JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O governador Paulo Câmara deveria começar a
pensar na privatização geral da Arena Pernambuco, porque esse tipo de parceria
público-privada a qual contempla, é algo que não entra na cabeça de nenhum ser
pensante. Os bônus ficam para a parte privada, e os ônus, os seus custos,
inclusive de manutenção, ficam para a parte pública.
Nada melhor do que esse prato de mamão com açúcar bem saboroso para o Consórcio, enquanto para a parte do governo esse tem gosto de fel.
O jornalista Ayrton Maciel, do Jornal do Comércio, divulgou no dia de ontem, que foi enviado para a Assembleia pelo governo estadual, um projeto de Lei que abre crédito especial de R$ 202 milhões em favor de diversas secretarias no Orçamento Fiscal de 2015. Até ai, tudo rotineiro, e sem nenhuma novidade. São coisas do executivo e legislativo, na forma da lei.
Desse total, R$ 93,8 milhões são para pagar parcelas indenizatórias restantes da construção da Arena Pernambuco, e a parte referente aos seus custos de manutenção de 2014.
Quanto ao pagamento das obras, não vamos discutir, por terem sido realizadas com recursos da Construtora, devendo ter sido fiscalizadas pelo Tribunal de Contas do Estado, mas pagamento de sua manutenção é algo que custa a entender, ou seja, se não der rentabilidade, tudo que for gasto com esse equipamento esportivo será pago pelo estado, conforme contrato em vigor.
A Odebrecht, que está envolvida na Operação Lava-Jato, foi a construtora responsável pelas obras da Arena, mas o empréstimo do BNDES foi da responsabilidade do governo, tendo que o quitar.
Não entendemos que tipo de parceria público-privada aconteceu nesse empreendimento, como também a atuação desse Consórcio, que não tem problemas nos seus custos, desde que aparecendo o vermelho, o dinheiro público dará a cobertura, e isso irá acontecer ano a ano, pois não existe uma movimentação de tornar o equipamento produtivo, e como todos as Arenas do Brasil, a de Pernambuco terá prejuÃzos.
O mais interessante é que a maior parte da receita do Consórcio é proveniente das bilheterias dos jogos, e nesses a maior participação é do Programa Todos com a Nota, que paga inclusive um ingresso com valor mais elevado de R$ 25. Portanto, o estado está bancando tudo, inclusive os dirigentes do Consórcio, cujos salários são elevados. O dinheiro que entra é estatal, e a cobertura dos prejuizos também é estatal.
Nada mehor do que isso.
Na realidade, o nosso governo tem que se aprofundar no tema, porque será impossÃvel manter um sistema como esse, que tem apenas uma mão, correndo para o lado do Consórcio, que gasta, mas tem uma conta garantida nos cofres estaduais.
O estado tem coisas mais importantes para custear, e não uma parceria de um estádio de futebol, que é um elefante branco em potencial.
Já que o governo banca tudo, que pelo menos assuma como dono da Arena, o que não é bom, ou que seja feita uma licitação para que a iniciativa privada assuma-a de forma definitiva. Essa segunda opção seria a mais viável, e como o Sport sonha com a sua Arena se candidate a participar do processo licitatório, por ter os seus ¨investidores¨ garantidos, contanto que não seja nenhuma empresa de Lava-Jato.
Gastar com as obras e ainda pagar os prejuÃzos não é o modelo ideal, mas tal fato acontece em outros estados que adotaram esse tipo de parceria com um único viés, o da parte privada. A Fonte Nova na Bahia é um outro exemplo.
Com tal modelo, qualquer um poderá constituir uma parceria público-privada, quando para um lado tudo, e para o outro as despesas.
A Copa do Mundo encerrou-se em julho de 2014, mas os problemas com suas arenas continuam.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









