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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A
torcida do Santa Cruz tem mil motivos para festejar a conquista de
mais um tÃtulo, o 29º do Campeonato Pernambucano. Tem mais é que
se esbaldar. Afinal, foram duas conquistas num curto espaço de oito
dias: Copa do Nordeste e Campeonato Pernambucano. A alegria tem que
persistir por mais alguns dias. à tempo de gréa, de gozação,
coisa essencial no futebol, principalmente quando falamos de um clube
de massa como é o Tricolor do Arruda.
Os fatos se sobrepõem aos números. Trocando em miúdo, o que quero dizer é que o torcedor coral anda rindo à toa por conta da conquista do inédito tÃtulo regional, e do quinto estadual da década, fato que referenda uma incontestável hegemonia estadual. Entretanto, se formos nos deter aos números da campanha, e ao rendimento da equipe comandada por Milton Mendes nos dois jogos finais, sem muito esforço, chegaremos a conclusão de que é preciso evoluir muito para fazer uma campanha de manutenção no Brasileiro da Série A, campeonato mais importante do futebol brasileiro, no qual o Santa Cruz estréia domingo, à s 11h, enfrentando o Vitória/BA, no Arruda, após dez anos afastado da competição.
O Santa Cruz foi campeão em virtude da incompetência do adversário. Refiro-me à decisão, onde o Sport jogou 135 minutos no campo do Tricolor e não conseguiu marcar um gol sequer: o segundo tempo da primeira partida, no Arruda, e os noventa minutos da partida de volta, na Ilha do Retiro. à costume dizer que, quando um time vai ser campeão é possÃvel sentir o cheiro no vestiário. Confesso que, apesar da experiência, nunca tive olfato apurado a ponto de decifrar um futuro campeão. Entretanto, podemos destacar que tudo conspirou a favor do Santinha na reta final. E assim foi construÃdo o campeão estadual de 2016.
E o povão celebra ao seu estilo, a sua maneira. Afinal, a partir de domingo, toda esta magia que emana das conquistas é página virada. à a lei imposta pela dinâmica do futebol.
CLAUDEMIR GOMES
O presidente do Sport, João Humberto Martorelli, não economizou nos adjetivos para atacar o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, e o diretor de competições da entidade, Murilo Falcão. Foi contundente ao afirmar que iria continuar trabalhando serenamente no sentido de tentar "afastar essas pessoas que fazem do futebol um ambiente promÃscuo, um ambiente de absoluta irresponsabilidade". Os ataques aconteceram no final do clássico onde o Sport perdeu para o Santa Cruz - 1x0 - em virtude de um erro crasso do árbitro, Emerson Sobral, e seu assistente, José Daniel Torres, que validaram o gol tricolor numa jogada onde os atacantes, Grafite e Lelê, estavam em flagrante impedimento. A vitória deixa o Santa Cruz com a vantagem do empate no jogo final da decisão do tÃtulo estadual, domingo, na Ilha do Retiro.
Seguindo a linha de
raciocÃnio do presidente leonino, é possÃvel dizer que ele assistiu ao jogo
gozando da mordomia de um ambiente promÃscuo, uma vez que, estava num camarote
que lhe fora cedido gentilmente pela FPF. Portanto, Martorelli e se-us pares
foram coniventes com a "promiscuidade"
até que viu a pele do leão ser rasgada por conta do erro do assistente José
Daniel. A falha existiu. Isto é fato. Mas todos conhecem as limitações de
Emerson Sobral, que teve uma atuação desastrosa, principalmente no aspecto
disciplinar. Erros de arbitragem vão acontecer sempre. Como deixou bem claro em
seu desabafo, o presidente do Sport já vem questionando a qualidade da
arbitragem estadual há um bom tempo, portanto, é de se perguntar: por que o
clube não questionou, e tentou barrar, a indicação de Sobral que sempre foi um
árbitro que oscilou do mediano para o fraco? Arbitragem melhora com ações
preventivas. Desastres deste tipo são evitdos com prevenção.
O jurista, João Humberto
Martorelli, carregou nas tintas, e como tem bom conhecimento da matéria
Direito, coisa que não acontece em relação a matéria futebol, acredito que
esteja preparado para um embate judicial com o presidente da FPF, que também
comanda um escritório de advocacia. O fato é que, a disputa do tÃtulo de 2016
se tornou mais acirrada após os ataques do comandante da nau leonina. Será que a promiscuidade viria à tona se o erro tivesse beneficiado o Sport? à muito improvável que tal comportamento viesse a acontecer.
CLAUDEMIR
GOMES
Como acontece todos os anos, os clubes são obrigados a publicarem seus balanços até o último dia do mês de abril. A partir do momento que o Sport tornou público os números de sua contabilidade na temporada de 2015, muitos questionamentos passaram a ser feitos por sócios e conselheiros do clube leonino. Na manhã desta segunda-feira, o ex-presidente, Luciano Bivar, participou do programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal, onde externou sua preocupação com o futuro do clube, chegando a classificar a gestão do presidente, João Humberto Martorelli, de "temerária". Bivar, que antecedeu Martorelli no executivo leonino, também disse que o seu sucessor cometeu "pedaladas", e o acusou de estar construindo um "passivo para futuras gestões".
Consultei o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que todos os anos estuda, de forma minuciosa e competente, os balanços dos três grandes clubes do Recife - Sport, Náutico e Santa Cruz. Abaixo, segue, na Ãntegra, sua avaliação:
"O balanço do Sport é uma peça de ficção. Está mais para pedaladas de nossa presidente do que a realidade. Para aqueles que não entendem de números contábeis, o crescimento das receitas impressiona, saindo de R$ 60.797.294,00 para R$ 87.642.465,00 com um incremento de R$ 26.841.171,00 (44%).
Por outro lado o Passivo Total subiu de R$ 50.184.783,00 para R$ 76.567.086,00, com um incremento de R$ 26.382.303,00 (42%).
O crescimento das Receitas teve como grande incentivo o aumento de R$ 16.832.290,00 nas cotas dos direitos de transmissão, ou seja, mais de 60% do total. Numa jogada contábil uma receita antecipada pela Globo de R$ 18 milhões foi alocada no item Passivo Não Circulante como débito, enquanto as demais antecipações no valor de R$ 11.507.757,00 ficaram no Circulante (Curto Prazo).Na realidade dos R$ 87.649.465,00 das Receitas Totais, R$ 29.507.757,00 foram de receitas antecipadas, ou seja, uma mera ilusão, desde que esse sistema de antecipação é danoso, quando se cobre um santo e descobre outro.
No item Empréstimos e Financiamentos, a soma geral é de R$ 18.725.663,00 com um encargo de juros no valor de R$ 7.372.557,00 o que é danoso para a vida financeira do clube.
As obrigações trabalhistas e tributárias também tiveram uma evolução e com um agravante: o Sport fechou o ano com aplicações de R$ 24.542.856,00. O caixa com essas aplicações tem um saldo de R$ 27.013.131,00. Nos empréstimos consta um do escritório do presidente do clube, e de pessoas ligadas, não determinadas, no valor de R$ 1.212.906,00.
Chamamos a atenção para o fato de que os encargos bancários são bem maiores do que as taxas de remuneração de qualquer CDB, como qualquer leigo no assunto tem conhecimento. Qual a razão de ter um caixa alto e não reduzir os débitos?
As despesas com o futebol extrapolaram o correto que é de 65%, no máximo, na relação com o total das receitas. A participação em 2015 foi de 76%. O mais grave é a evolução do déficit anual ao compararmos com os perÃodos de 2013 e 2015: 2013 - R$ 4.963.606,00; 2014 - R$ 8.627.606,00; 2015 - R$ 26.528.963,00.
Como conclusão dessa análise, temos a convicção que o Sport não está sendo gerenciado de forma profissional, com um balanço sofrendo algumas pedaladas em seu contexto, e que apesar de ter recebido bons recursos, se comparados com os outros dois clubes de nossa Capital, não soube compatibilizar o binômio receita x despesas, e com o agravante de ter abusado de empréstimos e sobretudo de antecipação de receitas, ou seja, quem financiou uma boa parte das finanças rubro-negras foram tais itens, sendo que essa última de R$ 18 milhões pode ser contestada judicialmente desde que fere o Profut, que não permite aos dirigentes realizarem tais procedimentos para perÃodos que ultrapassem o perÃodo do mandato.(José Joaquim Pinto de Azevedo)".CLAUDEMIR GOMES
O terror do Nordeste está de volta! Não foi fácil. Assim como não foram fáceis tantas outras conquistas do centenário Santa Cruz. Mas estamos falando de um clube que, cada vez mais se mostra contemporâneo do Século XXI. Depois da suada vitória sobre o Campinense - 2x1 - no primeiro jogo, quarta-feira, no Arruda, o tÃtulo ficou por um ponto. E todos sabiam que, embora, teoricamente, o desafio parecesse fácil, o objetivo somente seria conseguido com a união de todos. Sempre foi assim, desde a fundação do clube. E a torcida não se fez de rogada. O Campinense até que deu uma ajudinha ao mandar, por debaixo do pano, 2500 ingressos a mais para serem vendidos no Arruda. E o povão coloriu as estradas até Campina Grande.
A bola do jogo, ou da classificação, esteve nos pés de Grafite, no primeiro tempo. Arthur lhe serviu com açúcar e com afeto, mas uma irregularidade no terreno a fez quicar, e o artilheiro acabou desperdiçando uma chance de ouro. No segundo tempo a chance caiu nos pés de Rodrigão. O goleador do Campinense foi letal. A torcida da Raposa foi a loucura. A massa tricolor emudeceu. Mas no futebol a passagem do céu para o inferno pode acontecer num piscar de olhos. E a bola do jogo volta aos pés de Arthur, que desta feita não tinha que servir ninguém: chutou a primeira vez de esquerda, pegou o rebote e finalizou de direita para marcar o gol de empate. A conquista da Copa do Nordeste passou a ter a assinatura do "Rei Arthur".
E todos cantaram Capiba:
"Santa Cruz! Santa Cruz!
Junta mais esta vitória
Santa Cruz! Santa Cruz!
Ao teu passado de glória
Ãs o querido do povo
O terror do Nordeste no gramado
Tuas vitórias de hoje
Nos lembram vitórias do passado..."
Um tÃtulo que, não apenas dá a hegemonia regional ao Clube do Arruda, mas também abre as portas para sua primeira participação em uma competição, oficial, internacional. Pelo atual regulamento, o campeão da Copa do Nordeste em 2016 estará com sua participação assegurada nas edições de 2016 e 2017 da Copa Sul Americana.
A quem atribuir os méritos da conquista? A todos. O Santa Cruz é isso. à conjunto, é unidade. Sua história é pontuada de mutirões. E agora não foi diferente. Torcida, jogadores, comissão técnica, dirigentes, todos fizeram aquilo que lhe competia. Deu certo. Afinal, esta receita é conhecida há cem anos, e sempre que repetida o sucesso aparece. O Santa Cruz é o time do improvável. Eis porque o presidente, AlÃrio Morais é um visionário.

Por ROBERTO VIEIRA