JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Uma obra
barroca que até hoje se discute o seu autor, inclusive considerando que esse
seja um anônimo, mas os livros que se encontram nas bibliotecas do mundo
apresentam como responsável o Padre Antonio Vieira.
O tÃtulo é bem sugestivo: ¨A arte de Furtar¨, escrita no século XVII, que destaca a variedade de furtos e ladrões, com instruções inclusive para que pudessem ser identificados.
Nos capÃtulos, o autor fala dos desvios de recursos que existiam na colônia portuguesa, com a participação de segmentos da sua sociedade, principalmente pelos representantes da coroa portuguesa.
Nada melhor para um presente de fim de ano para os mensaleiros e petrolões, que pululam nas terras brasileiras.
Tiramos um pequeno trecho para que os nossos visitantes façam as devidas comparações de algo escrito nos meados do século XVII com o que acontece no século XXI em que vivemos.
"CAPITULO II
Como a arte de furtar é muito nobre
(...)
E para que não engasgue algum escrupuloso nesta proposição, com a máxima de que não há ladrão que seja nobre, pois o tal ofÃcio traz consigo extinção de todos os foros da nobreza, declaro logo que entendo o meu dito, segundo o vejo exercitado em homens tido e havidos pelos melhores do mundo, que no cabo são ladrões, sem que o exercÃcio da arte os deslustre, nem abata um ponto do timbre de sua grandeza. (VIEIRA-p48/49)."
No livro, o Padre Vieira usou uma metodologia das unhas que eram usadas para roubar, polÃticas, disfarçadas, maldosas, sábias, ignorantes, entre outras coisas.
Na verdade a simbologia das unhas bate muito bem com a realidade nacional, e mostra que desde os anos mil e oitocentos essas são cravadas em diversos setores do então Brasil colônia, continuando no Brasil Império e da República até nos dias de hoje.
São as unhas que sonegam, que lavam dinheiro e se apropriam dos recursos públicos.
No esporte nacional a nobre arte de furtar também faz parte do seu contexto, onde existem também muitas unhas atuando e sorrateiramente enriquecendo às suas custas.
Fatos existem todos os dias, e muitos recursos que deveriam ser aplicados nos esportes, em sua boa parte, são desviados pelas diversas unhas que se locupletam desses, apoiados pela impunidade existente desde o Brasil colônia e que perdura até hoje.
O que falta ao nosso paÃs é um número maior de tesouras, para que essas sejam cortadas, e o paÃs possa ter um futuro mais digno e decente, bem longe do que nos apresenta o livro objeto dessa postagem.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









