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Livro em tempos de cólera
postado em 08 de abril de 2015

Por ROBERTO VIEIRA

 

Eu e Carlos Henrique autografávamos o livro 2001, A ODISSEIA DOS AFLITOS. Morteiros explodiam detrás de nós. Gritos de guerra. Vietnã? Mais autógrafos e o aviso de que a Avenida Rosa e Silva estava paralisada. Palco de guerra. Mais morteiros. Gritos de guerra. Cânticos da torcida organizada.

Imaginei-me entre as tribos dos Balcãs. Sérvios, montenegrinos, bósnios. Alguém deu o primeiro murro no vidro atrás de nós. Um morteiro explodiu do outro lado da parede. Alvirrubros atacando alvirrubros que escreviam um livro sobre o clube. Alvirrubros procurando um culpado para o rosário de derrotas dos últimos anos.

Alguns seguranças da TIMBUSHOP buscavam conversar com a turba enraivecida. Eu me perguntava já com certa ironia: cadê a Polícia Militar de Pernambuco?

Começaram os ataques definitivos contra os vidros da loja. Caso os vidros não resistissem, vidros e turba passariam por cima de nós. Carlos continuou dando autógrafos e eu também. Parecia uma comédia macabra conosco e com os convidados. Uma noite de autógrafos prestes a se transformar em tragédia sob registro de algumas câmeras de televisão e nenhum policial.

Avançam sobre a porta. Mulheres presentes se refugiam perto do depósito da loja. Estamos literalmente cercados. Nenhum sinal de resistência por parte do Clube Náutico Capibaribe. A centenária instituição virou terra de ninguém. Sarajevo.

Acabam-se os autógrafos. Todos se unem na espera do desfecho inevitável da invasão. Mas os vândalos são violentos mas não são tão tolos assim. O resultado de um passo adiante seria fatal. Como ninguém esboçou uma expressão de medo dentro da loja criou-se o impasse.

Pedem Kuki na ausência de qualquer dirigente. E Kuki sai com Rubinho para dialogar com a massa de adolescentes e pós-adolescentes de fascio na mão. Vou até junto da conversa. Quero ouvir o diálogo na fronteira de Roma sitiada. Imaginem um Papa versus Átila, o Huno?

Chegou um carro da polícia. Quatro câmeras de televisão filmam o encontro. No final, todos cantam PARABÉNS PRA VOCÊ! Improvisa-se um N-Á-U-T-I-C-O que dá certo. Um monte de selfies é tirada com Kuki.

Acabou-se a noite de autógrafos. Felizmente não levei meus filhos. Aliás, não levarei nenhum filho a nenhum jogo em nosso estado amado e imortal. Porque imortal... apenas nosso estado. Nosso corpo é bem humano e mortal.

A sensação que fica é aquela do dia a dia de nossa sociedade. Marginais soltos e pessoas de bem encarceradas. Não adianta imaginar que um banho de sangue possa mudar para melhor um universo de absurdos do submundo de um país que esqueceu que respeito pelo próximo é o principio de tudo.

Resta agradecer ao carinho e coragem de Mestre Osvaldo e de sua esposa, proprietários da TIMBUSHOP. Agradecer a tantos e tantos amigos que foram nos honrar com sua presença. Nosso muito obrigado de coração.

Livro escrito e lançado sob ferro e fogo. Missão cumprida como apaixonado por meu clube. Estou mais certo que nunca de que o futebol morreu em Pernambuco. Dirigentes, torcidas organizadas e autoridades podem se cumprimentar pelo extermínio praticado.

Como meu negócio sempre foi paz e amor... eles que se entendam!

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Artigos
A comédia absolveu Barbosa?
postado em 07 de abril de 2015

Blog do MENON


Moacyr Barbosa morreu há 15 anos, na Praia Grande, em São Paulo. Morreu tranquilo, em paz, esquecido. E morrer esquecido, no seu caso, foi uma conquista. Afinal, 49 anos, 8 meses e 23 dias antes ele havia se tornado um pária. Ele foi condenado, sem julgamento, pela perda da Copa do Mundo de 1950. A Copa que havíamos decidido que seria nossa muito antes de a bola rolar. Muito antes de o primeiro tijolo haver sido assentado naquele que seria o Maracanã.

A Copa do Mundo seria nossa, mas faltou combinar com Ghiggia, um ponta-direita espetacular, que fez um gol por jogo. Faltou combinar com Schiaffino, um meia de fino trato. Faltou combinar com Obdulio Varela, o eterno capitão. Faltou combinar com Maspoli, Gambetta, Julio Peres e outros.

Como eles não sabiam que a Providência Divina havia decidido que o título seria do scratch canarinho, ganharam o jogo e, dentro da nossa arrogância, corremos a buscar um culpado. E já arrumamos logo dois. Bigode, que não marcou Ghiggia e que levou um tapa de Obdulio. Um adendo: %u201Cnão marcou%u201D é um modo carinhoso de falar. Bigode levou um baile de Ghiggia. E o tapa? Ninguém viu, mas entrou na história.

O outro culpado foi o de sempre: o goleiro. Barbosa ficou no gol e permitiu que Schiaffino completasse o cruzamento de Ghiggia no primeiro gol. Barbosa saiu para impedir o cruzamento e permitiu o chute de Ghiggia perto de sua trave esquerda.

Dois culpados. Dois negros. Bigode morreu antes. Barbosa conviveu com a culpa por grande parte dos 18164 dias que separaram seus erros de sua morte. Morte física, pois Barbosa, que ainda jogou até 1962, já havia morrido futebolisticamente. Afastou a tristeza fazendo uma fogueira com as traves do gol que defendeu. E foi viver em outra cidade.

Em 2014, 64 anos depois da derrota que vitimou Barbosa e entristeceu o país, o Brasil foi novamente sede de uma Copa. E perdeu novamente. Com 7 a 1 para a Alemanha. Com 3 a 0 para a Holanda.

Não foi uma tragédia. Foi uma comédia. Não houve gente chorando em excesso, não houve um pária, não houve uma pena de morte em vida. Torcedores ironizaram em redes sociais, jogaram para fora seu desprezo por aqueles jogadores, mas muitos deles já estão de volta à seleção. Comparemos a atuação de Barbosa com a de David Luiz.

E por que tivemos reações tão diferentes diante de duas derrotas em casa? Por que choramos e amaldiçoamos jogadores em 1950 e apenas rimos (tristes, mas risonhos) e perdoamos em 1964?

Duas gerações foram o suficiente para nos tornamos um povo mais tolerante? Ou o time de Barbosa merecia uma lágrima. Ou a indiferença é porque David Luiz é branco e Barbosa era negro?

De qualquer forma, tanto tempo depois, não se sabe se Barbosa havia sido perdoado. Esquecido, sem dúvida. Mas, não há dúvida alguma que houve mais dignidade em suas falhas e na nossa primeira grande tragédia.

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Artigos
Tomara que dê liga
postado em 07 de abril de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, TOMARA QUE DÊ LIGA


FLÁVIO PRADO -  blog da Gazeta Esportiva


O previsível fracasso dos Regionais deixa marcas mais fortes a cada ano. Se o dinheiro dos grandes é maior do que da Libertadores, os prejuízos com as rendas acabam significando problemas. As exceções, Palmeiras e Corinthians não valem, porque os torcedores vão curtir os novos estádios, sem se importar com o nível das partidas.

São rodadas e rodadas perdidas, que vão estourar lá na frente, quando os campeonatos, que realmente interessam, estiverem chegando ao final. Dentro das normalidade, os grandes times aproveitavam para poupar seus principais jogadores, visando eventos maiores. Aí a cartolagem resolveu limitar em 28 atletas o número de inscritos. Talvez o grande time do Santos do Cirque de Soleil, não tivesse sido montado caso essa estupidez já estivesse em voga à época.

Mas, voltando ao hoje, no Rio, Flamengo e Fluminense não têm aceitado a politicagem de um tal Rubinho, que assumiu a presidência da Federação e anda de braços dados com Eurico Miranda. Ingressos com preços de pinga, pouco uso dos times de base e suspensões a cada declaração contrária, geraram nos dois rivais o desejo de liberdade. Mais de uma vez os presidentes falaram em cuidar dos próprios destinos. O mesmo acontece no Paraná.

O estado de São Paulo têm sido frouxo, submisso, como sempre morrendo de medo do presidenteco da FPF. É assim desde os tempos do Farah e os paulistas só têm perdido terreno.

De qualquer forma ouvir falar em Liga traz uma certa esperança. Sei que estamos no Brasil e, quase sempre,%u201D eles%u201D acabam se acertando. Mesmo assim, insisto em sonhar. Não há campeonato no mundo, bem disputado, emocionante e com  lucros, que não seja promovido por Ligas. Aqui ainda se vive dando dinheiro a rodo para as párias federações e CBF. Por quê? Eles são incompetentes, as contas não fecham, não servem para nada e mandam em todo mundo.

Não consigo entender o motivo do receio de rompimento dos clubes com essas porcarias. Sei que a Liga precisa ser autorizada pela CBF. Mas, também sei que a CBF só vai mudar de postura com posições firmes dos clubes. Para ela, a mamata está perfeita.

É hora de pagar para ver.

A Fifa vive ameaçando suspender os rebeldes, porém sempre pune apenas pequenos países, onde não há tanto dinheiro envolvido no futebol. Não é o caso do Brasil. A Fifa nunca faria nada contra um grandão, por mais irregularidades que venha a cometer.

Passou da hora de vermos um pouco de coragem no nosso esporte. Os cartolas não avaliam o tamanho dos times que dirigem e a insignificância dos que estão mandando neles.

Tomara que dê liga. Ou melhor, ligas. E que o nosso futebol, finalmente, volte a subir e pare de ficar girando, ano após ano, sem sair do lugar.

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Acontece
O APFUT
postado em 07 de abril de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O APFUT


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Os governantes adoram termos pomposos. Na organização dos Jogos Olímpicos temos a Autoridade Pública Olímpica (APO), que, na verdade, é algo do nada para o nada, apenas mais uma sinecura para mamar nas têtas do erário público.

A Medida Provisória 671 criou mais uma autoridade no país das ¨otoridades¨, que é a Autoridade Pública da Governança do Futebol Brasileiro (APFUT), que irá acompanhar os procedimentos dos clubes com relação ao cumprimento da nova Lei. Nome pomposo para enganar os trouxas, e empregar os amigos do poder.

Trata-se de um produto da Diarréia Mental que assola no meio da sociedade do Brasil, em especial na sua área política.

Essa APFUT não precissa ser a Autoridade da Governança do Futebol, e simplesmente uma Agência Reguladora com a participação de todos os segmentos envolvidos, e que serviria para normatizar os procedimentos desse esporte no país.

¨Otoridade¨ já temos demais. Na verdade, precisamos de um órgão que possa enquadrar o futebol e sobretudo as suas finanças.

Não existe a necessidade de ser um gênio na governança do futebol como o governo pretende, e sim um grupo de pessoas sérias, ilibadas que poderiam implementar medidas que seriam positivas para a sua evolução.

Alguns pontos poderiam ser analisados, tais como:

1- A criação de um sistema de licenciamento anual, para que um clube obtenha o seu alvará de funcionamento, que deveria incluir, além das normas financeiras, medidas que protejam os consumidores desse esporte.

2- Todos os clubes deveriam encaminhar à Agência um relatório anual de contas, fazendo referências aos itens mais preocupantes de suas gestões, assim como o orçamento do exercício seguinte.

3- A Agência deverá cuidar para que não sejam admitidos profissionais (gestores, administradores, diretores, presidentes , agentes, etc), que estejam sob investigação fiscal ou criminal.

3- Os presidentes, administradores e gestores dos clubes, devem relacionar quais as fontes dos recursos que investem nesses, para que sejam evitadas as comuns lavagens de dinheiro.

4- Devem ser desenvolvidos contatos entre a Agência, a CBF e os clubes, no sentido de que seja procedida uma normatização de que a distribuição de receitas sejam feitas de forma equitativa.

5- Implantar um sistema nacional do desenvolvimento da formação de atletas, inclusive com a criação de uma Liga de Desenvolvimento, e um calendário perene.

6- Estipular um número de atletas formados nas bases dos clubes, que deverão jogar nas competições.

Na verdade, seriam medidas que dariam o ajuste necessário ao esporte da chuteira no Brasil, sem a necessidade de uma autoridade que seria no sistema uma verdadeira ¨otoridade¨, e que trariam uma grande dimensão para esse, principalmente no controle financeiro, que é o ponto mais importante para que isso aconteça.

APFUT é pornografia juramentada. Precisamos de ação, não de pretensas ¨Autoridades¨.

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Futebol Pernambucano
O futebol e o blog morrem na Páscoa
postado em 06 de abril de 2015

Por ROBERTO VIEIRA


Assisti estarrecido a reportagem do BOM DIA PERNAMBUCO.

Um portão apenas para a torcida do Santa Cruz na Ilha - já passei por isso.

Tanto quanto os rubro negros já passaram nos Aflitos.

Balas de borracha.

Spray de pimenta.

Murros, socos, pisoteamentos.

Tudo em um clássico sem valor no Domingo de Páscoa.

Tudo bem?

O que tem Páscoa a ver com futebol?

Nada, diria um otário de plantão.

Tudo, diria um ser humano qualquer de bom senso.

Futebol deveria ser alegria.

Festa.

Lazer.

Educação para os mais jovens.

Transformou-se em crucificação gratuita- pois nenhuma salvação vem desta cruz.

Dirigentes, polícia, torcedores, jogadores, empresários, sociedade.

Todos são responsáveis por estas tragédias.

Tragédias que sepultam de vez o futebol em uma caverna de terror.

Da qual nenhuma ressurreição a de vir ao terceiro dia.

Como já havia revelado para alguns Mestres.

Quarta-feira, após o lançamento de 2001 A ODISSEIA DOS AFLITOS.

O Blog fecha as portas por um ano.

Talvez mais, talvez definitivamente.

Durante sete anos, após conselho do jornalista Juca Kfouri.

Vivi esta experiência inigualável de escrever uma página diária na internet.

Conheci meus ídolos através dela.

A fantasia de Lucídio.

A estatística do Carlos Celso.

O enciclopedismo do Unzelte.

O brilhantismo de Lenivaldo Aragão.

A amizade de tanta gente boa que nunca imaginei existissem tantos nesse mundo.

Aprendi muito.

Sou agradecido a todos.

Mas enveredei por um caminho que não é o meu.

Amo meu clube, mas não sou fanático por ele.

Amo meu clube, mas não tenho ódio pelos adversários.

O futebol não é ódio.

O futebol não é briga de botequim.

O futebol é um esporte movido a paixão.

Mas até a paixão tem conceitos estabelecidos pelo bom senso.

Clubes, federações, dirigentes, desportistas movidos apenas a dinheiro e cobiça.

Futebol que mata, fere e apunhala de fuzil na mão.

Gestões que entregam patrimônios gerados com esforço, suor e amor por antigas gerações.

Ambiente selvagem onde todo mundo diz que o outro é ladrão.

Manobras subterrâneas para angariar títulos com pés de barro.

Ídolos de pano.

Nada disso faz sentido para mim.

Quando o Blog começou, eu queria apenas escrever sobre futebol e história.

E é exatamente isso que volto a fazer no dia 8 de abril.

Escrever, pesquisar e curtir futebol e história.

Claro que meu coração sente saudade de tantos amigos e bate papos neste espaço e no Facebook.

Mas a alma está muito contente.

Porque quem é meu amigo realmente continuará meu amigo para sempre.

E quem deixou de ser pelo que escrevi neste Blog?

Nunca foi meu amigo de verdade.

Aos que cultivam o ódio, aos que semeiam as desavenças, aos que julgam pautar o Blog?

Também vai meu abraço fraterno.

Espero que um dia algo modifique sua visão do mundo.

A vida é curta.

A vida é bela.

E... a vida é bem maior que os 90 minutos de um jogo de futebol.

Mas a vida cabe inteira dentro de sua alma.

Desde que sua alma não seja pequena...

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