JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Um dia teria que acontecer, e esse chegou no
último sábado, quando finalmente a Arena Pernambuco recebeu a sua primeira
guerra nas arquibancadas entre torcidas organizadas.
O fato foi concretizado no jogo entre o Santa Cruz x Ceará pela Série B Nacional, quando membros da Torcida Inferno Coral enfrentaram os torcedores do Ceará nas arquibancadas e protagonizaram para todo o Brasil cenas violentas de guerra, com uma duração de 10 minutos e com dificuldades de contenção de parte da PolÃcia.
Pernambuco é um dos poucos estados do Brasil que utiliza policiamento fardado dentro da sua Arena, os demais que foram construÃdos para a Copa do Mundo, ou como os do Grêmio e Palmeiras, a segurança é feita por particulares, e até hoje com mais de um ano de funcionamento nenhum incidente tinha acontecido, a não ser quebra de assentos, que tem sido bem reduzida nos últimos jogos.
Quando vimos as trágicas cenas da luta na Arena Pernambuco, com a PolÃcia tendo problemas para resolver, pensamos de imediato sobre o que iria acontecer, se o modelo utilizado fosse igual aos das demais. TerÃamos mortes, sem dúvidas.
As arenas modelo FIFA são projetadas para torcedores civilizados, fato esse que não temos ainda em boa parte de nosso paÃs, onde os terroristas urbanos continuam atuando sem que nenhuma punição seja dada, e afugentando as pessoas de bem dos estádios.
O equipamento não tem divisórias de separação, todos ficam próximos independente ou não do clube de preferência, e isso vinha funcionando muito bem em nosso estado, com os jogos do Sport e Náutico.
A diretoria do Santa Cruz protege muito a sua organizada, e os seus membros são os donos do pedaço, e a atitude do último sábado irá tirar muitos mandos de campo do clube, como punição pelo que fizeram os seus torcedores, e que serão estendidos ao Ceará.
Não existe solução para o futebol de nosso estado. Há pouco esses mesmos organizados tornaram a Avenida Rosa e Silva em um palco de guerra, cujas imagens correram pelo Brasil e por várias partes do mundo.
Quais as providências tomadas? A ouvida de uma meia dúzia, um prêmio pirotécnico para quem denunciar os infratores, e os mesmos lá estavam no sábado aprontando mais um ato de violência.
Enquanto não forem fechadas essas sedes, enquanto não cadastrarem torcedores, nada irá ser modificado, e a violência nos estádios continuará a prosperar, sob o ollhar leniente de todos os envolvidos no sistema.
Não é por acaso que todas as pesquisas realizadas entre torcedores de futebol apontam um percentual acima de 80% dos que não frequentam os estádios por conta desses grupos de terroristas urbanos.
Enfim, tivemos o batismo de nossa Arena Pernambuco.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









