JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Somos
cobrados pelas crÃticas que formulamos a participação do Programa Todos com a
Nota no futebol de Pernambuco, inclusive pedindo maiores detalhes sobre o
sistema.
O programa para incentivar o Torcedor surgiu no governo Miguel Arraes, com o Futebol Solidário, que trocava alimentos por ingressos, motivando o retorno dos torcedores aos estádios.
O processo era da responsabilidade da Secretaria da Fazenda, cujo secretário era o ex-governador, falecido recentemente, Eduardo Campos, e depois com Djalmo Leão, que o substituiu no cargo.
Os clubes recebiam por ingressos trocados.
Nos governo de Jarbas Vasconcelos, por questões polÃticas mudou o nome, mas continuou com outro programa a ajudar o futebol na troca dos ingressos. Na primeira gestão de Eduardo Campos, tornou-se o Todos com a Nota, que garantia aos clubes um número de ingressos para cada jogo, mesmo sem que houvesse a troca.
No inÃcio havia a fiscalização da própria Federação, que só computava o público que estava no estádio, embora o governo pagasse pelas cotas totais.
Essa fórmula provocou os maiores públicos fantasmas do mundo, quando 300 pessoas representavam nos movimentos financeiros muitas vezes 5 mil, que vagavam pelos estádios assombrando o pequeno número de torcedores que lá estavam.
Os clubes menores criaram uma dependência letal com o programa. Se esse saÃsse do contexto eles morreriam, porque não se organizaram para outras receitas, ficando agarrados e iludidos com as benesses governamental.
Isso trouxe a perda de qualidade, e o Programa se tornando cada vez mais a garantia de suas sobrevivências.
Na realidade, foi um sistema que trouxe resultados positivos no seu inÃcio, com o retorno dos torcedores aos estádios, mas a perenização da forma atual já está sendo refletida nos jogos realizados, com a demanda nas trocas sendo bem reduzida.
Temos chamado a atenção do Governo Estadual sobre o modus-operandi do Programa, quando os torcedores não trocam as suas Notas Fiscais por ingressos, os clubes colocam as suas cotas nos movimentos financeiros, e uma semana após o jogo ainda estão buscando-as para serem trocadas por cupons, que representam os números registrados.
Atualmente existe uma nova profissão, a de vendedor de cupons para clubes, a fim de que possam receber as suas cotas, mesmo sem a presença de torcedores, e a realização de suas trocas reais.
Se o novo governador desejar continuar com essa Bolsa Futebol, uma a mais das diversas que tomaram conta de nosso paÃs, pelo menos para moralizá-la, deveria modificar a forma de pagamento aos clubes, que seriam pelos ingressos trocados e o número de cupons correspondentes antes dos jogos. A cada partida acabada, um movimento financeiro encerrado.
O sistema tem que ser operado pela Secretaria da Fazenda, sem a garantia de um pagamento integral de algo que não foi realizado.
O futebol ganharia, assim como os clubes que iriam ter o interesse em motivar a ida dos torcedores aos estádios, incentivando a troca das Notas Fiscais.
Na verdade o dinheiro público não pode ser gasto em algo que não existe, que é a remuneração de um serviço que não foi prestado.
Por outro lado, para os clubes de maior porte, esse é danoso, que proibe a absorção de sócios-torcedores, que hoje representam a grande fatia das suas receitas.
Não somos contra o Todos com a Nota, e sim pela mudança de procedimentos, por perder o seu encanto e só servir na realidade como um amplo guarda-chuva que abriga gregos e troianos, e para a entidade local que recebe no final mais recursos do que os clubes que jogam, com os seus 8% das rendas brutas.
O futebol pernambucano precisa de algo mais.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013










