Ricardo Araujo - blog Novas Arenas, da Revista Exame
Por que é tão difÃcil gerenciar essa relação, especialmente no mundo do futebol?
Recentemente pudemos observar 2 episódios de entreveros entre patrocinador e patrocinado, dignos de registro.
O primeiro, aconteceu entre Palmeiras e Crefisa. O clube incentivou uma ação de marketing da empresa de material esportivo que veste o time, fazendo referência a um ex-patrocinador, mas esquecendo que o patrocinador atual é outro e nem ao menos foi consultado. A boss da patrocinadora, por sua vez, ao invés de tratar o caso com diplomacia ¨soltou os cachorros¨ no marketing do clube publicamente, causando um estremecimento inoportuno e desnecessário para ambas as partes. Ambos falharam, ambos perderam.
Depois, foi a vez do Corinthians. Anunciou um novo acordo de patrocÃnio e no dia seguinte precisou gerenciar uma situação constrangedora causada pela incontinência verbal do representante da empresa patrocinadora, que usou da grande mÃdia espontânea gerada pelo clube para falar pelos cotovelos, principalmente sobre o que não deveria. Ponto para o clube, que prontamente desmentiu o cidadão, e aparentemente o colocou em seu lugar. E a relação já começou desse jeito, acreditem.
Esses casos foram recentes mas podemos lembrar de muitos outros, na maioria das vezes condenando o clube pelo amadorismo na gestão de marketing e comercial com seus patrocinadores (acreditem, mas os clubes brasileiros não disponibilizam uma equipe de atendimento exclusiva para seus patrocinadores master, apesar do alto investimento realizado por esses). Mas mesmo no dito ¨primeiro mundo¨ do marketing esportivo, acontecem coisas estranhas, por exemplo.
Ontem, o time do Barcelona viajou para o Japão para disputar o Mundial de clubes. E com toda a mÃdia gerada pela viagem, uma coisa soou estranha. Por que os catalães voaram pela Malasia Airlines, e não pela Qatar Airlines sua patrocinadora master? Comeram mosca?
Não, não comeram. O Barça tem contrato até junho de 2016 com os catarianos, mas negociam a renovação há 3 meses sem sucesso. Existe pressa, porque o clube precisa que seu Conselho aprove o novo contrato, antes do fim de 2015, e encontrou uma forma de pressionar a empresa mostrando a eles que abir mão do clube que possui o time mais badaldo do planeta não é um bom negócio. E a forma escohida foi fazer essa pirraça viajando e dando mÃdia espontânea para uma concorrente.
O Qatar ofereceu um contrato de 4 anos, pagando 60 milhões de euros por temporada, mas o clube quer mais, e fez uma contra oferta que assustou a empresa. E olha que para assusta-los em termos financeiros é porque os valores devem ser de arrepiar.
De qualquer forma, fica o exemplo de que a gestão dessa relação é sempre muito delicada, mesmo quando se trata de um clube extremamente profissional como o Barcelona. O desafio é pressionar pelo melhor acordo, mas sempre lembrando que nem a onça pode morrer de fome, nem a cabra de sede.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








