Artigo escrito por Ricardo Araújopublicado em seu blog Novas Arenas, da Revista
Exame.
A conexão entre o mundano e a gestão e planejamento de equipamentos esportivos pode estar em uma coluna social.
No último sábado, na coluna de Ancelmo Góis em ¨O Globo¨, uma pequena notÃcia chamou minha atenção. Sob o tÃtulo ¨6 por meia dúzia¨, o colunista contava o pitoresco caso de uma cliente de uma pizzaria fast food, que ligou para o telefone de entregas e pediu ao atendente se poderia comprar um pizza de mussarela e acrescentar azeitonas e cebola.
Ante a negativa do funcionário, propôs comprar uma pizza portuguesa e retirar o presunto e o ovo, restando o queijo, as azeitonas e as rodelas de cebola. O atendente prontamente respondeu que sim, e aparentemente o pedido foi fechado. Fechado mas não encerrado, pois a cliente, certa da situação (para ela) estapafúrdia que acabara de vivenciar, comunicou o fato à coluna, que, entendendo da mesma forma, tratou de dar um tom de gracejo ao fato.
Mas, afinal, a situação descrita pode ser resumida como sendo uma troca de 6 por meia dúzia? Não, não pode.
Houve por parte do cliente e do colunista a total incompreensão sobre as diferenças entre o modelo de negócio de uma pizzaria fast food calcada em um sistema de ¨delivery¨, e uma pizzaria ¨normal¨ que recebe o cliente num sistema à la carte, na qual é possÃvel negociar com o garçom esse tipo de troca (um tipo de acompanhamento por outro, etc).
à impossÃvel para o atendente, cuja tarefa é agilizar ao máximo o atendimento e fazer os clientes ficarem o menor tempo em espera, negociar e estipular de quanto seria o acréscimo da azeitona e/ou cebolas no preço da pizza. Ao contrário, retirar ingredientes é fácil, e se o cliente paga e se dispõe a receber menos ingredientes do que o combinado, problema dele (já que o atendente não teria sequer autonomia para precificar uma hipotética pizza de mussarella turbinada).
Além disso, a pizzaria em questão cobra R$ 39,00 pela pizza de mussarela, e R$ 47,00 pela portuguesa, ou seja, o cliente pagou R$ 8 a mais para desidratar a pizza. Assim não houve troca de seis por meia dúzia, e sim de 6 por 4.
E o que isso tem a ver com gestão e planejamento de construção de equipamentos esportivos, por exemplo? Tudo.
Entender a vocação, as caracterÃsticas geográficas, sociais, econômicas e urbanas, os pontos fortes e fracos, concorrentes, utilizadores, incentivos fiscais, e muitas outras questões, são fundamentais para estabelecer a ¨forma¨ do projeto, qual o modelo de negócio a ser definido, se será sustentável e rentável, enfim, se o projeto imaginado faz sentido. Não existe espaço para enganos, sob pena de imensos prejuÃzos para todos os envolvidos, investidores e sociedade. A Copa de 2014 é um ótimo ¨case¨.
No mundo do planejamento real, o 6 por meia dúzia deve ficar apenas à frivolidade das colunas sociais.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







