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Brincando de ser ministro
postado em 20 de janeiro de 2015

Blog do JOSÉ CRUZ


A entrevista do ministro do Esporte, George Hilton, ao repórter Daniel Brito, do UOL Esporte, é peça histórica na Esplanada dos Ministérios. Escancara o despreparo da excelência e como estamos perdidos no setor.

hhhiiii

Pelas repostas, George Hilton (foto)  lembra "invenções" passadas, que contribuíram para o atraso que temos hoje.

Rafael Greca, por exemplo, nos tempos do PFL; era especialista em turismo, mas atirava nos assuntos do esporte como se fosse grande entendido. E saía dando risadas pelo corredor, com cartolas atrás, aplaudindo suas bobagens...

Ou o deputado Carlos Meles, também ex-PFL, um plantador e exportador de café, que aceitou o "desafio" de ser ministro do Esporte.

Tivemos Agnelo Queiroz e Orlando Silva. Agnelo não conseguia fechar o raciocínio de uma frase. Orlando, que tinha discurso, foi um especialista em enrolação. Mas, como os demais, ignorou a corrupção com as verbas liberadas. Deu no que deu.

Com esta brincadeira de fazer ministro para agradar partidos e ter apoios políticos perderemos mais oito anos: quatro de paralisia, porque agora é tudo em nome dos Jogos Rio 2016; e outros quatro que deixaremos de avançar nas questões elementares, como o esporte escolar, na base, na iniciação, na estrutura do setor, completamente falida. Como ocorreu com Aldo Rebelo, que foi o ministro da Copa do Mundo, continuaremos em ritmo de festa...

E o que dizem os desportistas, cartolas, atletas, ex-atletas, dirigentes em geral que se submetem a essa estupidez política sem qualquer reação?

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Qual a utilidade dos conselhos?
postado em 15 de janeiro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, QUAIS AS UTILIDADES DOS CONSELHOS DOS CLUBES?


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Na composição dos poderes de um clube do futebol brasileiro, o seu estatuto prevê um Conselho Deliberativo, um Conselho Fiscal, e em alguns o Conselho Gestor.

Na verdade, são muitos Conselhos que não servem pelo menos para dar um pequeno conselho aos gestores. Na maioria dos casos são formados totalmente com sócios ligados ao poder executivo, desde que foram eleitos em conjunto. Poucos clubes no Brasil contemplam os seus Deliberativos com um percentual de participantes das chapas que disputam o processo eleitoral, que reduz a unanimidade.

Quando acompanhamos a dura vida dos clubes brasileiros, por suas gestões temerárias, observamos que esses Ã³rgãos nada fizeram para estancar os procedimentos adotados pelos gestores que estavam levando-os ao fundo do poço.

Botafogo, do Rio de Janeiro, e Santos, de São Paulo, são dois exemplos recentes de gestões desastradas, que os deixaram num túnel com pouca luz no seu final.

Como os Deliberativos e os Fiscais acompanharam as medidas do ex-presidente Mauricio Assumpção, do time carioca, inclusive com contratos de prestação de serviços com vários familiares, as antecipações de receitas, atrasos salariais, sem nenhuma contestação, deixando o barco correr com a água em seu convés, próximo do naufrágio.

No Santos, o assunto é mais grave, já que tem mais um Conselho, o Gestor, que não conseguiu enxergar os demandos dos seus dois gestores, Luiz Alvaro de Oliveira e Odilio Rodrigues, que comandaram a entidade desde 2009. O silêncio desses  foi por demais constrangedor, tornando-os cúmplices de algo destruidor para um clube tradicional do futebol brasileiro.

Como não puderam observar os buracos nas contas? Como não observaram que algo de errado estava acontecendo nas vendas dos direitos econômicos de três dos seus mais promissores talentos, no final da gestão, por R$ 10 milhões? Hoje sabe-se que foram para os bancos credores, a fim de que tirassem os seus avais.

Como não observaram as aplicações dos recursos provenientes das negociações de Neymar e Paulo Henrique Ganso?

O resultado dessa cegueira total é o dia a dia atual do time santista. Embora a diretoria tenha pago dois meses de salários atrasados dos seus profissionais, ainda resta o mês de dezembro e o 13º mês. Os funcionários também não tiveram um bom final do ano, desde que não receberam os seus salários.

Vários atletas estão ingressando na Justiça do Trabalho solicitando as suas liberações, ou o pagamento dos salários atrasados, no caso de Leandro Damião, cuja contratação ajudou a aumentar a debacle.

O fornecimento de água e luz já foi ameçado de corte, com a necessidade de um parcelamento. Os telefones estão bloqueados, com uma conta pendurada de R$ 12 mil.

Essa é a dura realidade santista, e tudo aconteceu sob às vistas desses poderes, que se tornaram coniventes com os desastres promovidos pelos gestores. Se houvesse a criminalização dos responsáveis, esses certamente deveriam ser enquadrados.

Ou modifica-se o sistema eleitoral, para uma maior democratização desses Conselhos, ou iremos continuar assistindo à repetição dos mesmos problemas, por conta de gestores descompromissados com os clubes, e com um procedimento fundamental, uma auditoria externa paga pelos seus sócios, para que possa atuar de forma independente do poder.

Lamentável.

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Por que todos (ainda) querem a CBF?
postado em 14 de janeiro de 2015

Blog do ERICH BETING


A Vivo renovou até 2023 o patrocínio à CBF . O vínculo com a seleção não só foi estendido como ampliado. Agora, não só a Vivo, mas todas as empresas do Grupo Telefónica poderão associar sua marca ao time nacional. Passou o ano da Copa do Mundo e a CBF já trocou a Volkswagen pela Chevrolet, acertou com a Michelin e ampliou o acordo com a Vivo. Todos esses acordos com valores anuais que superam o que é pedido pela maioria dos grandes clubes que buscam um patrocinador máster no uniforme.

Por que todos ainda querem a CBF ao passo que os clubes de futebol no Brasil?

Nenhuma confederação de futebol fatura tanto no mundo quanto a brasileira. E o problema é a fraqueza dos clubes por aqui!

Não temos um campeonato nacional forte, os clubes vivem assolados com problemas de gestão que interferem no resultado dentro de campo, não existe uma cultura de patrocínio esportivo clara e duradoura no país e, ainda, falta um projeto de longo prazo a ser apresentado pelos clubes para as marcas.

Os primeiros pontos são evidentes quando analisamos os últimos anos de Brasileirão por aqui. O futebol está nivelado por baixo e os clubes sofrem com problemas extracampo (a antecipação de receitas e, agora, a saída de jogadores por falta de pagamento evidenciam isso).

A questão da ausência de cultura de patrocínio esportivo é a parte que mais interfere quando falamos das empresas. A Copa veio ajudar um pouco nessa relação, mostrando às marcas que, para o patrocínio valer a pena, é preciso pensá-lo muito além da exposição de marca. O projeto não pode ser de curto prazo, a relação não pode ser apenas como se a empresa tivesse comprado uma mídia para aparecer na TV e internet. É preciso ir além, se engajar, %u201Ccomprar'''' o lado do time que você apoia, conectar-se e comunicar-se com os torcedores.

Por fim, é preciso que seja apresentado um projeto de longo prazo para as empresas que mostre que vale o esforço de se fazer esse investimento, de que ele retorna para a marca em imagem, em dinheiro, em negócio. Para isso, é preciso não olhar apenas a necessidade de curto prazo, mas a relação de longo prazo. E essa visão, hoje, é o que mais falta ao futebol.

Quando a Vivo decide chegar a 18 anos de relacionamento com a CBF, aumentando os valores envolvidos a cada renegociação, é sinal de que o patrocínio compensa. Nos outros mercados, geralmente é só depois que os grandes clubes e campeonatos não estão mais disponíveis que as marcas vão buscar a seleção para se relacionar. Aqui, a relação ainda é a inversa.

O primeiro investimento, sempre, é na seleção. Está na hora de os clubes começarem a bater na porta de quem não está com a CBF%u2026

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Cinco anos de fartura com os "pratas da casa"
postado em 12 de janeiro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, CINCO ANOS DE FARTURA COM OS ¨PRATA DA CASA¨


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Apesar dos problemas com o nosso provedor no dia de ontem  alguns comentários foram postados, além de telefonemas e emails recebidos, sobre o artigo do time Nordestino do Náutico na década de 60, e sempre como a mesma pergunta: Qual a razão de hoje os clubes não aproveitarem os valores locais e regionais, quando as condições são mais propícias?

A atuação do alvirrubro motivou o Santa Cruz, que, a partir de 1969, conseguiu formatar um supertime com jogadores da casa, e conquistou cinco títulos seguidos, com o último acontecendo em 1973.

O trabalho começou em 1968, com o aproveitamento da ¨Prata da Casa¨, e sequenciado no ano posterior com a presença de um mecenas, o milionário James Thorp, que passou a financiar o time, contando com um treinador especialista em trabalhar com jogadores jovens, Gradim, que deu a continuidade ao projeto tricolor.

O aproveitamento dos profissionais formados em casa e do Nordeste foi de 99%. A equipe titular que jogou quase todas as partidas só tinha um jogador de fora, Rubem Salim, os demais eram do próprio clube, e dos times da região.  Foram 26 jogos, incluído as três partidas decisivas contra o Sport Recife, as ¨Pratas da Casa¨ e os Regionais formaram o grupo campeão.

Um ano após em 1970, mais um título e a manutenção da base anterior, com Givanildo, Luciano, Cuica, Fernando Santana, Zito, Zé Julio, Rivaldo, Norberto, Birunga, Vila Nova. Foram contratados o goleiro Gilberto, que veio do Sul, e que ficou na reserva, desde que o clube trouxe o baiano Detinho, ídolo do Vitória-BA, durante a competição, passando logo a titular, o lateral Gena, pernambucano e hexacampeão pelo Náutico, e o alagoano Erb que viria a ser um dos maiores meio de campistas da história do futebol de Pernambuco.

Esse trabalho perdurou até 1973, quando o Santa Cruz conquistou o Pentacampeonato, em dois jogos contra o Sport, com um elenco que tinha se tornado permanente, com Gilberto, Gena, Rivaldo, Paulo Ricardo, Botinha (Sudeste), Givanildo, Erb, Luciano, Zé Carlos (Walmir), Ramon e Santos ou Fernando Santana.

São fatos da história de nosso futebol, e que demonstram que tínhamos na época um bom trabalho de formação, os dirigentes gostavam da Rodoviária, que era no Cais de Santa Rita, e não tinham paixão pelo Aeroporto dos Guararapes, como os de hoje.

Trata-se de uma confirmação que a região tinha talentos disponíveis, e que esses eram aproveitados pelos clubes, deixados de lado para cederem os seus lugares aos importados, que chegam e vão embora de avião sem deixarem saudades e empatia.

Certamente os dirigentes atuais teriam que responder uma pergunta: Como em décadas passadas, com menores condições os clubes conseguiam fazer esse trabalho, e hoje, com a globalização, com melhores meios de comunicação, não conseguem?

Com a palavra os modernos cartolas.

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Um time quase 100% nordestino
postado em 11 de janeiro de 2015
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, UM TIME QUASE 100% NORDESTINO


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Quando debatemos com os nossos amigos visitantes a decadência do futebol Nordestino, que abandonou as suas  raízes e transformou-se em um morimbundo numa UTI à espera da Caetana, como escrevia o nosso Ariano Suassuna, o fazemos pelo conhecimento que temos de outras épocas quando tínhamos o respeito do Brasil, com clubes fortalecidos e atletas da própria região.

Fomos um celeiro de bons jogadores, formados em times do Maranhão a Bahia, muitos sendo cooptados pelo futebol do sudeste, fazendo sucesso nos clubes dessa região.

Possuímos um bom arquivo, que de vez em quando procuramos relembrar, e que serve para abastecer os nossos artigos sobre os diversos temas abordados.

Para mostrarmos um exemplo plausível de como era o futebol de Pernambuco, escolhemos um ano mais distante, o de 1963, quando o Náutico conquistou o seu primeiro título dos seis que fariam o seu Hexa.

O Estadual, que na ocasião era a grande competição local, foi disputado nesse ano com 8 clubes, tendo a volta do América e a participação do Centro Limoeirense, que veio juntar-se ao Central como representantes de nosso interior. Os seis times restantes eram da capital.

O calendário não era insano, não havia ainda os campeonatos nacionais, e os jogadores rendiam durante toda a competição. Foram 27 jogos, com as duas decisões, e na maioria das rodadas o time era sempre repetido, com jogadores atuando em todos os jogos, como Rinaldo e Zequinha, e outros com 26, como Ivan e Nado.

O alvirrubro utilizou em todos os jogos 20 jogadores, quando hoje os elencos necessitam de pelo menos 30, incrementando os seus custos.

A repetição da equipe a tornava mais conhecida do torcedor. Nado, Bita, Nino ou China e Rinaldo, e em algumas partidas com Lala, era um ataque arrasador e que encantava a todos que gostavam do futebol independente de cores (os três primeiros tinham subido dos juvenis).

No meio de campo, setor importante e que jogava com dois jogadores, contando com a ajuda do ponta esquerda, tinha Salomão e Ivan e, na defesa, em 95% dos jogos, o goleiro era Lula que substituiu Waldemar no início da competição, atuando em 19 jogos, e os quatro zagueiros, com Gernan, Zequinha, Gilson e Clóvis, todos oriundos da região, e que fazia do Náutico, com exceção de Ivan, um time Nordestino.

Trata-se de uma realidade e que faz parte da história de nosso futebol, e que motiva uma pergunta: Qual a razão do futebol pernambucano ter abandonado as suas origens, tanto local como Nodestina, para entregar-se a um modelo de importações muitas delas equivocadas e sem retorno nos seus investimentos?

O Náutico foi um grande exemplo de trabalho de base na época de 60, depois acompanhado pela Santa Cruz na de 70 e do Sport em 90, quando todos faziam uma excelente formação, e conseguiam formatar times que eram respeitados no futebol brasileiro.

Hoje não temos mais nada. Resta um pequeno trabalho no Sport Recife, e um quase nada nos demais clubes, e todos estão entregues às importações de atletas sem futuro, muitos em fim de carreira, que encontram guarida em uma terra que abandonou o futebol de verdade, entregando-se a mediocridade.

Não se trata de uma sessão de saudosismo, e sim de um alerta para um fato que existiu, e que desapareceu, muito embora as condições de hoje sejam mais propícias para um trabalho de base do que o de épocas anteriores.

O problema é que nós tínhamos dirigentes, e hoje temos amadores, cuja maior alegria é uma foto no Gilberto Freyre com um novo contratado, que vem apenas para inflar as suas folhas salariais.

Éramos felizes e não sabíamos. Tínhamos craques formados dentro de casa. Hoje um abandono total.

Lamentável.

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