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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Um jogo de futebol, por regra, é disputado em noventa minutos, mas pode ser decidido em fração de segundo, fato que exige, de todos os profissionais, uma atenção redobrada, dentro das quatro linhas, do primeiro ao último instante da disputa. A vitória do Náutico - 3x1 - sobre o Paissandu, no temido Estádio da Curuzu, em Belém, foi um exemplo claro daquilo que podemos chamar de surpresa e desatenção, com o registro de gols aos 40 segundos do primeiro tempo, e outro aos 10 segundos da etapa final.
Antes de a bola rolar na sétima rodada da Série A, tive a curiosidade de consultar o Chance de Gol, site que faz projeções apresentando probabilidades para o futuro das equipes na competição. Evidente que, em se tratando de futebol, tudo é muito prematuro, porém, como a margem de acerto do site é muito boa, ao logo do campeonato realizo várias consultas. Após a conclusão dos dez jogos evoquei o saudoso Mané Queiroz: "Se o Campeonato Brasileiro terminasse agora o Náutico estaria classificado para a Série A de 2017".
E tudo foi muito rápido. Gols que aconteceram num piscar de olhos. Os narradores que não estiveram atentos também foram pegos de surpresa, e levaram "bolas nas costas" até por conta daquela vinhetinha de trinta segundos. O futebol tem dessas maravilhosas surpresas. E olha que todos ficaram tensos quando, horas antes do inÃcio da partida, o técnico Alexandre Gallo foi obrigado a abrir mão do atacante Rony, uma das peças mais positivas do time alvirrubro, por não se ter a certeza de que o jogador estava, ou não, pendurado com três cartões. Falha primária do profissional que acompanha os relatórios dos jogos. Uma lambança que deixou a todos sobressaltados de como o time de Gallo reagiria sem sua grande válvula de escape. Tensão que aumentou após o Timbu ser surpreendido com um gols aos quarenta segundos.
Bom! Ainda tinha todo um jogo, ou seja, noventa minutos para uma reação. E o Náutico mostrou que tem a força do conjunto, que seu crescimento na competição é sustentável, e não existe essa de dependência de jogador nenhum, embora seja indiscutÃvel o reconhecimento e a valorização sobre determinadas da engrenagem. E o conjunto mostrou força e harmonia a partir dos quinze minutos, fato que proporcionou uma reação ainda no primeiro tempo, quando Bergson marcou o gol de empate com a marca da coletividade.
E a bola rola para os dois lados. Portanto, é preciso ter atenção lá e cá. Antes que o torcedor alvirrubro, que acompanhava o jogo pelo rádio, e pela televisão, se acomodasse na poltrona: gol de Jefferson Nem aos dez segundos do tempo final. E o raio caiu no mesmo local duas vezes seguidas. Com um detalhe: os times já haviam trocado de lado. Azar do Lobo. Sorte do Timbu. Mas para mostrar que tudo não passou de um lance de sorte, Jefferson Nem, que antes estava cotado para figurar no banco, foi guindado a condição de titular e aproveitou a chance. Mal o árbitro trilou o apito, o zagueiro do Paissandu ainda cochilava, mas Nem estava muito aceso, ligado no jogo, marcou o gol que mudou a história da partida. A virada no placar tinha sua assinatura. Era pouco para um atacante que estava iluminado. Vitória tão expressiva, que coloca o Náutico no G4, tinha que ser fechada em alto estilo. E veio o inspirado Jefferson com um gol de placar. à o Náutico com cara de Série A.
E a torcida alvirrubra foi dormir embalada pelo xote do Trio Nordestino:
"Neném, neném, neném
O que aconteceu
Tão todos te querendo
Tu vem fica mais eu, oh!"...
Por ROBERTO VIEIRA
Um gol relâmpago pra cá?
Um gol relâmpago pra lá.
O Paysandu de Lucas e Dado saiu na frente.
Mas o Náutico é muito melhor.
Jefferson Nem em noite de Romário.
Rafael Pereira em dia de Rafael Pereira.
Gaston... em dia de Gaston.
O Náutico entra no Z-4.
E tem Hugo pra estrear.
João Ananias pra voltar.
Rodrigo Souto... talvez.
Os meninos de Galo voltam de belém com mais uma vitória.
Pois belém virou cidade alvirrubra.
Na Curuzu?
Blog do RODRIGO MATTOS
A procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) quer que os clubes se comprometam a impor restrições a torcidas organizadas. Entre as medidas, os times não poderiam apoia-las, dar acesso a centro de treinamentos ou permitir que membros punidos vão ao estádio. O termo de ajustamento de conduta foi assinado em Pernambuco, e agora o objetivo é expandi-lo ao restante do paÃs. Por isso, já foi enviado à CBF, e agora será encaminhado a times e federações.
Firmado em maio deste ano, e assinado por Sport, Santa Cruz e Náutico, o documento contém obrigações dos clubes em relação a organizadas. Caso não as cumpram, podem ser punidos com perda de mando de campo e até portões fechados.
Na 1a cláusulas, os clubes se comprometem a não dar apoio às organizadas. No segundo item, fica estabelecido que só podem vender ingressos de visitantes para sócios-torcedores. E, na terceira cláusula, os clubes ficam impedidos de permitir a entrada de organizadas nos centros de treinamento e em suas sedes.
Outras exigências: manter em sua página a relação de torcedores punidos, contribuir para que eles não possam entrar no estádio e fornecer imagens internas para investigações de brigas. Ainda há a necessidade de comunicar ameaças a jogadores ou comissão técnica.
Pela cláusula oitava, fica estabelecido que o descumprimento do termo pode gerar perda de mando de campo, portões fechados, multa ou até perda de pontos, de acordo com o CBJD (Código Brasileiro de Justiça Desportiva). Ainda não há certeza de que os clubes vão aderir.
O problema é que nem sempre esse tipo de termo de ajustamento de conduta funciona. A diretoria do Corinthians assinou um documento igual com o Ministério Público de São Paulo. Mas, recentemente, seus dirigentes permitiram que as organizadas fossem ao CT.
Por ROBERTO VIEIRA
O Joinville é básico.
Feijão com arroz.
Alface e bife.
Dali não sai mais nada.
O Náutico repetiu também seu cardápio.
Bola com Roni.
Gol de Renan e Adan.
Não é lá muita coisa.
Mas é melhor ser dependente de alguém.
Do que não ter ninguém pra depender.
Quinto lugar na tabela.
Dependendo do que CRB e Criciúma venham a fazer - olha a dependência de novo.
A rodada deixou bela impressão do Bahia - 3 x 0 Payssandu.
Com Régis jogando o fino e perdendo gol de cego.
A Série B já tem dois classificados: vasco e Bahia.
Restam duas vagas para dezoito do Forte.
CLAUDEMIR GOMES
A convincente vitória por 1x0 sobre o Santa Cruz, no clássico disputado no meio da semana, deu um novo ânimo ao time do Sport, que neste domingo enfrenta o Atlético Mineiro, na Ilha do Retiro, por certo, com um apoio substancial de sua torcida. Os torcedores leoninos, como era de se esperar, seguem tirando onda com os centenários rivais tricolores. Coisas do futebol. Afinal, o Leão pôs um ponto final a uma sequência invicta de dezoito jogos da Cobra Coral, e isto é motivo mais que suficiente para a gréa rolar solta.
A soma dos três pontos tirou do Sport a desconfortável condição de lanterna da competição, mas não foi suficiente para livrar os comandados de Oswaldo de Oliveira da zona de rebaixamento. O resultado foi excelente para um time que ainda não havia conseguido vencer nesta edição da Série A. O desempenho da equipe durante os noventa minutos do jogo deu consistência e legitimidade ao resultado, que diante de tudo que foi criado por Diego Souza & Cia, poderia ter sido por um placar mais elástico. Apesar da importância desses dois fatores - resultado e desempenho - ressalto como mais importante o fato de o grupo ter exorcizado seus fantasmas. Quem vivencia os bastidores do futebol sabe que, quando um time está sob pressão cada jogador, individualmente, começa a criar fantasmas no seu subconsciente. Como as reações são diferentes, em alguns casos esses fantasmas se agigantam e se transformam em "monstros". Quando isso acontece fica difÃcil promover a unidade que é fundamental num esporte coletivo. O time passa ser um um um... Nada de coletivo. Cada qual com o seu qual.
A vitória no Clássico das Multidões, da forma como foi construÃda, devolveu a autoestima, a autoconfiança ao grupo comandado por Oswaldo de Oliveira. Evidente que isto não é garantia de que, doravante tudo será flores, nada de espinhos. A meta é alcançar uma regularidade dentro de um alto padrão. O Sport vai oscilar, até porque irá enfrentar adversários mais qualificados que o Santa Cruz, contudo, para o momento, o mais importante foi realizado: a exorcização dos fantasmas.