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A descoberta da pólvora
postado em 24 de novembro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, A DESCOBERTA DA PÓLVORA

Ricardo Araujo - blog Novas Arenas, da Revista Exame.

 

A venda de cerveja em jogos de futebol já é realidade em alguns estados e estádios do Brasil. Isso é bom?

É muito bom. Partindo do princípio que pessoas que bebem cerveja o fazem de qualquer forma, e não será a proibição de seu consumo nos bares dos estádios que mudará essa realidade, regular a venda e colocar o dinheiro, antes nos bolsos de camelôs e bares (muitos deles irregulares), nos cofres dos gestores dos equipamentos, dos clubes, e públicos (via impostos) é uma excelente notícia. Será que finalmente os tempos de atraso do país da jabuticaba ficaram para trás?

Nem tanto. Ainda existe um grupo de resistentes, gente que acredita que algumas latinhas de cerveja fazem um pai de família tranquilo ou um jovem normal, verdadeiros Mr. Hides. Desconsideram que a cerveja está indevidamente ligada ao entretenimento e lazer, shows musicais, eventos, etc. Mas na cabeça desse pessoal, Mr.Hide só aparece em jogos de futebol, porque existe paixão...ahhh... a paixão.

Dentro dessa ótica, acabaríamos descambando para a discussão se bebidas alcoólicas são drogas, causam dependência, doenças, acidentes, etc. Em tempos que embutidos causam câncer, e que café e chocolate, ovo, sal, refrigerantes e mais uma lista imensa, são venenos, a cervejinha não parece algo tão devastador. Mas essa é outra discussão.

Tratando especificamente de números, uma pesquisa liderada por um ex-executivo do Arsenal na temporada de 2003/2004, revelou que naquela temporada 30 milhões de ingressos foram vendidos na Premier League e verificadas apenas 504 ocorrências ligadas ao consumo de álcool (nenhuma com gravidade). Outro dado interessante, é que na média, os torcedores que beberam fora do estádio ingeriram 2,4 litros de cerveja, enquanto a média daqueles que beberam dentro do estádio foi de apenas 1,3 litro. Na NBA, os Rockets faturaram, apenas com cerveja, quase 10 milhões de dólares na temporada de 2012/2013. É muito dinheiro.

O Botafogo, que trabalhou nos bastidores pela liberação da venda de cerveja nos estádios do Rio, já consegue perceber que os torcedores têm permanecido mais tempo dentro do estádio, gerando reflexos positivos nos cofres do clube. Se projetarmos um faturamento anual em torno de R$ 4 a R$ 5 milhões, a cerveja pode representar o pagamento de 1 ou até 2 meses da folha salarial. E isso compensa, e muito, os excessos pontuais que poderão ocorrer por parte de alguns, que muitas vezes já os cometem em outros ambientes.

A questão não é de álcool ou paixão. É de educação. Para quem não a possui, a segurança está aí mesmo.

Santa Cruz
Que bonito é a Primeira Divisão
postado em 22 de novembro de 2015

CLAUDEMIR GOMES

 

Enganam-se os que tratam o acesso do Santa Cruz à Série A como produto de uma vitória - 3x0 - sobre o modesto Mogi Mirim. Faço tal advertência porque ouvi algumas pessoas tratando o jogo disputado no estádio Novelli Júnior, na cidade de Itu, no interior paulista, como se fosse um épico do futebol nacional. Diria que o penúltimo dos trinta e oito capítulos da edição 2015 do Brasileiro foi a ameixa do pudim, que para os tricolores tem o sabor do manjar dos deuses.

O Santa Cruz é o único clube que disputou todas as séries do Brasileiro. Ao transitar por todas as latitudes do futebol nacional o Tricolor do Arruda construiu uma história ímpar de superação. Uma epopéia de muitos heróis. Para quem chegou ao fundo do poço, todo acesso tem o sabor de um titulo. E todos os acessos corais têm o mesmo peso, visto que traduzem o tamanho do clube em diferentes momentos.

Que bonito é ver o povão em festa. Há dez anos, em 2005, assisti espetáculos memoráveis da torcida tricolor quando da conquista do título pernambucano e do acesso à Série A. Uma década depois a história se repete. Os anos que separam os dois momentos foram marcados por dor, agonia e êxtase, mas que não alteraram um amor incondicional de uma torcida que tem a marca registrada da fidelidade. Não se sabe do que a massa coral é capaz. Nem mesmo os mais conceituados antropólogos, sociólogos, psicólogos, são capazes de explicar tal fenômeno. Prefiro resumir tudo com a frase antológica do Edvaldo Morais: "Coisas do futebol brasileiro".

Que bonito é ver o garoto Igor Aguaçã - 11 anos - com um brilho especial nos olhos testemunhando a chegada apoteótica do ídolo Grafite, e vibrar com o primeiro acesso à Série A, que ele vivencia como torcedor. Não menos significativo foi observar a ansiedade de um dos maiores tricolores da história do clube, João Caixero de Vasconcelos - 80 anos - cujo currículo é recheado de conquistas, na véspera do jogo com o Mogi. E Joca se emocionou com o acesso tanto quanto o pré adolescente Igor.

Certo dia, em conversa com o ex-governador, João Lyra, ele revelava que o "espetáculo das bandeiras", que antigamente acontecia nas arquibancadas, lhe fascinava. Hoje, a primeira imagem que tive na rua foi de um barraqueiro empurrando uma carroça cheia de cadeiras e guarda sóis, e com uma bandeira do Santa Cruz hasteada num cano de pvc. Aos poucos foram surgindo carros e mais carros com bandeiras tricolores. Belo espetáculo de cores.

Há um ano, quando o então candidato a presidente do Santa Cruz, Alírio Moraes, fez uma exposição de suas metas, foi chamado de "Delírio Moraes". A Primeira Divisão é o maior prêmio a este bendito visionário que teve a sensibilidade e a percepção do coletivo. Ao sair da Série D para a Série A o Santa Cruz se fortaleceu para entrar em sintonia com o novo século. A euforia que antes era observada nas ruas e na sede do clube, ganhou uma proporção imensurável nas redes sociais. "E o povão gostando", como diria o mestre, Carol Fernandes.

Que bonito é a Primeira Divisão.

Acontece
Uma sociedade conformista
postado em 22 de novembro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UMA SOCIEDADE CONFORMISTA

 

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br

 

Somos de uma geração que sempre foi inconformista com o que acontecia ao seu redor. Éramos rebeldes. Um fato bem interessante com relação ao tema, foi quando assumimos na década de 60 a diretoria de Secretaria do Sport, que atuava em toda a área administrativa, e quando começamos a impor novos métodos, bem jovem, os companheiros de clube nos chamavam de ¨Noviça Rebelde¨, nome de um filme que fazia sucesso na época.

Sem os rebeldes a sociedade irá murchar, uma vez que os conformistas são perniciosos para essa e afetam a sua sobrevivência. O conformismo é um dos piores males de uma sociedade, quando aceita de forma pacífica as ideias, os seus costumes e, sobretudo, as atitudes dos governantes.

Tivemos um professor de sociologia, já falecido, um gênio chamado Pessoa de Morais, que em suas aulas repetia sempre: ¨Os conformistas atrasam o mundo¨.

A sociedade brasileira, com poucas exceções, tornou-se conformista, incapaz de se rebelar contra o que de ruim acontece. Assiste de forma plácida à bandalheira que tomou conta da política, e de diversos segmentos que a fazem.

Como um Eduardo Cunha pode permanecer no poder com a proteção do Planalto? Como uma doença tão grave como o da microcefalia, que é a malformação craniana em recém-nascidos, não possa ser mais bem analisada e tratada de forma profissional, e não apenas com uma declaração do Ministro da Saúde que ¨engravidar não era para amadores¨. Tal frase foi acoplada ao anuário das imbecilidades.

A influência conformista no futebol atinge níveis alarmantes, muito pior do que a lama que tomou conta de Minas Gerais e estados vizinhos.

Como os clubes brasileiros se conformam com o sistema espanhol que foi implatado nesse esporte em nosso país?

O conformismo aceita pixulecos do cartel dos direitos de transmissão, mesmo sabendo que são esmolas em relação ao que eles chamam de maiores, mas que na verdade são tigres de papel.

Como um clube entra numa competição, sabendo apenas que será um mero figurante, e que irá lutar apenas para não ser rebaixado?

Uma vaguinha mequetrefe numa também mequetrefe Sul-Americana é uma alegria, de quem nunca comeu mel, e quando o faz se lambuza.

Como um clube pode se conformar, quando vive a reboque, obrigado a cumprir tabelas indecentes, horários vagabundos, e jogar oito vezes em quatro semanas?

O conformismo é uma doença que contaminou o futebol brasileiro, e o maior exemplo disso é o da manutenção de um Marco Polo Del Nero na presidência do Circo, mesmo com tudo que está acontecendo, e com o sistema medieval de federações.

A Copa do Brasil, que era um torneio que dava chances aos menores clubes, foi alterada para atender a grade de programação de uma televisão, matando o que restava de uma esperança de algo melhor, e todos ficaram conformados.

Ou os incorformados começam a agir, expulsando do templo os conformistas e sobretudo os que mandam, ou então a vaca irá para um brejo mais distante das rodovias, e de difícil alcance.

Lamentável.

Futebol Brasileiro
2016 - o ano das Ligas?
postado em 22 de novembro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, 2016, O ANO DAS LIGAS?

* Artigo escrito por Gustavo Lopes Pires de Souza, mestre em Direito Esportivo, e publicado no site da Universidade do Futebol.

Com o sucesso da Liga do Nordeste e com a criação da Liga Sul-Minas-Rio (oficialmente denominada Primeira Liga) a ideia de se formarem ligas votou à tona com muita força.

Prevista no artigo 20 da Lei Pelé, os clubes podem criar ligas independentes, ou seja, sem filiação ou concordância da CBF. O único requisito legal é que haja comunicação à entidade que administra o futebol no Brasil.

A criação de ligas pelos clubes, além de entregar aos personagens principais do espetáculo a sua organização, permite que se produza ¨produtos¨, para consumidores específicos que possam ser mais rentáveis aos clubes.

Nessa linha, este mês foi criada a Liga Paulista, que conta com clubes do interior paulista, em sua maioria inativos, mas que pretende viabilizar um calendário de maio a dezembro com transmissão em TV aberta.

A Liga Paulista pode, ao mesmo tempo, incentivar as rivalidades entre cidades do interior de São Paulo e fazer ressurgir clubes que estão fora das competições organizadas pela Federação Paulista de Futebol pelos mais variados motivos, como dívidas e não pagamento de taxas.

A ideia de se criar ligas com clubes menos expressivos, mas com certa tradição, pode chacoalhar o futebol brasileiro.

Imagine, por exemplo, uma Liga Fluminense ou Carioca de Futebol com clubes tradicionais do Grande Rio, como América, Bangu, São Cristovão, Olaria, Madureira, Bonsucesso, Nova Iguaçu, Portuguesa, Duque de Caxias e Tigres.

A Liga teria um custo baixo, eis que todos os deslocamentos seriam de ônibus, ressugiria a rivalidade entre clubes dos mais diversos bairros da capital e a TV poderia exibir jogos interessantes como América x Bangu.

Enfim, os próprios clubes poderiam criar uma competição para mantê-los em atividade por todo o ano e vender esse ¨produto¨.

No futuro, as grandes equipes poderiam participar com equipes B, ou de aspirantes.

Todo esse movimento pode fazer surgir ¨pequenas ligas¨ de clubes e, dependendo dos resultados, pode levar a criação de uma Liga Nacional de Clubes.

Importante lembrar que o novo Basquete Brasil (NBB), a Liga que tem tido um grande sucesso e que hoje é reconhecida pela FIBA como campeonato nacional do Brasil, teve o seu embrião na nossa Liga de Basquete (NLB), que começou suas atividades de forma independente e paralela ao torneio nacional organizado pela CBB.

Portanto, as ligas podem se transformar em vetor do desenvolvimento do futebol brasileiro, assim como já ocorre na Europa e nos EUA, de forma que os clubes possam desenvolver e organizar competições rentáveis e interessantes para o seu mercado consumidor.

Rio 2016
Segurança repensada
postado em 18 de novembro de 2015

MÁQUINA DO ESPORTE


Os atentados terroristas em Paris e o terror espalhado sobre as partidas de futebol nesta semana na Europa acenderam o sinal de alerta  na organização dos Jogos Olímpicos de 2016.

Até o momento, a organização das Olimpíadas não se pronunciou se os atentados de autoria do Estado Islâmico preocupam para  a garantia de integridade da segurança no Rio no ano que vem.

Em seu site oficial, o Rio-2016 publicou uma reportagem em que  lembrava de situações em que o esporte mostrou que  poderia ser instrumento para  a paz e união dos diferentes povos.  Todos os momentos, claro, lembravam situações vivenciadas por países em disputas de Jogos Olímpicos.

Apesar  da lembrança feita pelo  Rio, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) iniciou um trabalho para  reavaliar as questões principais relativas à segurança do evento. No início do ano, a agência dizia que  a maior preocupação eram com atos solitários  de pessoas que  usavam  o evento para aparecer e causar  comoção nas pessoas, como  o atentado a bomba nas Olimpíadas de Atlanta-96.

O Ministério da Justiça  já investiu R$ 350 milhões  em segurança para  os Jogos. Na última semana de outubro, antes dos ataques, um treina mento antiterror havia sido realizado em Goiânia.


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