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O gerente do Santos
postado em 15 de junho de 2015
 

Por ROBERTO VIEIRA

O Santos de Pelé tinha gerente.
E não era Pelé.
Era um gerente chato e de bigodinho.
Embora esse bigodinho fosse do tipo vai e vem.
Vai e vem que o dono do bigodinho fazia com maestria.
O Santos metia três gols?
O gerente exigia quatro.
O Santos metia cinco?
O gerente gritava que queria sete, oito.
Metade dos gols do Santos foram talento.
A outra metade pra atender ao comando do gerente do time.
Gerente que nasceu em Roseira e atirava espinhos em campo.
Gerente que sofria nas derrotas.
Gerente que era de um tempo em que gerente amava a camisa da firma.
Sem mentiras.
Sem jogo de cena.
Gerente que gritava diante da Cordilheira dos Andes:
"Passa, Amarildo!"
Gerente que pulou no vazio de Santiago.
Alto como a neve no distante horizonte.
Desferindo a cabeçada mortal nas redes de Praga.
Pois o tal gerente - vejam só!
Também amava a seleção brasileira sobre todas as coisas.
Como amava o tal Santos de Pelé%u2026


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Brasileiro Série A
Uma geografia às avessas
postado em 15 de junho de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UMA GEOGRAFIA ÀS AVESSAS


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.blogesporte.com.br


O Brasileirão é na verdade um Brasileirinho, por contemplar oito estados da União, representando apenas 29,6% do território nacional.

Na verdade, a competição praticamente engloba equipes do Sul e Sudeste, no total de 18, contra apenas 1 do Nordeste e 1 do Centro Oeste, sendo os intrusos no processo.

Desde 1998 o Brasileirão passou a ser disputado por 20 clubes, tendo sofrido aumento no decorrer do caminho, e voltando ao sistema em 2006, já na era dos pontos corridos, que persiste até hoje.

Em 1991, o Sudeste tinha 12 representantes, com 60% de participação, sendo 6 times de São Paulo, 4 do Rio de Janeiro e 2 de Minas Gerais. Em seguida vinha o Nordeste, com 4 equipes (20%), sendo 2 da Bahia e 2 de Pernambuco. O Sul, por sua vez, tinha 3 clubes, 2 do Rio Grande do Sul e 1 do Paraná. Fechava o grupo 1 do Centro Oeste, o Goiás.

Se compararmos com o atual Brasileirão, 24 anos após, o Sudeste continua liderando, embora com uma queda, com 10 times, acontecendo um crescimento do Sul, que passou a ter 8, sendo quatro de um estado que nessa época não tinha um único representante, Santa Catarina. O Nordeste só tem um, no caso o Sport, e o Centro-Oeste continua com o seu Goiás. O Norte encontra-se totalmente desprezado, quando há muitos anos não tem um único representante.

São 27 estados, incluindo o Distrito Federal, e o mapa geográfico do futebol maior do Brasil contempla apenas 8, ou seja, deixa de lado 19 que estão engajados em competições menores.

Será que um resultado como esse é justo? Será que não existem fórmulas que possam contemplar pelo menos aqueles estados de uma demanda maior, como é o caso do Pará, cujos dois maiores clubes estão acostumados a lotarem os seus estádios?

Na realidade, a queda da região Nordeste e o apagão do Norte se deve principalmente aos fatores econômicos, muito embora não possamos deixar de lado as péssimas gestões, que abandonaram o que tínhamos de melhor, a formação de jogadores, que dava origem a boas e fortes equipes.

Os clubes do Sul e Sudeste concentraram as receitas do futebol, passando a ter faturamentos muito acima daqueles que têm sedes nessas duas regiões e por conta disso as suas permanências na divisão maior são bem rápida, no máximo três anos, quando é afetada pelo sistema de elevador. Os grandes clubes quando são rebaixados, por conta dos recursos financeiros, voltam no ano seguinte, enquanto os menores enfrentam dificuldades.

Esse é o sistema que matou o futebol nacional, e destruiu centenas de clubes, que ficaram ao largo apenas comendo para sobreviver, enquanto poucos comem para se refestelar.

Por conta disso, já afirmamos por várias vezes que o futebol brasileiro necessita de uma grande análise, formulada por pessoas sérias e que poderão mostrar o novo caminho a ser seguido.

Infelizmente somos uma voz perdida na multidão.

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Santa Cruz
No limite do amadorismo
postado em 15 de junho de 2015

Martelotte pronto para mais um desafio no Santa Cruz

CLAUDEMIR GOMES

 

A queda do técnico Ricardinho, no Santa Cruz, vinha sendo anunciada há muito tempo. Era só prestar atenção aos sinais para se chegar a tal conclusão. O empate - 0x0 - com o Boa Esporte, foi a gota d%u2019água que faltava. O torcedor observou que o comandante já não conseguia extrair mais do grupo. Não restava outra medida da diretoria senão dispensar o treinador. Rapidamente foi anunciado o seu substituto: Marcelo Martelotte. "Rei morto, rei posto". É vida que segue na rotina do futebol.

O episódio foi emoldurado por um contorno tragicômico por conta do amadorismo exacerbado que reina no futebol das Repúblicas Independentes do Arruda. O primeiro ato foi na coletiva de imprensa do treinador Ricardinho pós jogo. O profissional, que dias antes, havia destilado grosseria numa outra coletiva, revelou que tudo não passou de uma estratégia para desviar o foco da mídia do jogo, para que os jogadores não sentissem pressionados. Revelou que atingiu a meta. Tal revelação, que nunca deveria ter sido feita, escancaro ainda mais a fragilidade do time que em sete partidas só contabilizou uma vitória. Em seguida, após o repórter, Iranildo Silva, presidente da ACDP - Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - contestar sua atitude, o técnico foi cômico: "Você não é o meu pai...". Me lembrou o seriado "Família Dinossauros", onde o bebê Dino repete com freqüência: "Não é o papai".

O segundo ato está publicado na edição desta segunda-feira do Jornal do Commercio: a foto da tela do celular com a conversa do novo técnico, Marcelo Martelotte, com o vice-presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior via WhatsApp. Sinais dos tempos ou extrapolou o limite do amadorismo?

A velocidade dos fatos no Arruda fez com que pouco se analisasse a contratação do novo treinador. Martelotte não vem fazendo uma boa temporada. Estava no comando do Atlético/GO, tendo sido demitido semana passada por não corresponder as expectativas, mas antes esteve vinculado a outros clubes (4), sem conseguir dar uma resposta positiva.

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Futebol Brasileiro
Uma CPI nasce morta
postado em 12 de junho de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UMA CPI NASCE MORTA


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, em um discurso no dia de ontem no Senado, afirmou que Del Nero tinha mais poder do que a presidente Dilma Rousseff, ao conseguir controlar a aprovação da MP 671, contando com a sua bancada da bola.

Vivemos em um país onde os honestos são perseguidos, e os corruptos protegidos, numa total inversão de valores, e quem deseja mudar o sistema é jogado para fora desse.

Há algum tempo afirmamos que a CPI do Futebol que será instalada no Senado Federal já nasceu morta. Embora o estado de espírito de alguns seja para levar Ã  fundo as investigações, a manobra tem sido grande para esvaziá-la e torná-la em uma grande pizza.

Conversamos ontem com um jornalista que é um dos mais bem informados sobre a política brasileira, assim como o que acontece na área esportiva, e esse tinha o mesmo sentimento, inclusive por algumas manobras que estão sendo feitas para que o Senador Romário não seja o relator, e que o presidente seja nada mais, nada menos, que o senador João Alberto, uma velhíssima raposa do Maranhão, aliado à familia Sarney, cujo filho Fernando é um dos vice-presidentes da entidade. Aliás, botem raposa nisso.

O presidente do Senado é Renan Calheiros, um dos maiores aliados da CBF, desde os idos de Ricardo Teixeira, e tudo fará para que os cartolas não sejam envolvidos.

A pressão maior sobre Romário vem das televisões abertas, preocupadas com a abertura das caixas pretas que contêm os contratos dos direitos de transmissão, que poderiam se bem rastreados mostrarem muitas coisas à respeito do assunto, e o caminho real dos recursos aportados.

Na verdade, esse segmento é uma Caixa de Pandora, e que deveria ser um dos primeiros focos dessa Comissão, e quando o setor mostra preocupação está demonstrando que onde existe fumaça, certamente já tem algum foguinho.

Por outro lado, o senador Romário conseguiu uma documentação não divulgada pela Justiça americana sobre a investigação do FBI envolvendo cartolas brasileiros, e vem tentando obter uma autorização das autoridades dos Estados Unidos para usar publicamente na CPI do Futebol.

Na verdade, essa papelada foi conseguida de forma oficial, mas sem a quebra do caráter sigiloso, entretanto irá solicitar a ajuda da Polícia Federal para a examinarem.

Embora o senador não tenha comentado, segundo o que se fala em Brasília, os documentos colocam no foco outros brasileiros envolvidos no sistema de propinas da FIFA.

Com isso, certamente não teríamos a necessidade de uma CPI, porque o FBI e a Polícia Federal resolveriam o problema, que não iria mais depender dos políticos.

São detalhes como esses que mostram as dificuldades que são jogadas no caminho, quando se deseja investigar o futebol nacional, possuidora de uma malha de proteção maior do que a antiga máfia italiana.

É uma vergonha, mas é a cara do Brasil de hoje.

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Copa América
Torcedor brasileiro perdeu o encanto
postado em 11 de junho de 2015

Firmino marcou o único gol do jogo. Foto: AFP
Firmino marcou o único gol do jogo. Foto: AFP


CLAUDEMIR GOMES

 

As vitórias sobre uma seleção mista do México - 2x0 - domingo passado, e sobre a limitada Honduras - 1x0 - ontem à noite, revelam o atual estádio da Seleção Brasileira que no final de semana estréia na Copa América do Chile tendo o Peru como o seu primeiro adversário. No domingo à noite dei início a uma espécie de pesquisa pessoal. Comecei a ouvir alguns amigos sobre o que eles estavam achando do time comandado por Dunga. No dia seguinte a curiosidade aumentou e passei a ouvir a opinião popular. No final fiquei com o sentimento de que o torcedor recifense perdeu o encanto pela Seleção Brasileira.

Evidente que o grupo comandado por Dunga chega ao Chile escudado numa invencibilidade de dez jogos, mas a qualidade do futebol apresentado nos dois amistosos não foi suficiente para atenuar os efeitos provocados pela frustração dos 7x1 %u2013 goleada aplicada pela Alemanha na Copa de 2014. Os envolvimentos dos ex-presidentes da CBF, Ricardo Teixeira e José Maria Marin em escândalos internacionais, também levam o torcedor a questionar a seriedade dos dirigentes que comandam o nosso futebol. É inevitável a ligação da Seleção com a CBF. Afinal, trata-se de um produto que foi utilizado como moeda de troca. O que acontece nos bastidores respinga dentro das quatro linhas: convocações de jogadores de qualidade questionável e, por conseguinte, o baixo nível do futebol apresentado.

Apesar dos pesares o Brasil é respeitado pelo seu passado. A camisa verde e amarela, cinco vezes campeã do mundo, se impõe pelas conquistas, mas não chega a ter o crédito da Argentina, apontada por todos como a grande favorita ao título desta edição da competição continental.

A Copa América do Chile gerou a expectativa de que será disputada dentro de um bom nível técnico. O que motiva tal previsão é o fato de que várias seleções têm em seus elencos jogadores que são destaques nos seus clubes, no futebol europeu. As boas campanhas de algumas seleções na Copa de 2014 também levam os torcedores a apostarem numa elevação de nível técnico em relação à última edição da disputa que aconteceu na Argentina. Vale apenas a observação de que os jogadores que estão vinculados a clubes europeus, vêm de final de temporada. Alguns podem estar no limite do condicionamento físico.

Não é fácil fazer uma previsão de como se portará a seleção de Dunga. De uma coisa temos certeza: vai ter que jogar muito, e conquistar o título de forma convincente para poder voltar a encantar o torcedor brasileiro.

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