JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
No papel somos os melhores; nas
gestões e resultados, os piores. Tais afirmativas foram motivadas
por um Raio X do futebol brasileiro que realizamos em um grande
hospital do Recife. A radiografia foi geral, da cabeça, do tronco e
membros, e cujos resultados demonstraram que estamos no processo de
uma infecçção generalizada em todos os órgãos radiografados.
A cabeça é o Ministério do Esporte, que deveria proceder como articulador de uma grande reforma na legislação esportiva brasileira e nada fez. Pelo contrário, entrou Ministro, saiu Ministro, e esse órgão sempre envolvido em denúncias de irregularidades. O grande mote é o Bolsa Atleta, como mais uma no paÃs das Bolsas.
O atual Ministro conhece bem de dÃzimos, mas de esportes sabe tanto como nós de FÃsica Quântica. Assim sendo, a cabeça encontra-se enferma, precisando de uma UTI para a sua recuperação e, quem sabe, a sua extinção.
O tronco está representado pela Confederação e federações estaduais. A entidade maior vive a continuidade de uma era iniciada por Ricardo Teixeira, sucedido por José Marin, que por sua vez deu lugar a Del Nero. O primeiro fugiu do paÃs por conta das denúncias de propinas recebidas, está de volta sendo investigado, o segundo, graças aos pixulecos, está mofando numa prisão SuÃça e, o último, por conta do FBI não sai de sua toca, nem que a vaca tussa. Essa parte do tronco encontra-se no IML.
Com relação às federações, essas na sua maioria são dirigidas pelos mesmos cartolas com longos anos de poder, que não sabem distinguir o certo do errado, e se submetem ao poder central sem contestações, aceitando tudo que é emanado por sua entidade maior, mesmo que o esporte esteja se apequenando.
Essas insistem na realização de campeonatos estaduais longos e desmotivados, que trazem prejuÃzos aos cofres dos clubes filiados, mas que deixam bons recursos em suas burras. São entidades cartoriais, onde tudo é cobrado. Não existe transparência com relação aos seus atos. A parte do tronco representado por essas entidades está numa UTI de um hospital do SUS.
Por fim, os membros, que são representados pelos clubes, sendo que alguns já falidos, outros em regime pré-falimentar, e uma parte vivendo como rico, com uma Ferrari, casa com piscina, mas sem dinheiro para sua manutenção. Estão numa UTI esperando a regulamentação do Profut para tirá-los desse setor, e colocá-los em um apartamento para recuperação.
Eis a radiografia que tiramos do futebol brasileiro, e infelizmente a realidade é bem crua. O Brasil tem uma vocação para o esporte, uma grande demanda, bons parocinadores/investidores, mas o corpo adoeceu, necessitando de uma operação delicada, para que os novos rumos sejam tomados, inclusive com a substituição de órgãos.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









