Histórico
Futebol Pernambucano
Um recado para os nossos clubes
postado em 26 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


A difícil situação do Santa Cruz, a sombria performance do Sport Recife, e as dificuldades do Clube Náutico de ascender à Série A, nos motivaram a mandar um recado aos dirigentes desses clubes, mostrando-lhes a realidade em que vive o futebol brasileiro na sua relação com o mercado.

Pernambuco continua vivendo à margem da história, e do que acontece no mundo. Os dirigentes ainda não perceberam que a era da paixão deu lugar a da razão no futebol mundial. No Brasil estamos na era das cadernetas de antigas vendas. O que era emoção transformou-se em um grande negócio, necessitando de um tratamento profissional para atender ao mercado consumidor.

O esporte moderno é um produto do capitalismo atual, e quem está envolvido deve ter a percepção de que o dinheiro corre mais para aqueles de maior demanda, fazendo que um clube da região Sudeste tenha um potencial muito maior do que um da região Nordeste, promovendo um abismo profundo.

Uma entidade que aspira o título do Brasileirão dispenderá entre R$ 150 a R$ 200 milhões para conseguir tal objetivo. Os custos serão pagos por seus consumidores, de maneira direta ou indireta, quando adquirem os seus ingressos, compram os produtos licenciados, se associam, e dão o devido retorno aos patrocinadores, entre os quais a emissora dona dos direitos de transmissão.  

As agremiações que não conseguem receitas compatíveis e que ascendem a Divisão Maior concorrem em desigualdade de condições, e ficam por um ciclo médio no máximo de duas temporadas. A distribuição de receitas é trágica.

Uma analogia é formatada pelo mercado, pois quanto mais consumidores e quanto mais recursos tiverem para gastar, mais receitas para os clubes, e assim maiores investimentos, e melhores valores para as suas marcas. É um ciclo virtuoso que é orientado pelo mercado. Um clube de São Paulo pela sua população, tem mais condições do que um de Pernambuco, por conta da demanda.

Os desafios são colocados pelo mercado, e entra nesse momento a capacidade dos gestores, mesmo aqueles que tem uma menor receita, que poderá aplica-la com um retorno muitas vezes maior do que os de maiores recursos, e que não sabem investi-los na qualidade. O dinheiro ajuda, mas tem que ser bem administrado, caso contrário voa com o primeiro vendaval.

Um clube de menor receita, bem planejado pode lutar por maiores espaços. Existem investimentos importantes, e um deles é o da formação de jogadores, que requer um bom Centro para que tenha sucesso.

Na verdade não se pode ficar chorando por conta do leite derramado, e ter a capacidade de formatar um planejamento adequado, que tenha o poder de gerar receitas positivas para que possa ser implantado.

O que falta aos nossos clubes são gestores, e por isso estão na atual situação.

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Brasileiro Série A
Avenida Pernambucana
postado em 25 de outubro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

No bate=papo diário com o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, ele me chamou a atenção para o fato de, Santa Cruz e Sport, juntos, terem levados 108 gols nas trinta e duas rodadas disputadas no Brasileiro da Série A. Uma verdadeira "Avenida Pernambucana", onde os adversários desfilam sob os aplausos de suas respectivas torcidas. "Farra e folia", como bem diz nosso amigo Ednaldo Santos. Infelizmente foram os nossos clubes que erraram o passo e perderam o compasso. O Sport tem uma média de 1,5 gol sofrido por partida, enquanto a média do Santa Cruz é de 1,8.

Houve um tempo em que o Campeonato Pernambucano era o paraíso dos artilheiros. Os gols aconteciam em profusão a cada confronto de um clube grande com um clube pequeno. Não podemos atribuir a farra apenas a eficiência dos artilheiros. Os bastidores eram pra lá de vulneráveis. Era tão fácil comprar resultados de jogos, quanto comprar frutas na feira. Ninguém provava nada, mas as evidências eram claras. Tal como compra de votos em eleições nos dias de hoje. O negócio chegou a um nível tão absurdo que o Pernambucano passou a servir de chacota. Na década de 80, o presidente da FPF, a época, Fred Oliveira, pôs fim a "fábrica de gols".

A tergiversada acima foi apenas para lembrar que o gol é a alegria do futebol, mas quando ele se torna uma coisa banal pode representar a "avacalhação da guerra". Expressão bastante utilizada pelo saudoso Adonias de Moura quando se referia a algo que considerava absurdo no futebol. Os números atestam a fragilidade dos sistemas de contenção dos dois times, assim como, a incapacidade dos treinadores que estiveram no comando, de fortalecerem o que é vital para times medianos: a defesa.

O Santa Cruz só não sofreu gols em cinco jogos: Santa Cruz 1x0 Figueirense; Santa Cruz 1x0 Internacional; América/MG 0x3 Santa Cruz; Grêmio 0x0 Santa Cruz; Santa Cruz 1x0 Atlético/PR.

A defesa do Sport se mostrou invulnerável em seis partidas: Santa Cruz 0x1 Sport; São Paulo 0x0 Sport; Sport 2x0 Atlético/PR; Sport 1x0 Flamengo; Sport 1x0 Santos; Sport 1x0 Vitória.

Caso a média venha a ser mantida nos seis jogos restantes, o Santa Cruz pode fechar sua participação na Série A próximo da marca dos 70 gols sofridos e o Sport fica na iminência de ter sua defesa vazada 60 vezes.

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Brasileiro Série A
O apito como adversário
postado em 24 de outubro de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Semana passada o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, nos alertou sobre os imperdoáveis erros dos árbitros em jogos decisivos para cenário final do Campeonato Brasileiro. São erros que contrariam o que poderíamos chamar de "tendência natural". Evidente que não podemos afirmar que os apitadores são "paus mandados", entretanto, é impossível assistir a uma sequência de erros que beneficiam a determinados clubes em detrimento dos que lutam por uma sobrevivência na competição.

Procuro não valorizar muito declarações de treinadores e jogadores que estão sempre tentando transferir responsabilidade. Não alimento nenhum tipo de mi, mi, mi. Contudo, não podemos ignorar os fatos. O torcedor já chegou a conclusão de que o campeonato está sendo direcionado de tal forma para manter, até as rodadas finais, a disputa entre Palmeiras e Flamengo pelo título da temporada, embora o time bandeirante tenha construído uma boa vantagem a seis jogos do final. A disputa entre Rio e São Paulo é a mais antiga, mais forte e que deu origem a rivalidade mais arraigada do futebol brasileiro.

O posicionamento dos dois clubes na tabela de classificação é suficiente para ressaltar a diferença técnica existente entre os times do Palmeiras e do Sport, mas no jogo de ontem os leoninos se apresentaram melhor. Fizeram um bom jogo e se o árbitro mineiro, Ricardo Marques Ribeiro, tivesse marcado um pênalti a favor do time pernambucano quando o jogo ainda estava zero a zero, o resultado poderia ter sido outro. Um erro crasso que possibilitou ao Palmeiras se aproximar, ainda mais, do título.

O Sport de Daniel Paulista tem vontade de jogar, e essa doação do grupo tem feito a diferença. As limitações técnicas são notórias e incontestáveis, mas o espírito de superação é a arma maior que os jogadores têm para livrar o clube do rebaixamento. O próximo jogo dos rubro=negros será quinta=feira às 19h30, na Ilha do Retiro. O adversário merece respeito, até porque é treinado por Eduardo Baptista, que conhece bem o grupo do Sport, mas os pontos em disputa estão na tábua de salvação do time da Ilha do Retiro, e se a Macaca confiscar o Leão ficará em situação ainda mais complicada. Se vencer fora é tarefa difícil, em casa passa a ser obrigação.

Por sorte do Sport, a Ponte Preta não está disputando nada, se encontra numa zona de conforto descrevendo uma campanha elogiável para um clube de sua estatura, porque senão Daniel Paulista e seus comandados teriam um adversário mais letal: a arbitragem.

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Brasileiro Série B
O risco nordestino na Série B
postado em 24 de outubro de 2016

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO  (blogdejjpazevedo.com)


A 32ª rodada da Série B acendeu a luz vermelha para o futebol Nordestino. As perspetivas de acesso do Náutico e Bahia na espera dos resultados eram boas, mas, após o fechamento de todos os jogos, a redução nas chances foram altas, por conta da relação entre as suas performances e o número de pontos que serão disputados.

O CRB ainda respira, mas na verdade as chances de acesso estão estimadas em 14%, bem longe dos clubes que estão à sua frente. Restam apenas os times da Bahia e Pernambuco, que não tiveram sucesso em seus jogos, reduzindo os seus percentuais para 23% (Bahia) e 38% (Náutico).

O número mágico para a classificação no quarto lugar do G4 baixou para 62 pontos, com a tendência de uma decisão pelos critérios técnicos.  Todos os clubes irão disputar 3 jogos em casa e 3 fora.

O ATLÉTICO-GO está virtualmente classificado. Necessita apenas de uma vitória para chegar ao disco final. Um assunto encerrado para o time goiano. A sua luta será pelo título. O Vasco da Gama irá lutar por cinco pontos, o que representa uma vitória e dois empates, e pode ser considerado como participante da Série A de 2017.

A corrida será entre Avaí, Londrina, Náutico, Bahia e em menor escala o CRB. As tendências estatísticas nos dão uma ideia das necessidades de cada um desses disputantes.

AVAÍ- Necessita de 8 pontos para comemorar o acesso. A sua performance como mandante é de 79,17%, e se for mantida, poderá conquistar sete pontos em casa, dependendo de apenas um quando de suas visitas. Como visitante, o seu percentual é fraco (33,33%), mas se conseguir mantê-lo, a tendência é que conquiste três, cumprindo assim a sua cota. O time catarinense poderá resolver a classificação nos seus jogos em casa, que poderão dar-lhe os pontos necessários. Terá dois confrontos diretos com os concorrentes, o Náutico, como mandante, e o Londrina como visitante

LONDRINA- Necessita de 1O pontos para permanecer no G4. Como mandante tem 60,42% de aproveitamento, e como visitante, 47,92%. Tais números representam na verdade 9 pontos, que não atenderão as necessidades. Para conquistar o acesso o clube do Paraná terá que melhorar a sua condição de mandante. Tem apenas um confronto direto, com o Avaí em casa.

NÁUTICO- Para chegar ao número mágico (62), o alvirrubro necessita de 11 pontos. É um excelente mandante, com 72,92% de aproveitamento, um fraco visitante com 33,33. Mantido tais percentuais, o clube poderá alcançar 10 pontos. O alvirrubro de Pernambuco tem um problema grave, com dois confrontos diretos como visitante, cuja performance é fraca, CRB e Avaí, e um jogo como mandante com o melhor time da competição, o Atlético-GO, que é bom tanto na visita, como dono de casa. Por isso as chances de acesso foram reduzidas. 

BAHIA- A grande chance do time baiano de chegar ao G4 foi perdida no jogo contra o Oeste, quando empatou com um time que luta contra o rebaixamento. Para chegar ao grupo maior necessita de 12 pontos, ou seja quatro vitórias em seis jogos. Como mandante é excelente, com 79,17% de aproveitamento, que se mantido poderá dar-lhe 7 pontos. Mesmo ganhando todos os jogos em casa, necessitará de uma vitória jogando fora. Como visitante tem apenas 25% de aproveitamento, o que representa 2 pontos (dois empates). Não tem confronto direto. O seu último jogo é fora de casa contra o Atlético-GO que poderá estar na luta pelo título.

CRB- Tem a necessidade de conquistar 13 pontos, em 16 a serem disputados, que representa 80,1% de aproveitamento, para um time que tem hoje 51%. Seria um salto gigantesco e muito difícil de acontecer. Tem um confronto direto, com o Náutico, jogando no Rei Pelé.

Os números nos mostram o perigo que enfrenta a Região Nordestina de não ter um dos seus clubes classificados.

Pelos critérios técnicos, o Avaí é o que tem melhor vantagem, 16 vitórias, seguido pelo Náutico, com 15. Londrina, Bahia e CRB tem 14. Isso poderá pesar na decisão final, e com um detalhe que detectamos em nossas simulações, o número mágico poderá cair para 61 pontos, e a decisão técnica irá resolver o assunto.

Mesmo com a queda das chances de acesso, o Náutico continua sua luta e apesar de não ter o privilégio de contar apenas com as suas forças, poderá ainda obter o sucesso.

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Artigos
Bom negócio para advogados
postado em 19 de outubro de 2016

ERICH BETING - Máquina do Esporte


"O sistema é muito ruim. Qualquer dirigente só pensa no próprio clube, não existe um pensamento único, que seja pelo bem do futebol". Essa frase foi dita por Peter Siemsen, presidente do Fluminense, ontem, durante entrevista ao programa Seleção Sportv.

Poderia ser uma síntese perfeita de um dos problemas que acomete o futebol brasileiro, se não tivesse sendo usada pelo próprio Peter para justificar o motivo que levou o seu clube a ingressar com um pedido para anular o jogo contra o Flamengo após polêmica envolvendo a marcação de uma irregularidade no que seria o gol de empate do Flu durante o clássico.

A frase, no contexto em que foi inserida, fica completamente sem sentido. Se o dirigente acredita que é oneroso ao negócio do futebol existir a chance de anular o resultado de uma partida por meio de um tribunal de justiça do esporte, então por que o utiliza?

Como o STJD aceitou o pedido de análise do jogo, agora o Campeonato Brasileiro, eletrizante, tem um asterisco na tabela que deixa o torneio sub júdice até que os advogados decidam se a marcação do árbitro (que no fim das contas foi correta), poderia ou não ter sido feita com um auxílio externo.

Logicamente a decisão levou a um efeito cascata, e o Figueirense também se sentiu no direito de pleitear a anulação do jogo com o Palmeiras.

Daqui a pouco, regulamento de futebol vira bula de remédio. E o advogado será o único a de fato faturar algo com o negócio da bola no Brasil.

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