JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O debate sobre o legado da Copa do Mundo
realizada no Brasil ficou restrito à goleada de 7x1 aplicada pela Alemanha, mas
na verdade outros pontos foram deixados de lado, e entre esses as construções
das Arenas, os valores e as suas utilizações, que mereciam uma análise mais
profunda.
Os jornalistas Bruno Marinho e Léo Burfá, do jornal Extra-RJ, divulgaram alguns dados do relatório do Tribunal de Contas da União sobre o legado da Copa, que nos motivou a escrever um artigo sobre o tema.
Segundo os auditores responsáveis pelo relatório, apenas o Castelão, em Fortaleza, conseguiu ser construÃdo com valores abaixo dos orçados, mas um ano após já apresenta sinais de abandono, quando no último jogo do Fortaleza contra o América-RN, um capacitor de um refletor caiu sobre uma torcedora que foi encaminhada ao hospital. Falta de manutenção.
A Arena Pantanal, sediada em Cuiabá, foi interditada seis meses após os jogos da Copa do Mundo, por problemas estruturais. Foi reaberta, mas necessita de outras intervenções que estão paradas por conta da Construtora Mendes Junior, ligada ao processo da Lava-Jato que está com seus recursos bloqueados.
O Mané Garrincha, que consumiu R$ 1,4 bilhão, abriga hoje secretarias estaduais, e quando tem um jogo entre clubes de fora pelo Brasileirão, elevadores e banheiros não funcionam.
Um ano após a Copa, pelos números do Tribunal de Contas da União, boa parte desses estádios tiveram prejuÃzos no ano de 2014. Apenas quatro terminaram no azul, incluindo o de Natal, Dunas, que teve uma maquiagem no seu balanço.
Os estádios na realidade são legados importantes para o nosso futebol, mas alguns desses em pouco tempo já se transformaram em albinos trombudos, como o do Amazonas, Mato Grosso e BrasÃlia, seguidos de perto pelo do Rio Grande do Norte, e com o de Pernambuco também se aproximando.
Um ponto bem importante do relatório é sem dúvidas o dos custos das construções, que na sua maioria absoluta foram incrementados, gerando uma diferença a maior do que foi apresentado na Matriz de Responsabilidade, de R$ 1.803 bilhão.
O Maracanã tinha uma previsão de R$ 600 milhões, terminou com R$ 1.050 bilhão, a Arena Amazônia foi orçada em R$ 515,0 milhões, passando para R$ 660,5 milhões; Castelão, o único que ficou abaixo do projetado, que era de R$ 623 milhões, terminou com R$ 596,4 milhões.
A Arena Pantanal tinha uma previsão de R$ 454,2 milhões, e foi concluÃda com problemas com R$ 596,4 milhões; o Mané Garrincha foi o mais escandaloso, pulando de R$ 745,3 milhões, para R$ 1.403 bilhão; a Arena das Dunas teve um incremento de R$ 350 milhões, para R$ 400 milhões; a Arena Pernambuco, pulou de R$ 529,5 para R$ 532,6, números já corrigidos para mais de R$ 600 milhões.
Finalmente, as Arenas Fonte Nova, que saltou de R$ 591 milhões, para R$ 681,4 milhões, e o Mineirão que saltou de R$ 426,1 milhões, para R$ 696 milhões.
O relatório contempla também os estádios particulares, que mesmo com financiamentos os pagamentos são das responsabilidades dos clubes, por isso os deixamos de lado, para forcarmos apenas nos estatais.
Na realidade, o placar de 7x1 é um menino de berço, com relação a R$ 1.803 bilhão de incremento nas obras dos estádios da Copa, e que infelizmente ninguém comenta.
Essa foi a maior goleada.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013











