Histórico
Campeonato Pernambucano
Hora de comemorar
postado em 09 de maio de 2016

CLAUDEMIR GOMES



A torcida do Santa Cruz tem mil motivos para festejar a conquista de mais um título, o 29º do Campeonato Pernambucano. Tem mais é que se esbaldar. Afinal, foram duas conquistas num curto espaço de oito dias: Copa do Nordeste e Campeonato Pernambucano. A alegria tem que persistir por mais alguns dias. É tempo de gréa, de gozação, coisa essencial no futebol, principalmente quando falamos de um clube de massa como é o Tricolor do Arruda.

Os fatos se sobrepõem aos números. Trocando em miúdo, o que quero dizer é que o torcedor coral anda rindo à toa por conta da conquista do inédito título regional, e do quinto estadual da década, fato que referenda uma incontestável hegemonia estadual. Entretanto, se formos nos deter aos números da campanha, e ao rendimento da equipe comandada por Milton Mendes nos dois jogos finais, sem muito esforço, chegaremos a conclusão de que é preciso evoluir muito para fazer uma campanha de manutenção no Brasileiro da Série A, campeonato mais importante do futebol brasileiro, no qual o Santa Cruz estréia domingo, às 11h, enfrentando o Vitória/BA, no Arruda, após dez anos afastado da competição.

O Santa Cruz foi campeão em virtude da incompetência do adversário. Refiro-me à decisão, onde o Sport jogou 135 minutos no campo do Tricolor e não conseguiu marcar um gol sequer: o segundo tempo da primeira partida, no Arruda, e os noventa minutos da partida de volta, na Ilha do Retiro. É costume dizer que, quando um time vai ser campeão é possível sentir o cheiro no vestiário. Confesso que, apesar da experiência, nunca tive olfato apurado a ponto de decifrar um futuro campeão. Entretanto, podemos destacar que tudo conspirou a favor do Santinha na reta final. E assim foi construído o campeão estadual de 2016.

E o povão celebra ao seu estilo, a sua maneira. Afinal, a partir de domingo, toda esta magia que emana das conquistas é página virada. É a lei imposta pela dinâmica do futebol.

leia mais ...

Futebol Pernambucano
Na mordomia da promiscuidade
postado em 05 de maio de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

O presidente do Sport, João Humberto Martorelli, não economizou nos adjetivos para atacar o presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Evandro Carvalho, e o diretor de competições da entidade, Murilo Falcão. Foi contundente ao afirmar que iria continuar trabalhando serenamente no sentido de tentar "afastar essas pessoas que fazem do futebol um ambiente promíscuo, um ambiente de absoluta irresponsabilidade". Os ataques aconteceram no final do clássico onde o Sport perdeu para o Santa Cruz - 1x0 - em virtude de um erro crasso do árbitro, Emerson Sobral, e seu assistente, José Daniel Torres, que validaram o gol tricolor numa jogada onde os atacantes, Grafite e Lelê, estavam em flagrante impedimento. A vitória deixa o Santa Cruz com a vantagem do empate no jogo final da decisão do título estadual, domingo, na Ilha do Retiro.

Seguindo a linha de raciocínio do presidente leonino, é possível dizer que ele assistiu ao jogo gozando da mordomia de um ambiente promíscuo, uma vez que, estava num camarote que lhe fora cedido gentilmente pela FPF. Portanto, Martorelli e se-us pares foram coniventes com a  "promiscuidade" até que viu a pele do leão ser rasgada por conta do erro do assistente José Daniel. A falha existiu. Isto é fato. Mas todos conhecem as limitações de Emerson Sobral, que teve uma atuação desastrosa, principalmente no aspecto disciplinar. Erros de arbitragem vão acontecer sempre. Como deixou bem claro em seu desabafo, o presidente do Sport já vem questionando a qualidade da arbitragem estadual há um bom tempo, portanto, é de se perguntar: por que o clube não questionou, e tentou barrar, a indicação de Sobral que sempre foi um árbitro que oscilou do mediano para o fraco? Arbitragem melhora com ações preventivas. Desastres deste tipo são evitdos com prevenção.

O jurista, João Humberto Martorelli, carregou nas tintas, e como tem bom conhecimento da matéria Direito, coisa que não acontece em relação a matéria futebol, acredito que esteja preparado para um embate judicial com o presidente da FPF, que também comanda um escritório de advocacia. O fato é que, a disputa do título de 2016 se tornou mais acirrada após os ataques do comandante da nau leonina. Será que a promiscuidade viria à tona se o erro tivesse beneficiado o Sport? É muito improvável que tal comportamento viesse a acontecer.

Em campo a disputa está em aberta. Afinal, o Leão descobriu, mesmo perdendo o jogo, que a cobra não é tão venenosa quanto estava sendo anunciada.

leia mais ...

Sport
Pedaladas rubro-negras
postado em 03 de maio de 2016


CLAUDEMIR GOMES

 

Como acontece todos os anos, os clubes são obrigados a publicarem seus balanços até o último dia do mês de abril. A partir do momento que o Sport tornou público os números de sua contabilidade na temporada de 2015, muitos questionamentos passaram a ser feitos por sócios e conselheiros do clube leonino. Na manhã desta segunda-feira, o ex-presidente, Luciano Bivar, participou do programa de Geraldo Freire, na Rádio Jornal, onde externou sua preocupação com o futuro do clube, chegando a classificar a gestão do presidente, João Humberto Martorelli, de "temerária". Bivar, que antecedeu Martorelli no executivo leonino, também disse que o seu sucessor cometeu "pedaladas", e o acusou de estar construindo um "passivo para futuras gestões".

Consultei o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que todos os anos estuda, de forma minuciosa e competente, os balanços dos três grandes clubes do Recife - Sport, Náutico e Santa Cruz. Abaixo, segue, na íntegra, sua avaliação:

"O balanço do Sport é uma peça de ficção. Está mais para pedaladas de nossa presidente do que a realidade. Para aqueles que não entendem de números contábeis, o crescimento das receitas impressiona, saindo de R$ 60.797.294,00 para R$ 87.642.465,00 com um incremento de R$ 26.841.171,00 (44%).

Por outro lado o Passivo Total subiu de R$ 50.184.783,00 para R$ 76.567.086,00, com um incremento de R$ 26.382.303,00 (42%).

O crescimento das Receitas teve como grande incentivo o aumento de R$ 16.832.290,00 nas cotas dos direitos de transmissão, ou seja, mais de 60% do total. Numa jogada contábil uma receita antecipada pela Globo de R$ 18 milhões foi alocada no item Passivo Não Circulante como débito, enquanto as demais antecipações no valor de R$ 11.507.757,00 ficaram no Circulante (Curto Prazo).

Na realidade dos R$ 87.649.465,00 das Receitas Totais, R$ 29.507.757,00 foram de receitas antecipadas, ou seja, uma mera ilusão, desde que esse sistema de antecipação é danoso, quando se cobre um santo e descobre outro.

No item Empréstimos e Financiamentos, a soma geral é de R$ 18.725.663,00 com um encargo de juros no valor de R$ 7.372.557,00 o que é danoso para a vida financeira do clube.

As obrigações trabalhistas e tributárias também tiveram uma evolução e com um agravante: o Sport fechou o ano com aplicações de R$ 24.542.856,00. O caixa com essas aplicações tem um saldo de R$ 27.013.131,00. Nos empréstimos consta um do escritório do presidente do clube, e de pessoas ligadas, não determinadas, no valor de R$ 1.212.906,00.

Chamamos a atenção para o fato de que os encargos bancários são bem maiores do que as taxas de remuneração de qualquer CDB, como qualquer leigo no assunto tem conhecimento. Qual a razão de ter um caixa alto e não reduzir os débitos?

As despesas com o futebol extrapolaram o correto que é de 65%, no máximo, na relação com o total das receitas. A participação em 2015 foi de 76%. O mais grave é a evolução do déficit anual ao compararmos com os períodos de 2013 e 2015: 2013 - R$ 4.963.606,00; 2014 - R$ 8.627.606,00; 2015 - R$ 26.528.963,00.

Como conclusão dessa análise, temos a convicção que o Sport não está sendo gerenciado de forma profissional, com um balanço sofrendo algumas pedaladas em seu contexto, e que apesar de ter recebido bons recursos, se comparados com os outros dois clubes de nossa Capital, não soube compatibilizar o binômio receita x despesas, e com o agravante de ter abusado de empréstimos e sobretudo de antecipação de receitas, ou seja, quem financiou uma boa parte das finanças rubro-negras foram tais itens, sendo que essa última de R$ 18 milhões pode ser contestada judicialmente desde que fere o Profut, que não permite aos dirigentes realizarem tais procedimentos para períodos que ultrapassem o período do mandato.(José Joaquim Pinto de Azevedo)".

leia mais ...

Copa do Nordeste
A volta do Terror do Nordeste
postado em 02 de maio de 2016

CLAUDEMIR GOMES

 

O terror do Nordeste está de volta! Não foi fácil. Assim como não foram fáceis tantas outras conquistas do centenário Santa Cruz. Mas estamos falando de um clube que, cada vez mais se mostra contemporâneo do Século XXI. Depois da suada vitória sobre o Campinense - 2x1 - no primeiro jogo, quarta-feira, no Arruda, o título ficou por um ponto. E todos sabiam que, embora, teoricamente, o desafio parecesse fácil, o objetivo somente seria conseguido com a união de todos. Sempre foi assim, desde a fundação do clube. E a torcida não se fez de rogada. O Campinense até que deu uma ajudinha ao mandar, por debaixo do pano, 2500 ingressos a mais para serem vendidos no Arruda. E o povão coloriu as estradas até Campina Grande.

A bola do jogo, ou da classificação, esteve nos pés de Grafite, no primeiro tempo. Arthur lhe serviu com açúcar e com afeto, mas uma irregularidade no terreno a fez quicar, e o artilheiro acabou desperdiçando uma chance de ouro. No segundo tempo a chance caiu nos pés de Rodrigão. O goleador do Campinense foi letal. A torcida da Raposa foi a loucura. A massa tricolor emudeceu. Mas no futebol a passagem do céu para o inferno pode acontecer num piscar de olhos. E a bola do jogo volta aos pés de Arthur, que desta feita não tinha que servir ninguém: chutou a primeira vez de esquerda, pegou o rebote e finalizou de direita para marcar o gol de empate. A conquista da Copa do Nordeste passou a ter a assinatura do "Rei Arthur".

E todos cantaram Capiba:

"Santa Cruz! Santa Cruz!

Junta mais esta vitória

Santa Cruz! Santa Cruz!

Ao teu passado de glória

És o querido do povo

O terror do Nordeste no gramado

Tuas vitórias de hoje

Nos lembram vitórias do passado..."

Um título que, não apenas dá a hegemonia regional ao Clube do Arruda, mas também abre as portas para sua primeira participação em uma competição, oficial, internacional. Pelo atual regulamento, o campeão da Copa do Nordeste em 2016 estará com sua participação assegurada nas edições de 2016 e 2017 da Copa Sul Americana.

A quem atribuir os méritos da conquista? A todos. O Santa Cruz é isso. É conjunto, é unidade. Sua história é pontuada de mutirões. E agora não foi diferente. Torcida, jogadores, comissão técnica, dirigentes, todos fizeram aquilo que lhe competia. Deu certo. Afinal, esta receita é conhecida há cem anos, e sempre que repetida o sucesso aparece. O Santa Cruz é o time do improvável. Eis porque o presidente, Alírio Morais é um visionário.

leia mais ...

Santa Cruz
O Tricolor de Barbosa e Grafite
postado em 02 de maio de 2016
BARBOSA, 1956
BARBOSA, 1956

GRAFITE, 2016

GRAFITE, 2016

Por ROBERTO VIEIRA


Moacir Barbosa chegou ao Santa Cruz em 1955.
Amargurado com o Vasco da Gama.
Passe comprado com moedas recolhidas pelas ruas do Recife.
O Santa Cruz sonhando com Barbosa.
Barbosa sonhando com a Copa de 50.
No dia 5 de março de 1956 - Barbosa no gol.
O Santa Cruz batia o Vitória da Bahia por 4 x 0.
E ganhava a Taça Pernambuco - Bahia.
Até hoje?
Este era o maior título coral fora de Pernambuco.
Mas com a chegada de Grafite ao Santa Cruz.
Grafite que levou o Santa Cruz a Série A.
Grafite que surgiu no tricolor e viajou o mundo.
Grafite que nunca havia sido campeão pelo clube do Arruda.
O Santa Cruz levanta a taça de Campeão do Nordeste.
Sessenta anos depois de Barbosa.
Provando que vale sempre apostar no craque.
Agora?
Quem é que segura o Terror do Nordeste?
Terror do Nordeste que vai pra cima do Sport na decisão do estadual.
Em Clássico das Multidões que completa cem anos este ano.

Clássico das Multidões para um país de estádios cada vez mais vazios...

leia mais ...