JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O jornalismo esportivo brasileiro é bipolar. De
um lado, aqueles que pertencem ao grupo que detêm os direitos de transmissão de
todos os jogos que são realizados no paÃs, inclusive os da seleção e, do outro,
um segmento que não tem esse filé nas mãos, e as suas análises são totalmente
diferentes.
O grupo da RGT sempre coloca panos quentes nos acontecimentos. Não ouvimos, ou lemos alguma cobrança com respeito ao abandono dos cartolas a três seleções que disputavam competições internacionais. O Mundial Sub-20, o Mundial Feminino e a Copas das Confederações. Não questionaram a ausência de Del Nero, e o seu medo de sair do Brasil.
Enquanto os seus jornalistas não reconhecem que o futebol brasileiro faliu, e a participação do grupo nessa queda é latente, os comentários são mamão com açúcar, sem o enfrentamento da realidade.
Ouvimos ontem de um amigo uma frase lapidar sobre o tema: "Os blogs como o seu, e outros que tem a mesma linha são lidos por milhares de pessoas, enquanto uma notÃcia no Jornal Nacional é ouvida por milhões, e isso faz a diferença".
O portal UOL por uma coincidência nos apresentou as análises dos dois lados sobre o jogo do Brasil contra o Paraguai, e essas retratam a bipolaridade de nosso jornalismo esportivo.
Galvão Bueno, o papa do ufanismo, repetiu apenas uma frase do filósofo Robinho- ¨Temos que melhorar¨, e nada mais, achando inclusive que a seleção teve oportunidade de definir o jogo. Chapa branca pura.
Mauro Cezar Pereira, no Linha de Passe da Espn-Brasil, foi contundente e diferente do Bueno. ¨Fica cada vez mais evidente que Dunga não tem qualificação para ocupar o cargo, não só por seu trabalho como treinador que é ruim, mas por alguns predicados que o cargo exige, diante das câmeras de televisão, fala coisas sem sentido, é um cara que à beira do campo mais parece um torcedor, não consegue refletir, não tem ideias, o seu repertório como técnico é muito pobre¨.
Edinho, um desses ex-jogadores que comentam o futebol na Sport TV, e que pelo corporativismo não consegue criticar nem os jogadores, tampouco a seleção. Comentando o jogo, ele afirmou: ¨Como é que a gente tá cobrando resultados de um Brasil de um tempo atrás se não somos mais o Brasil de um tempo atrás. Tem que ter calma agora, ter paciência, os resultados foram bons nos amistosos, o amistoso faz parte do processo. O Brasil teve uma imposição no começo, o Paraguai ficou preocupado¨.
Existe uma verdade, enquanto os donos da RGT não tiverem a consciência de que a linha de ação de sua emissora está matando o futebol nacional, iremos continuar recebendo esse tipo de jornalismo, que não realiza um trabalho analÃtico como o procedido pelos da ESPN e, sobretudo, com independência, buscando os fatos nas próprias raÃzes, dando uma contribuição para que esse esporte seja transparente.
A CBF não foi criticada, muito menos Dunga. Esconder a notÃcia não é do interesse da democracia e isso é fundamental para que possamos evoluir. Esse problema poderia ser resolvido com a democratização das comumicações, que evitaria o monopólio.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013












