jogada.

O futuro deles todos?


Só essa mesma bola pode dizer...

Mas dá gosto ver!

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Artigos
A germanização pernambucana
postado em 03 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  = blogdejjpazevedo.com


Na Espanha existem dois grandes clubes, Real Madrid e Barcelona, dois medianos, Atlético de Madrid e Sevilla. Os demais são figurantes no processo, quando no máximo lutam por uma vaga na Liga da Europa. Pensar em chegar na Champions é sem dúvida um sonho de uma noite de verão. Acontece uma vez em mil tentativas.

Na Alemanha, o futebol há anos é dominado pelo Bayern de Munique. Nas últimas cinco temporadas esse conquistou quatro títulos contra um do Borussia Dortmund. Na competição atual é o líder, tendo um clube sem grande expressão na sua cola, com pequena diferença, o RB Leipzig.

Ambos os países fazem bons campeonatos, com medias de públicos excelentes, mas na verdade quando a temporada começa, com antecedência já conhecemos o maior favorito. Na Premier League o equilíbrio é um pouco melhor, quando a variedade de clubes fortes Ã© bem maior.

Há anos que afirmamos que a má distribuição de recursos no futebol brasileiro poderia transforma-lo em uma Espanha, por conta das diferenças de receitas entre aqueles de maior porte com os demais. 

Nos estudos que procedemos através dos balancetes dos chamados grandes clubes do Brasil, chegamos a conclusão que aquele com maior capacidade de sustentação é o Flamengo, que é a resultante de um projeto que irá garantir-lhe um futuro promissor, caso o atual sistema não seja quebrado.

O Palmeiras está vivendo um bom momento, mas não é sustentável, desde que dependia do ex-presidente Paulo Nobre, e hoje está entregue a patrocinadora Crefisa, que certamente não será duradoura, caso a sua maior dirigente não consiga obter o desejo de ser presidente do clube. Uma nuvem passageira.  

O modelo adotado pelo rubro-negro carioca, irá dar-lhe a liderança do nosso futebol por muitos anos, e não temos dúvidas que isso irá consolidar-se na atual temporada.

Quando passamos para Pernambuco, sentimos que as diferenças financeiras entre o Sport e os demais rivais (Náutico e Santa Cruz) são grandes, e isso já reflete no momento atual, na formatação das equipes. 

O futebol de nosso estado está próximo de uma germanização, com apenas um clube forte, com receitas bem maiores do que os demais, e com maiores condições de formar um bom elenco, embora no nível nacional esteja em um patamar pequeno.

O Sport Recife terá uma receita nessa temporada superior aos R$ 100 milhões, enquanto os seus adversários não ultrapassarão R$ 25 milhões. Como poderão competir com um clube com uma diferença gritante em recursos, e que contrata jogadores de melhor qualidade e altos salários?

Não temos nenhum receio de afirmar que o time da Ilha do Retiro irá conquistar o título de campeão estadual, que na verdade não vale muita coisa, por conta das diferenças técnicas do seu elenco para os do Náutico e Santa Cruz.

O único problema para que o rubro-negro não consiga tal objetivo está dentro da sua casa, através de gestores amadores apaixonados, que não sabem separar o alho do bugalho, e que poderão jogar no lixo uma nova oportunidade de torna-lo um clube grande como aconteceu na década de 90.

Pernambuco futebolístico está sendo germanizado, com um futebol de uma nota só, exclusivamente por conta da capacidade financeira de cada um, e uma distribuição de receitas indecente. O mais grave é que tal fato está sendo reproduzido em vários estados brasileiros.

O Sport certamente não é culpado por essa brutal diferença, mas na verdade isso foi um produto de péssimas gestões no Santa Cruz e Náutico que os apequenaram e reduziram as suas capacidades de investimentos, e dos donos de nosso futebol que não criaram mecanismos  para sustentabilidade dos clubes com boas demandas como os nossos.

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