Ricardo Araujo - blog Novas Arenas, da Revista Exame.
Os Estaduais são horrÃveis. Torneios deficitários, decadentes e criticados pela maior parte da mÃdia que clama pela sua extinção. Mas será que é para tudo isso???
Estadual é aquele torneio que quase todos criticam, quase todos pedem sua extinção, mas quem vence comemora efusivamente sobre o rival derrotado, e o derrotado cospe marimbondos por pelo menos 1 semana. à esnobado pelos treinadores e dirigentes, mas um clássico perdido é demissão dos primeiros quase certa.
Vários especialistas já decretaram seu falecimento, e enchem a mÃdia de fórmulas espetaculares, proposições de torneios regionais de todos os tipos, que seriam a "solução" para o calendário dos clubes brasileiros. Eu leio, leio, e continuo achando que esses especialistas entendem muito pouco de futebol brasileiro. E não estou sendo saudosista, muito pelo contrário.
Continuo achando que os Estaduais, ou pelo menos alguns deles, onde a quantidade de candidatos reais ao tÃtulo é minimamente expressiva, é um ótimo produto.
Acho que muitos desses especialistas confundem a viabilidade do produto, com a gestão do produto. Essa é péssima, e continuará sendo, porque a raiz do problema é difÃcil de ser atacada. Os Estaduais, como principal produto das Federações, sofre de dois males principais. à a galinha dos ovos das Federações, que tiram dele seu "ganha pão" anual, e ao mesmo tempo o principal instrumento de polÃtica esportiva dentro dos Estados.
As Federações são sustentadas pelos grandes clubes, mas politicamente controladas pelos pequenos, que em última análise elegem seu presidente. E os pequenos, claro, querem cada vez mais espaço, e assim, os Estaduais padecem de inchaço de participantes de pouco nÃvel, distribuÃdos em média por 19 datas, e muitos jogos deficitários. Pressão da CBF para que isso mude ? Não contem com isso, pois são esses mesmos presidentes que formam o colégio eleitoral da própria Confederação.
Portanto, os Estaduais são vÃtimas de males estruturais e de difÃcil solução, mas mesmo assim, quando minimamente organizados, o interesse dos torcedores é grande, e onde as rivalidades regionais afloram de forma máxima. Por mais que se queira promover uma rivalidade, como por exemplo Flamengo x Corinthians, ela jamais superará em importância para seus torcedores os confrontos com seus rivais da mesma cidade, do bairro vizinho.
Como utopia, qual seria minha sugestão para os Estaduais ? Nada muito sofisticado, pois o produto é bom, e exageros acabarão por estragá-los. Deveriam começar em julho/agosto, onde os pequenos teriam atividade por todo o semestre para classificarem os 2 melhores para as finais do Estadual, que utilizariam não mais que 13 das 19 datas atuais para fazerem uma competição enxuta com não mais que 10 clubes (os "grandes" só participariam dessa fase final), e fórmulas simples, com o objetivo de tornar o Estadual uma competição de preparação para as competições mais importantes.
As 6 datas não utilizadas, poderiam abrir espaço para o Brasileiro finalmente dar folga aos clubes, tanto nas datas de amistosos da Seleção, quanto aliviar a insanidade do perÃodo agosto/outubro com seguidas rodadas à s quartas e domingos, levando os elencos à exaustão, contusões etc.
Essa utopia só será possÃvel, no dia em que algum ou alguns dos atores, parem de olhar apenas para o próprio umbigo, e percebam que, a continuar assim, os tais especialistas tanto irão soprar, que um dia os Estaduais poderão sumir do mapa.
O que seria uma pena, vide os públicos e arrecadações dos jogos nos momentos decisivos dos torneios.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013












