Histórico
Náutico
Muito além das quatro linhas
postado em 05 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


A passagem do técnico Alexandre Gallo pelo Náutico não correspondeu as expectativas dos alvirrubros. Após o clube contabilizar três derrotas em quatro jogos disputados no returno da Série B, resultados que, teoricamente inviabilizaram o projeto de acesso à Primeira Divisão Nacional, o treinador foi demitido e, para ocupar o lugar deixado por ele, a diretoria do clube recrutou Givanildo Oliveira, que tem no seu currículo quatro acessos à Série A. A simples troca do comandante técnico é coisa corriqueira nos clubes, mas os problemas do Náutico vão além do factual que ocorre dentro das quatro linhas.

"Hexa é luxo!". A frase virou um mantra para os alvirrubros, que se estabeleceram no passado e não prepararam o clube para entrar em sintonia com o futuro. O resultado foi uma deteriorização ao longo dos 48 anos que separam a conquista de um título emblemático, de um presente desolador, sem perspectiva. A preocupação, única e exclusiva com a conquista de títulos no futebol fez com que o Náutico ficasse pequeno como clube. Ao longo de quatro décadas, os dirigentes sequer conseguiram enxergar o vizinho Country Club, hoje a maior referência de clube socioesportivo no Estado.

Na década de 80 o clube se desfez de um patrimônio valioso, o Caça e Pesca, um equipamento localizado em Barra de Jangada, Jaboatão dos Guararapes. A garagem de remo, edificada na rua da Aurora, onde o metro quadrado é um dos mais valiosos na cidade do Recife, é um equipamento que poderia ter um outro fim, mas que fica sendo sub utilizado com um esporte decadente em Pernambuco. Da mesma forma, a incapacidade dos dirigentes não permitiu que o clube se expandisse no seu habitat. A expansão imobiliária criou um cinturão ao redor do seu patrimônio físico nos Aflitos, fato que inviabilizou o crescimento naquela área. A pequena reforma feita no estádio Eládio de Barros Carvalho foi fruto da persistência e do sonho de um alvirrubro: Raphael Gazzaneo. Não foi projeto de diretoria, ou de uma comissão patrimonial.

Ao longo de quatro décadas o Náutico promoveu um desfile de presidentes cuja incompetência foi desastrosa para a agremiação alvirrubra. A análise não se refere aos cidadãos, e sim, aos gestores. Antônio C. Barros, Josemir Correa, Fred Oliveira, Márcio Borba, Berillo Júnior, Glauber Vasconcelos, são alguns exemplos de administradores que em nada contribuíram para o crescimento do clube. O perfil dos atuais mandatários, Marcos Freitas e Ivan Brondi, homens de conduta ilibada, não se adéqua às necessidades do momento, fato que ressalta a forma de como o Náutico vem sendo rifado a cada processo eleitoral, por conta da falta de um planejamento que impulsione o seu crescimento.

Não podemos eximir Alexandre Gallo de culpa em relação a oscilante campanha do time na Série B, mas o "diabo não é tão feio quanto se pinta". Por falta de dirigentes capacitados ele passou a definir determinadas coisas que não são da atribuição do treinador. O problema do Náutico não se restringe ao comando técnico, vai muito além do futebol. Infelizmente o hexa funcionou como uma venda nos olhos dos alvirrubros impedindo-os de verem o clube como um todo, e não apenas como um time de futebol.

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Artigos
Os caminhos do Sport
postado em 03 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com


Ao lermos a entrevista de João Martorelli, presidente do Sport, ficamos na dúvida se esse habita o nosso planeta ou está em outro mundo, deixando bem claro que não conhece nada do clube mesmo dirigindo-o por quase quatro anos.
O rubro-negro da Ilha do Retiro é um dos poucos do Nordeste que tem potencialidade para o crescimento, mas as últimas gestões o trucidaram tanto na área esportiva como a patrimonial.
O Sport de hoje é um produto de uma gestão totalmente pessoal de Gustavo Dubeux, que tornou-se o seu dono, afastou alguns personagens do clube que poderiam dar a colaboração mais efetiva, deixando um legado que não pode ser comemorado.
O atual presidente é um herdeiro do desastre, deu continuidade a má gestão, e no início ainda continuava com a obsessão pela arena, que teria sido o fim do clube, desde que hoje só teríamos um buraco em todo o seu patrimônio.
Afirmar que o futebol do Sport ainda pensa no G4, que Oswaldo de Oliveira prestigia a base, entre outras coisas, é a certeza de que o Sport vem sendo dirigido pelo telefone, ou pela internet. G4 só em sonho de uma noite de verão, e aproveitamento da base temos um exemplo bem claro, Everton Felipe, que pouco tem sido aproveitado nos últimos jogos, e era o último dos moicanos.
Quem passa pela sede do clube verifica o abandono. As paredes que eram lavadas todos os anos estão sujas por conta da poluição. A parte que era pintada está escura. Vidros quebrados no salão social, um abandono total, que mostra de forma clara a situação a que esse foi relegado.
O Sport é totalmente terceirizado. Nada lhe pertence e sim aos que o arrendaram. As famílias há muito que não o frequentam, e isso é grave para a formação de uma nova geração para que possa dirigi-lo no futuro.
O mais grave de tudo é a apatia dos rubros-negros que presenciam os problemas do seu clube e não reagem. Se calam, e quem cala consente, embora os torcedores já começaram a abandona-lo deixando os estádios vazios.
Os caminhos do Sport serão tortuosos, embora seja uma entidade viável falta-lhe gestores para que possam conduzi-lo por uma estrada sem buracos ou curvas perigosas, e trazê-lo de volta aos seus grandes dias.
Na realidade hoje o clube é um LEÃO ADORMECIDO na busca de um comando que possa acorda-lo, desde que o atual não conquistou nada.
LAMENTÁVEL

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Copa Sul-Americana
Classificação do Santa divide opiniões
postado em 01 de setembro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Vencer um clássico é sempre motivo de regozijo para o torcedor, principalmente se este for apimentado por uma rivalidade centenária como é o Clássico das Multidões. Eis a razão pela qual a torcida do Santa Cruz amanheceu feliz. A vitória - 1x0 - foi a segunda do clube do Arruda sobre o Sport, nos sete confrontos que os dois clubes tiveram na temporada 2016. Detalhe: a primeira vitória assegurou ao time coral o título pernambucano. A segunda, nesta quarta-feira, classificou Grafite e companhia para as oitavas de final da Copa Sul-Americana.

Além do fato de vencer o arquiinimigo, o torcedor do Santa Cruz brinda a classificação como uma conquista inédita, afinal, a edição 2016 da Copa Sul-Americana tem como uma das novidades o batismo do Tricolor numa competição internacional oficial. A exposição em um novo mercado cria a possibilidade de conquista de novos investidores. Mas para que tal experiência venha ser exitosa é imprescindível que o clube descreva uma boa campanha, o que parece pouco provável ante as dificuldades que o time atravessa no momento.

A vitória sobre o Sport ecoou apenas no cenário doméstico. A fase nacional da competição continental nada acrescenta em termos de visibilidade. Costumo dizer que os clássicos pernambucanos na Sul-Americana são chocolates domésticos vendidos com uma outra embalagem. A internacionalização, ou seja, os confrontos entre clubes de diferentes países começa a partir das oitavas de final. O grande desafio do campeão pernambucano começa agora, fato que nos leva a pergunta: o Santa Cruz está preparado para o desafio?

A julgar pela campanha que vem descrevendo na Série A, podemos afirmar que não. Mas o futebol reserva surpresas, e é justamente no imponderável que os dirigentes tricolores apostam.

Pela ótica dos otimistas, a classificação para a próxima fase da Sul-Americana pode, inclusive, alavancar o clube na Série A, competição na qual está estagnado na desconfortável posição de vice-lanterna, na iminência do rebaixamento para a Segunda Divisão nacional. A análise dos pragmáticos é inversamente proporcional. Num momento em que o Santa Cruz precisa concentrar todos os seus esforços na luta para se livrar do rebaixamento, vai ter que encarar viagens desgastante para outros países. Como não dispõe de um grupo qualificado, as chances de obter sucesso na Copa Sul-Americana são mínimas. Além disso, o cansaço provocado pelas viagens pode vir a ser determinante para o insucesso na tentativa de descrever uma campanha de manutenção na Série A.

Como no futebol não existe uma verdade absoluta, embora os números apontem uma lógica, resta ao tricolor torcer para que a vitória sobre o Sport, que lhe permitiu avançar na competição continental, não venha a ser uma "vitória de Pirro".

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Artigos
AUTOFAGIA
postado em 01 de setembro de 2016
JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO (blogdejjpazevedo.com)


Qual a razão da realização de um jogo entre dois clubes locais pela Copa Sul-Americana na Arena Pernambuco no horários das 22 horas?
Qual a razão de que tal jogo seja televisionado de forma direta para a praça local, motivando a presença dos torcedores em suas poltronas?
Qual a razão de que os cartolas aceitam essa imposição autofágica? A presença de apenas 6.570 torcedores no local demonstra claramente que algo de errado existe em tal processo.
Na realidade trata-se de uma autofagia programada. Jogar sem torcida é como um padre rezar uma missa sem fiéis. Afeta inclusive na qualidade do jogo. 
Óbvio que o horário das 20h seria o ideal, sem a presença da televisão que só olha para a sua grade de programação, e por uns pequenos trocados consegue trazer o acordo de clubes necessitados como os nossos.
Já temos um calendário suicida, já temos uma overdose de jogos nas telinhas, já temos um futebol de péssima qualidade, e pautar um evento no horário bacurau é certamente de uma maldade extrema, que é acobertada por todos os segmentos.
Sport e Santa Cruz em dois encontros por essa competição mequetrefe colocaram menos de 13 mil pessoas na Arena, o que mostra de forma clara o repúdio do torcedor ao sistema, ao horário programado, mesmo em um estádio de boa qualidade.
O futebol com exceção de alguns poucos clubes que motivam seus torcedores, que não chegam a cinco, está sendo trucidado por conta de uma falta de planejamento. O calendário é imbecil, feito por apedeutas. Luta contra as janelas de transferências, e somente nessa última 31 jogadores que atuavam no Brasileirão seguiram para o exterior, criando problemas para os clubes disputantes e reduzindo mais ainda a qualidade da competição que já é duvidosa.
Deixamos de analisar os esportes brasileiros por um bom período. Resolvemos por conta própria dar um tempo ao tempo e organizar um livro com vários artigos publicados. Voltamos e nada mudou no futebol nacional. A mediocridade reina, Del Nero ainda é presidente do Circo Brasileiro do Futebol, o sistema continua, poucos clubes se estruturaram para o futuro, os demais vivem em crise e no improviso o que não é novidade, desde que fazem parte de um sistema que reina em nosso país, corrompido, superado e que necessita em todos os seus setores de uma lavagem geral, que não será promovida com o tipo de gente que o comanda, pelo contrário farão de tudo para riscar do mapa o legado da Operação Lava-Jato que foi a única coisa boa que aconteceu nos últimos anos.
Somos todos culpados desde que permitimos que o sistema autofágico tomasse conta do país e em especial do futebol brasileiro. A reação do torcedor é unilateral e só acontece quando o seu clube vai mal, quando o problema maior é institucional. 
Chega de autofagia. Chega de cartolas superados e espertos. Precisamos mudar antes que a última pá de terra seja jogada no caixão com o cadáver do futebol.

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