Ricardo Araujo - blog Novas Arenas, da Revista Exame.
A venda de cerveja em jogos de futebol já é realidade em alguns estados e estádios do Brasil. Isso é bom?
à muito bom. Partindo do princÃpio que pessoas que bebem cerveja o fazem de qualquer forma, e não será a proibição de seu consumo nos bares dos estádios que mudará essa realidade, regular a venda e colocar o dinheiro, antes nos bolsos de camelôs e bares (muitos deles irregulares), nos cofres dos gestores dos equipamentos, dos clubes, e públicos (via impostos) é uma excelente notÃcia. Será que finalmente os tempos de atraso do paÃs da jabuticaba ficaram para trás?
Nem tanto. Ainda existe um grupo de resistentes, gente que acredita que algumas latinhas de cerveja fazem um pai de famÃlia tranquilo ou um jovem normal, verdadeiros Mr. Hides. Desconsideram que a cerveja está indevidamente ligada ao entretenimento e lazer, shows musicais, eventos, etc. Mas na cabeça desse pessoal, Mr.Hide só aparece em jogos de futebol, porque existe paixão...ahhh... a paixão.
Dentro dessa ótica, acabarÃamos descambando para a discussão se bebidas alcoólicas são drogas, causam dependência, doenças, acidentes, etc. Em tempos que embutidos causam câncer, e que café e chocolate, ovo, sal, refrigerantes e mais uma lista imensa, são venenos, a cervejinha não parece algo tão devastador. Mas essa é outra discussão.
Tratando especificamente de números, uma pesquisa liderada por um ex-executivo do Arsenal na temporada de 2003/2004, revelou que naquela temporada 30 milhões de ingressos foram vendidos na Premier League e verificadas apenas 504 ocorrências ligadas ao consumo de álcool (nenhuma com gravidade). Outro dado interessante, é que na média, os torcedores que beberam fora do estádio ingeriram 2,4 litros de cerveja, enquanto a média daqueles que beberam dentro do estádio foi de apenas 1,3 litro. Na NBA, os Rockets faturaram, apenas com cerveja, quase 10 milhões de dólares na temporada de 2012/2013. à muito dinheiro.
O Botafogo, que trabalhou nos bastidores pela liberação da venda de cerveja nos estádios do Rio, já consegue perceber que os torcedores têm permanecido mais tempo dentro do estádio, gerando reflexos positivos nos cofres do clube. Se projetarmos um faturamento anual em torno de R$ 4 a R$ 5 milhões, a cerveja pode representar o pagamento de 1 ou até 2 meses da folha salarial. E isso compensa, e muito, os excessos pontuais que poderão ocorrer por parte de alguns, que muitas vezes já os cometem em outros ambientes.
A questão não é de álcool ou paixão. à de educação. Para quem não a possui, a segurança está aà mesmo.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









