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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Náutico e Santa Cruz não conseguiram, no curto espaço de sete dias, levar dez mil torcedores aos estádios nos dois clássicos que disputaram, válidos pelo Pernambucano e pela Copa do Nordeste. Os dois times podem se confrontar seis vezes, nas duas competições, caso se cruzem na semifinal ou na final do Estadual. O Jornal do Commercio, na edição de sábado, publicou matéria com o presidente da FPF, Evandro Carvalho, que tenta liderar uma cruzada cujo objetivo é levar a CBF a rever o seu calendário. Bom notÃcia. Embora não saibamos se o esforço será exitoso, ou se a luta será inglória. Pelo menos o cartola pernambucano caiu na real, saiu da inércia, e encampa um movimento no sentido para tirar o futebol estadual e regional do fundo do poço.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, publica, hoje no seu blog, estudo feito pelo Instituto Paraná de Pesquisas que revela a "geografia do futebol brasileiro". Constatamos que a região Nordeste é uma das mais sacrificadas, visto que, 21,5% dos entrevistados, todos com mais de 16 anos, não torcem por nenhum clube. Flamengo e Corinthians são os lÃderes na preferência dos torcedores em todas as regiões. No Nordeste, o Bahia aparece na terceira posição com 7%. Entre os pernambucanos o Sport é o melhor colocado, aparecendo na oitava posição com 3,7%, ficando atrás do Ceará que tem 4%. O Santa Cruz está na décima=primeira posição com 2%.
Antes de mostrar o clássico pernambucano = Santa Cruz 1x0 Náutico = a televisão exibiu o jogo do Barcelona com o Atlético de Bilbao, confronto marcado pela vitória do time catalão por 3x0. Em seguida apresentou o clássico português entre Porto e Sporting. Antes, na grade de outros canais, foram oferecidos jogos dos campeonatos inglês, alemão... Enfim, existe uma concorrência desleal do ponto de vista técnico que contribui, de forma direta, para o êxodo dos torcedores do estádio. Tricolores e alvirrubros, a exemplo do que ocorreu há sete dias, quando do primeiro confronto entre ambos, fizeram uma partida de uma pobreza técnica absurda. Não foi fácil assistir a transmissão do clássico local após ver Neymar, Messi e companhia em mais uma boa apresentação do Barça. A concorrência passou a ser, também, com o melhor do futebol internacional.
O empobrecimento do futebol local e regional é decorrente de vários fatores, dentre eles a falta de qualidade nas equipes. A concorrência exige qualidade e competitividade. A rivalidade alimenta apenas a competitividade entre dois clubes, que de forma isolada não seduz o torcedor que tem ofertas bem mais atrativas na televisão. A diversidade criada no calendário brasileiro não respeitou o item qualidade que dá sustentação a qualquer competição. A reparação dos equÃvocos na agenda dos jogos é apenas um dos assuntos que devem ser vistos e discutidos pelas entidades, CBF e Federações. Naturalmente que, os mais afetados são os clubes, mas eles se contentam com qualquer preço, desde que venha em forma de adiantamento.
CLAUDEMIR
GOMES
O amigo, AloÃsio Ferrer, me envia mensagem de "Bom Dia", pelo WhatsApp, com a frase: "Parabéns Santinha". Repasso a saudação para um outro tricolor e amigo, João Caixero de Vasconcelos. No final de semana, encontro o deputado, Augusto Coutinho, em momento de lazer com a famÃlia e ele me apresenta o neto fazendo a seguinte indagação ao garoto: "Qual o seu time?". De pronto ele respondeu: "Tricolor". Joca, Aloisinho e o neto de Guga representam três gerações de amantes do clube tricolor. A grandeza de um clube de futebol está sedimentada na capacidade da transferência da paixão de geração para geração.
O Santa Cruz Futebol Clube comemora, nesta sexta=feira, 3 de fevereiro de 2017, seu 103º aniversário de fundação. Tenho em minha frente, a maior obra literária sobre um clube do futebol brasileiro: Santa Cruz de Corpo e Alma. TÃtulo lançado ano passado, e que chegou a concorrer a um dos maiores prêmios da indústria gráfica nacional. Quem teve oportunidade de ler os três volumes que compõem a obra toma conhecimento do amor que serviu de combustÃvel maior na construção de um rico patrimônio e para o somatório de conquistas que colocaram o clube no pelotão das maiores agremiações do futebol abrasileiro.
O que mais me chama a atenção é a doação do torcedor tricolor ao Santa Cruz. Não é por acaso que a torcida coral se auto=intitula de "a mais fiel" do futebol brasileiro. Fidelidade é coisa difÃcil de se mensurar, principalmente quando o assunto é paixão futebolÃsticas. Mas a história do Santinha é pontuada de mutirões. Esforços coletivos em prol de causas que se tornaram exitosas por conta da participação popular. Quando a causa é nobre o tricolor a abraça e se doa ao seu modo, do seu jeito, como pode, e até extrapola os seus limites. Gosto de conversar com os mais velhos para ouvir narrações de fatos que enriquecem nossos conhecimentos. Admiro a forma como os jovens se entregam e se permitem guiar pelo fogo dessa paixão. à confortante observar o crescimento do pelotão dos curumins.
à isso aà meu caro AloÃsinho Ferrer: "Parabéns Santinha".
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Na Espanha existem dois grandes clubes, Real Madrid e Barcelona, dois
medianos, Atlético de Madrid e Sevilla. Os demais são figurantes no processo,
quando no máximo lutam por uma vaga na Liga da Europa. Pensar em chegar na
Champions é sem dúvida um sonho de uma noite de verão. Acontece uma vez em mil
tentativas.
Na Alemanha, o futebol há anos é dominado pelo Bayern de Munique. Nas últimas cinco temporadas esse conquistou quatro tÃtulos contra um do Borussia Dortmund. Na competição atual é o lÃder, tendo um clube sem grande expressão na sua cola, com pequena diferença, o RB Leipzig.
Ambos os paÃses fazem bons campeonatos, com medias de públicos excelentes, mas na verdade quando a temporada começa, com antecedência já conhecemos o maior favorito. Na Premier League o equilÃbrio é um pouco melhor, quando a variedade de clubes fortes é bem maior.
Há anos que afirmamos que a má distribuição de recursos no futebol brasileiro poderia transforma-lo em uma Espanha, por conta das diferenças de receitas entre aqueles de maior porte com os demais.
Nos estudos que procedemos através dos balancetes dos chamados grandes clubes do Brasil, chegamos a conclusão que aquele com maior capacidade de sustentação é o Flamengo, que é a resultante de um projeto que irá garantir-lhe um futuro promissor, caso o atual sistema não seja quebrado.
O Palmeiras está vivendo um bom momento, mas não é sustentável, desde que dependia do ex-presidente Paulo Nobre, e hoje está entregue a patrocinadora Crefisa, que certamente não será duradoura, caso a sua maior dirigente não consiga obter o desejo de ser presidente do clube. Uma nuvem passageira.
O modelo adotado pelo rubro-negro carioca, irá dar-lhe a liderança do nosso futebol por muitos anos, e não temos dúvidas que isso irá consolidar-se na atual temporada.
Quando passamos para Pernambuco, sentimos que as diferenças financeiras entre o Sport e os demais rivais (Náutico e Santa Cruz) são grandes, e isso já reflete no momento atual, na formatação das equipes.
O futebol de nosso estado está próximo de uma germanização, com apenas um clube forte, com receitas bem maiores do que os demais, e com maiores condições de formar um bom elenco, embora no nÃvel nacional esteja em um patamar pequeno.
O Sport Recife terá uma receita nessa temporada superior aos R$ 100 milhões, enquanto os seus adversários não ultrapassarão R$ 25 milhões. Como poderão competir com um clube com uma diferença gritante em recursos, e que contrata jogadores de melhor qualidade e altos salários?
Não temos nenhum receio de afirmar que o time da Ilha do Retiro irá conquistar o tÃtulo de campeão estadual, que na verdade não vale muita coisa, por conta das diferenças técnicas do seu elenco para os do Náutico e Santa Cruz.
O único problema para que o rubro-negro não consiga tal objetivo está dentro da sua casa, através de gestores amadores apaixonados, que não sabem separar o alho do bugalho, e que poderão jogar no lixo uma nova oportunidade de torna-lo um clube grande como aconteceu na década de 90.
Pernambuco futebolÃstico está sendo germanizado, com um futebol de uma nota só, exclusivamente por conta da capacidade financeira de cada um, e uma distribuição de receitas indecente. O mais grave é que tal fato está sendo reproduzido em vários estados brasileiros.
O Sport certamente não é culpado por essa brutal diferença, mas na verdade isso foi um produto de péssimas gestões no Santa Cruz e Náutico que os apequenaram e reduziram as suas capacidades de investimentos, e dos donos de nosso futebol que não criaram mecanismos para sustentabilidade dos clubes com boas demandas como os nossos.