JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A Série B Nacional tem os mesmos problemas de demanda do Brasileirão, com uma estagnação que já dura há anos.
Estivemos analisando os públicos da 29ª rodada da competição, e as distorções são gritantes. Enquanto o Bahia colocou na Fonte Nova 37.169 torcedores e o Sampaio, 21.436, o Boa no seu jogo contra o CRB teve apenas a presença de 239 testemunhas, o Macaé no seu encontro com o ABC, tinha em seu estádio apenas 969 pagantes.
Clubes como esses, sem demanda, merecem jogar em divisões maiores do futebol brasileiro? Qual a razão do setor de bilheterias não ser um dos pontos das suas classificações?
São perguntas bem pertinentes, e que deveriam ser bem analisadas, desde que o sistema deixa de lado clubes com demandas, para atender a outros que jogam para estádios vazios.
Um time que não leva pelo menos 2 mil torcedores aos seus jogos em três anos seguidos, deveria ser rebaixado, e para o seu lugar aquele que não obteve o acesso, mas somou o maior número de pagantes em seu estádio.
Quando dirigÃamos o futebol de Pernambuco, colocamos no Regulamento da Competição um artigo que rebaixava um participante que tivesse em dois anos seguidos uma média de público menor do que 2 mil pagantes, o que é baixa, mas está mais ou menos de acordo com o sistema.
Jogo de futebol sem torcida é o mesmo que uma missa sem fiéis. Não existem emoções, nem sentimentos.
Para que se tenha uma ideia, o BOA tem uma média de 516 pagantes por jogo. Outros sete clubes participantes da Série B não atingiram 2 mil seguidores, e todos os anos estão disputando essa divisão.
Na realidade a Série B sofre dos mesmos problemas da A, com uma demanda estagnada. Para que se tenha uma noção do problema, os anos de 2006 e 2007 foram os únicos que tiveram uma média de público acima dos sete mil pagantes por jogo. No primeiro, a soma de torcedores na competição foi de 2.896.651, com uma média de 7.958 por jogo e, no segundo, o público total foi de 2.678.313 torcedores, com uma média de 7.219.
No ano de 2008 aconteceu uma queda, com 2.376.085 pagantes, e uma média por jogo de 6.291. Aconteceu uma melhora em 2009, sem chegar à casa dos 7 mil, com 2.508.173 torcedores, e uma média de 6.635 por cada partida realizada.
Dai em diante começou a estagnação, e até o ano de 2014 a média de público não chegou aos 6 mil por partida realizada, melhorando de forma tÃmida no atual campeonato, com um pouco mais do que esse número, demonstrando que falta algo a mais para motivar a competição, e um dos fatores são clubes de pouca demanda, na maioria de empresários, e que não somam nada ao processo.
2010- 1.949.936 torcedores- Média de 5.131/jogo
2011- 2.151.598 torcedores- Média de 5.662/jogo
2012- 1.748.802 torcedores- Média de 4.614/jogo
2013- 2.086.175 torcedores- Média de 5.437/jogo
2014- 2.136.236 torcedores- Média de 5.681/jogo
2015- 1.728.479 torcedores- Média de 6.044/jogo
Contra números não existem argumentos, os quais mostram de forma bem clara que temos uma competição há muitos anos estagnada e que não sai do lugar. Travou.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








