JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Não existe nos dias de hoje no dicionário do
Clube Náutico o termo Bom Senso, sendo substituÃdo pelo da Autofagia, em um
processo que irá levar o clube à destruição.
O diálogo foi encerrado, e com um agravante, quando as pessoas que poderiam estar conduzindo o processo com serenidade, parece que desistiram de fazê-lo a abandonaram o barco.
O Conselho Deliberativo do clube que já tinha promovido uma reunião extraordinária que culminou com a suspensão do diretor do CT Wilson Campos, repetiu a dose na última segunda-feira, e agora mais uma suspensão está sendo estudada, a do presidente Glauber Vasconcelos, por descumprimento do Estatuto do Clube, quando antecipou receitas sem a autorização desse órgão.
Na realidade o mandatário cometeu um erro ao antecipar uma receita da televisão no valor de R$ 1.6 milhões, referente às cotas do estadual e Brasileiro de 2016, invadindo o terreno do seu sucessor, fato esse que é proibido não somente pelo Estatuto do Clube, mas como pela nova legislação que foi aprovada pela MP do Futebol.
A diretoria afirmou que não foi uma antecipação e sim uma repactuação, que nada tem a ver com a história. Aprendemos que o termo repactuação sugere rejustes de algo pactuado, ou alterações no combinado, que não é o caso que foi debatido. O que aconteceu foi uma antecipação de receitas, com juros altos, reduzindo inclusive o seu valor total.
O erro foi cometido, mas não existe dolo na sua formatação, dando cabimento a uma advertência, não o encaminhamento da análise ao Conselho Fiscal, para que possa ser pedida a suspensão do presidente.
O Náutico precisa de um amplo diálogo, colocando lado a lado as pessoas ponderadas, sem radicalismo que possam pensar o seu futuro, e por conta de sua situação o sistema autofágico que está sendo implantado o levará a um poço sem fundo, que corda nenhuma conseguirá alcançá-lo.
Existem pessoas sensatas que poderão conduzir o fio da meada para o bom termo, mas parace que essas jogaram a bola para o alto e desistiram, como é o caso de Eduardo Turton, que sequer presidiu as duas reuniões, e com razão, ou de tantas outras pessoas equilibradas que conhecemos no clube, e que poderiam dar uma grande contribuição para que pelo menos o fogo não prosperasse.
A cada alvirrubro comido pela autofagia, mas fraturas em um corpo já quebrado em várias partes, e a certeza de que a falta do Bom Senso irá destruir o que resta de um clube que tem uma rica história no futebol de Pernambuco, que está sendo vÃtima das vaidades e, sobretudo, da falta de um diálogo.
O Náutico é o Brasil de hoje, com todas as suas dificuldades, que se não parar para pensar e dialogar terá um destino trágico.
Hora de acordar, hora de pensar, e hora de recolher as armas, antes que seja tarde demais.
Glauber errou, mas suspendê-lo não fará nada para resolver o problema do erro, e para tal basta aplicar o que diz a nova legislação, principalmente por faltar apenas seis meses para o final do seu mandato.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








