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Maio 2012 ›› MAQUINA DO ESPORTE
As investigações da PolÃcia Federal sobre a corrupção envolvendo
empreiteiras no Brasil chegou até a Arena Corinthians. Na manhã desta
terça-feira, a PF deflagrou a 26ª fase da Operação Lava Jato, com a
descoberta de planilhas de controle de pagamentos de propinas pela
construtora Odebrecht.
Em meio à s apurações, a PF levou para depor o vice-presidente do Corinthians André Luiz de Oliveira, conhecido como André Negão. Ele é apontado pela polÃcia como receptor de R$ 500 mil que seriam propinas referentes à construção da Arena Corinthians. Uma das planilhas identificadas pela PF continha o nome "Timão", para quem foi repassado esse montante.
"Existe um sistema inclusive automático de controle desses pagamentos com distribuição de alçadas com pagamentos em setores de óleo e gás, infraestrutura, estádios de futebol, canal do sertão", disse o procurador da República Carlos Fernando Santos de Lima em entrevista coletiva após a deflagração da Operação Xepa, como foi batizada a ação.
De acordo com o procurador, o estádio corintiano teria sido erguido por meio do pagamento de propinas. As investigações sobre os receptores do dinheiro ainda estão em curso. Oliveira já prestou depoimento à PF e foi liberado. Em entrevista ao site "Globoesporte.com", o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez, aliado polÃtico de André Negão e principal articulador da construção do estádio, minimizou os efeitos da investigação sobre o clube.
"Eu não tenho preocupação nenhuma, o clube também não tem. Se é verdade que teve pagamento de propina, o Corinthians é vÃtima. Cada um é maior de idade e sabe o que faz", afirmou o ex-presidente corintiano.
As investigações da PF, agora, saÃram da alçada apenas da Petrobras. Conforme for o andamento dessa apuração deflagrada nesta terça-feira, outros estádios construÃdos recentemente para a Copa do Mundo podem entrar na investigação. Para 2014, foram construÃdas pela Odebrecht, além da Arena Corinthians, a Itaipava Arena Pernambuco, a Itaipava Arena Fonte Nova e o Maracanã.
A Odebrecht também era, até o inÃcio deste ano, a gestora desses estádios. O Maracanã deverá ser devolvido ao governo do Rio de Janeiro após os Jogos OlÃmpicos. O futuro das arenas no Nordeste ainda é incerto.
CLAUDEMIR GOMES
E o torcedor virou as costas para o Campeonato Pernambucano. Chegamos a tal constatação ao observar o público dos jogos realizados. Os números do final de semana referendam a tese. Paulo Coelho, um dos mais bem sucedidos escritores brasileiros, em um dos seus primeiros tÃtulos - O Alquimista - famoso best seller, nos chama a atenção para a importância de estar atento aos sinais. O êxodo dos torcedores dos estádios é um sinal bastante claro da insatisfação dos torcedores em relação ao modelo implantado pela Federação Pernambucana de Futebol para a disputa do Estadual.
Num passado recente, a média de público do Sport, quando jogava no Recife, tendo como adversário clubes medianos, era de 8 mil torcedores, podendo haver uma pequena variação para mais ou para menos. Sábado, apenas 1.497 torcedores se dispuseram a ir ao estádio do Arruda assistir a goleada que os leoninos aplicaram no frágil time do América: 4x0.
Os clássicos, historicamente sempre foram lucrativos. Aliás, desde que Santa Cruz, Sport e Náutico se consolidaram como as maiores forças do futebol pernambucano, e donos das maiores torcidas, a preocupação dos responsáveis em definir a forma de disputa do Estadual e confeccionar as tabelas, sempre foi a de inserir na disputa o maior número possÃvel de clássicos. Forma infalÃvel de evitar ou amenizar o prejuÃzo. A edição 2016 do Estadual, que deve entrar para a história como uma das mais fracas em presença de público. O somatório dos públicos registrados nos cinco clássicos realizados até o momento não atingiu a casa dos 60 mil torcedores.
Sábado, após o anúncio do jogo do Sport com o América, o comentarista, Ralf de Carvalho, foi de uma lucidez elogiável ao afirmar que o "torcedor virou as costas para o Pernambucano". Falta a FPF traduzir os sinais.
MAQUINA DO ESPORTE - Por: Adalberto Leister Filho
O que parecia uma ousadia ilimitada parece próximo de se tornar
realidade. O Esporte Interativo tem anunciado novos acordos a cada dia e
se consolida como um novo player na disputa pelos direitos de TV do
Brasileirão.
A estratégia do canal do Grupo Turner parece bem-sucedida até aqui. O EI primeiro consolidou sua marca nos mercados periféricos, com transmissões de Estaduais menos importantes, além da Copa Verde, disputada por equipes das regiões Norte e Centro-Oeste, e da Copa do Nordeste.
O resultado disso foi capitalizado com a assinatura de acordos com times como Bahia e Ceará. Mesmo fora da Série A do Brasileirão, é uma aposta do canal ver ambos os clubes na elite entre 2019 e 2024. O canal do Grupo Turner já atraiu para suas hostes Atlético-PR, Internacional e Santos.
Para a TV fechada, Corinthians e Flamengo têm mais importância institucional do que como geradores de audiência. Ambos os clubes já costumam frequentar as transmissões da TV aberta, o que minimiza seu impacto entre os assinantes de canais como o EI.
Outro trunfo apresentado pela emissora tem sido uma divisão mais igualitária das cotas de TV, o que obrigou a própria Globo a mudar sua estratégia e redistribuir a renda dos direitos de transmissão. Também promete respeitar os acordos comerciais dos clubes que assinarem com ela. Ou seja, no EI, o Allianz Parque teria seu nome veiculado.
Para que seu projeto decole, porém, é essencial ao EI assinar com mais clubes de prestÃgio, o que ainda é uma incógnita. Entre os cartolas, fala-se que a Globo já arregimentou dez clubes, o que daria poucas opções ao Grupo Turner para entrar de fato na disputa pela audiência da TV fechada.
CLAUDEMIR GOMES
Em que pese a derrota - 3x0 - do Santa Cruz para o Salgueiro, já estão definidos os semifinalistas do Pernambucano 2016: Sport, Náutico, Santa Cruz e Salgueiro. A prevista goleada - 5x0 - que o Náutico aplicou no limitado América consolidou o avanço dos mais fortes. Ao invés de simplificar e dizer que estava escrito nas estrelas, prefiro afirmar que, não se trata de uma previsão, ou prognóstico, e sim, da resposta do modelo devastador criado pela Federação Pernambucana de Futebol para a disputa do campeonato estadual. O que já era ruim, se tornou pior, e passou a ser inviável. A resultante de tantos equÃvocos é o êxodo dos torcedores dos estádios; o empobrecimento técnico e econômico da competição e o fim de um projeto de interiorização que foi implantado, com sucesso, como saÃda para o crescimento do futebol estadual.
Futebol é um esporte coletivo e as entidades que administram às competições precisam ter o sentimento de civilidade, caso contrario serão decisivas para o enfraquecimento dos clubes, como já ocorreu com agremiações de pequeno porte do Recife e Região Metropolitana, e ora se processa no Interior. Evidente que não podemos eximir de culpa às gestões desastrosas dos clubes.
Ao final do Pernambucano, a FPF terá um ganho superior a maioria dos clubes. Até a sexta rodada do hexagonal do tÃtulo, a entidade da Rua Dom Bosco havia arrecadado mais de R$ 154 mil. O Atlético Pernambuco, clube que vai para a sua terceira temporada na primeira divisão estadual sem nunca ter enfrentado os grandes clubes da Capital, até o momento tem um saldo liquido de R$ 600,00. Além da taxa de 8% da renda bruta, taxa de arbitragem e outros descontos, os clubes passaram a ter suas receitas de bilheterias sangradas com uma taxa para pagar o protocolo, algo em torno de R$ 2 mil.
Sport e Santa Cruz disputam a Série A do Brasileiro, o Náutico está na Série B enquanto o Salgueiro disputa a Série C. O cenário é uma prova inequÃvoca de que, o clube que não estiver inserido no processo de nacionalização do futebol brasileiro fica sem perspectiva de crescimento. Dentro de tal conceito se observa a evolução do Salgueiro que também participa da Copa do Brasil e da Copa do Nordeste, fato que lhe levou a dar um salto a a frente de concorrente direto como o Central, clube quase centenário que sente dificuldade de se estabelecer dentro da nova ordem. A tendência natural é que o abismo que separa os semifinalistas do Pernambucano 2016 dos outros oito clubes participantes venha a crescer nas próximas edições. Afinal, estamos falando de quatro clubes que disputam competições, de diferentes nÃveis, o ano inteiro. Por outro lado, a maioria dos clubes do Interior participa apenas do Estadual, ficando oito meses inativos. O atual modelo imposto pela FPF é imperativo na implantação da sazonalidade no futebol.
Por CASSIO ZIRPOLI - JORNALISTA DO DIARIO DE PERNAMBUCO
A rescisão da concessão de operação da Arena Pernambuco, por parte do governo, está nas mãos do procurador geral do estado, César Caúla. Em
coletiva na sede do órgão, no centro do Recife, Caúla esmiuçou alguns
dados, tendo que assumir a posição de porta-voz de Paulo Câmara acerca
do contrato. Após o pagamento de R$ 81,16 milhões de contraprestação de
operação em 2013 e 2014, o governador autorizou a suspensão das parcelas
em janeiro de 2015, devido à medida de revisão contratual baseada no estudo da Fundação Getúlio Vargas.
Na coletiva, o procurador sequer utilizou a expressão "rescisão
unilateral", tirando qualquer lacuna de culpa por parte do estado,
repetindo o mantra do Palácio do Campo das Princesas. Agora, a "crise
econômica do paÃs" seria o principal motivo para o mau resultado.
As declarações do porta-voz do estado caso e as observações do blog:
Quando o estado decidiu rescindir o contrato?
"O contrato previa uma revisão após seis meses seguidos de
frustração (saldo negativo). Usamos o mecanismo de defesa em janeiro
2015, seis meses após a Copa do Mundo. Suspendemos o pagamento."
O procurador alega que o fator principal para o desempenho foi a
mudança de cenário econômico do paÃs nos últimos dois anos. à frente do
contrato com uma garantia milionária ao consórcio e à infraestrutura de
mobilidade.
O motivo do rompimento
"O rompimento decorre que a manutenção do contrato implicaria uma
COA adicional (contraprestação de operação da arena) de R$ 13 milhões
por ano. Ficaria muito oneroso para o estado."
Dos R$ 119 milhões correspondentes a 25% da obra, já corrigidos pelo
IPCA, o estado pagou apenas R$ 40 milhões. O restante, R$ 388,9 milhões,
foi pago em dezembro de 2013, num financiamento do BNDES.
Por que o governo garantiu os 3 clubes no contrato original?
"O governo fez um levantando de viabilidade (através da inglesa
Comperio Research, em 2010), e, como em todas as outras arenas, mostrava
um aumento de receitas, com uma diferença no perfil do torcedor. Era um
outro cenário econômico."
Seriam oito cenários possÃveis de operação,
começando sem clubes (R$ 5,7 mi/ano) à presença dos três (R$ 86,2
mi/ano). Já na época o cenário seria difÃcil, pois nem mesmo juntando as
20 melhores partidas de cada um se chegaria a tal valor. Como só o
Náutico assinou, foi preciso fazer um aditivo, garantindo um faturamento
mÃnimo de R$ 73 milhões por ano. Caso não fosse alcançado, o estado
completaria.
Qual foi o peso da mobilidade sobre o déficit na operação?
"O governo do estado não se obrigou contratualmente a executar as
obras de mobilidade. Essas obras serão finalizadas, mas não foram
determinantes para dizer que o equipamento é subutilizado. O jogo Sport x
São Paulo, por exemplo, encheu, e outros eventos também."
O governo pode até ter o respaldo legal nesta disputa, mas
moralmente é inaceitável tentar tirar o peso da mobilidade não
finalizada como fator determinante no sucesso econômico nos jogos
regulares - ao menos tivesse dito ao povo há seis anos. Dados atuais:
Ramal da Copa 85%, Corredor Norte-Sul 83% e Corredor-Leste Oeste 81%,
todos necessários para o BRT.
O governo reconhece a arena como um fiasco em seus primeiros anos?
"A palavra fiasco vai da visão subjetiva de cada um. Na nossa visão,
não, pois o estádio recebeu a Copa do Mundo, teve jogos com grandes
públicos, como o do Sport, e continua sendo um equipamento de primeira
qualidade. Um contrato de 33 anos não pode ser visto como mau negócio
por causa de 2 anos. A gente vai trabalhar para que a arena seja bem
utilizada."
A Copa do Mundo e a Copa das Confederações foram os eventos que
legitimaram a construção do estádio, colocando Pernambuco entre as 12
subsedes. Porém, isso não isenta (não mesmo) o mau desempenho (esperado)
na operação, com déficits milionários ano a ano.
Qual seria o valor da indenização neste contrato?
"Ainda estamos no processo de deliberação sobre o modelo de rescisão
(unilateral, acordo entre as partes, falha no contrato etc). Por isso,
preferimos não falar sobre valores."
No começo da coletiva o procurador afirmou que o governo do estado
determinou que todas as informações fossem concedidas aos jornalistas.
Uma nova licitação para a operação será lançada em 60 dias,
independentemente do desfecho do contrato atual.