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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O mundo chorou pela Chapecoense. E segue consternado por conta do acidente aéreo que vitimou 75 pessoas, ocorrido próximo a cidade de MedellÃn na Colômbia. Confesso que, ao tomar conhecimento da notÃcia, na manhã da terça=feira, senti dificuldade de coordenar tantas informações. As que eram repassadas, em tempo real, pelo rádio e televisão, e as que brotavam da memória me levando a recordar inúmeros fatos. Duas coisas me chamam a atenção: a força do futebol e a solidariedade expressada, de diversas formas, nos quatro cantos do mundo.
O primeiro acidente aéreo do qual tomei conhecimento foi em 1961, ocorrido próximo ao aeroporto dos Guararapes. Ainda menino, morando em Carpina, ouvia os adultos acompanharem as notÃcias através do Repórter Esso, a época maior programa de jornalismo do rádio pernambucano. A noite, quando meu pai voltava do Recife, trazia consigo o Diário da Noite. As conversas e as fotos da tragédia me chamavam a atenção. A partir daquele momento acidente aéreo passou a ser sinônimo de muitas mortes para mim. Hoje, 55 anos depois daquele acidente, me surpreendo com tantas perguntas que faço sem encontrar explicações convincentes. A inquietação me deixa com a certeza de que, independente da idade e do conhecimento jamais teremos resposta para tudo. Somos pequenos diante do POR QUE.
O mundo está interligado. Isto é fato. As manifestações que aconteceram em todos os continentes, em decorrência do acidente envolvendo a delegação da Chapecoense, e um grupo de jornalistas que seguiam para a cobertura do primeiro jogo da final da Copa Sul=Americana, atestam tal realidade. O encurtamento das distâncias nos leva a tomar conhecimento dos fatos que ocorrem em qualquer lugar do planeta. Se o assunto trata de alguma tragédia o fato ganha uma dimensão maior. E surgem os exemplos de manifestações de solidariedade, que para muitos é maior que o amor, porque revela um desprendimento a fatos envolvendo pessoas que você sequer conhece.
Ao longo de nossas existências tomamos conhecimento de muitos acidentes aéreos, mas nenhum consternou tanto o PaÃs. E olha que aconteceram tragédias em solo brasileiro com um número bem maior de vÃtimas. Mas no desastre de MedellÃn havia o componente futebol. E a força do esporte mais popular do planeta levou todo o mundo a se solidarizar com a dor da cidade de Chapecó. Dentro de minhas indagações surge o por que um instrumento tão forte para se promover a união, a pacificação, seja usado para disseminar a violência? Chega a ser conflitante observar pessoas solidárias na dor e inimigas na paixão por um entretenimento.
Com certeza, isso não é coisa do futebol meu caro Edvaldo Morais (Tião).
CLAUDEMIR GOMES
Definitivamente o 26 de novembro passou a ser uma data aziaga no calendário dos torcedores do Náutico. A primeira edição do helloween alvirrubro foi em 2005, e ficou conhecido como "A Batalha dos Aflitos". Sábado, 11 anos depois, tivemos a segunda edição do festival de horror com "A Batalha da Arena". Desapontamento, frustrações e outros sentimentos dessa natureza não se mede. Os fatos nos dois episódios separados por mais de uma década marcam a transposição do "céu" para o "inferno" num piscar de olhos, coisa que acontece com relativa frequência no futebol.
A caça as bruxas foi iniciada no estádio, quando alguns torcedores mais exaltados invadiram o campo de jogo para fazer cobranças aos jogadores do Náutico e ao técnico Givanildo Oliveira. Em momentos como este, ou seja, logo após os "desastres" que acontecem no futebol, o açodamento aparece como marca registrada dos julgamentos. EquilÃbrio pós insucesso é algo quase impossÃvel no futebol, mas se faz necessário para o soerguimento e o fortalecimento das agremiações. O balanço tem que ser feito de toda a temporada, e não pinçar fatos pontuais e atribuir a eles a causa do fracasso.
O Náutico somou, como mandante, 41 pontos dos 57 disputados na Arena Pernambuco, tendo um aproveitamento de 72%. Antes de Givanildo os alvirrubros disputaram 11 jogos contabilizando 7 vitórias, um empate e 3 derrotas. Neste perÃodo o aproveitamento em casa foi de 66%. Sob o comando de Givanildo Oliveira os alvirrubros fizeram 8 jogos na Arena Pernambuco tendo somado 6 vitórias, um empate e uma derrota, contabilizando 19 pontos dos 24 que disputaram. Neste perÃodo o aproveitamento como mandante foi de 80%. Naturalmente que, sobre o treinador pesa o fato de a única derrota sofrida ter sido num momento que não poderia acontecer, ou seja, foi decisiva para permanência na Série B.
Em outras postagens, e nos nossos comentários na Rádio Globo, chamamos a atenção para o fato da queda de produção de alguns jogadores na reta final. Os que estavam escalados para serem protagonistas não passaram de coadjuvantes. As dificuldades financeiras que impossibilitaram o resgate do passivo junto ao elenco também pode ter interferido. Portanto, as análises precisam ser aprofundadas para não se perderem na superfÃcie do gramado.
CLAUDEMIR GOMES
Está definido: o Sport terá apenas dois candidatos concorrendo as eleições presidenciais que acontecem em dezembro. Pelo lado da situação Arnaldo Barros é o candidato a chefe do poder executivo e Homero Lacerda candidato a presidente do Conselho Deliberativo. Wanderson Lacerda é o candidato da oposição para suceder o presidente João Humberto Martorelli no executivo, e Severino Otávio é o indicado para a presidência do Conselho. Os blocos foram postos nas ruas em busca de votos numa campanha que deixou o clube com uma divisão bem explÃcita a partir do apoio de "lideranças".
As estratégias de campanha e afinação dos discursos ainda estão sendo definidas pelos dois grupos que têm o desafio de diminuir a grande rejeição de seus respectivos candidatos pelos eleitores, fato que exigirá de ambos os lados campanhas propositivas. O primeiro encontro de Wanderson Lacerda com os seus pares foi avaliado como bastante positivo, não apenas pela organização e definição do norte da campanha, mas, principalmente pela presença de uma nova geração que passará a ocupar cargos diretivos no clube, em caso de vitória da oposição, o que demonstra a preocupação com a renovação de diretores, fato que não ocorre há muitos anos no Sport, o que dar a agremiação um perfil de capitania hereditária.
Wanderson Lacerda foi um presidente vitorioso no futebol e desenvolveu um trabalho elogiável no patrimônio do Sport, quando contou com a atuação brilhante do seu vice, José Joaquim Pinto de Azevedo, a época apontado como o "grande prefeito da Ilha do Retiro".
Arnaldo Barros, candidato da situação, atual vice=presidente, é visto como uma espécie de "poste" do presidente, João Humberto Martorelli, que bancou a sua candidatura. Atuante, Barros esteve a frente do futebol leonino nos últimos anos, e não ganhou nada, o que pesa muito, de forma negativa, em um clube onde o carro chefe é o futebol. O patrimônio do clube, especificamente o complexo socioesportivo da Ilha do Retiro se encontra em crÃtico estado de conservação. Duas coisas devem ser ressaltadas em favor da atual gestão, e que credenciam o candidato da situação: a reforma administrativa, que se fazia necessária no clube, embora se questione a forma como foi executava, e o resgate do Centro de Treinamento que, graças a uma elogiável manobra polÃtica do presidente Martorelli, saiu das mãos da Associação Amigos do Sport para ser incorporado ao patrimônio do clube. A presença de Gustavo Dubeux na vice de Arnaldo é uma esperança de que o patrimônio volte a receber uma atenção especial do futuro gestor que representa a continuidade.
Com tantos equÃvocos cometidos no futebol, Arnaldo Barros não está sabendo tirar proveito do nome de Homero Lacerda, candidato a presidência do Conselho Deliberativo, para impulsionar sua campanha. Homero foi o diferencial na conquista do tÃtulo mais emblemático da história do Sport: Campeão Brasileiro de 1987. Uma conquista com a marca da luta e da persistência de um presidente que foi um verdadeiro leão nas batalhas travadas nos bastidores contra Flamengo, Clube dos 13, Rede Globo, Coca=Cola... Com alto Ãndice de rejeição, Barros teria que utilizar o seu companheiro de chapa como cartão de apresentação, tirando proveito da empatia que ele tem do sócio e torcedor.
Bom! A caça por votos começou. A ordem é diminuir a rejeição que existe aos dois candidatos à presidência do executivo. Só não vale apelar para baixaria.