Histórico
Brasileiro Série B
Na busca de uma nova sequência
postado em 26 de agosto de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

"Desisti do Náutico!". A exclamação partiu de José Joaquim Pinto de Azevedo, grande estudioso do futebol, que se apega ao pragmatismo dos números para o fazer suas projeções sobre o futuro dos clubes pernambucanos no Campeonato Brasileiro. Naturalmente que, ao externar seu sentimento ele não quer dizer que os alvirrubros devem deitar as armas e considerar a batalha em busca do acesso à Série A perdida. Baseado nas estatísticas, Azevedo defende a tese de que um clube para ascender a Primeira Divisão tem que contabilizar 19 vitórias e 8 empates. Seguindo tal raciocínio, o time alvirrubro precisa somar 11 vitórias nas 18 partidas que ainda disputará no returno, façanha só conseguida pelo líder Vasco no primeiro turno.

A derrota para o Criciúma - 1x0 - semana passada, na Arena Pernambuco, levou muitos torcedores a perderem a esperança em relação ao alcance da meta que é o acesso à Série A. Pior que a derrota foi o fraco desempenho do time comandado por Alexandre Gallo, que esta semana voltou a reivindicar, e foi atendido, com a contratação de novos reforços. Entretanto, para o jogo deste sábado, com o Vila Nova, em Goiás, o técnico vai ter que fazer o bolo com os ingredientes que dispõe em casa. O desafio não é dos menores por duas razões: o Náutico, em dez partidas que disputou, até o momento, como visitante, só somou uma vitória. Além disso, este é um daqueles confrontos que costumamos classificar de confronto direto, uma vez que, apenas dois pontos separam os clubes na tabela de classificação. No caso de uma vitória do Vila, o clube de Goiás ficará na frente do Náutico na soma de pontos. No primeiro confronto entre as duas equipes, uma suada vitória do Náutico por 3x2 na Arena Pernambuco.

Para obter um aproveitamento mais efetivo das ferramentas motivacionais, os técnicos costumam, em momentos de dificuldade, numa competição de tiro longo, isolar os jogos, ou seja, trabalham junto ao grupo a necessidade do momento. É como se estivesse fazendo uma escalada focando cada degrau sem atentar para o tamanho da escadaria. Em alguns caso funciona, entretanto, isto não pode ser visto como uma regra. Pelo contrário, é um conceito por demais relativo. Na verdade, só se lança mão dele quando o desespero bate a porta.

A melhor sequência do Náutico no campeonato foi da quarta a oitava rodada, quando somou quatro vitórias e um empate, resultados que lhes levaram a figurar no G4. O atual momento exige uma maior eficiência dos alvirrubros para uma mudança de cenário. Enfim, a sequência desejada, que levaria o time a dar outro salto na tabela de classificação, terá que começar contra o Vila Nova, com a difícil tarefa de vencer como visitante.

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Copa Sul-Americana
Internacionalização do Clássico das Multidões
postado em 23 de agosto de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Um chocolate caseiro, de gosto inigualável, que é disputado por milhares de consumidores, agora com nova embalagem. Eis a forma como está sendo "vendida" a primeira edição internacional do Clássico das Multidões - Sport x Santa Cruz - que acontece nesta quarta-feira, na Arena Pernambuco, válida pela Copa Sul-Americana. A receita é a mesma, com a rivalidade sendo o principal ingrediente. Uma fórmula centenária que pela primeira vez será apresentada ao continente sul-americano.

O apelo da internacionalização deste clássico doméstico não deve ser suficiente para levar um grande público ao estádio, pela simples razão dos dois times fazerem campanhas sofríveis no Brasileiro da Série A, fato que leva ambos a concentrarem suas atenções na disputa nacional. Questão de sobrevivência no campeonato que reúne os melhores clubes do País.

A conquista do título de campeão da Copa do Nordeste, edição 2016, assegurou ao Santa Cruz o direito de participar da competição sul-americana nas temporadas de 2016 e 2017, fato que cria possibilidades para os tricolores se redimirem do grande equívoco cometido que foi o de não fazer uma programação para disputar, paralelamente, a Série A e a Sul-Americana. A maior prova de que o clube não se qualificou, nem se programou, para encarar as duas competições, foi o fato de priorizar a Copa do Brasil. Afogado na zona de rebaixamento na Série A, o Santa Cruz se ver na iminência de voltar para a Segunda Divisão Nacional frustrando sua grande torcida que esperou dez anos para ver o time de volta à Série A. As circunstancias do momento levam os tricolores a tratarem a competição continental como um subproduto, quando na realidade é a oportunidade de conseguir visibilidade internacional.

O Sport participa, pelo terceiro ano consecutivo, da Copa Sul-Americana. Ao contrario dos tricolores, os rubro-negros sempre colocaram a competição continental como prioridade. O investimento maciço em jogadores estrangeiros, de países sul-americanos, embora a maioria ainda não tenha correspondido as expectativas, ressalta o propósito do clube de descrever uma boa campanha e ganhar mais visibilidade no mercado internacional. O clube leonino apresenta uma instabilidade no Brasileiro da Série A, mas corre menos risco de rebaixamento do que o arqui-inimigo Santa Cruz. Entretanto, os três pontos que lhes separam da zona de rebaixamento servem como sinal de alerta, fato que coloca o Brasileiro como prioridade das prioridades.

O Clássico das Multidões será sempre atrativo, no Recife, em Marrakech, ou seja lá onde for disputado, mas é preciso lhe dar a importância que merece. O que não ocorre no momento.

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Olimpíada 2016
Ouro para uma alegria contagiante
postado em 22 de agosto de 2016


CLAUDEMIR GOMES


Na cerimônia de abertura das Olimpíadas do Rio, Caetano Velozo e Gilberto Gil deram boas vindas aos visitantes cantando:

"Isso aqui ô ô,

É um pouquinho de Brasil, iá iá

Deste Brasil que canta e é feliz,

Feliz, feliz

É também um pouco de uma raça,

Que não tem medo de fumaça ai, ai,..".

Durante os dezesseis dias de disputas, gregos, americanos, canadenses, chineses, colombianos, japoneses, austríacos, russos, espanhóis, jamaicanos... tiveram a oportunidade de conhecer, e foram envolvidos pela alegria de um povo que, mesmo diante de tantas dificuldades, é feliz.

O Brasil esta longe de se tornar uma potencia olímpica, e a maior prova de tal realidade é que, das sete medalhas de ouro conquistadas por nossos atletas, quatro foram surpreendentes, ou seja, não estavam nas previsões. Os anfitriões cariocas sabiam disso, assim como, tinham consciência de que, da leveza, do despojamento e de uma alegria que lhes é peculiar, poderiam se reinventar de forma que, os atropelos causados pela negligência dos gestores, não tirassem o brilho dos jogos que entram para a história como os mais alegres, e de maior interação com o povo.

O slogan - "Somos todos olímpicos" - foi assimilado pelos brasileiros, que mesmo diante de algumas frustrações não se deixaram abater. Cientes das limitações dos nossos atletas na corrida pela busca de medalhas, elegeram ídolos de outras nacionalidades, e assim emocionaram até semideuses como Phelps e Bolt. Nunca na história das olimpíadas se viu uma torcida tão ruidosa. Exageros aconteceram neste sentido, e pareciam inevitáveis. O frenesi das arquibancadas faz parte da nossa cultura. Afinal, este é o jeito brasileiro de ser. Embalado pela vibração, e pelo calor das disputas, o torcedor brasileiro foi mal educado na forma de externar apoio a equipes e atletas de sua preferência. Mas não se pode negar que ele conquistou os atletas visitantes.

Durante as Olimpíadas a Cidade Maravilhosa ficou mais maravilhosa ainda. E tudo acabou em samba. Não poderia ser diferente. Os voluntários foram homenageados. Justa homenagem. Os que fizeram a segurança lamentam as baixas que ocorreram, mas se sentem com uma medalha de ouro no peito por terem frustrado qualquer tipo de ação terrorista. Afinal, com atletas de várias nações, reunidos numa só cidade, o Rio de Janeiro se tornou um alvo em potencial.

Legado? Esqueçam isso. Os Jogos do Rio não serão transformadores para o nosso desporto como as Olimpíadas de Londres foi para o desporto britânico. Nós temos um problema crônico de gestão, que somente seria equacionado com a ingerência de um governo que tenha uma visão diferente de tudo que existe aí para o desporto. O que não é o caso do Brasil.

O Brasil conquistou 19 medalhas. Foi a melhor performance numa edição de Olimpíada. Como bem diz o cartunista Humberto Araújo: "Este é o nosso tamanho". Não adianta cobrar mais. O povo brasileiro entendeu isso. O carioca mais ainda. Portanto, a ordem era curtir, da melhor forma possível, um dos maiores espetáculos do planeta. E assim foi feito. A imagem de atleta misturados a sambistas na festa de encerramento, é uma prova inconteste desta "farra" inesquecível.

"O Rio de Janeiro continua lindo. Aquele abraço...".

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Olimpíada 2016
Fracassos devem ser atribuídos aos gestores
postado em 20 de agosto de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

Os Jogos Olímpicos do Rio alcançam a reta final com chances reais do Brasil conquistar duas medalhas de ouro - futebol e vôlei masculino - as únicas em esportes coletivos, mas que servirão para colocar esta edição como a mais positiva dentre todas as participações do País em Olimpíadas. Amanhã, quando passar a régua e fechar a conta ficaremos com a sensação de que poderíamos ter avançado mais. Isto é fato. E será inevitável a pergunta: de quem é a culpa? Dos gestores. Eis a resposta certa.

Neste ciclo olímpico, que se encerra agora, não foram poucos os escândalos envolvendo várias confederações. O apego e a perpetuação de dirigentes nos cargos são coisas nocivas, mas que passaram a fazer parte da cultura desportiva de um País que não tem uma política de formação e desassocia o esporte da educação. A pratica esportiva começa nas escolas. Esta é a receita utilizada pelas grandes potencias olímpicas. Os esportes universitários são o passo final para a profissionalização. No Brasil, os jovens quando chegam a universidade deixam de praticar esporte.

Até o momento as conquistas de medalhas foram em esportes individuais, fato surpreendente, até porque a maioria delas não faziam parte das previsões, por mais otimistas que fossem. Nunca o improvável foi tão comemorado. Todas as medalhas são emolduradas por histórias de superação. Comoventes histórias de vida. Ficaram as frustrações pelas desclassificações da seleção feminina de vôlei; do handebol feminino e do futebol feminino. Fica a lição de que crédito e favoritismo não chega a ser uma garantia de sucesso a não ser em casos de semideuses como Usain Bolt e Michael Phelps.

A palavra legado tem sido muito usada desde a Copa de 2014. E todos perguntam qual o legado a ser deixado pelas Olimpíadas do Rio. Torço para que seja a da consciência de um povo. Achei fantástico o público presente a Arena Itaquera, para assistir a disputa da medalha de bronze envolvendo as seleções femininas de futebol do Brasil e do Canadá. As meninas brasileiras foram derrotadas por 2x1, resultado que temos de por na conta dos dirigentes. Afinal, o futebol feminino no Brasil vive na indigência. É tratado como subproduto inclusive pela mídia. Portanto, nada a cobrar de Marta e companhia. Excelente público também foi registrado no Maracanã, que recebeu mais de 62 mil torcedores na final do futebol feminino cujo ouro foi conquistado pela seleção da Alemanha.

Renovação é a palavra de ordem para quase todas as modalidades esportivas no próximo ciclo olímpico. Quanto a mudança de comportamento dos gestores seguirá sendo um sonho. Afinal, renovação é coisa proibida nas entidades esportivas brasileiras.

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Olimpíada 2016
Incerteza sobre futuro do parque
postado em 18 de agosto de 2016

ADALBERTO LEISTER FILHO - MAQUINA DO ESPORTE


Por mais que algumas arenas sejam desmontáveis e outras instalações esportivas passem a ter uso diverso depois do Rio 2016, é assustador pensar o que será do Parque Olímpico da Barra e do Complexo Esportivo de Deodoro depois de 18 de setembro, quando serão encerrados os Jogos Paralímpicos.

O legado de arenas ultramodernas poderá beneficiar os atletas brasileiros e recolocar o país na rota de grandes eventos esportivos, como Mundiais de atletismo, basquete, esportes aquáticos e vôlei.

Mesmo assim é preocupante pensar que uso será feito do imenso complexo esportivo nos demais dias do ano em que não houver eventos. Há exemplos claros disso, de infraestrutura pouco aproveitada que criou elefantes brancos abandonados em Atenas 2004 e Pequim 2008.

Não é preciso cruzar o oceano. O Pan do Rio 2007 gerou instalações esportivas mais modernas que, nos anos seguintes foram subaproveitadas, como o antigo Velódromo (já derrubado) e a pista de atletismo do estádio do Engenhão, pouquíssimo utilizada pelos atletas cariocas em treinos.

Tentando conter o tamanho dos Jogos Olímpicos, uma tarefa hercúlea, diante da sofisticação cada vez mais pedida por TVs e patrocinadores, o COI (Comitê Olímpico Internacional) lançou a Agenda 2020, uma tentativa de baratear os custos.

Menos de um ano depois, na contramão, anuncia a inclusão de mais cinco esportes para Tóquio 2020: skate, surfe, escalada, beisebol/softbol e caratê. Ou seja, os organizadores terão que pensar mais cinco instalações esportivas para abrigar as novas modalidades e mais vagas na Vila Olímpica para acomodar esses atletas. Por outro lado, não há garantia de que alguma modalidade deixará o programa.

A questão do legado das instalações esportivas é premente ao COI. E parece que não tem sido levada a sério pelo comitê. Nem pelos comitês organizadores.

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