Histórico
Futebol Brasileiro
Sem Lei e sem ordem
postado em 14 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO


No ano de 2010 a media de público do Brasileiro da Série A foi de 15 mil pagantes. Em 2016 essa foi de 15,2 mil, ou seja uma estagnação após seis anos, sendo que nesse último o futebol tinha as arenas construídas para a Copa do Mundo.

Pelas estatísticas do IBGE, o futebol e cinema são as preferências nacionais entre as diversões fora de casa. O segundo cresceu com as novas salas e um único filme consegue levar um número maior de espectadores do que uma competição nacional anual, o primeiro continua emperrado.

Por outro lado, todas as pesquisas realizadas mostram que a maior causa que afasta o torcedor dos campos de jogos é a violência, que representa a ressonância de um estado sem lei e sem ordem.

A impunidade reinante é um exemplo nefasto para a sociedade brasileira. Uma operação de limpeza ética e moral, como a Lava Jato está sendo torpedeada pelos corruptos envolvidos. Tal modelo reflete nas ruas.

O país não tem comando, não tem um Congresso respeitável, não tem um executivo com força e o somatório disso obviamente produz as mazelas dos tempos atuais.

Não existe uma melhor forma de lazer do que o futebol, seja ele profissional, como até de peladas, mas esse sofre com os seus péssimos dirigentes, e sobretudo por conta de marginais com camisas de torcedores que proliferam no país.

O vandalismo que o Brasil assistiu no Ãºltimo domingo no entorno do estádio Nilton Santos, terminou com um morto, 08 feridos, e entre esses um em estado grave, representou a falência do estado nacional. 

Aliás uma morte anunciada há tempo. O Rio de Janeiro é o estado mais bonito do país, seu povo sempre foi feliz, mas nos últimos anos passou por um processo de rápida degradação graças a politica, com um governador na cadeia por corrupção.

O estado vive um momento de manifestações de mulheres de policiais impedindo a saída das viaturas dos batalhões e todos sabiam, inclusive os que fazem a Federação local, que não haveria um contingente satisfatório para o policiamento externo, fato esse comprovado com uma ata da entidade assinada pelos envolvidos, reduzindo a presença dos policiais nas ruas vizinhas ao estádio Nilton Santos. 

Já tinham sido vendidos de forma antecipada 22 mil ingressos, uma quantidade bem razoável.

Para que se tenha uma idéia, às 17h30, um pouco antes da partida, o policiamento era reduzido, sem a capacidade de conter as confusões desenhadas, e que minutos após começaram, sendo transmitidas para todo o país e o mundo.

As organizadas chegaram sem a escolta como acontece em jogos maiores, e em determinado momento foi iniciada a guerra, com um confronto entre essas, e logo após com a participação dos policiais.

Centenas de pessoas armadas de barras de ferro, lixeiras, até das catracas do estádio, e o sangue começou a correr. Um bombeiro resgatou um dos participantes que iria ser queimado pelo rival.

A diretoria do Botafogo que era o time mandante do jogo, verificando o problema do policiamento, a o grande número de ingressos vendidos, solicitou da Federação local o cancelamento do jogo antes dos acontecimentos, mas a entidade negou. Deu no que deu.

A situação da Policia do Rio de Janeiro com as diversas manifestações nas portas dos quartéis era conhecida por todos. Além disso, o domingo teve a segurança das praias, e dos blocos carnavalescos, com multidões nas ruas, e não era um local propicio para uma competição com um bom numero de espectadores.

Se o futebol carioca tivesse bons dirigentes, certamente o jogo seria adiado, mas o que pesou não foi a segurança do torcedor, e sim a falta de datas por conta do maldito calendário.

Obvio que insistir em um evento sem garantia é crime, e foi isso que aconteceu no Rio de Janeiro, contribuindo mais para as ociosidades dos estádios.

Na realidade o Brasil necessita de homens que possam trazê-lo para dias bem melhores do que os atuais. Com o que temos certamente não conseguiremos vencer a luta contra a violência, e sobretudo contra a corrupção.

Foi mais uma derrota por 7x1.

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História
Seleção de Jaleco - Salomão
postado em 13 de fevereiro de 2017
Por LUCÍDIO JOSÉ DE OLIVEIRA, MDM


Transparência e simplicidade: são palavras, são símbolos. Palavras que marcaram os caminhos do jovem Salomão. Transparência tanto no futebol como nas coisas da vida. O futebol, sua grande paixão, jogado com clareza no meio campo. A jogada sempre limpa, fácil de entender, o lance cristalino sem nenhum adorno. Firula zero. Na vida, o sonho bem claro e desde cedo definido como projeto supremo de vida. O sonho de ser médico. Assim era Salomão Alves Couto, nascido a 3 de outubro de 1942 em Pocinho, pequena cidade do Cariri paraibano na região metropolitana de Esperança. Tinha 18 anos de idade quando saiu da casa dos pais com destino a Campina Grande em busca do sonho. Fora dos estudos, o divertimento era o futebol, jogar futebol. O caminho a seguir era procurar uma bola nos campos de pelada.

O que não faltava era campo de pelada nos arredores da cidade de Campina Grande. Foi quando Salomão descobriu um deles, onde jogava o Central, time de bairro (ou não terá sido o contrário? O pessoal do Central campinense que primeiro descobriu Salomão?), depois passando a bater bola com a turma do Everton de São José, também dos subúrbios da Capital da Borborema.  Era o ano de 1960.

Não demorou e Salomão tomava conta do futebol do meio campo nos gramados suburbanos da maior cidade  paraibana do interior. "Tratava a bola com fino trato", segundo depoimento de Jobedis Magno de Brito Neves, do Museu Virtual do Esporte de Campina Grande. Sempre de cabeça erguida, não errava passe e organizava a sua equipe. "Era o que dava padrão de jogo ao time, sentido ao jogo, aquele que quando a bola passava em seus pés, saia com certeza uma bela jogada." O jogo só existia a partir do toque mágico de Salomão no meio campo. Além disso, além da habilidade nata com a bola no pé, era preciso nos passes e chutava forte. Sabia fazer gols. Fazia muitos gols. Muitos deles de fora da área.

Não demorou também e o Campinense - dividindo com o Treze o domínio do vasto império do futebol da Borborema - conquistou Salomão para fazer parte do seu elenco. Naquele ano mesmo, contrato assinado e registrado na federação como profissional do rubro-negro paraibano, Salomão conquistou o seu primeiro título: Campeão Paraibano de 1960. Era o médio-volante, dotado de vocações ofensivas, de um time que tinha o goleiro Cazuza, o volante Preta e os atacantes Zezinho e Ibiapino, nomes conhecidos do futebol do nordeste. No Campinense, Salomão foi ainda bicampeão. Bicampeão paraibano de 60-61.

Na época, estava em curso no Náutico, ali bem perto no estado vizinho, o grande projeto do início dos anos 60 que privilegiava o jogador da região tendo como objetivo formar uma equipe forte mesclando jogadores da base com jovens revelações do futebol dos estados vizinho. De Alagoas, foram contratados o goleiro Lula e o zagueiro Gernan; do Ceará, o volante Evandro; na Paraíba foram buscar a dupla Salomão-Rinaldo. Salomão do Campinense; Rinaldo do time rival, o Treze.

Salomão chegou ao Náutico um pouco antes de ter início o Pernambucano de 1962. O comando técnico do time estava entregue ao argentino Alfredo González, também recém-chegado aos Aflitos, com quem Salomão iria se dá muito bem. Sua primeira partida com a camisa do Náutico não demorou. Tudo acontecia de repente com Salomão... Foi em um amistoso antes de começar o campeonato, contra o Paulistano de sua Campina Grande, lá mesmo em terras paraibanas. Vitória fácil do Náutico, 4x0 no placar. Festa para Salomão. Dom Alfredo González ficava conhecendo com quem ia contar para o campeonato. Salomão ia se acostumando com o convívio ao lado de quem ia jogar de agora em diante. Conhecendo o jeito de bater na bola de Gílson Costa, dos irmãos Nado e Bita, de Eric e de Tião. A estréia oficial se deu logo depois, a 27 de maio. No campo do Central, em Caruaru, jogo do turno contra os donos da casa. Vitória alvirrubra por 2x0, dois gols do carioca Gilbert, meia-avançado pela direita, também estreante.

O novo volante do time já era o dono da meia cancha do time do Náutico quando, em agosto, três meses depois de sua estréia, chegava aos Aflitos para jogar ao seu lado ninguém menos que Rinaldo, outro cracaço de bola com quem até há pouco dividia, em clima de rivalidade, a preferência dos torcedores de Campina Grande. Rinaldo era o meia-esquerda do time rival, do Treze. No Náutico formariam uma dupla que marcou época. Seriam campeões juntos em 1963, início da jornada do Hexa. Um ao lado do outro no meio do campo até quando tiveram que se separar, ainda que continuassem no mesmo grupo, em face da chegada de Ivan Brondi, vindo do Palmeiras. Alfredo González foi quem preferiu desse jeito. O novo companheiro de Salomão no setor seria Ivan; Rinaldo era deslocado para a ponta-esquerda.

O nível do futebol de Salomão só fez crescer desde que chegou ao Náutico, rodada após rodada, jogo a jogo. Ao lado de Rinaldo, depois tendo Ivan ao seu lado. Em meados de 1964 tinha chegado ao topo. O Nàutico era líder invicto do Campeonato, 17 partidas sem derrota, nenhum empate sequer. Mais três vitórias pela Taça Brasil, duas contra o Paysandu de Belém e o da partida de ida contra o Ceará, nos Aflitos. O time do Náutico era "Os Intocáveis". Salomão dividia com Bita, Nado, Ivan, Lula e Lala as honras de estrelas de maior grandeza dentro constelação. Foi quando aconteceram em setembro os fatídicos jogos contra o Ceará no Presidente Vargas, em Fortaleza. Jogos históricos que custaram a perda da invencibilidade timbu, a desclassificação da Taça Brasil e a contusão que quase lhe tira a vida.  O jogo que afastou Salomão por uns tempo dos gramados aconteceu no dia 29 de setembro. O Ceará, que já tinha vencido o primeiro confronto de Fortaleza por 1x0, venceu agora de goleada, 4x0, em jogo tumultuado e dramático. Salomão sofreu a rotura de um dos rins, somente diagnosticada depois do jogo. Vítima de uma hemorragia interna, teve que ser operado, o que só viria acontecer seis dias depois, no Recife. Ficou sem jogar por uns tempos. Voltaria ao time somente em jogos amistosos no ano seguinte.

Em meados do novo ano, no mês de maio, seu passe foi cedido ao Santos. Na Vila Belmiro, iria jogar o lado dos maiores craques brasileiros da atualidade. No Santos de Pelé, Carlos Alberto Torres, Orlando, Mauro, Mengálvio, Toninho, Pepe, Zito, Dorval e Gilmar. Depois de dois anos no Santos, Salomão se transferiu para o Vasco da Gama. No time carioca iria viver uma nova experiência em um outro grande centro, o Rio de Janeiro. Teria a oportunidade de jogar também ao lado de craques renomados, jogadores a nível de seleção, como o goleiro Valdir, Brito, Fontana, Oldair, o uruguaio Danilo Menezes e seu ex-companheiro Nado.

Depois de mais um ano fora do Recife, Salomão resolvei voltar. Falou mais alta seu desejo de terminar o curso de medicina. Em outubro de 67, estava novamente vestindo a camisa do Náutico, jogando em gramados pernambucanos. No primeiro dia do mês, na Ilha do Retiro contra o Santa Cruz, passados quinze dias no Pedro Víctor, em Caruaru, contra o Central, uma semana depois diante do América cearense pela Taça Brasil, nos Aflitos. Estava novamente em casa. Os Aflitos era, desde que deixara o lar paterno no começo da década, a sua segunda casa, agora a sua verdadeira casa.

Salomão jogaria ainda até o fim do ano e do contrato. Mais de uma dezena de jogos, totalizando 17 partidas nesse retorno, jogos pela Taça Brasil e jogos pelo Pernambucano na jornada do Penta. No Náutico, jogaria até o fim do ano e do contrato. Mais de uma dezena de jogos num total de 17 partidas - um amistoso em Garanhuns nessa nova estréia, contra o Sete de Setembro (0x3), intercalando a seguir nove jogos pela Taça Brasil e sete pelo Pernambucano na jornada do Penta. Marcaria três gols todos ele de suma importância, contra o América do Ceará 1x0 nos Aflitos, contra o Atlético Mineiro na Ilha (Náutico 3x0), contra o Cruzeiro, outra vez na Ilha, Náutico 3x0. E de quebra, contribuiria para a conquista invicta do pentacampeonato, o que aconteceu nos Aflitos, no jogo contra o Central, no domingo 10 de dezembro.

Passadas as festa do fim do ano, Salomão anunciou o que todos esperavam: não ia mais jogar futebol profissional. Havia conseguido o que queria: retornar a faculdade através da reabertura da matrícula, trancada dede 1965. Retornou para fazer o 2º ano de medicina, Em 1972, no dia 8 de Dezembro, como era traição naqueles idos, recebia das mãos do reitor Professor José Marcionilo Lins, um alvirrubro de fé, tão apaixonado quanto ele, o diploma de doutor em Medicina em solenidade realizada no auditório da Universidade, no Engenho do Meio.

O jogo de ida contra o Palmeiras na Ilha do Retiro, na disputa do título da Taça Brasil, valendo o título de Campeão Brasileiro e disputado em dezembro, fica como o jogo da despedida de Salomão. Nos Aflitos, tinha jogado sua ultima partida dias antes, no dia da conquista do título estadual, contra o Central. Nada mais emblemático - ser campeão diante de sua torcida na hora de se despedir da casa que o tinha acolhido como um filho quando aqui chegou.


E em que pese não ser de todo desprezível a passagem por dois dos mais destacados clube brasileiros, o Santos de Pelé, e o Vasco dos anos 60, é nos Aflitos onde Salomão viveu seus melhores momentos. Por isso mesmo a torcida timbu nunca lhe negou o aplauso. Nas mais diversas publicações daquele tempo %u2212 em jornais, revistas esportivas e livros - ficaram registrados os melhores elogios a Salomão. Dele se disse que "fazia um par-de-deux com a bola". "Não a chutava até porque não se chuta uma dama". Do meio do campo do Náutico, "deslizava a bola para os companheiros. Lançamentos suaves como bolhas de sabão..." As palavras entre aspas são do publicitário Norton Ferreira inseridas em "Todos Juntos, Vamos/Memória do Tri", de Alex Medeiros. E mais disse dele, o conhecido profissional da comunicação: "Era o nosso Ana Botafogo. E tinha nome de rei".

Por tudo isso, mesmo não estando entres aqueles que mais vezes vestiram a camisa do Náutico (108 vezes em sua primeira passagem pelo clube, dezessete da segunda vez, totalizando 125 partidas disputadas pelo clube), Salomão integra o time dos sonhos do Náutico de todos os tempos, formado de numa enquete realizada pelo Jornal do Commercio em 2001, por ocasião das comemorações pela passagem do centenário do clube. A enquete contou com a participação de jornalistas, escritores e torcedores ilustres. Foi este o resultado: Lula; Gena, Mauro Calixto, Fraga e Marinho Chagas; Salomão, Ivan e Vasconcelos; Nado, Bita e Lala.

Salomão especializou-se em neurologia. Cinco anos depois de formado, viajou para a Europa com o objetivo de se aprimorar na especialidade. Antes, estivera durante um ano, o de 1976, no Hospital São Paulo da Escola Paulista de Medicina. No Velho Mundo, ficou dois anos (1977-78), na França, como médico-estagiário do Hospital Cochin do Boulevard Port Royal, em Paris.

Casado, com dois filhos, Salomão Sales do Couto, 41 anos de médico, dedica-se à neurologia clínica no Recife com consultório instalado na rua conselheiro Portela, vizinho ao estádio dos Aflitos. Estádio querido  onde brilhou por cerca de quatro anos em seu gramado como profissional de futebol. Na outra atividade em que dividiu sua paixão e viveu seu sonho.

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Santa Cruz
O gosto dos torcedores
postado em 13 de fevereiro de 2017


MÁQUINA DO ESPORTE


O Santa Cruz marcou data para apresentar o novo uniforme 3 do time; a estreia da nova vestimenta será no dia 25 de fevereiro, em partida contra o Uniclinic. E a camisa terá um detalhe diferente: ela foi desenhada por um torcedor.

Trata-se do resultado da ação Manto das Multidões, lançada no fim de 2016, quando a Penalty acertou o atual contrato com o time pernambucano. Na ativação da empresa, os torcedores podiam mandar sugestões de desenhos para a camisa 3, que foram selecionadas e passadas por um processo de eleição na internet.

A empresa ainda não divulgou qual foi o modelo escolhido. Na votação final, apenas cinco camisas estavam na disputa.


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Futebol Brasileiro
A formação deformada
postado em 13 de fevereiro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Aqueles que acompanham o blog, conhecem bem o que pensamos sobre o processo de formação do futebol brasileiro, o responsável para alimentar a renovação desse esporte.

Quantos artigos fizemos sobre o assunto, em especial nos últimos dias sobre a seleção Sub-20 do Circo Brasileiro do Futebol, analisando os seus jogos no Sul-Americano classificatório para o Mundial da categoria?

Um time desarrumado, cada um por si, e alguns atletas com olhos na Europa por orientação dos empresários. Deu no que deu.

Esse é o modelo de nossa formação. Os cartolas do Circo falam alto quando afirmam que realizam várias competições com atletas das bases, mas deveriam fazer uma analise sobre a existência ou não de um retorno positivo.

Atletas em formação não devem se preocupar com títulos e sim com uma preparação adequada para o futuro. O individual na busca de um sonho mais alto, está ocupando o espaço do coletivo.

O pai em casa já orienta o filho a pegar a bola, partir para cima dos adversários e marcar um gol, e isso irá resolver os problemas da família.

O futebol não pode e não deve ser tratado como uma tábua de salvação econômica e sim um caminho a ser percorrido para que possa chegar a tal.

A maioria dos clubes brasileiros não tem centros específicos para o trabalho de base, o que já dificulta a formação. Perdemos o maior celeiro que era representado pelos campos de peladas, e não conseguimos trazer para esses tal potencial que ficou abandonado.

A base de tudo está na escola, que começa a projetar o atleta do futuro, mas isso também não acontece por conta do sistema educacional do país, degradado e formando analfabetos.

Os clubes poderiam ter parcerias com o setor da educação para a captação de novos talentos.

O futebol de base deveria ser entregue ao que de melhor existe no setor, profissionais competentes, do mesmo nível daqueles que comandam as equipes principais. Hoje é tudo ao inverso.

Não é producente o amontoado de jogadores em alojamentos desconfortáveis como ainda acontece em boa parte do país, como gados confinados para engorda.

A maioria não frequenta a escola, que é prejudicial para o futuro, desde que quanto mais tenha conteúdo maior será a possibilidade de algo mais.

O atleta de base não pertence mais aos clubes e sim aos seus agentes, que os carregam debaixo do braço acompanhando-os em todas as atividades. Sem dúvida é algo pernicioso que deveria acabar.

Hoje o jogador em formação é clone de alguns atletas do time de cima. Cabelos, tatuagens, maneira de andar e se vestir, são os componentes que irão fazer parte de sua vida, que na verdade não é salutar. Um trabalho de base deve formar o atleta/homem em todas as suas concepções.

Os fundamentos tem que ser ensinados. Quando assistimos jogos dessas categorias observamos os atletas cabeceando com olhos fechados, marcado a bola e não o adversário, entre outros erros que vem da falta de formação.

Formar é educar o homem. O modelo atual não está procedendo dessa forma.

Quando um jovem apresenta maior habilidade, no lugar de aprimora-la, os empresários sonham com um rico contrato e suas comissões.

Um verdadeiro devaneio.

A não classificação da seleção SUB-20 já era uma morte anunciada há um bom tempo e o melhor exemplo de que a formação no futebol brasileiro é uma deformação.

Tudo isso faz parte do sistema apodrecido do futebol nacional, e se não for modificado os clubes irão continuar contratando estrangeiros para que possam suprir as vagas abertas, que não estão sendo preenchidas pelas bases.

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Copa do Nordeste
Sport 2x2 Ríver. Parece que foi tabelado
postado em 12 de fevereiro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

O placar de 2x2 parece que foi tabelado para o confronto entre Sport e Ríver do Piauí na Copa do Nordeste. Na edição de 2016 os dois times se enfrentaram duas vezes e o marcador foi o mesmo registrado neste sábado a noite, na Ilha do Retiro. O jogo de volta está programado para o dia 25, sábado de carnaval, às 21h, no Estádio Albertão, em Teresina/PI. Quem errar o passo, e sair do compasso, perde a liderança. Ontem, quem "dançou" feio foi a defesa leonina ante o gingado de Viola, fato que deve ter deixado o técnico Daniel Paulista, prevendo o que pode vir acontecer na casa do adversário em pleno Sábado de Zé Pereira. Por sorte no Piauí não existe Galo da Madrugada.

Os dois times = Sport e Ríver = estavam com suas defesas invulneráveis, vinham de duas vitórias e se creditaram a protagonistas de uma festa que, pelo resultado do jogo = 2x2 = acabou sendo da equipe piauiense, mantida na liderança do Grupo C pelo saldo de gols. Mas como diz o leonino, Ricardo Medeiros, "eu quero saber é do meu time". Pois bem! O Leão não fez uma boa apresentação. Mais ainda: exibiu uma fragilidade defensiva que ainda não havia sido exposta por conta das limitações dos adversários enfrentados, até então, no Pernambucano, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil onde goleou o fraco time do CSA por 4x1, no meio da semana, em Maceió.

A lentidão dos zagueiros, Durval e Ronaldo Alves, e os poucos recursos dos laterais, Samuel Xavier e Mansur, levaram os torcedores presentes ao estádio à certeza de que se faz necessário reforçar o sistema defensivo para a disputa do Brasileiro da Série A. Ano passado o Sport teve o sexto melhor ataque da Série A, e a quarta defesa mais vazada. Até o momento nada foi feito no sentido de "fechar a porteira", que ficou mais escancarada após a saída de Renê para o Flamengo. Para competições do nível do Estadual e da Copa do Nordeste o quarteto defensivo do rubro=negro pernambucano pode até dar para o gasto, mas suas limitações são inquestionáveis.

Desde 2014, quando conquistou os títulos do Pernambucano e da Copa do Nordeste, que o Sport tem uma forma de jogar. A bola se movimenta da mesma forma na saída de jogo, na passagem pelo setor de armação até chegar ao ataque. Na linha de frente há sempre um atacante que explora o setor direito, fato que possibilita o treinador a definir alternativas táticas, a buscar variantes no plano de jogo. Ano passado foram feitos investimentos em profissionais que atuavam como referências de área e nenhum deu certo. No futebol existem coisas que são imutáveis, por mais revolucionário que seja o sistema de jogo ou a filosofia implantada por um treinador. Embora alguns "professores" chamam a lateral do campo, principalmente no setor de ataque, de "zona morta", as jogadas construídas por aquele setor deixam as defesas adversárias em polvorosa. Everton Felipe ocupou bem o lado direito do ataque leonino na temporada 2016. Evoluiu e foi um dos destaques do time. Este ano Daniel Paulista tem posto ele para jogar num outro posicionamento. Contra o Ríver o Sport começou jogando sem um atacante pela direita. Durante o jogo o treinador procurou consertar o equívoco, neutralizou o principal setor de construção dos contra=ataques do adversário e deixou time da casa mais agudo, com Rogério fazendo acontecer num espaço que ele tão bem conhece.

A expectativa sobre a estréia de André era grande, mas nada se podia cobrar do atacante que tem a característica de flutuar pelo setor direito do campo. As qualidades do reforço que custou cerca de R$ 5 milhões aos cofres do Leão são inquestionáveis. No reencontro com a torcida que o idolatra, André foi horrível na cobrança de um pênalti, mas teve a oportunidade de se redimir na mesma jogada e marcou o gol que daria a vitória ao Sport, caso não tivesse ocorrido a lambança na qual o lateral Samuel Xavier foi o grande protagonista. Erro que redundou no segundo gol do Ríver. Com erros e acertos de ambos os lados, num jogo de baixo nível técnico, a tabela foi justa: 2x2.  

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