JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Por um acaso vimos numa banca de revistas uma
publicação da Editora da Isto Ã, com o tÃtulo ¨2016¨, que trata sobre os
esportes olÃmpicos, e que é lançada de forma bimensal, com o patrocÃnio da
Petrobras.
Não a conhecÃamos e como na capa tinha uma chamada sobre o trabalho de formação no Brasil, nos interessamos, e na verdade encontramos uma matéria longa, bem elaborada e que retrata uma realidade que temos discutido há alguns anos sobre esse segmento.
Na sua primeira parte, a matéria conta a saga de um garoto de 16 anos, Alison, que busca o sonho de ser jogador profissional e ajudar a sua familia.
Ele foi encaminhado para treinar na Ponte Preta, na cidade de Campinas, e depois do treino ouviu uma conversa do treinador, que tantos outros também já foram contemplados quando elogiou a sua técnica, os bons fundamentos, o excelente posicionamento, mas infelizmente, apesar de tantos predicados, não poderia ser aproveitado.
Qual a razão? Segundo o ¨professor¨, o seu condicionamento fÃsico estava abaixo do nÃvel dos demais, embora a técnica esteja melhor em algumas comparações.
Alison recebeu um conselho: ¨Você precisa crescer, ganhar massa muscular¨, ou seja, tornar-se igual aos atletas que correm pelos gramados brasileiros.
Essa história narrada pela revista mostra a realidade do processo de formação do nosso futebol. Não existe nenhum paÃs do mundo que tenha produzido tantos craques como o Brasil, mas a nova verdade parece mostrar que isso não importa mais.
O talento não interessa aos novos ¨professores¨ e aos agentes, "donos" dos atletas, que escolhem os jovens brucutus, numa continuidade de um processo formatado há mais de 20 anos, jogadores musculosos, atléticos, esquecendo o fundamental, a qualidade técnica.
Pelé quando iniciou em Bauru a sua vida no futebol era um garoto franzino, mas foi aprovado e tornou-se o maior jogador do futebol mundial, mas se fosse nos dias atuais, certamente nunca teria chegado a tal patamar, já que iria receber o conselho para crescer e ganhar massa muscular, como o que foi dado ao personagem dessa postagem.
Na realidade, o futebol do Brasil de ontem era o inverso do europeu, que formava os seus brucutus, enquanto as ruas formavam os nossos craques. Hoje aconteceu uma mudança, quando nós passamos a projetar os musculosos, e o Velho Continente, os talentos.
Esse é um dos fatores que levou o paÃs a uma sova de 7x1 da Alemanha, na semifinal da Copa, e pela ausência de craques em nossas competições.
Os jogos de nossas competições nacionais retratam bem essa realidade, e no final de seu maior evento, a escolha de uma seleção é feita entre os menos ruins dos ruins, como o que acabamos de presenciar.
Craque no Brasil é um produto em extinção, e exemplos como esse é que levaram o futebol ao fundo do poço.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







