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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O torcedor do Santa Cruz que ficou acordado até altas horas, na quarta-feira, para acompanhar o jogo histórico com o Independiente de MedellÃn, que marcou debut do Tricolor do Arruda numa competição internacional oficial, ficou com a sensação de que, com um pouco mais de ousadia os comandados de Doriva teriam retornado da Colômbia com um resultado melhor que a amarga derrota por 2x0. A vantagem construÃda pelo adversário é substancial, fato que torna iminente sua chegada à s quartas de final DA Copa Sul-Americana.
O técnico coral abriu mão da qualidade ao deixar de fora do confronto três jogadores que representam o maior potencial técnico do Santa Cruz: Léo Moura, João Paulo e Keno. à possÃvel que a estratégia fosse poupar as principais peças para o jogo de volta. Tal possibilidade deixou o torcedor otimista, uma vez que, o Independiente não apresentou um bom futebol, embora tenha sido eficiente nas finalizações. O sentimento entre os pernambucanos era de que se o time estivesse completo teria chances reais de construir uma vitória. Verdade. Faltou técnica e velocidade a equipe recifense.
A partida de volta, quarta-feira no estádio do Arruda, está sendo apresentada com uma moldura de otimismo exacerbado, o que nos leva a emitir alguns sinais de alerta. No afã de exaltar o momento histórico na vida do centenário clube do Arruda, pouco se falou do do time colombiano, e a sonegação de informações a respeito do momento do adversário levou o torcedor do Mais Querido a pensar que o Independiente fosse um pato morto, ou, no mÃnimo, ficar com a certeza de que "o diabo não é tão feito quanto se pinta". Portanto, vale lembrar que, se o Santa Cruz foi a campo desfalcado de suas melhores peças, o mesmo aconteceu com a equipe de MedellÃn que jogou sem seis titulares, inclusive os dois melhores atacantes.
O Independiente de MedellÃn se não chega a ser um dos melhores clubes do futebol sul-americano, pelo menos tem mais experiência internacional que o Santa Cruz, fato que, por si só exige respeito, e coloca a equipe colombiana como favorita nesta disputa por uma vaga para a próxima fase do torneio continental. Ao ver o Santa Cruz tropeças nas suas próprias limitações, chegamos a conclusão que, por enquanto a autonomia de voo do Tricolor é o Pernambucano e a Copa do Nordeste.
Bom! Na próxima quarta-feira vamos ter mais 90 minutos de bola rolando para ver se o imponderável entra em campo. Somente assim o Santa Cruz conseguirá reverter a vantagem.
CLAUDEMIR GOMES
O Sport flerta com o rebaixamento desde o inÃcio da disputa do Brasileiro da Série A. No final do primeiro turno o time rubro-negro conseguiu sua melhor sequência na competição quando somou três vitórias e dois empates, resultados que lhes levaram a dar um salto da zona de rebaixamento para a parte de cima da tabela de classificação. Entretanto, uma série de erros lhe trouxe de volta ao sofrimento. A pouca qualidade técnica do grupo não foi suficiente para dar sustentação ao crescimento.
A derrota - 1x0 - para o Coritiba, um time da mesma estatura do Leão, e que foi a campo desfalcado de seis titulares, escancarou, ainda mais, a fragilidade de um grupo que foi montado dentro de critérios equivocados. Soma-se aos erros cometidos na composição do elenco, quando não foi respeitado o item qualidade na reposição de peças, os equÃvocos cometidos pelo técnico Oswaldo de Oliveira, que teve como castigo, um coro de mais de 7 mil vozes, lhe xingando de "burro, burro", ao testemunhar sua lambança, quando retirou de campo o atacante, Everton Felipe, o jogador mais lúcido da equipe rubro-negra. O fato deixou o treinador nervoso, e lhe levou a entregar o cargo no vestiário. Ao perceber o seu desequilÃbrio emocional, o presidente, João Humberto Martorelli, pediu para que ele esfriasse a cabeça para conversar sobre o assunto.
Semana passada, já pressionado pelos fracos resultados, o técnico leonino se isentou de culpa em relação a montagem do elenco, o que merece uma contestação, pois, com sua anuência, o clube investiu e recrutou alguns jogadores que não deram uma resposta a altura, com exceção do atacante Rogério.
Oswaldo de Oliveira caiu em desgraça junto a torcida rubro-negra diante da série de erros cometida ao longo da competição. Habilidoso no uso das palavras, sempre procurou se proteger destacando erros de arbitragem como sendo a causa maior do fracasso do Sport em várias partidas. Passou a exigir um comportamento passivo do torcedor que, dentro de uma visão ditatorial, não tem o direito de externar seu descontentamento com o fraco desempenho do time através de um instrumento legitimo que é a vaia. Vale lembrar que a submissão nunca foi uma marca registrada dos leoninos. Domingo, quando a torcida passou a vaiar o goleiro Agenor, após o mesmo ter cometido uma falha primária que resultou no gol da vitória do Coritiba, Oswaldo de Oliveira passou a discutir com alguns torcedores, num jogo de cena patético.
Há muito que não ouvia, num estádio brasileiro, um coro unÃssono chamando o técnico de burro. O comportamento pode ser avaliado como uma mostra da intolerância dos torcedores para com os constantes erros cometidos pelo treinador. As cobranças que antes eram direcionadas a determinados jogadores, agora têm como alvo o comandante da tropa, dono de um dos piores percentuais de aproveitamento dentre os técnicos que passaram recentemente pela Ilha do Retiro.
Os profissionais do Sport voltam a trabalhar na tarde desta terça-feira, quando teremos a resposta definitiva sobre a permanência, ou não, de Oswaldo de Oliveira no cargo.
CLAUDEMIR GOMES
O marketing e a propaganda seguem à risca um dos princÃpios que regem o mercado: para se vender bem um produto é preciso ressaltar suas qualidades. Isto é regra. Afinal, ninguém compra o que não presta. à mais ou menos nisso que se baseia a lei da oferta e da procura. Esta é apenas uma das vertentes que nos leva a uma análise sobre o êxodo dos torcedores dos estádios brasileiros. A qualidade do espetáculo no Brasileiro da Série A, que alguns insistem em chamar de "elite", na edição 2016 ultrapassou o que poderÃamos chamar de sofrÃvel. A maioria dos jogos é marcada por uma pobreza técnica que leva ao grotesco.
De acordo com os números atuais, faltando treze rodadas para o final da competição, chegamos a dedução lógica que, dos 20 clubes participantes 9 somarão, ao final de suas campanhas, mais de 15 derrotas, fato que leva os analistas a fazerem suas projeções de forma inversa, ou seja, com base no elevado número de derrotas. Naturalmente que isto se aplica apenas aos clubes que lutam para fugir do rebaixamento.
Ao final da 25 rodada, América/MG e Santa Cruz são os clubes com o maior número de derrotas: 16 e 14, respectivamente. O Internacional que tem uma folha no futebol orçada em torno dos R$ 9 milhões mensais, já acumula 12 derrotas, o mesmo acontecendo com o Cruzeiro, outro clube tradicional do futebol brasileiro. Sport e Atlético/PR contabilizaram 11 derrotas, cada um. O que leva o time paranaense a ter 6 pontos a mais que o rubro-negro pernambucano é o fato de ter somado 11 vitórias, 3 a mais que o Leão. Atlético/PR e Santos são os clubes que menos empataram: 3 vezes cada um.
A pobreza técnica da Série A também pode ser observada através do saldo de gols dos clubes. Cinquenta por cento das equipes que disputam o campeonato das elites tem um saldo negativo. As leis que regem o mercado são tão pragmáticas quanto os números, que dão o norte sobre o futuro dos clubes na competição. Ao longo dos anos a crônica esportiva adotou um comportamento que mascara a realidade dos fatos. Levados pelo ufanismo os comunicadores, de forma geral, repassam um otimismo exacerbado para os ouvintes, telespectadores e leitores. Esquecem que o torcedor, embora seja levado pela emoção, também sabe fazer leitura de jogo, e nos dias de hoje são alimentados por muitas informações. Diferentemente do que acontecia há algumas décadas, quando o cardápio de jogos da televisão era pobre, vender ilusão através dos microfones e dos jornais é assinar um atestado de desinformado. Que me perdoem os mestres da informação.