JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O sistema feudal do futebol brasileiro é
representado por 10 das 27 federações estaduais, com dirigentes que juntos somam
261 anos de poder.
Só contabilizamos aqueles que comandam as suas entidades de 10 anos em diante, muito embora os demais cheguem próximos a tal número, e alguns que estão com um tempo menor já pertencem ao sistema por longos anos, como é o caso de Pernambuco, cujo dirigente pertence a um mesmo grupo por 30 anos.
O reflexo dessas Capitanias Hereditárias se dá no Circo Brasileiro de Futebol, cujo grupo polÃtico o comanda há 26 anos. Dos três últimos presidentes, Ricardo Teixeira foi indiciado pela PolÃcia Federal por quatro crimes, José Maria Marin está preso na SuÃça, e Marco Polo Del Nero, sem coragem para sair do paÃs, está como um bêbado no arame de seu picadeiro. Um bom legado.
Quem elege o comando do Circo são 20 clubes da Série A, e 27 federações, e são essas que decidem, e o reflexo se dá no continuismo imoral que existe no poder maior do futebol brasileiro. As entidades estaduais são um apêndice da maior, e vivem sustentadas em sua maioria por essa.
O sistema é linear, os dirigentes das entidades estaduais contam com o apoio e o voto das ligas municipais e dos clubes amadores, que no somatório geral tem uma soma dobrada com relação aos clubes profissionais. Com isso o poder se torna eterno, e quando cansam o passam para os seus herdeiros, como acontecia nas Capitanias Hereditárias.
Por conta disso é que lutam contra qualquer medida que venha alterar os seus Colégios Eleitorais, com uma maior democratização, e que seria o primeiro passo para a derrubada desse sistema carcomido e corrupto que tomou conta de nosso futebol.
O apego ao poder é a certeza de que é bom e carrega consigo muitas benesses pessoais, por ser insano um dirigente permanecer em um cargo por tanto tempo por amor a causa. Que causa?
Como um Zeca Xaud consegue há 41 anos dirigir o futebol de Roraima? A mesma pergunta deveria ser feita a Delfim Peixoto, de Santa Catarina, que tem 30 anos de poder, assim como para Antonio Aquino, do Acre (27 anos), Heitor Costa, de Rondônia (26), Francisco Cezário, do Mato Grosso (26), Antonio Carlos Nunes, do Pará (25), José Carivaldo de Souza, de Sergipe (24), Dissica Valério Thomas, do Amazonas (21), e Leomar Quintanilha, de Tocantins (20).
O décimo resolveu se aposentar após 21 anos de comando na Federação Alagona, Gustavo Feijó, mas pelo seu testamento entregou o cargo ao seu filho Felipe Feijó que irá passar algumas décadas, até entregá-lo ao neto do Capitão-Mo.
Se somarmos os 17 restantes com os 261 anos dos dez mais longevos, terÃamos pelo menos mais de 400 anos de cartolas tomando conta do futebol brasileiro.
Com exceção do futebol catarinense, os demais estados citados vivem na mingua, inexistem no sistema nacional do futebol, mas os cartolas não enxergam e não largam o poder nem que a vaca tussa.
Nem o FBI, nem a Lava Jato, e estamos cientes de que nem a CPI irá acabar com esse sistema, somente um Tsunami, ou uma atitude séria do governo central.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








