JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Ao assistirmos ao jogo entre Santa Cruz vs
Salgueiro, no último sábado, realizado no estádio José do Rego Maciel, vimos a
atual situação do time recifense, com um elenco sem dispor de muita qualidade e
que certamente irá penar na Série B deste ano.
Como tÃnhamos apresentado os últimos vinte e cinco anos do Náutico, em uma postagem publicada ontem, resolvemos mostrar a real situação do tricolor do Arruda no mesmo perÃodo.
Na realidade, dos três clubes da capital, o Santa Cruz foi o que teve uma queda mais acentuada, passsando a viver em todo esse perÃodo uma situação de sérias dificuldades.
As conquistas de alguns tÃtulos estaduais não deram motivação para investimentos e maiores patrocÃnios, uma vez que esse torneio não representa mais nada no contexto nacional. Fica na esfera local por seis meses, e depois cai no esquecimento.
O Santa Cruz na década de 90 participou apenas uma única vez da Série A, no ano de 1993, desde que não aconteceu a Série B, e terminou na 23ª colocação, sendo levado de volta ao grupo anterior. De 1995 a 1999, ano em que teve o acesso, fez parte de todas as competições da Segunda Divisão.
No ano de 2000 participou da Copa João Havelange, e no seu módulo terminou em 25º lugar. Em 2001, retornou a primeira Divisão, onde foi logo rebaixado, só voltando em 2006, chegando na lanterna do Campeonato, e sendo mandado de volta à Série anterior.
Em 2007, o tricolor pernambucano disputou a Segunda Divisão, e o seu calvário foi se prolongando, rebaixado para a Terceira Divisão e, em 2008 uma nova queda, dessa vez para a Quarta Divisão, onde permaneceu pelo perÃodo de 2009/2011, ano esse que conseguiu o acesso de volta para a Série C, onde permaneceu até 2013, quando conseguiu voltar para B, disputando sem sucesso o campeonato da temporada passada.
Os números chocam, e demonstram claramente a razão da atual situação do clube. Em vinte e cinco anos, o Santa Cruz jogou apenas 3 vezes na maior competição do Brasil, permanecendo nas demais divisões por 22 anos.
A dureza dessa realidade assombra a qualquer pessoa que analisa o futebol brasileiro. São mais de duas décadas fora do foco, dos grandes eventos, das mÃdias nacionais, em especial dos patrocinadores, que só apostam em clubes com visibilidade no mercado.
Tudo isso somado, levou a um empobrecimento financeiro, que até hoje perdura no clube e sem grandes perspectivas a médio prazo para uma retomada do crescimento.
Na realidade, foram anos desperdiçados, e que levou o clube a atual situação, eivado de dÃvidas, lutando com dificuldades para a sua sobrevivência, e que até hoje ainda continua vivo por conta do seu maior patrimômio, o seu torcedor, que de uns tempos para cá demonstram sinais de esgotamento, e a ausência em seus jogos é um recado a ser entendido pelos atuais gestores.
A ausência de um clube na divisão maior do futebol brasileiro por tantos anos o leva ao esquecimento, e isso arrasta uma queda de receita desproporcional. Isso aconteceu com o Santa Cruz, com o Náutico, e até o Sport, que tem uma melhor sitiuação, sentiu tal peso quando participou também poucas vezes da festa maior nessa década de 2000.
São dados que servem de roteiro para uma análise para que os atuais gestores possam formular um projeto de desenvolviento do clube, na tentativa de erguê-lo, o que é algo com muitas dificuldades de se proceder.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










