JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Um tema que já discutimos por várias vezes e que
voltamos a abordar está relacionado à necessidade de se repensar o futebol de
Pernambuco.
O futebol é um negócio, que precisa de demanda, e os clubes contemplam tal fator, desde que possuem torcidas numerosas, as quais formam um valioso mercado consumidor.
Quando observamos a campanha dos três clubes da capital nas competições em que estão envolvidos, verificamos que algo está errado, e que as gestões não estão sendo delineadas para atender as suas necessidades.
Santa Cruz e Náutico vivem bons e maus momentos na Série B, que na realidade é fraca tecnicamente, contando com equipes sem estrutura e, mesmo assim, não conseguem se solidificar.
O Sport, na Série A, começou enganando no turno com uma campanha boa, por conta da desorganização dos competidores. No momento em que esses conseguiram as suas formatações, deu-se o inÃcio de sua queda, que hoje é vertiginosa, desde que pensaram que tudo andava em um mar de tranquilidade.
Na realidade os clubes pernambucanos não entenderam a necessidade de mudar o sistema atual, quando se dá muita validade a um estadual que nada representa, e que não pode, nem deve, servir de parâmetro para projeções futuras.
A própria Copa do Nordeste, que poderia ser um bom torneio, a qualidade técnica é baixa, e a conquista do tÃtulo não pode servir como referência para as disputas de competições maiores.
O futebol de Pernambuco teve bons momentos, quando cuidava de suas bases, e os elencos eram formados na maioria por jogadores produzidos em casa, ou na própria região. TÃnhamos boas participações em eventos nacionais. O modelo foi abandonado, dando preferência a importações de pouco conteúdo e os resultados são bem visÃveis.
Um exemplo da fuga de atletas foi mostrado na última quarta-feira no jogo Sport vs Goiás - a maior figura do jogo, Esquerdinha, foi das bases do Santa Cruz sem um melhor aproveitamento.
Existem muitos Esquerdinhas por ai afora, mas preferimos figuras carimbadas, com altos salários e pouca produtividade.
Não sabemos a razão de que os clubes não possam se reunir para um debate amplo sobre o tema, inclusive ouvindo profissionais do setor, que possam dar algumas ideias para as modificações necessárias para o futebol de Pernambuco.
Não se pode viver agarrado ao Programa Todos com a Nota, com a salvação de suas lavouras. Criou-se um sistema parasitário, sobretudo nos clubes do interior, que se agarram aos valores pagos, e pouco ou nada produzem na formação dos jogadores.
Termina um estadual, ou mesmo uma Copa do Nordeste quais os talentos que foram aproveitados? Isso demonstra que não existe um trabalho de base, e quando acontece é mal feito, e para atender os empresários.
O futebol brasileiro apequenou-se no geral, mas o de Pernambuco está em um dos últimos lugares da zona de rebaixamento, em função da falta de uma linha de procedimento e, sobretudo, de um projeto a longo prazo para que volte a ser o que já foi um dia.
Enquanto existir uma parede separando os clubes profissionais, só irá beneficiar um setor, a Federação local, que pouco está se importando com o que acontece, e irá iniciar em dezembro um campeonato destruidor para o nosso interior, com times jogando apenas para o seu Bolsa futebol, que é o Todos com a Nota.
O que precisamos é ensinar a pescar, não fornecer o peixe de graça para o almoço. Isso vicia e atrofia a sociedade, e é o que vem acontecendo no futebol local.
Lamentável.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013









