Flávio Prado, - blog No Mundo da Bola, da Gazeta Esportiva.
Estávamos no final dos anos 60, começo de 70. Na
periferia da cidade, os campos de futebol colavam-se uns aos outros. Entre a
Vila Ré e a Penha, minha região, tÃnhamos o Vila Esperança, o Macalé, o América,
o Rio Branco, o Triângulo, o Vila Matilde, o Nacional.
A bola rolava aos sábados e domingos, com milhares de atletas amadores, que pagavam recibos, para defender suas equipes. E não foram poucos os que passaram da várzea para os grandes estádios. Julinho Botelho foi maior de todos. Mas jogaram por lá em várias épocas. Ataliba, Nelsinho, Casa Grande, Osvaldo Ponte Aérea e tantos, que se perderam no tempo.
O futebol rolava de dia e de noite. Os esburacados e carecas campos de várzea, eram também usados pelos meninos mais novinhos, depois dos horários das aulas. Valiam tubaÃnas, as vitórias de sonhos. Veio o metrô. Sumiram os campos. Agora há asfalto onde havia lama. O som dos festivais, das manhãs do domingo, morreram com os ecos saudosos de quem os viveu. Até das brigas a gente sente falta.
O metrô, que agora leva multidões aos estádios, sob forte vigilância policial, substituiu as Kombis alugadas, duas ou três vezes por ano, no máximo, pelas limitações financeiras, que nos levavam para ver os jogos de futebol. O Morumbi era muito longe. Não havia a marginal Pinheiros, então o trajeto levava duas horas ou mais. Iam todos juntos. Tricolores, palmeirenses, corintianos, santistas e quem estivesse disposto e com uns trocados a mais.
Apostava-se em tudo. Quem faria o primeiro gol, o placar do segundo tempo, a renda, qual time jogaria com o uniforme principal, etc. No final dos clássicos, as gozações na Kombi eram o melhor do dia. Pagar o churrasquinho de gato ao vencedor era doido. Quando chegávamos de volta à casa, de dez da noite.
No trabalho, ou na escola, na segunda-feira, tÃnhamos lindas histórias. E no outro final de semana muita bola rolava de novo pelos campinhos e campões da periferia. Hoje temos Arenas, reuniões de policiais com uniformizadas, jogos truncados e clássicos sem público. à o progresso. Mas, como custou caro.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










