Ricardo Araujo - blog Novas Arenas, Revista Exame.
Pânico na mÃdia. Descobriram que o Barcelona é o clube que mais vende camisas no Brasil. Mas isso é algo para causar tanta preocupação?
Estudo recente revelou que dos 10 clubes que mais vendem camisas no Brasil, a metade são europeus, inclusive o lÃder de vendas, o Barcelona. E percebi que essa "descoberta" causou assombro em boa parte da mÃdia esportiva brasileira.
Mas afinal o que isso tem de tão preocupante? Que os gigantes europeus trabalham o marketing além fronteiras há muitos anos, não é novidade. Que seus campeonatos, marcas e craques, frequentam nossas Tvs em tempo semelhante também não. Então porque o choque?
Quem compra camisas do Flamengo no Brasil? Majoritariamente a torcida do Flamengo. E do Palmeiras? Idem a torcida do Palmeiras. E quem compra camisas do Barcelona, do United, do Bayern, e do Real Madrid por exemplo? Simples. Torcedores de todos os clubes. Então, ter as camisas do clube cujo time conta com o melhor jogador do mundo, e o melhor jogador brasileiro, como as mais vendidas, chega a ser tão surpreendente?
A Adidas acaba de prorrogar o contrato de fornecimento de material com o Bayern por 10 anos, a partir de 2020. O clube alemão receberá 900 milhões de euros no perÃodo. Muito? Esse ano a Adidas já havia "tomado" o Manchester United da Nike, com um contrato também de 10 anos (2015/25), pela bagatela de 1 bilhão de euros. Por que será que pagaram tanto?
Uma camisa oficial de um clube europeu custa no Brasil o equivalente a uma camisa oficial de um clube top brasileiro. Que perfil de consumidor possui poder aquisitivo para pagar às vezes perto de R$ 200 por uma camisa do clube do coração? A "massa"? Não. Esse produto é direcionado aos torcedores das classes A e B, os enxovalhados "coxinhas", que compram muitas vezes não apenas a camisa número 1, mas a 2ª e 3ª camisas. Sim, eles fazem coleção. E são os torcedores com esse perfil os mesmos que além disso podem se dar ao luxo de colecionar as camisas dos grandes times europeus, principalmente.
O que quero dizer, é que essa situação irá me preocupar, no dia em que estudos comprovarem que nossos torcedores estão deixando de consumir as camisas dos respectivos times do coração brasileiros, pelas camisas do Barça, Real etc.
E isso ainda não está ocorrendo, e não creio que ocorrerá. Serão consumos paralelos. As marcas que conseguiram (ou conseguirem no futuro) se tornar globais, colhem os frutos do plantio, e isso acontece em qualquer segmento, esportivo, automotivo, de bebidas, ou qualquer outro.
Sem pânico.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









