Histórico
Copa do Nordeste
A hora da farra regional
postado em 12 de fevereiro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


O cenário mudou como previsto. Na primeira rodada pós carnaval acabaram as surpresas no Pernambucano 2016. Os grandes da Capital - Náutico, Sport e Santa Cruz - venceram seus compromissos dando sinais de que, a partir de agora as coisas voltam ao curso normal da história. Embora a competição seja de tiro curto, há caminho para recuperação dos tropeços registrados nas duas primeiras rodadas. Detalhe: não queremos dizer que o futebol apresentado em plena ressaca de carnaval, na quarta-feira de cinzas e ontem (quinta-feira), foi de boa qualidade, mas os postulantes ao título erraram menos, fato decisivo na construção de suas vitórias. Agora, chegou a vez da Copa do Nordeste.

A competição regional, que ganha musculatura a cada edição, pede passagem e começa a ser disputada neste sábado. A visibilidade, assim como as respostas financeira e midiática são bem maiores que o Estadual. A nacionalização do futebol brasileiro tem sido imperativa em relação a decadência dos estaduais. O público perdeu o interesse por tais competições, fato observado através da pouca frequência nos estádios. Os regionais se mostram mais atrativos e reativa o processo de criação de ligas. Embora a mídia do Sul e Sudeste pouco se refira a ela, a Liga do Nordeste é um modelo a ser seguido porque traz a marca do sucesso.

Os clubes trabalham em função do Brasileiro e a Copa do Nordeste define bem uma escala progressiva de dificuldades. Primeiro vem o Estadual que não serve de parâmetro para a competição nacional. Em seguida vem a disputa regional com adversários mais qualificados. Enfim, os clubes passaram a ter um laboratório de melhor referência para definir o diagnóstico de como estão seus elencos para buscarem as metas nos Brasileiros que disputarão.

O Santa Cruz readquiriu o status de clube da Primeira Divisão Nacional e espera brigar pelo título que ainda não tem no seu currículo. Dos três representantes do Estado é o que, teoricamente, tem a estréia mais difícil, pois vai medir força com o Bahia, neste domingo, no Arruda. Trata-se do confronto mais interessante desta fase de classificação do Nordestão. No meio da semana os tricolores irão a Sergipe enfrentar o Confiança. O Salgueiro estréia como visitante: vai ao Maranhão enfrentar o Imperatriz. Trata-se de um confronto de duas equipes do Interior que ainda não têm musculatura para brigar pelo título, mas podem funcionar como complicadores a partir das oitavas de finais quando os jogos passarão a ser definidos através de sorteio. O segundo jogo do Carcará será na quinta-feira (18/02), com o ABC, em Salgueiro.

O Sport, único clube pernambucano a conquistar o título da Copa do Nordeste, tem como cartão de apresentação a boa campanha que descreveu na Série A em 2015. O rubro-negro pernambucano foi campeão regional em 2014. O time comandado por Paulo Roberto Falcão, que não foi bem nos primeiros jogos do Pernambucano, vai a João Pessoa enfrentar o Botafogo/PB, que na pré temporada disputou amistosos com Náutico e Santa Cruz, se não contabilizou vitórias. O segundo jogo do Sport será contra o Fortaleza, quarta-feira (17/02), na Ilha do Retiro. Nesta primeira fase, os vinte clubes que disputam a Copa do Nordeste estão divididos em cinco grupos com quatro equipes, cada um. Classificam para as quartas de final os clubes que somarem mais pontos em cada grupo, na fase de classificação, e os três melhores segundos colocados. Como em toda competição do gênero, o melhor da festa será servido a partir da próxima fase, quando a disputa passa a ser no estilo mata, mata.

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Campeonato Pernambucano
A pisada é essa
postado em 10 de fevereiro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Se é verdade que o ano brasileiro começa depois do carnaval, hoje, em plena quarta-feira de cinzas, vamos ter o "início" do Pernambucano 2016. Pelo menos para o Sport, que apesar de já ter disputado dois jogos, a impressão deixada é de que ainda não entrou em campo ao amargar derrotas ante Salgueiro e América. O Santa Cruz, que por ter mantido 90% da base formada em 2015, é creditado a brigar pelo título, também não contabilizou vitória nas duas primeiras apresentações. O Náutico, que corre por fora na tentativa de surpreender os favoritos, é o líder com 100% de aproveitamento. Destaque para o Salgueiro que enfrentou dois grandes - Sport e Santa Cruz - e somou uma vitória e um empate, fato que consolida sua condição de quarta força do futebol estadual no momento. O América surpreendeu com uma vitória sobre o "gigante" Sport em plena Ilha do Retiro. O Central perdeu o único jogo que disputou. Eis cenário do pré carnaval. A partir de agora, o ritmo será outro, o do frevo, de preferência.

Após os jogos da terceira rodada, que começa hoje e será complementada amanhã, o Estadual faz um pequeno pit stop abrindo alas para a Copa do Nordeste passar com as duas primeiras rodadas. O Pernambucano retorna no dia 21. Portanto, a partir de agora, no pós carnaval, vamos ter uma competição por dentro da outra para Sport, Santa Cruz e Salgueiro. Como bem diz o Capiba, no seu clássico - A Pisada é Essa - "Eu quero ver carvão queimar, eu quero ver queimar carvão". O Náutico concentra sua atenção no Pernambucano, onde há 12 anos está divorciado do título. Sendo assim, vencer o Salgueiro, hoje a noite, na Arena Pernambuco, representa mais um passo decisivo para consolidação de uma reação que se iniciou ano passado, nas rodadas finais da Série B. O time de Gilmar Dal Pozzo está há deis partidas sem sofrer gols. A tabela é um rigoroso vestibular para o time sertanejo que, nas primeiras rodadas, mede força com os grandes da Capital. Se saiu bem nos confrontos com Sport e Santa Cruz, com quem venceu e empatou, respectivamente. Um resultado positivo diante do Timbu já se pode apostar no Carcará como um dos classificados para as semifinais.

A sequência de duas derrotas diante de adversários medianos, numa competição que não serve de parâmetro para um time que disputa o maior campeonato do País - Brasileiro da Série A - é extremamente desconfortável, razão pela qual o Sport vai a Caruaru enfrentar o Central, hoje a noite, no Luís Lacerda, com a necessidade imperiosa de contabilizar os três pontos em disputa. Por sua vez o anfitrião espera se redimir perante sua torcida, da derrota sofrida para o Náutico no seu jogo de estréia.

O cardápio da ressaca é por demais interessante devido ao que aconteceu na semana pré carnavalesca. Agora, vamos ver quem aprendeu o passo e não vai perder o compasso. O Pernambucano é uma competição com duas metas: o título estadual e uma vaga para a Copa do Nordeste, que pode levar o clube à Sul-Americana. A briga pelo título é reservada aos finalistas, mas o acesso ao torneio regional já está em disputa.

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Campeonato Pernambucano
Falhas no campo e no discurso
postado em 04 de fevereiro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


O zagueiro, Matheus Ferraz, recorreu ao manjado clichê para tentar justificar a derrota - 1x0 - do Sport para o América, a segunda do rubro-negro no Pernambucano 2016: "Não existe mais time bobo". Melhor que o técnico Paulo Roberto Falcão que chegou à coletiva de imprensa, e de forma imperativa bradou: "O time jogou bem, e quem não concordar não dá para evoluir no diálogo".

Desconheço o seu conceito sobre o que é bom, mas sei que o Sport não apresentou um bom futebol. Não podemos afirmar que o time se absteve de jogar. Reconheço que houve um esforço, os jogadores se entregaram, mas o esquema tático não funcionou. Algumas peças falharam mais uma vez, e não adiante o técnico se esforçar para dizer que determinado jogador fez uma boa apresentação porque todos viram, ao vivo, ou pela televisão, que isto não ocorreu.

A carência de um meia-armador, um jogador de boa qualidade técnica e com experiência é notória. O América é um time de grandes limitações e jogou num esquema altamente previsível, com todos os jogadores agrupados e com a preocupação única de se defender, de são sofrer uma goleada.

Por mais de uma vez Paulo Roberto Falcão ressaltou que era um homem inteligente. Acredito que ninguém duvida disso, mas no alto de sua sapiência não conseguiu ajustar o time que passou por grandes mudanças nos setores de armação e ataque. Os inteligentes também se equivocam. Até no discurso.

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Campeonato Pernambucano
O Náutico queria jogo, o Santa não
postado em 02 de fevereiro de 2016

CLAUDEMIR GOMES


Apesar do equilíbrio que pautou sua postura na coletiva de imprensa, após o clássico na Arena Pernambuco, o técnico do Santa Cruz, Marcelo Martelotte, deixou transparecer sua irritação com o comportamento dos seus comandados na partida em que o Campeão Pernambucano perdeu para o Náutico por 2x0, com espaço para um placar mais elástico. Na saída do campo o meio campista, João Paulo, foi enfático: "Quando se entra com o pé mole acontece isso".

Na reação dos dois profissionais, a síntese da história do clássico, onde um time, o Náutico, quis jogar, e o outro, o Santa Cruz, foi dragado pela indolência, ou por uma arrogância que o futebol não aceita. Os tricolores foram a campo com a certeza de que definiriam à vitória no momento em que desejasse. Por outro lado, os comandados de Gilmar Dal Pozzo, desde os primeiros movimentos, repassaram aos torcedores presentes na Arena Pernambuco, o sentimento da superação, conscientes de que esta seria a alternativa condizente com o momento, a melhor para anular o favoritismo adversário.

Com duas linhas de quatro jogadores bem definidas, mas com um erro de distanciamento, fato que prejudicou a recomposição do meio campo, o Santa Cruz acabou utilizando a ligação direta como principal artifício para articulação das jogadas ofensivas. O espaço dado no meio campo proporcionou ao Náutico várias válvulas de escape sendo o jogador Rodrigo Souza o grande protagonista da equipe alvirrubra.

Quando Martelotte tentou corrigir o posicionamento da equipe no segundo tempo, Dal Pozzo respondeu com a ousadia, sugerindo aos atacantes alvirrubros que explorassem a velocidade e a individualidade em cima dos zagueiros corais. A resposta não poderia ter sido mais positiva. Além dos gols de Ronaldo Alves numa cobrança de pênalti sofrido pelo lépido Rony, e de Bergson, numa arrancada fulminante que deixou para trás dois marcadores, outras chances foram criadas em cima de um setor de contensão que bateu cabeça sempre que foi pressionado.

O Náutico quis jogo enquanto o Santa Cruz dormia em berço esplendido, e quando acordou sentiu dificuldades de reagir até mesmo por conta dos erros do seu treinador na mudança de peças. Favoritismo não determina vitórias por antecipação, mas a vontade faz a diferença em qualquer clássico.

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Campeonato Pernambucano
O destaque foi o look do Falcão
postado em 01 de fevereiro de 2016
CLAUDEMIR GOMES

Tornou-se comum no Campeonato Pernambucano, os tropeços dos grandes clubes recifenses - Sport, Náutico e Santa Cruz - sempre que vão ao Sertão enfrentar o Salgueiro no Cornélio de Barros. Portanto, a derrota do Sport - 1x0 - para o Carcará, não chegou a ser surpreendente. O que mais chamou a atenção foi o look do dia do técnico Paulo Roberto Falcão, que se vestiu para ver o desfile das Virgens de Olinda, e acabou sem uma explicação convincente para o fraco futebol apresentado pelos seus comandados.

O técnico leonino, que sempre foi uma referência de elegância, se equivocou no exagero de despojamento. Bom! Todo o deboche do "havaiano" Falcão passaria quase despercebido se, em campo, o time rubro-negro tivesse apresentado um bom futebol, fato que não aconteceu. É certo que os erros na saída de jogo, construção de jogadas, mobilidade e finalizações podem ser atribuídos a uma mudança geral das peças de armação e ataque. Entretanto, não há como justificar as falhas do setor de contenção que é o mesmo da temporada anterior.

A qualidade de vários jogadores contratados está em xeque. Quando se busca a qualificação de um elenco é inevitável a comparação direta de valores. Neste item observamos que a reposição de peças feita pelo Sport não está a altura, ou seja, os profissionais contratados têm qualidade inferior aos que serviram ao clube na temporada passada. É certo que não se pode tirar conclusões de apenas um jogo, principalmente sendo este o primeiro da temporada, contudo, a primeira impressão deixada por alguns profissionais desabona o investimento.

Lamentável a contusão sofrida pelo goleiro Luciano, do Salgueiro, que fraturou a mão e ficará de fora dos gramados por um período de quatro meses. Com três defesas espetaculares, ele foi um dos responsáveis pela vitória do seu clube no primeiro jogo do Pernambucano 2016. Vale lembrar que suas qualidades já haviam sido ressaltadas na temporada passada quando foi eleito o melhor goleiro do Pernambucano 2015.

O Sport volta a campo nesta quarta-feira para enfrentar o América, na Ilha do Retiro. Apesar do Recife estar em clima de carnaval, é de se esperar que o técnico Falcão não erre novamente no look do dia, fato que pode sinalizar para uma melhor apresentação dos seus comandados, que jogarão em casa, com o apoio da torcida.

A caminho do fim

O início dos estaduais, pelo Brasil afora, foi marcado por arquibancadas vazias. As exceções foram os jogos do Corínthians com o XV de Piracicaba, que levou mais de 30 mil torcedores ao estádio, e o do Cruzeiro com o URT, que foi prestigiado por mais de 18 mil pagantes. O confronto do Salgueiro com o Sport teve o registro de 3.080 pagantes. Os números atestam o desinteresse do público pelos campeonatos estaduais. A nacionalização, mesmo sendo processada de forma errada, é uma realidade no futebol brasileiro. As federações dão pouca importância ao fato e não buscam soluções para a valorização de seus produtos. A municipalização, explorando as rivalidades regionais, pode ser uma saída. Em São Paulo a Liga do Interior está se mostrando uma experiência exitosa. Na rodada inicial do Hexagonal da Permanência do Pernambucano, que está sendo disputado por Vitória, Porto, Pesqueira, Belo Jardim, Serra Talhada e Atlético Pernambucano, o somatório de público nos três jogos não chegou a 400 torcedores.

Pura discriminação

Não são poucas as queixas dos pernambucanos em relação ao tratamento dispensado pelos cronistas do Sul e Sudeste, aos nossos clubes durante as disputas dos Campeonatos Brasileiros. A discriminação é uma realidade, e é bastante perceptível. E o que dizer dos cronistas recifenses em relação aos clubes do Interior? Estamos falando de Campeonato Pernambucano. Pra início de conversa, a maioria das rádios da Capital manda apenas um repórter de pista para cobrir o time visitante, que no caso da primeira rodada foi o Sport. Narradores e comentaristas trabalharam vendo o jogo pela televisão, fato que não permite uma visão ampla do campo, muito menos do estádio. O Salgueiro venceu o jogo, mas em suas edições, a Folha trouxe apenas a avaliação do técnico perdedor, Paulo Roberto Falcão, esquecendo o técnico vencedor, Sérgio China. O Jornal do Commercio, na análise individual dos jogadores, faz um relato apenas das atuações dos profissionais do Sport, o mesmo acontecendo com o Diário de Pernambuco, que deu nota apenas aos jogadores do time perdedor. Enfim, a discriminação da Capital com o Interior é na mesma proporção da dos sulistas com o Nordeste.

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