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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Os dias que separam os festejos do Natal e do Ano Novo nos deixam com a impressão de um espaço onde nada acontece. Teoria que ganha força quando o assunto é futebol. Sigo as ondas do rádio; garimpo novas notÃcias em sites especializados na internet; busco novidades nos canais esportivos na TV por assinatura, nada me chama a atenção. A rotina do fim da temporada não se altera. São reprises de fatos com personagens diferentes. O factual das transferências de jogadores funcionam como gotas de orvalho regando esperanças que alimentam torcedores.
Um monte de assuntos pendentes voltam à tona em discussões superficiais, sem embasamento. A crônica falta de recursos, junto a pecaminosa antecipação de receitas, escancara a pobreza e a realidade do futebol pernambucano cujo universo de conquistas se resume ao Estadual e a Copa do Nordeste. Evidente que o torcedor sonha com mais, entretanto, o plus, quando ele acontece, é obra do acaso. Não se trata de nenhum pessimismo. Nossa análise é baseada em fatos, ou seja, tem a marca do pragmatismo. Na geografia do futebol brasileiro o Nordeste funciona como uma reserva de mercado, nada mais que isso. A região não atrai grandes investidores. Em todos os projetos nossos clubes funcionam como apêndices, ou seja, são descartáveis.
à possÃvel mudar o cenário? Os números apontam para tal possibilidade. O Bahia fez uma projeção de recursos para 2017 em torno de R$ 100 milhões. O Sport fala em cifras próximas aos R$ 90 milhões. Evidente que tal montante é o somatório de todas as receitas. O desafio está na contenção das despesas. Na maioria dos casos, os clubes gastam mais do que arrecadam, razão pela qual estão sempre no vermelho. O crescimento do passivo, ano após ano, é justificado pela falta de uma polÃtica pés no chão. O futebol é movido pela emoção, razão pela qual, dentro da nova ordem, os clubes contratam executivos para tocarem os projetos. Afinal, os gestores amadores são, antes de qualquer coisa, grandes e fieis torcedores.
Nossos clubes não assumem o perfil de formadores. Ao não aceitarem tal identidade passam a funcionar como barriga de aluguel, pagam salários altÃssimos, fora da realidade da região, a jogadores e treinadores, provocando um caos financeiro irreparável. Ao final das temporadas "é de pior a pior, a cantiga da perua é uma só". A queima de fogos na passagem do ano é sempre esperança de um novo tempo.
CLAUDEMIR GOMES
No seu último tÃtulo = Tempos vividos, sonhados e perdidos / Um olhar sobre o futebol = Tostão faz uma breve narrativa sobre as diferenças do relacionamento e da convivência entre jogadores e profissionais da mÃdia na sua época de jogador, e nos dias de hoje. Diria que a diferença é da água para o vinho. Evidente que temos de nos curvar as evoluções impostas por diversos setores e motivos. Vivemos na época da comunicação onde a evolução imposta pela internet nos últimos trinta anos parece ter colocado o mundo de ponta cabeça. Novos conceitos foram criados sem a preocupação das causas e efeitos. A força das redes sociais criou novos canais de comunicação promovendo uma ligação direta com o público alvo. Tal fato provocou um verdadeiro alvoroço na grande mÃdia, e muitos são os setores que ainda não se encontraram.
A evolução tecnológica é fato. Quando iniciei minha carreira jornalÃstica as redações eram cheias de máquinas olivetti, remington..., e quando viajava para alguma cobertura, as matérias eram enviadas via telex. Os companheiros, Lenivaldo Aragão e Amaury Veloso vivenciaram tempos mais difÃceis porque tinham que ir ao aeroporto de onde estivessem, procuravam identificar algum passageiro que vinha para o Recife e pediam o favor para eles entregassem o material no Diário de Pernambuco. Quando surgiu o fax foi uma evolução muito grande. A primeira Copa que utilizei o notebook foi a de 1994, nos Estados Unidos. De lá pra cá a evolução tecnológica ocorreu numa velocidade impressionante. Nos dias de hoje, o repórter de posse de um smartphone, ou um outro aparelho similar, envia textos, fotos, vÃdeos, para a redação, ou faz postagens em tempo real de onde estiver.
As distâncias foram encurtadas, mas novas barreiras foram criadas para os caçadores de notÃcias. Em nome da "profissionalização", clubes, entidades esportivas trataram de encurtar os espaços e tornaram os profissionais da mÃdia em seres quase estranhos para os jogadores. Engessados, os repórteres se limitam a receber material das assessorias e as empresas, principalmente as rádios passaram a funcionar como se fossem repetidora dos clubes. As associações de classe perderam a força porque a maioria dos seus diretores são funcionários de grandes empresas que aceitam as novas regras. Sem o estreitamento de amizade que existia antes, muitos profissionais passaram a utilizar o Twitter como ferramenta para se comunicar direto com seus seguidores. Uma postagem de uma celebridade no seu twitter viraliza de forma imediata. O jornalismo esportivo ainda não se encontrou dentro da nova ordem.
Perdidos no espaço, a saÃda tem sido a do achismo, fato que empobrece os noticiários, até porque, como dizia o Comodoro Rubem Moreira, "repórter não acha, repórter simplesmente reporta". Sinais dos tempos.
CLAUDEMIR GOMES
A Engenho de MÃdia nos presenteou com uma coletânea de TEXTOS = Artigos e Crônicas = tendo como mote o fim de ano. Jornalistas, juristas, escritores, publicitários, pessoas com mentes brilhantes e formações diversas, nos brindam com narrativas espetaculares, e nos mostram como a vida é efêmera e fugaz. A maioria dos autores faz questão de expor seu otimismo em relação ao futuro. O ex=companheiro de redação no Diário de Pernambuco, Raimundo Carrero, pragmático e conciso, afirma que, "Se existisse no calendário um ano para esquecer, 2016 seria apagado a ferro e fogo". Concentrei o pensamento no futebol pernambucano, sobre o qual o pensamento de Carrero cai como uma luva.
Lembrei do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que, diante do atual cenário, não nutre nenhum tipo de otimismo em relação ao futuro do nosso futebol. Acompanho os noticiários e me sinto familiarizado com as mesmices. Sabemos que o tempo não pára, mas nada muda nos nossos clubes. "à a nossa realidade", afirma o amigo e amante do futebol, Humberto Araújo, que enriquece a publicação da Engenho de MÃdia com uma charge espetacular.
As mudanças implicam em novas idéias, novas mudanças, novas atitudes, novos comportamentos e novos paradigmas. Portanto, é preciso pensar fora da caixa. Eis o desafio. Tudo gira em torno do factual. Projetar e executar não é tarefa fácil no futebol brasileiro. O princÃpio de tudo é a formação. A partir do momento que os nossos clubes se conscientizarem de que são formadores, e partirem para um investimento efetivo na base a estrutura se fortalecerá e será consolidada.
Em 2016 o Sport investiu mais de R$ 3 milhões na base, e teve 12 jogadores convocados pela CBF para as seleções de base. O aproveitamento das novas gerações é a garantia de um futuro próspero. Formar jogadores não quer dizer que o clube ficará com todos sob o seu guarda=chuva. Futebol é business. E no mundo dos negócios sobrevive quem tem melhor qualidade. Enquanto os nossos clubes não estruturarem melhor a base, investirem melhor na formação de jogadores, com profissionais qualificados nas comissões técnicas, vamos ficar aguardando o anúncio do "presente de Papai Noel".
CLAUDEMIR GOMES
A vida tem muitas propostas,
algumas até "indecorosas", tipo, infarto. Foi justamente o que
ocorreu comigo no inÃcio do mês. Resultado: fui obrigado a tirar o time de
campo. Parentes e amigos formaram uma corrente positiva que me levou a sentir,
apesar dos riscos pelos quais passava, o doce sabor da solidariedade. Em nenhum
momento me senti só. Como tenho formação cristã, e na condição de ex=aluno
salesiano, segurei na mão de Deus e de Nossa Senhora Auxiliadora. Não larguei
hora nenhuma. E surgiram dois "anjos da guarda": Dra. PatrÃcia e Dr.
Carlos Eduardo Montenegro, alvirrubra e rubro=negro respectivamente, que juntos
com todos os outros profissionais formam um time por demais harmonioso.
No momento estou em transição, ou seja, voltando aos poucos, mas já é uma grande coisa após momentos de turbulência.
Bom! Como costumam dizer os boleiros: "Tamos juntos e misturados".