JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
O futebol brasileiro tem como órgão condutor o
Circo do Futebol Brasileiro, conhecido nas rodas da malandragem como CBF, o qual
vive eternamente como um caminhão que transporta combustÃvel na contramão de uma
estrada das mais movimentadas.
Na última sexta-feira a entidade publicou em seu site o novo Regulamento Geral das Competições, que não foi comentado por nenhuma mÃdia esportiva.
O interessante é que a maioria dos seus artigos está acoplada ao Estatuto do Torcedor, que é uma Lei cumprida em apenas algumas partes, enquanto outras são jogadas para baixo dos diversos tapetes localizados no solo nacional.
Novos artigos foram incluÃdos, como a paralisação dos jogos pelos árbitros para a hidratação dos atletas, caso seja necessário, ou um autoritário, que determina a análise e aprovação da pré-temporada dos clubes, inclusive nos amistosos programados.
Com relação a pré-temporada, trata-se de um assunto de cada agremiação, que não requer a participação da entidade. No caso de jogos entre clubes brasileiros, o pagamento das taxas dos federações locais é o modelo que sempre foi adotado, e partidas no exterior, apenas a solicitação de licença. Nada mais, nada menos.
Na realidade o Circo vai ter que analisar centenas de projetos de pré-temporada, o que não é possÃvel, e sobretudo inóquo.
Há pouco a Justiça determinou que o intervalo entre as partidas de futebol no Brasil seja de 72 horas. O Circo além de afrontar tal determinação, reduziu o perÃodo no seu novo regulamento de 66 horas para 60, ou seja, a cada dois dias e meio, um clube poderá jogar, e no Nacional com viagens longas no meio.
Deveriam ter colocado um artigo obrigando os seus cartolas a acompanharem os clubes nessa maratona, podendo inclusive terem o acompanhamento de suas namoradas ou namorados, se esse último for o caso.
Uma novidade que foi introduzida é a permissão da transmissão das partidas ao vivo nos estádios que tenham telões, sem contemplarem o replay. Nem fede, nem cheira.
Com relação ao calendário, nada mudou, apenas a introdução de um novo artigo sobre as férias dos profissionais, quando determina que essas sejam respeitadas, assim como a pré-temporada, sob pena dos clubes ficarem impedidos de disputar competições da CBF, isto é, dezembro e janeiro serão os meses para atendimento desses dois segmentos.
O interessante é que muitas federações já começaram os seus estaduais, e uma dessas é a de Pernambuco, e outras o farão no perÃodo de pré-temporada, se o artigo for cumprido, nenhum clube que participar desses eventos poderão atuar nas competições do Circo.
Pelo que conhecemos dessa gente nada irá acontecer, desde que são malabaristas da bola.
Um outro artigo que anotamos, e que foi implantado é o número de partidas que um atleta pode realizar durante a temporada, que foi estabelecido em 60. O interessante é que o jeitinho brasileiro e do Circo criaram uma exceção, que irá depender do departamento médico de cada clube, portanto, tudo continua como dantes. Um bombom envenenado.
Com relaçãoà s ações na Justiça Estatal, foi criado um bizarro artigo, totalmente impossÃvel de ser atendido, quando exige dos clubes o comprometimento de impedir ou desautorizar por escrito, que terceiros, pessoas fÃsicas e jurÃdicas, pública ou privada, façam uso de procedimentos extrajudiciais e judiciais para defender direitos ou interesses próprios ou privativos dos clubes, com respeito as normas do Circo.
Na verdade até o Ministério Público está sendo proibido de defender a moralidade dos esportes.
Trata-se de um artigo ridÃculo, sem nexo, e que nenhum clube poderá cumprir, desde que não mandam nos procedimentos de seus torcedores.
No artigo 105 do Regulamento Geral das Competições, a CBF aponta o Fair Play Financeiro, sem especificar o modelo a ser implantado, registrando apenas que a entidade irá publicar normas sobre os procedimentos. Ou seja, algo do nada, para o nada.
Mais um Regulamento, que não irá alterar o sistema apodrecido do futebol nacional. Várias páginas sem o menor conteúdo, que representam o modus operandi de um grupelho que tomou conta do futebol nacional.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








