JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Na
composição dos poderes de um clube do futebol brasileiro, o seu estatuto prevê
um Conselho Deliberativo, um Conselho Fiscal, e em alguns o Conselho
Gestor.
Na verdade, são muitos Conselhos que não servem pelo menos para dar um pequeno conselho aos gestores. Na maioria dos casos são formados totalmente com sócios ligados ao poder executivo, desde que foram eleitos em conjunto. Poucos clubes no Brasil contemplam os seus Deliberativos com um percentual de participantes das chapas que disputam o processo eleitoral, que reduz a unanimidade.
Quando acompanhamos a dura vida dos clubes brasileiros, por suas gestões temerárias, observamos que esses órgãos nada fizeram para estancar os procedimentos adotados pelos gestores que estavam levando-os ao fundo do poço.
Botafogo, do Rio de Janeiro, e Santos, de São Paulo, são dois exemplos recentes de gestões desastradas, que os deixaram num túnel com pouca luz no seu final.
Como os Deliberativos e os Fiscais acompanharam as medidas do ex-presidente Mauricio Assumpção, do time carioca, inclusive com contratos de prestação de serviços com vários familiares, as antecipações de receitas, atrasos salariais, sem nenhuma contestação, deixando o barco correr com a água em seu convés, próximo do naufrágio.
No Santos, o assunto é mais grave, já que tem mais um Conselho, o Gestor, que não conseguiu enxergar os demandos dos seus dois gestores, Luiz Alvaro de Oliveira e Odilio Rodrigues, que comandaram a entidade desde 2009. O silêncio desses foi por demais constrangedor, tornando-os cúmplices de algo destruidor para um clube tradicional do futebol brasileiro.
Como não puderam observar os buracos nas contas? Como não observaram que algo de errado estava acontecendo nas vendas dos direitos econômicos de três dos seus mais promissores talentos, no final da gestão, por R$ 10 milhões? Hoje sabe-se que foram para os bancos credores, a fim de que tirassem os seus avais.
Como não observaram as aplicações dos recursos provenientes das negociações de Neymar e Paulo Henrique Ganso?
O resultado dessa cegueira total é o dia a dia atual do time santista. Embora a diretoria tenha pago dois meses de salários atrasados dos seus profissionais, ainda resta o mês de dezembro e o 13º mês. Os funcionários também não tiveram um bom final do ano, desde que não receberam os seus salários.
Vários atletas estão ingressando na Justiça do Trabalho solicitando as suas liberações, ou o pagamento dos salários atrasados, no caso de Leandro Damião, cuja contratação ajudou a aumentar a debacle.
O fornecimento de água e luz já foi ameçado de corte, com a necessidade de um parcelamento. Os telefones estão bloqueados, com uma conta pendurada de R$ 12 mil.
Essa é a dura realidade santista, e tudo aconteceu sob às vistas desses poderes, que se tornaram coniventes com os desastres promovidos pelos gestores. Se houvesse a criminalização dos responsáveis, esses certamente deveriam ser enquadrados.
Ou modifica-se o sistema eleitoral, para uma maior democratização desses Conselhos, ou iremos continuar assistindo à repetição dos mesmos problemas, por conta de gestores descompromissados com os clubes, e com um procedimento fundamental, uma auditoria externa paga pelos seus sócios, para que possa atuar de forma independente do poder.
Lamentável.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










