JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.blogesporte.com.br
O
Brasileirão é na verdade um Brasileirinho, por contemplar oito estados da União,
representando apenas 29,6% do território nacional.
Na verdade, a competição praticamente engloba equipes do Sul e Sudeste, no total de 18, contra apenas 1 do Nordeste e 1 do Centro Oeste, sendo os intrusos no processo.
Desde 1998 o Brasileirão passou a ser disputado por 20 clubes, tendo sofrido aumento no decorrer do caminho, e voltando ao sistema em 2006, já na era dos pontos corridos, que persiste até hoje.
Em 1991, o Sudeste tinha 12 representantes, com 60% de participação, sendo 6 times de São Paulo, 4 do Rio de Janeiro e 2 de Minas Gerais. Em seguida vinha o Nordeste, com 4 equipes (20%), sendo 2 da Bahia e 2 de Pernambuco. O Sul, por sua vez, tinha 3 clubes, 2 do Rio Grande do Sul e 1 do Paraná. Fechava o grupo 1 do Centro Oeste, o Goiás.
Se compararmos com o atual Brasileirão, 24 anos após, o Sudeste continua liderando, embora com uma queda, com 10 times, acontecendo um crescimento do Sul, que passou a ter 8, sendo quatro de um estado que nessa época não tinha um único representante, Santa Catarina. O Nordeste só tem um, no caso o Sport, e o Centro-Oeste continua com o seu Goiás. O Norte encontra-se totalmente desprezado, quando há muitos anos não tem um único representante.
São 27 estados, incluindo o Distrito Federal, e o mapa geográfico do futebol maior do Brasil contempla apenas 8, ou seja, deixa de lado 19 que estão engajados em competições menores.
Será que um resultado como esse é justo? Será que não existem fórmulas que possam contemplar pelo menos aqueles estados de uma demanda maior, como é o caso do Pará, cujos dois maiores clubes estão acostumados a lotarem os seus estádios?
Na realidade, a queda da região Nordeste e o apagão do Norte se deve principalmente aos fatores econômicos, muito embora não possamos deixar de lado as péssimas gestões, que abandonaram o que tÃnhamos de melhor, a formação de jogadores, que dava origem a boas e fortes equipes.
Os clubes do Sul e Sudeste concentraram as receitas do futebol, passando a ter faturamentos muito acima daqueles que têm sedes nessas duas regiões e por conta disso as suas permanências na divisão maior são bem rápida, no máximo três anos, quando é afetada pelo sistema de elevador. Os grandes clubes quando são rebaixados, por conta dos recursos financeiros, voltam no ano seguinte, enquanto os menores enfrentam dificuldades.
Esse é o sistema que matou o futebol nacional, e destruiu centenas de clubes, que ficaram ao largo apenas comendo para sobreviver, enquanto poucos comem para se refestelar.
Por conta disso, já afirmamos por várias vezes que o futebol brasileiro necessita de uma grande análise, formulada por pessoas sérias e que poderão mostrar o novo caminho a ser seguido.
Infelizmente somos uma voz perdida na multidão.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013











