Histórico
Acontece
Nada mudou no futebol nordestino
postado em 11 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Ontem conversamos com um amigo que entende bem dos assuntos esportivos, e em especial, sobre os do futebol, e obviamente que a região Nordestina e em especial o nosso estado foi o mais discutido, por ser dos nossos interesses.

O questionamento é o mesmo. O que mudou nos clubes e nas Federações? A resposta é bem simples: ¨Nada. Tudo continua como dantes¨. Os clubes com mais recursos e mais dívidas, e as entidades mais ricas.

Na noite do domingo assistimos a quinta tentativa do Fortaleza de ascender à Série B, com um estádio lotado com sessenta mil torcedores. Sentimos a dor daqueles que estavam presentes no Castelão. Mais um caso que reflete a decadência desse esporte no Nordeste.

A região Nordestina pena nas competições em que os seus clubes participam. O ABC de Natal com a sua passagem salvou um pouco o golpe sofrido pelo tricolor do Ceará. O Náutico tem chances de assim fazê-lo na Série B, enquanto os representantes na A, um está rebaixado, Santa Cruz, e os outros dois lutam contra tal fato, Vitória e Sport.

Os nossos problemas começam com entidades regidas pelas mesmas pessoas ou mesmos grupos por várias décadas. O trabalho de base sem projetar talentos, onde para suprir as necessidades se contentam com a contratação de dezenas de atletas, alguns desses de péssima qualidade.

As conversas são as mesmas, assim como as gestões. Dirigentes apaixonados e inteiramente amadores. Utilizam a paixão e esquecem a razão. Planejamento para esses é um palavra proibida, e deixam de lado os princípios da boa administração com reflexos nas suas agremiações.

Por outro lado, as Federações, e em particular a local, formam um retrato do que não se deve fazer nos esportes. As promessas de melhorias nunca são cumpridas. Os dirigentes usam e abusam das benesses do cargo, pouco se importando com os seus filiados.

Não existe um único projeto de recuperação da região, que se contenta com uma Copa do Nordeste, que hoje transformou-se em uma simples competição, e com a maioria dos clubes em processo de hibernação.

Que mal faz o esporte para ter dirigentes que assumem o poder, ganham status e, as vantagens do cargo, sobretudo para viagens, almoços, jantares, etc, e esquecem dos princípios básicos para que foram eleitos?

Não tem projetos, nem ideias para que o futebol possa prosperar. Os cartolas deveriam perceber que o cargo é para o bem coletivo, e não a serviço das vaidades e interesses pessoais.

Se existem culpados para a inércia existente no futebol regional são os clubes, os seus sócios, torcedores e a imprensa, que fingem que nada acontece, permitindo que o futuro continue sombrio.

Na verdade o futebol Nordestino, em especial o pernambucano não tem futuro.

Lamentável.

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Brasileiro Série A
A força da palavra
postado em 10 de outubro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

A palavra ganha força através de quem a profere. O atacante Grafite, jogador mais renomado do elenco do Santa Cruz, tem repetido, nas últimas entrevistas, que, uma das causas da fraca campanha do clube do Arruda foi a falta de planejamento para disputar a Série A. Há meses falamos sobre isto. Citamos, inclusive, a gratidão dos dirigentes para com jogadores que disputaram a Série B e foram mantidos no elenco para o desafio da Primeira Divisão, como um irremediável equívoco, erro cometido em 2006, no qual a diretoria não tinha o direito de incorrer. Nosso grito de alerta foi dado para que fossem adotadas medidas preventivas. O desabafo de Grafite ressalta uma das causas do efeito devastador que é o rebaixamento.

É louvável o esforço da maioria dos cronistas esportivos do Estado em alimentar esperança de salvação em relação ao Tricolor do Arruda. A sentença da queda foi decretada lá atrás, quando da montagem de um grupo sem qualidade. No momento em que as tendências começaram a ser definidas, que é justamente no returno do campeonato, o Santa Cruz despencou. Em dez partidas a equipe comandada por Doriva contabilizou uma vitória, dois empates e sete derrotas. O ataque coral marcou 13 gols contra 24 sofridos pela defesa, fato que deixa o time com um saldo negativo de onze gols. A vulnerabilidade do setor de contensão tem chamado a atenção dos analistas. Nas últimas quatro apresentações, uma sequência de quatro derrotas, com o time sofrendo três gols em todos os jogos.

O pragmatismo dos números não deixa espaço para elucubrações. O argumento de que "matematicamente há chance de escapar" é falho, não tem sustentação diante do norte dos números. Sabemos que a lei da relatividade se faz presente no futebol, contudo, "milagres" nesta amplitude não são operados, ou seja, é preciso respeitar a lógica que existe. O Santa Cruz, com um início de disputa avassalador, onde marcou dois empates na casa dos adversários e goleou Vitória e Cruzeiro pelo mesmo placar: 4x1, não demorou a cair em queda livre, tendo terminado o primeiro turno com onze derrotas. Como não foi feito nenhum investimento no sentido de qualificar o grupo, a consolidação da queda era uma questão de tempo.

A falta de planejamento levou o clube do Arruda a morrer no nascedouro. Um pecado cometido pela ilusão das conquistas do Pernambucano e da Copa do Nordeste, competições que não servem de referências para a Série A. Simples, mas os dirigentes do Arruda não capazes de se desvencilharem da emoção para enxergar tal realidade.     

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Acontece
O jornalismo esportivo
postado em 09 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  blogdejjpazevedo.com


Somamos muitos anos de experiência em esportes no Brasil, e isso facilita em muito as análises que procedemos sobre diversos temas relacionados ao segmento.

Um setor que tem despertado as nossas atenções é o jornalismo esportivo, que sem dúvida é importante, mas a cada dia tem pouca repercussão quando publica um fato.

Sempre citamos uma frase do jornalista Alberto Dines, que traduz essa realidade, quando afirma ¨que os escândalos que envolvem o futebol em nosso país mesmo sendo destacados na primeira página, acabam sepultados nas páginas esportivas¨.

Nada mais correto que tal interpretação, desde que políticos e empresários raramente mergulham nos cadernos esportivos a não ser que sejam torcedores, e por conta disso a notícia morre pois a sua repercussão vem desses segmentos.

Criou-se uma editoria nacional para o jornalismo esportivo, com uma linguagem que só atende aos torcedores mais apaixonados. No lugar do comprometimento essa passou a se preocupar com o varejo, deixando de lado o atacado, e que tem tem mais influência na televisão.

Nada melhor do que as notícias sobre Del Nero, e pouco vemos em nossas mídias, a não ser nas sociais que não são lidas pelos torcedores. Poucos brasileiros sabem do processo que corre na Justiça americana contra o cartola, pelo contrário esse continua sendo paparicado por muitos.

A TV aberta é resultante de um monopólio devastador, e tem um editorial esportivo comprometido com os direitos de transmissão. Não existe opinião e sim um padrão. Na Globo a opinião segue o rumo ditado pela empresa, tolhe em muito as análises que são procedidas. Não existe opinião, e sim uma defesa de interesses. O duro é sabermos que a empresa tem excelentes profissionais, que poderiam dar uma grande contribuição para mudarmos o sistema.

Não se debate a decadência do futebol brasileiro, não é permitido falar sobre o pernicioso calendário, e os resultados estão bem patentes, estádios vazios, futebol medíocre, mas que é enaltecido como o melhor do mundo. Dunga que foi, já era. Hoje a bola da vez é o ¨professor¨ Tite. Quanto tempo irá durar essa lua de mel? Quando os interesses não forem afetados.

Os programas esportivos tanto na TV aberta, como alguns na fechada, tornaram-se peças de um humorismo barato de botequim. As coberturas do dia a dia dos clubes tornaram-se repetidoras do que os cartolas falam. Fatos acontecem e passam despercebidos. Não investigam, apenas repetem.

O torcedor brasileiro é alienado e faz parte de um processo colonialista que aconteceu no Brasil com a sua população, onde os donos do poder evitaram dar uma melhor educação, inclusive alfabetização , para que essa ficasse a mercê dos ¨coronéis rurais¨e depois do asfalto, e com isso permanecem no poder.

Não temos a menor dúvida que o futebol brasileiro hoje seria outro, se o jornalismo esportivo pudesse realizar um trabalho investigativo, como fazem Lucio de Castro e Gabriela Moreira, andorinhas raras em nosso verão, ou mesmo analítico, independente, buscando os fatos nas próprias fontes, dando assim a contribuição para que o esporte fosse transparente e de conhecimento de todos.

Temos bons jornalistas, mas que lutam pela sobrevivência em um mercado restrito, e por conta disso as notícias reais muitas vezes são escondidas, fato esse que é ruim para a democracia, desde que temos que continuar convivendo com os Del Neros e Nuzmans da vida, e outros personagens menores do esporte brasileiro.

Falar a verdade sobre os esportes, em especial em nosso estado é sinônimo de ameças de morte.

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Brasileiro Série B
Onde os fracos não têm vez
postado em 09 de outubro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

A oito jogos do final, o Brasileiro da Série B se tornou um território onde os fracos não têm vez. Mais que nunca, por imposição do equilíbrio de forças, as partidas foram transformadas numa sucessão de decisões. E dentro deste caráter decisivo alguns fatores passam a ser determinantes de sucesso, como o mando de campo, por exemplo. Na trigésima rodada, que será concluída na noite deste domingo, com o confronto entre Bahia e Tupi, não houve nenhum registro de vitória de visitante. Os clubes fizeram valer as vantagens do mando de campo, até mesmo o Vasco, que enfrentou o Londrina num campo neutro e contou com um bafejo da sorte para voltar a fazer as pazes com a vitória.

Nos últimos jogos, o Náutico teve o melhor aproveitamento entre os vinte participantes da Série B: cinco vitórias, sendo duas na condição de visitante. Os comandados de Givanildo Oliveira ostentam uma invencibilidade de sete partidas, onde contabilizaram dois empates sem gols e cinco vitórias nas quais foram marcados onze gols contra três sofridos. É o melhor momento do clube alvirrubro na competição. Os números atestam o crescimento sustentável de um grupo que recuperou a autoestima e autoconfiança.

Nos jogos restantes, os alvirrubros medirão força com o Atlético/GO, que briga pelo título; com um Avaí/SC, com quem mantém uma briga direta por uma vaga de acesso; Ceará e CRB, que por conta dos maus resultados no final de semana permitiram o avanço dos postulantes às vagas de acesso; Luverdense e Goiás, que fazem campanhas de manutenção, e com Oeste e Tupi que lutam contra o rebaixamento. Os adversários são postos em três escalas bem definidas, que nos levam a uma leitura do nível de dificuldades que os alvirrubros terão nos respectivos confrontos, entretanto, o extracampo pode elevar o nível de competitividade nos jogos com os times menos credenciados. São as famosas malas pretas, que funcionam como doping financeiro. A guinada dada pelo time neste momento decisivo do campeonato leva o torcedor alvirrubro a ter bons sentimentos em relação ao futuro. Vale lembrar o provérbio chinês:

"Se o cavalo vence a primeira vez, sorte;

Se o cavalo vence a segunda vez, coincidência;

Se o cavalo vence a terceira vez, aposte no cavalo".

É hora de se apostar no Náutico.

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Futebol Brasileiro
Sanatório Geral
postado em 08 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  blogdejjpazevedo.com


A maioria dos clubes brasileiros que disputam o Brasileirão já ultrapassou a casa dos 60 jogos, ou estão bem próximos dessa marca, na atual temporada.

Como exemplo o São Paulo que disputou a Libertadores, no seu jogo contra o Sport Recife completou exatamente 62 entradas nos gramados, o adversário chegou a 58. No final da competição irão atuar por 72 vezes e 68 respectivamente, ou seja 7,2 jogos, e 6,8 por mês.

Alguns clubes que disputaram a Primeira Liga irão alcançar 78 partidas em um ano. O problema maior não é o de jogar uma quantidade como essa, e sim as distâncias que percorrem nas competições como Brasileirão, Libertadores e Sul-Americana. São viagens longas, e cansativas. 

O reflexo está na quantidade de profissionais nos Departamentos Médicos. No dia de hoje são 72, seis times e meio. Por outro lado em quase todos os jogos atletas sofrem lesões musculares. Não é coincidência e sim a realidade insana em que vivemos.

Os dirigentes fingem que não enxergam os fatos, e ajudam a pintar o quadro com mais intensidade, e a decisão da ampliação da Libertadores e Sul-Americana é algo que poderia leva-los a um Sanatório, e saírem no bloco do Sanatório Geral.

O calendário atual é um suicídio, e prejudicial as agremiações.

A 29ª rodada do Brasileirão teve 19 desfalques causados não somente pela Seleção do Circo, como das demais Sul-Americanas. Se tivéssemos datas haveria uma paralisação da competição.

Não somos contra as mudanças, e sim pelo açodamento de implanta-las. Em uma entidade séria não se aplicaria um novo regulamento durante uma temporada vigente. Tais mudanças só poderiam começar em 2018, quando os participantes das competições estivessem preparados para tal.

De repente o Regulamento do Brasileirão que está na reta final teve que ser modificado para atender o que irá acontecer daqui há três meses, quando o G4 foi inflado para G6.

Um planejamento para montagem do elenco não é algo que se faz do dia para a noite, e todos já estavam preparados para o término dessas competições no final do primeiro semestre do próximo ano.

Muitos contratos terminam em julho de 2017, e terão que ser refeitos ainda no final dessa temporada, e com isso a obrigação de manter jogadores que poderiam não estar nos seus projetos.

Os ufanistas que comemoram com emoção a vitória da Seleção do Circo contra uma equipe mambembe e grotesca, não observaram esse lado oculto de uma medida que parece ser motivo de festa, e que na verdade preocupa.

No carnaval de 2017 o Bloco do Sanatório Geral estará nas ruas, tendo Marco Del Nero como porta-bandeira, e todos cantando o refrão da música ¨VAI PASSAR¨do compositor Chico Buarque:

Ai, que vida boa olerê,

Ai, que vida boa olará,

O estandarte do Sanatório Geral vai passar.

O futebol brasileiro necessita de uma varredura como a que aconteceu nas eleições municipais. Só assim irá evoluir.

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