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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O sinal de alerta está aceso na Ilha do Retiro desde o primeiro turno do Brasileiro da Série A. Afinal, o Sport povoou a zona de rebaixamento por várias rodadas, e mesmo emplacando uma sequência de seis jogos onde permaneceu invicto, não conseguiu, em nenhum momento da disputa, figurar na parte de cima da tabela. Enfim, o Leão descreveu uma campanha marcada pela oscilação, e sempre com saldo negativo. Os jogos finais, contra América/MG e Figueirense, adversários que já estão rebaixados para a Série B em 2017, deixam a torcida leonina com a quase certeza de que o clube se livrará do rebaixamento.
A expectativa do livramento da queda passa pelo exercÃcio da secação. Hoje a noite a tarefa dos rubro=negros é secar o Internacional que enfrenta o Corinthians. Caso contabilize os três pontos em disputa, o Colorado fica a um ponto do Sport na tabela de classificação, com a mesma pontuação do Vitória/BA. Sport, Vitória e Internacional lutam para escapar da queda. Além do jogo de hoje o Inter terá o Cruzeiro e o Fluminense como adversários nas duas rodadas finais. O Vitória/BA medirá forças com o Coritiba e com o Palmeiras. Portanto, teoricamente os "obstáculos" do clube pernambucano são menores, ou mais fáceis de serem transpostos.
As probabilidades existentes no campo da teoria podem ser anuladas pelo desempenho dos times em campo. Na realidade nenhum dos três times inspira total confiança em seus torcedores. Como depende unicamente dos seus resultados para se livrar do rebaixamento, o Sport está menos pressionado. à torcer para que o seu jogador de melhor qualidade técnica, Diego Souza, saia do lugar comum e faça a diferença. O elenco do Leão é de grande limitação técnica, realidade que fica escancarada cada vez que o treinador busca peças de reposição na tentativa de encontrar uma alternância tática e não consegue uma resposta positiva por conta da baixa qualidade técnica dos profissionais que dispõe.
Bom! A sofrência irá até o fim. Segundo a turma da arquibancada, pior do que torcer para time ruim é ficar na obrigação de secar adversários. Coisas de um pobre futebol. Afinal, falta de qualidade também tem um alto preço.
CLAUDEMIR GOMES
"Minhas raÃzes estão no ar
Minha casa é qualquer lugar
Se depender de mim
Eu vou até o fim..."
Acima temos um trecho da letra da música "Até o fim", da banda Engenheiros do Hawaii, que considero uma tradução perfeita para o momento vivido pelo Náutico, neste final de semana, na sua luta incansável em busca do acesso à Série A. E o Timbu fez da casa do Tupi, em Juiz de Fora/MG, o lugar apropriado para mandar um recado, em forma de goleada (4x1): que segue vivo, muito vivo, na busca do seu sonho.
De uma coisa temos certeza: se depender do time comandado por Givanildo Oliveira, ele vai até o fim. O último confronto, a batalha final, será contra o Oeste, na Arena Pernambuco, que por certo abrigará o maior público da temporada. O bordão, "jogo de vida ou morte", bastante usado no futebol, é a melhor definição da partida do Náutico com o Oeste, marcada para o próximo sábado. Aos dois times só interessa a vitória, ou seja, ambos irão a campo pressionados pelo resultado. Em tais circunstâncias, o mando de campo faz uma diferença absurda, principalmente quando os donos da casa são respaldados por uma grande, ruidosa e participativa torcida. O posicionamento dos dois clubes na tabela de classificação, e as metas que perseguem neste último jogo do ano, servem para definir a distância técnica que separa as duas equipes. Mas sabemos que futebol é jogo traiçoeiro, onde nem sempre vence o melhor. Portanto, a energia que emana das arquibancadas pode funcionar como ponto de desequilÃbrio a favor do alvirrubro pernambucano.
A previsão é de que Náutico e Oeste farão um jogo antológico. Há muito que o time paulista não vence. As duas equipes chegam à batalha final com o mesmo número de derrotas: 13. O Oeste descreveu uma campanha com a marca da igualdade: empatou 17 vezes e somou 7 vitórias. Por outro lado o Náutico contabilizou 18 vitórias e 6 empates. Um empate, ou uma derrota, pode livrar o Oeste do rebaixamento. Para que esta possibilidade se torne real basta o Joinville perder para o Vila Nova. Como o futebol tem suas ironias, o Náutico mesmo somando os três pontos em disputa, alcançar o número desejado de 19 vitórias, pode não atingir a meta que é o acesso, pois depende de tropeços de Vasco e Bahia. Mas isto é uma contingência. Primeiro, as primeiras coisas, ou seja, a obrigação do Timbu é vencer o Oeste.
à seguir cantando:
"Não vim até aqui
Pra desistir agora
Se depender de mim
Eu vou até o fim..."
CLAUDEMIR GOMES
Quem já passou pelo ensino médio se lembra do "Teorema de Pitágoras", que deixava milhares de estudantes em pânico, tal a dificuldade que encontravam de equacionar questões onde o dito cujo estava incerido. Pois bem! O processo sucessório do Sport nos parece mais confuso que o teorema mais famoso da geometria. O problema é que na Ilha do Retiro não existe uma definição do que são catetos e hipotenusa. E as triangulações são feitas, muitas vezes sem respeitar lados e somas, fato que leva o que é quadrado a se transformar em retangulo num piscar de olhos. A dinamica das "conspirações" que acontecem nos bastidores é tão intensa quanto a do futebol.
Tal como acontece nas corridas de longa distância, meia maratonas e maratonas, a sucessão do clube rubro-negro foi puxada por um "coelho", ou seja, um candidato que não tem fôlego para chegar ao pódio. Em seguida foram sendo sugeridos nomes com credibilidade, mas que por um motivo qualquer se esquivaram do processo: Eduardo Monteiro, Luciano Bivar, Milton Bivar, João Humberto Martorelli, Fred Domingos, Celso Stanford... São muitas as possibilidades, mas que vão sendo descartadas diante das objeções de A e de B.
Carente de um maior conhecimento da polÃtica do clube, o presidente executivo, João Humberto Martorelli, que teve o bom senso de reconhecer que não havia como chegar a um denominador comum com o ex-presidente, Luciano Bivar, quando o assunto é sucessão no Sport, retirou o seu nome da disputa, o mesmo acontecendo com Bivar. A expectativa passou a ser sobre o nome de consenso a ser apresentado pelo atual presidente executivo. O inÃcio da manhã foi marcado por troca de telefonemas e a surpresa com a proposta apresentada por Martorelli como nome de consenso: Arnaldo Barros, atual vice-presidente de futebol.
Uma sugestão que foi rechaçada de imediato por várias lideranças, por entenderem que o candidato da preferência do presidente pouco soma e representa o continuismo de uma gestão que é criticada pela maioria dos rubro-negros. Sem luz própria, Arnaldo Barros seria uma espécie de "poste" a ser imposto por Martorelli, que se equivocou por completo na sua sugestão por um nome de consenso.
As "costuras" continuam e é possÃvel que, até segunda-feira seja anunciado oficialmente um nome que venha agregar, como resultante de uma grande composição. Como diz o Teorema de Pitágoras, "a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa." O difÃcil é descobrir o que é quadrado e o que hipotenusa na Ilha do Retiro. Afinal, em toca de leão é difÃcil definir até os lados.