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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O cardápio do futebol para esta quarta-feira atende a todos os gostos: final da Copa São Paulo de Futebol Júnior; última rodada da primeira fase do Campeonato Pernambucano; estreia de Sport e Santa Cruz na Copa do Nordeste e, por fim, o amistoso da Seleção Brasileira com a Colômbia, no Engenhão, no Rio. à para saciar a sede de qualquer torcedor. Dentro de seus respectivos universos, todos os jogos têm seus atrativos. Evidente que, para nós pernambucanos, as coisas nossas nos chamam a atenção.
Ontem, em conversa com o experiente jornalista, Amaury Veloso, com quem trabalhamos por mais de duas décadas no Diário de Pernambuco, ele nos revelou um sentimento do qual comungo: a pouca divulgação, este ano, da Copa do Nordeste. Embora a competição siga recebendo toda a atenção do Canal Esporte Interativo, que sempre deu uma boa cobertura ao futebol da região, observamos que falta uma empolgação maior do torcedor para com o torneio que vem tomando o espaço dos estaduais.
Acompanhamos todas as edições da Copa do Nordeste. Confesso que o modelo mais interessante da disputa foi o utilizado na primeira edição, em 1994. Todos os jogos foram levados para um único Estado %u2013 Alagoas %u2013 seguindo o modelo da Copa do Mundo. A edição foi um sucesso, embora o modelo não tenha sido repetido. Apesar das mudanças a disputa seguiu sendo exitosa até que houve um hiato por conta de um desentendimento entre os promotores e a CBF. No seu retorno aconteceu um inchaço que provocou a queda da qualidade técnica. Sempre que se aumenta o número de participantes em uma competição à queda da qualidade técnica é inevitável. Isto é fato. Com a Copa do Nordeste não poderia ser diferente. E assim será na Copa do Mundo a partir de 2016, quando o número de seleções saltará de 32 para 48. Um absurdo.
Acredito que o empobrecimento técnico venha a ser a causa maior do desinteresse dos torcedores neste inÃcio da competição que, nas suas primeiras edições registou bons públicos.
CLAUDEMIR GOMES
Um hacker invadiu o blog do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, e causou um estrago imensurável, visto que, nos privou de uma boa leitura por um bom perÃodo de tempo. Mas como tudo tem começo e fim, o jejum acabou. O blog do JJ está de novo no ar para o deleite daqueles que gostam de boas análises sobre o desporto, em especial, sobre o futebol.
Aproveitamos e postamos um artigo que nos mostra o motivo principal de a maioria dos clubes brasileiros não conseguir dar continuidade a um crescimento que eventualmente tenha sido apresentado.
CLAUDEMIR
GOMES
A temporada de caça começou
neste final de semana para os clubes recifenses, e termina com o Campeonato
Pernambucano. Esta é a nossa realidade, como diz o mestre cartunista, Humberto
Araújo. Santa Cruz e Sport animaram suas torcidas com as conquistas das Copas
Asa Branca e Ariano Suassuna, respectivamente. TÃtulos que servem para
apimentar uma rivalidade que é o maior tempero da competição estadual. O trio
de ferro da Capital, Náutico, Santa Cruz e Sport estreiam neste meio de semana
na Copa do Nordeste, disputa onde eles também têm chance de levantar o tÃtulo.
Os torcedores mais exigentes
de Náutico e Santa Cruz podem defender a tese de que, na Série B, alvirrubros e
tricolores, se bem preparados, surgem como postulantes ao tÃtulo. O problema é
que a história nos mostra uma realidade bem diferente. O único tÃtulo do
Brasileiro da Série B no currÃculo do futebol pernambucano foi conquistado pelo
Sport em 1990. Vamos torcer para que, 27 anos depois tal façanha seja repetida
por Náutico ou Santa Cruz. Bom! Vale lembrar que estamos falando em tÃtulo, não
em acesso.
Quando o assunto fica
restrito à conquista do tÃtulo, a discussão gira em torno do futebol de
resultados, o que é válido, pois é o que se cobra em disputas relâmpagos como
as copas que foram disputadas no final de semana por tricolores e rubro-negros.
As duas maiores torcidas do Estado estão rindo à toa. Caso uma das duas não
tivesse festejado o tÃtulo que disputou, a gréa estava correndo solta pelas
ruas das cidades. Coisa da rivalidade. E o futebol apresentado por Santa Cruz e
Sport foi convincente? Alguém poderia perguntar. Sugiro que evitem comparações.
Em inÃcio de temporada falta ritmo de jogo e condicionamento fÃsico à s equipes.
A ausência de entrosamento é outro fator prejudica o esporte coletivo.
Existe uma distância técnica
muito grande entre o grupo de jogadores com o qual o Santa Cruz disputou a
Série A, ano passado, e o grupo recrutado para o desafio desta temporada. Primeiro
é primeiro em qualquer lugar do mundo. Portanto, não vamos exigir que um time montado
para disputar a Série B seja tão bom quanto um que foi formado para encarar o
maior campeonato do PaÃs.
A Copa do Nordeste começa a
ser disputada amanhã e o Pernambucano no final de semana. Em jogo os tÃtulos
mais importantes da nossa temporada de caça. Afinal, para os nossos clubes,
tÃtulos nacionais são coisas raras e pontuais.
CLAUDEMIR
GOMES
Com muita tristeza recebemos a notÃcia da morte de Carlos Alberto Silva, um dos amigos que o futebol nos presenteou, e que nos repassou muitos conhecimentos. A simplicidade era uma de suas marcas registradas. Ganhou notoriedade no futebol brasileiro quando conquistou o tÃtulo nacional no comando do Guarani de Campinas. Treinou grandes clubes e a Seleção Brasileira. Mas foi aqui, quando de suas passagens pelo Santa Cruz e pelo Sport que estreitamos nossa amizade. Nosso último encontro foi ano passado, quando da festa de lançamento do livro, Santa Cruz de Corpo e Alma, no Arruda.
Carlos Alberto sempre me dizia que sua grande frustração foi não ter conquistado o tÃtulo do Campeonato Pernambucano com o Sport. "O presidente, Roberto Massa, me deu tudo, ele merecia aquele tÃtulo", revelava sempre que tÃnhamos a oportunidade de relembrar fatos que marcaram nossa convivência. Além de João Caixero de Vasconcelos e Rodolfo Aguiar, ele tinha uma admiração especial por Adonias de Moura, a época editor de esportes do Diário de Pernambuco. Teve também desafetos. Quando treinava o Santa Cruz se desentendeu com o presidente Vanildo Ayres. Quando o Santa conquistou o tÃtulo de tri=super=campeão Ayres foi abraçar o treinador no vestiário e ele se negou a receber o cumprimento do presidente.
Em 1987, a Seleção Brasileira foi convidada para disputar a Copa Stanley Rous, no Reino Unido, e programou três amistosos: um na Irlanda, um outro em Helsinque, na Finlândia e um em Tel=Aviv, em Israel. Nosso editor, Adonias de Moura, eu e o fotógrafo, MaurÃcio Coutinho, fizemos esta cobertura. Fred Oliveira, então presidente da Federação Pernambucana de Futebol, foi um dos convidados da CBF nesta excursão. O Brasil empatou (1x1) com a Inglaterra e venceu a Escócia (2x0), resultados que lhes deram o tÃtulo do torneio. Nos amistosos, a equipe comandada por Carlos Alberto Silva perdeu para a Irlanda (1x0), venceu a Finlândia (3x2) e goleou Israel (4x0). Durante toda a excursão Carlos Alberto Silva teve em Adonias uma espécie de conselheiro. Sempre que tinha de tomar alguma posição consultava o editor do DP, ao qual ele tinha admiração e respeito.
A excursão a Europa serviu de preparação para a Copa América que foi disputada na Argentina. Se dentro de campo a seleção começava a apresentar um acerto através do trabalho de reformulação iniciado por Carlos Alberto Silva, nos bastidores o caos tomava proporções que fugiam ao controle. O futebol era controlado por Nabi Abi Chedid, que não comungava do mesmo pensamento do presidente da CBF, Otávio Pinto Guimarães. Essa espécie de Torre de Babel chegou ao vestiário onde era notória a insatisfação do grupo de jogadores, coisa que não foi bem administrada pelo treinador. A goleada sofrida pelo Brasil (4x1) para o Chile, culminou com a queda de Carlos Alberto.
No dia seguinte a esta "tragédia", quando chegamos à concentração da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Silva chamou Adonias de Moura e pediu a ele para acalmar o assessor de imprensa da seleção, Robério Vieira (Gata Mansa), que passara a noite bebendo e estava revoltado com o comportamento de alguns jogadores, que na opinião dele, havia feito corpo mole. São muitos os episódios vivenciados com Carlos Alberto Silva, e que gostávamos de relembrar sempre que tÃnhamos oportunidade.
Passagens que agora guardo na minha lembrança.