JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Um excelente levantamento feito pelo jornalista Leonardo Morais, do jornal Hoje em Dia, de Belo Horizonte, nos forneceu dados sobre a inatividade dos clubes brasileiros para o resto do ano, arrastando consigo o desemprego dos jogadores.
Esse é um tema que temos discutido com os nossos amigos visitantes, mostrando que a sazonalidade é a culpada pela derrocada de nosso futebol, quando 63,5% dos clubes brasileiros que disputaram os estaduais de 2015 ingressaram em uma caverna para as suas hibernações, e só irão despertar no próximo ano.
Sem contar com o estado do Amapá, que vai iniciar a sua competição, as 26 restantes reuniram 274 clubes nas suas primeiras divisões. Ao passo que as quatro séries do Brasileiro abrigam apenas 100 equipes, ou seja, 174 estarão de fora do sistema.
No levantamento realizado, esses clubes excluÃdos do processo realizaram em média apenas 17 partidas. O desemprego atinge não apenas os atletas, mas as comissões técnicas, a área administrativa de apoio, os que trabalham nos estádios em dias de jogos, com uma estimativa de 16 mil pessoas, e entre essas, pelo menos 8 mil atletas.
A análise foi procedida com clubes que disputam a divisão maior desses estaduais, desde que alguns campeonatos de séries menores estão sendo realizados, e em breve mais uma multidão de desempregados.
Na realidade, a reformulação do calendário do futebol brasileiro é fundamental. Clubes atuando o ano todo, em competições especÃficas, além dos empregos, lançando uma quantidade de novos jogadores, e entre esses alguns com boa qualidade para defenderem clubes de maior porte.
Não entendemos a passividade dos que fazem o futebol nacional, com relação ao tema. Pensam que ao realizarem as competições atuais a situação está resolvida, que é um engano bem retratado pelo buraco bem fundo em que se meteu o esporte da chuteira no paÃs.
O mapa geográfico da miséria está assim distribuÃdo, de conformidade com os dados publicados:
Na Região Norte, composta pelos estados do Acre, Amazonas, Rondônia, Roraima, Pará e Tocantins, 47 clubes disputaram os seus estaduais, e no Brasileiro somente 9 estarão presentes. Nenhum na Série A, e 1 na B, 1 na C e 7 na D (19,1%).
No Centro-Oeste, que engloba Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, 43 clubes disputaram os certames locais, e 11 estarão em um dos Brasileiros. Na Série A, apenas o Goiás, 2 na B, 2 na C e 6 na D (25,5%).
Na Região Nordestina, com Maranhão, PiauÃ, Ceará, Rio Grande do Norte, ParaÃba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, 88 clubes atuaram nos estaduais, e apenas 28 estarão atuando até o final do ano. Na Série A, apenas o Sport (PE), 8 na B, 7 na C e 12 na D (30,6%).
O Sudeste, que abriga os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, EspÃrito Santo e Minas Gerais, contemplou 58 clubes nos estaduais, e desses 32 estarão no Brasileiro. Serão 10 na Série A, 7 na Série B, 6 na Série C, e 9 na Série D (55,1%).
Finalmente, na Região Sul, com seus três estados, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, 38 clubes disputaram os campeonatos locais. Desses 20 estarão disputando os diversos Brasileiros. 8 na Série A, 2 na B, 4 na Série C e 6 na Série D (52,6%).
Apenas uma pergunta: O sistema é
justo?

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









