JOSÃ JOAQAUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Não
existe nada na economia tão importante como o mercado, que é aquele que dita as
regras. Quando a oferta é menor do que a demanda, os valores sobem, e no inverso
esses são derrubados.
Estamos assistindo em nosso futebol à influência de um mercado em baixa com relação aos salários dos treinadores, e isso está sendo observado com as novas contratações com a redução dos valores em proporções jamais pensadas.
O futebol brasileiro tinha perdido o seu rumo, e mesmo com os clubes endividados, esses insistiam nos salários milionários para os seus técnicos. Quem ganhava R$ 300 mil já era considerado pouco, se relacionado aos milionários da bola.
A crise econômica que afeta o paÃs obrigou a um novo posicionamento dos cartolas, que aliado a profissionais em baixa, demitidos e desempregados há um bom tempo, os valores ofertados estão chegando ao patamar da realidade.
Um trabalho da Pluri Consultoria realizado no final de 2014 já demonstrava uma queda acentuada pelo segundo ano, com relação à polÃtica salarial dos treinadores.
O gráfico de queda acentuou-se mais na temporada de 2015, e os números recentes dão o atestado do novo comportamento dos clubes brasileiros. Um caso bem explÃcito, o de Oswaldo de Oliveira, que entre 2013 e 2014 recebia no Santos mais de R$ 400 mil. Aceitou ir para o Palmeiras por R$ 350 mil.
Esse é o teto salarial do alviverde de São Paulo, que ofereceu ao seu provável substituto, Marcelo Oliveira, que recebia no Cruzeiro, R$ 600 mil.
Na ciranda do entra e sai de técnicos, Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Flamengo, onde ganhava R$ R$ 350 mil, quase a metade de que recebia no Grêmio, e está ganhando no time Celeste, R$ 300 mil, menos da metade do salário pago a Marcelo Oliveira.
O substituto de Luxemburgo no Flamengo, Cristovão Borges, tem um salário de R$ 200 mil, muito longe do que ganhava o seu antecessor, que é igual ao que esse ganhava no Fluminense.
O tricolor das Laranjeiras é um bom exemplo. Contratou três técnicos nesta temporada, e a cada novo contrato uma redução nos salários. O novo treinador, Ederson Moreira, que recebia no Santos R$ 300 mil, teve uma redução para R$ 120 quando passou pelo Atlético-PR, e está ganhando R$ 150 mil no atual clube.
São dados importantes que conseguimos no jornal Extra-RJ, que nos deram o tema para esse artigo, e que mostra de forma clara como o mercado pode influenciar na determinação das folhas salariais. Hoje a oferta é maior do que a demanda, os supertécnicos não têm mais a força para insistirem em grandes contratos, e por isso estão se amoldando à nova realidade, enquanto os mais novos que estavam no mundo da lua também chegaram aos seus verdadeiros valores, e não aqueles que estavam sendo pagos.
Tal sistema de contenção de despesas também está sendo sentido com relação aos atletas, muitos se adequando ao novo sistema, e um exemplo bem recente é o de Emerson Sheik, que dos R$ 550 mil do Corinthians, aceitou os R$ 250 mil do Flamengo.
Na verdade a insanidade que tomou conta do futebol brasileiro motivou uma polÃtica salarial fora dos padrões nacionais, e a seca de recursos, obrigou a volta à realidade nacional, onde um salário de R$ 200 mil é pago para muitos poucos personagens e, entre esses, o técnico de futebol.
Sempre em nossos artigos sobre economia citamos o mercado e o binômio receitas x despesas, que são os norteadores de uma boa gestão, e lutar contra isso é o mesmo que lutar contra o vendaval.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








