JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Existe ainda inteligência no
futebol brasileiro, através de pessoas que pensam o esporte de
forma profissional e diferenciada. O nosso blog é um bom exemplo,
que venceu um desafio na aposta de fazer algo diferente, com bom
nÃvel, e sem a preocupação de discutir as cuecas de Neymar, mas,
sim a realidade do que acontece nesse esporte. O número de acessos
é a resposta dada, confirmando o acerto do caminho escolhido, e por
isso estamos sempre procurando algo de novo para discutirmos com os
amigos que nos seguem.
Recebemos no dia de ontem uma entrevista do jornalista Anderson Gurgel, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, publicada no site Esporte Fino, em que analisa a Geração Playstation e a sua presença no futebol.
O cenário mostrado por Gurgel ao também jornalista Rodrigo Borges que fez a reportagem, não é animador para os clubes brasileiros, mostrando que as dificuldades que esses têm na penetração internacional podem com o decoorer do tempo transformarem-nos em dinossauros ou peças de museu. ¨Se o futebol brasileiro continuar piorando a cada geração, a força dos clubes globais vai aumentar aqui¨, afirmou.
Na verdade, ele focou algo real, com relação à entrada dos grandes clubes europeus em nosso paÃs, que a cada dia evolui mais, sendo hoje um caminho sem volta, e se não modernizarmos o futebol brasileiro, a derrota será mais grave do que os 7x1 da Alemanha.
Sobre essa penetração, a análise de Gurgel mostrou de forma clara que o processo de internacionalização do ato de torcer é mais uma manifestação da globalização, que não se resume a finanças, mas uma mudança de comportamento principalmente que envolve recursos e consumo. Como o futebol na verdade é hoje um produto de consumo, fica claro o processo de disputa do mercado pela paixão e o consequente investimento de tempo e dinheiro para alimentar esse sentimento.
Para ele, está existindo uma tendência à consolidação do gosto de torcer por alguns poucos grandes clubes, que na prática hoje são mais do que clubes de futebol, quando tornaram-se marcas globais poderosas que oferecem ambientes de entretenimento sofisticados. Os jogadores que são os Ãdolos, potencializam essa construção. A concentração de torcidas em torno se clubes como Real Madrid, Bayen de Munique, Barcelona, Chelsea, entre outros, é um fenômeno de globalização do esporte.
A entrevista foi longa e impossÃvel de analisá-la no geral, contudo, Gurgel procedeu com excelentes análises que servem para reflexão, inclusive ao mostrar que as TIC, tecnologias de informação e da comunicação, são os agentes fundamentais da globalização.
Na verdade, o que podemos tirar do que foi publicado no site é que se nada mudar no futebol brasileiro, ou se piorar, a cada geração, os clubes globais estarão dominando, e que a paixão pelos clubes locais será finalmente superada em relação aos grandes times internacionais.
Não existe retrocesso possÃvel na midiatização do esporte, e a globalização irá influenciar futuros torcedores, o que aliás acontece internamente em nosso paÃs com relação a Flamengo e Corinthians.
A Geração Playstation veio para ficar, e se não procuramos modificar o nosso sistema, em breve estaremos conhecendo alguns de nossos clubes através de publicações antigas, como já acontece com muitos na atualidade.
São matérias como essas que enriquecem o debate.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










