Histórico
Artigos
O jogo sujo da "Bancada da Bola"
postado em 11 de janeiro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O JOGO SUJO DA ¨BANCADA DA BOLA¨

* Artigo escrito por Alexsandro de Souza, o Alex, ex-jogador de futebol e um dos idealizadores do Bom Senso FC, publicado no jornal Folha de São Paulo.

Dizem que o jogador de futebol morre duas vezes: quando para de jogar e quando o coração para de bater. A verdade é que meu coração parou de bater no momento em que deixei o gramado do estádio Couto Pereira, em Curitiba, para nunca mais atuar como profissional. Foi o abraço da minha família que me fez senti-lo pulsar novamente, anunciando uma nova vida.

Graças ao futebol pude realizar o sonho de toda criança e conquistar o que dificilmente conseguiria sem ele. Nasci em um lar humilde, cresci numa comunidade e só a minha família sabe das dificuldades por que passamos. O futebol nos salvou.

Há alguns anos as dores se tornaram insuportáveis e fiz o que a razão e o meu corpo pediam. Entre tratamentos e concentrações, participava de grupos de discussão e me atualizava sobre outras óticas desse apaixonante esporte, pavimentando, quem sabe, um futuro caminho de retorno aos gramados, só que em outra perspectiva.

De um dos grupos de discussão nasceu o Bom Senso Futebol Clube, considerado por muitos um dos mais significativos movimentos do nosso futebol, com várias propostas e um desejo: o bem do futebol brasileiro. Quem disser outra coisa, ou não enxerga o cenário atual, ou defende interesses pouco louváveis.

Cruzamos os braços, sentamos no gramado e esperamos uma resposta da CBF e das federações. Reunimos mais de mil atletas para reivindicar melhorias para a categoria e para salvar o futebol brasileiro.

Milhares de garotos deixam suas casas em busca dessa grande ilusão que é jogar futebol no Brasil, mas apenas 1 em cada 3.000 jovens consegue entrar nas categorias de base de um clube e nem 5% desses "uns" conseguem se tornar profissionais de alto nível.

No país que respira futebol sabemos de mais e estudamos de menos. Falta competência, compromisso, responsabilidade, paixão e visão. Os que se perpetuam no poder não têm a mínima ideia do que fazer para promover o futebol, primeiro como importante instrumento de educação, cidadania e transformação. Depois, como espetáculo

Confundem a seleção brasileira com o futebol praticado no país, que está às traças. Exploram as cores da nossa bandeira, os nossos sentimentos, mas não dão nada em troca.

Discutimos por mais de um ano com a CBF, os clubes e o governo federal sobre a Lei de Responsabilidade Fiscal no Esporte, cujos débitos dos clubes %u2013que alcançam quase R$ 5 bilhões%u2013 seriam refinanciados em 240 meses em troca de mecanismos que puniriam gestores e instituições por descontrole de contas e irresponsabilidade na gestão.

Recentemente, a "bancada da bola" da Câmara Federal, formada por deputados que atuam a favor de quem está no poder do futebol, acrescentou a um projeto de lei sobre aerogeradores %u2013assunto que nada tem a ver com futebol%u2013 uma medida provisória para que os clubes tenham suas dívidas fiscais refinanciadas sem contrapartida alguma.

Parcelar as dívidas dos clubes sem contrapartidas não significa salvá-los. Uma medida como essa continua distanciando cada vez mais o futebol brasileiro do profissionalismo e da modernização.

O governo ainda pode anular essa gambiarra e acredito que a presidente Dilma esteja realmente sensibilizada com a situação do nosso futebol e possa vetar esse jogo sujo.

Ouso sonhar com um Brasil de primeiro mundo, onde a educação, o esporte e cidadania possam ter o valor e destaque que merecem.


leia mais ...

Mudanças
CBF prepara fair play financeiro
postado em 07 de janeiro de 2015

Blog do RODRIGO MATTOS


Após prever a medidda em seu regulamento de competições, a CBF já elabora um novo conjunto de regras de fair play financeiro para os clubes brasileiros. Assim, a entidade antecipa-se e assume o papel que seria da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte, que foi aprovada sem contrapartidas. O Bom Senso FC tem questionado esse poder ficar nas mãos da confederação por considerar que ela não quer de fato sancionar times.

Criado pela UEFA, e adotado pela Fifa, o fair play financeiro prevê que clubes têm que ser punidos por atrasar salários de jogadores, acumular dívidas e prejuízos, ou por doping financeiro. Esse sistema já deveria estar em vigor no Brasil, mas a Conmebol e a CBF nada fizeram.

Até que o Bom Senso FC exigiu a implantação desse tipo de medida como contrapartida ao refinanciamento de dívidas fiscais dos clubes de futebol. Só que a lei foi aprovada no Congresso sem nenhuma obrigação para os times.

No final de dezembro, a CBF aprovou seu novo regulamento de competições que incluía a previsão de publicar medidas de saneamento dos clubes em regras de competições ou resolução da presidência. Então, os diretores jurídico Carlos Eugênio Lopes e financeiro Rogério Caboclo ficaram responsáveis por elaborar o documento por ordem do vice Marco Polo Del Nero.

"Não tenho como falar ainda qual será o teor porque não é um documento oficial. A ideia seria estar pronto o quanto antes", contou Caboclo, que ressalta que o regulamento é completamente independente da lei. "Está sendo tratado em um momento oportuno e é reflexo do que está em discussão."

O problema é a eficácia de regulamentos feitos pelas entidades esportivas. Dirigida por Del Nero, a FPF (Federação Paulista de Futebol) já incluiu em suas regras previsão de punição para quem atrasar salários. Nenhum clube sofreu qualquer pena porque há diversas salvaguardas e exigência de que o jogador denuncie os times.

A mesma federação já elaborou um manual de licenciamento de clubes, inspirado no modelo da Fifa, com obrigação de comprovação de quitação com jogadores para poder participar de campeonatos, entre outros itens. Só que as regras não são válidas até que exista uma regulamentação feita pela CBF e pela Conmebol.

"No caso da federação, esse medida passar por uma norma nacional a ser feita pela CBF", justificou o secretário-geral da FPF, Walter Feldman, que ocupará o cargo na confederação quando Del Nero assumir. Para ele, o regulamento da confederação substituirá o que estava previsto na lei.

leia mais ...

Futebol Pernambucano
Um monte de interrogações
postado em 05 de janeiro de 2015

CLAUDEMIR GOMES

 

A passagem de ano não foi suficiente para diminuir as interrogações. O tempo passa e elas parecem aumentar. Prova maior de que não temos opinião formada sobre tudo. Engana-se quem pensa que tem. Após passar três dias deslumbrado com os encantos do incomparável azul do mar de Tamandaré, retorno a realidade do futebol pernambucano. A sensação é de que ainda vivo o ano velho. Fica difícil alimentar bons sentimentos, mesmo sabendo que, quando a bola rola tudo se transforma, nada é absoluto.

Navego pela internet, folheio revistas e jornais em busca de algo novo que alimente nossa sede de mudança, e logo vem a frustração de que não existe nenhuma novidade. A televisão se esforça em vender gato por lebre aos torcedores mostrando apenas os gols da Copa São Paulo de Juniores, maior competição do gênero, que foi banalizada pelo inchaço. Quantidade não combina com qualidade. Os dirigentes e promotores dos eventos esportivos insistem em contrariar tal regra. O resultado é sempre o mesmo: torneios e competições com nível técnico baixíssimo.

O inchaço faz parte de uma política de apadrinhamento. Nos dois últimos anos tivemos o calendário brasileiro adequado à Copa das Confederações e a Copa do Mundo. Descobriu-se que, sem essas competições era possível ofertar aos clubes profissionais um espaço maior para uma pré-temporada digna. Mas ninguém observou que o calendário continua com o mesmo número de competições sem que houvesse mudanças para torná-las menos torturantes para os clubes e atletas.

É notório o trabalho que se faz nos bastidores para extrair do calendário nacional os campeonatos estaduais. É a política na nacionalização, que é pensada de forma a beneficiar apenas uma casta. O apartheid que penaliza o Norte e o Nordeste é cada vez maior. Detalhe: os dirigentes das duas regiões seguem o raciocínio dos que defendem tal modelo, e não fazem um mínimo esforço para combater o mal que aflige o futebol das duas regiões.

No atual modelo, ter um Campeonato Pernambucano com doze clubes é uma insanidade. A necessidade de repensar a competição estadual é imperativa.

A Copa do Nordeste também precisa ser repensada. A competição que surgiu como uma válvula de escapa para os clubes da região, corre o risco de ser dragada pelo inchaço. Dos vinte clubes participantes da edição de 2015, oito não disputam nenhuma das séries do Campeonato Brasileiro, o que nos leva a crer numa queda de nível técnico em relação à edição de 2014.

O futebol brasileiro só se fortalece na parte baixa do mapa. Este ano o grande adversário do Sport na Série A será o grande número de viagens. O rubro-negro pernambucano passará mais tempo dentro de aviões e aeroporto do que dentro de campo. Sem falar dos deslocamentos na Copa do Brasil, Copa do Nordeste e Copa Sulamericana.

Não tem como se livrar das interrogaões meu caro Humberto Araújo. E que tudo seja resumido no fino humor dos seus traços.

leia mais ...

Acontece
Copa do Nordeste - cara de jegue
postado em 05 de janeiro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, A COPA DO NORDESTE É A CARA DO NOSSO JEGUE


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O futebol Nordestino vive a mesma saga de um dos maiores personagens da região, o jegue, que ajudou o seu desenvolvimento, principalmente nas cidades do interior.

O animal contemplado com uma música de Luiz Gonzaga, e com estátuas em alguns locais, servia para tudo: do transporte ao plantio, e condutor dos arados.

Um dia surgiram os tratores e os jipes modernos, e os serviços que eram executados pelo nobre animal, passaram a utilizar os novos equipamentos colocados à sua disposição.

Os jegues tornaram-se uma matéria-prima para um matadouro que exportava sua carne para o Japão. O mercado fechou e a indústria trocou de linha, passando para a avicultura. Os descendentes desses animais agradeceram, mas passaram a viver abandonados, soltos nas ruas e praças públicas, inclusive sendo atropelados em algumas estradas.

O mesmo se deu com o futebol do Nordeste, quando os seus clubes tradicionais entraram em fase de declínio e perderam a representatividade, visto que não se prepararam para os novos tempos, e continuaram utilizando os jegues, e as antigas cadernetas das vendas de bairros.

A maior comprovação do que estamos afirmando é sem dúvida a Copa do Nordeste, que será iniciada no próximo mês de fevereiro, caracterizando a decadência de um esporte que já teve seus dias de glórias em nosso país.

São vinte clubes dos 9 estados da Região, com o Maranhão e Piauí enfim considerados pelo Circo como Nordestinos e não Nortistas, como os seus geográfos apedeutas decidiram anteriormente. Essa gente é capaz de tudo, inclusive a de mudar o mapa do Brasil.

Dos 20 disputantes, apenas um participante irá jogar na Série A de 2015, o Leão solitário, Sport Club do Recife, o que representa apenas 5% do total dos clubes inscritos. Muito pouco para uma Região que sempre teve pelo menos 3 clubes nessa disputa.

Da Série B serão seis clubes: Sampaio Corrêa, Ceará, Náutico, CRB, Bahia e Vitória, com 30% de participação.

Enquanto isso, na 3ª Divisão, teremos a participação de cinco equipes: América-RN, Fortaleza, Botafogo-PB, Salgueiro e Confiança-SE, o que representa 25% do total de clubes.

O mais grave é que a maioria dos times participantes não tem participação em nenhuma Divisão Nacional.

São oito clubes: Campinense-PB, Socorrense-SE, Serrano-BA, Moto Clube-MA, Piauí-PI, River-PI, Coruripe-AL, e Globo-RN, representando 40% entre todos os participantes, o que demonstra que a Copa do Nordeste será uma competição dos ¨Sem Divisão¨, determinando a cara do futebol regional.

São dados como esses que deveriam servir de análise para todos os segmentos envolvidos com o futebol brasileiro, mas infelizmente os pensadores do setor sumiram e os que ficaram não conseguem vislumbrar os motivos e as causas da decadência.

Na realidade todos esses clubes têm algo em comum, a ausência de um planejamento, de uma visão estratégica das modificações que estavam acontecendo no cenário nacional. Não se prepararam para uma luta desigual, mas boa de ser combatida, contra os tratores e jipes do futebol brasileiro.

A falta de objetividade dos clubes nordestinos, sem uma reação contra a concentração de renda em poucas mãos, nos tornou meros figurantes com relação aos clubes das regiões Sudeste/Sul, que passaram a dominar o esporte brasileiro.

Na verdade, nos aferramos aos conceitos do passado, e não procuramos novas fórmulas para que esses pudessem retomar o caminho do desenvolvimento. Se amoldaram ao sistema, e transformaram-se nos jumentos abandonados nas cidades do interior da Região.

Lamentável.

leia mais ...