Leonardo
Mendes Junior - jornal Gazeta do Povo.
Pauta bomba virou um termo da moda no Brasil.
Refere-se ao pacote de votações nada amistoso - e muito oneroso - que o Congresso
afirmou após as eleições presidenciais. Obra de parlamentares em fim de mandato
sem nada a perder e parlamentares com outro mandato para começar e muito a
ganhar na barganha de emendas e cargos.
O futebol também tem a sua pauta bomba. Armada pela cartolagem, ao decidir mandar um texto próprio da Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE), referendado pela CBF, depois de várias rodadas de negociação com os jogadores. Por trás do pacote também há uma mescla de gente sem nada a perder com outros que tem muito a ganhar.
Não só com barganha, mas com um texto que, na prática, muda pouco ou nada o futebol brasileiro. E qualquer um de sã consciência reconhece que é inviável manter o futebol brasileiro como está. Ou deveriam reconhecer.
Obviamente os dirigentes vão dizer que o texto enviado pela CBF é um avanço, a chave para a mudança no futebol brasileiro. Balela.
Como falar em choque de gestão se os dirigentes pleiteiam que os inadimplentes só passem a pagar por isso em 2019, não em 2016? Como falar em democratizar o futebol se os cartolas se negam a ter atletas no colégio eleitoral de federações e da Confederação? Como confiar em gestões mais responsáveis se os dirigentes são contra a inegibilidade pelo prazo que for de quem praticar gestão temerária? Como acreditar em fiscalização se a CBF não quer estipular prazo para o comitê responsável pela fiscalização passar a funcionar? Como acreditar na mudança se não houver limites de gastos com futebol?
Este último ponto, aliás, sintetiza como jogadores e clubes estão puxando a corda para lados opostos. Os jogadores defendem os limites de gastos com o futebol. O que na prática, criará um teto salarial. Ou seja, fará eles, jogadores, ganharem menos. E os clubes, quem paga essa conta, são contra um limite de gastos com o futebol.
Ao expor todos estes pontos, o Bom Senso jogou para os deputados a decisão de escolher entre cartolas e atletas. Foi o único equÃvoco no posicionamento dos jogadores. PolÃticos e cartolas tem o mesmo DNA. E no Brasil, dominam a mesma técnica de armar pautas bombas.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









