JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
A crise financeira do Brasil, com um crescimento
previsto de 0,3% no ano, refletindo o que vem acontecendo na Europa, obrigou os
clubes de futebol a repensarem os seus orçamentos, inclusive as suas folhas
salariais, fato esse que todos os dias tomamos conhecimento através dos
noticiários.
Ouvimos em um programa esportivo da Rádio Globo, algo que nos deixou preocupados por conta do seu conteúdo. A análise do assunto foi procedida pelo jornalista Claudemir Gomes que é bem seguro nos seus comentários, produtos de boas fontes.
Segundo o jornalista, a folha salarial do profissional do Sport Recife é de R$ 2,6 milhões/mês, o que é totalmente inviável em relação as suas receitas e, em especial, ao momento em que vivemos.
Quando o clube tira de sua casa os seus jogos, vendendo-os para outros locais, certamente é que as finanças estão descontroladas, e na busca de recursos vale tudo, desde que recebem essas vendas de forma antecipada.
O valor de R$ 2,6 milhões por mês, não sabemos se os encargos já estão embutidos, representa uma despesa anual, contando com o 13º salário e férias, de R$ 36,4 milhões por ano, somente para esse segmento.
Sabemos que a manutenção de um Departamento de Futebol tem um alto custo mensal, contando-se inclusive com os gastos de formação. São taxas da federação, alimentação, despesas com setor médico, transportes, concentrações e outras tantas, que no somatório geral pesam no contexto com um bom valor.
O Sport Recife poderá no máximo ter uma receita de R$ 60 milhões em 2015, desde que antecipou recursos da televisão (R$ 20 milhões), a parte em dinheiro da Adidas é 50% inferior ao que foi paga no ano passado, perdeu um patrocÃnio de um Plano de Saúde, e o setor comercial irá sofrer uma queda acentuada, por conta das transferências de alguns jogos.
Estimamos que os gastos com o futebol irão chegar a R$ 44,0 milhões durante o ano, representando 73,4% das receitas totais, restando apenas 26,6% para o atendimento dos demais custos, inclusive o pagamento do parcelamento das dÃvidas. Em valores essa sobra representa R$ 16 milhões.
Apenas para efeito de comparação, escolhemos o Grêmio de Porto Alegre como referência. O time gaúcho tem uma previsão de receitas para 2015 no valor de R$ 227,3 milhões, e um custo com a folha salarial do futebol profissional de R$ 70 milhões durante o ano, que representa 31,3% do total. Com os outros custos e em especial no futebol de formação, pelo que vimos em seu balancete, a relação não chegará a 50% das receitas.
Houve uma redução de 4,5 milhões na folha salarial gremista, se comparada ao ano anterior.
O Grêmio tem uma previsão de arrecadação com o sócio-torcedor de R$ 60 milhões durante o ano, bem diferente do Sport Recife, mesmo valor da receita total do clube pernambucano.
Diego Souza representará R$ 4,9 milhões durante o ano, ou seja, 8,1% das receitas totais. Irreal.
Enquanto o Náutico e Santa Cruz estão trabalhando dentro da realidade financeira de cada um, assim como os demais clubes brasileiros que reduziram as suas folhas, o Sport Recife segue na contramão, sem observar a situação nacional e a sua própria, mantendo custos que vão muito além da sua capacidade de pagamento.
Sem uma participação do sócio-torcedor, que é inviável por conta do Todos com a Nota, podemos antecipar um ano de agonia para o rubro-negro de Pernambuco, que foi o único clube brasileiro a não entender o momento que o paÃs está passando, e continuou com a inflação em suas despesas.
Deveriam ter ouvido alguém que entenda de finanças, e não pessoas que conhecem de leis, e não de números.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










