Histórico
Futebol Brasileiro
Faltou grandeza
postado em 18 de agosto de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, FALTOU GRANDEZA


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Embora tivéssemos sentido o problema, deixamo-no passar nas postagens de ontem, e por conta disso fomos alertados por nossos visitantes, com relação à realização do jogo do Sport vs Atlético do Paraná, em um momento em que Pernambuco enterrava o seu líder maior, o ex-governador Eduardo Campos.

Um dos nossos mais assíduos visitantes, André Angelo, nos informou que o clube da Ilha do Retiro publicou no último sábado uma Nota Oficial, comunicando que tinha solicitado através da Federação local, que remetesse ao Circo do Futebol Brasileiro o pedido de adiamento da partida.

Não vamos criminalizar o Sport, por não sabermos qual teria sido a data de tal solicitação, mas, de qualquer maneira, pela tamanho da tragédia, isso deveria ser feito na própria quarta-feira, data do acidente, que pelas proporções, o sepultamento das vítimas iria demorar um tempo maior, como realmente aconteceu.

Se a entidade que dirige o futebol de Pernambuco recebeu o pedido e o encaminhou, deveria ter feito como uma exigência, visto que o ambiente no estado de Pernambuco não contemplava nenhum evento, muito menos de futebol, bem próximo à hora em que o povo de Pernambuco enterrava uma liderança que conviveu por 8 anos como seu governador.

Falhou e faltou força para mostrar que não estava pedindo uma mudança, e sim exigindo, por tudo que se desenvolvia no estado.

Por outro lado, a CBF, ao não atender o pedido, mostrou muito bem a falta de grandeza de seus cartolas, que não perceberam o impacto que aconteceu na sociedade brasileira, e em especial a de Pernambuco, cuja cidade estava paralisada desde o dia 13 de agosto, data da tragédia.

Embora não estejamos na cidade do Recife, estivemos acompanhando o seu dia a dia, principalmente o de ontem, quando a sua população deu uma demonstração do sentimento de perda do seu ex-governador, com as ruas lotadas, transmitindo a solidariedade à sua família que nesse momento tanto precisava.

O que aconteceu foi uma tragédia, com uma vida jovem sendo ceifada de maneira precoce, e que tinha ainda muitos serviços a prestar ao estado e à nação, e por conta disso jamais um evento futebolístico deveria ter acontecido, mostrando um desrespeito e a ausência do bom senso, desses cartolas mequetrefes que dirigem o nosso futebol.

Lamentável. Que Eduardo, de onde estiver, perdoe a todos. Eles não sabem o que fazem.

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Acontece
Não era boato. Pernambuco chora
postado em 14 de agosto de 2014


CLAUDEMIR GOMES

 

Um dia desses, não faz muito tempo, um avião foi abatido por um míssil russo com quase 300 passageiros a bordo. Uma tragédia que chocou o mundo. O fato nos entristeceu, e a guerra que motivou tal tragédia provocou uma indignação mundial. A gente sempre acha que estamos longe das tragédias, e de repente nos deparamos com elas na porta de nossas casas, subtraíndo de nossas vidas pessoas queridas, referências. E vem a certeza do quanto somos pequenos e frágeis. De que somos mortais. A morte não manda aviso prévio, da mesma forma que não nascemos com nosso prazo de validade determinado.

Quando ultrapassa a barreira dos sessenta anos o homem acha que poucas coisas lhes surpreenderão. Ledo engano. A morte trágica e prematura do ex-governador, Eduardo Campos, teve uma repercussão mundial, deixou o Brasil enlutado e, particularmente, para nós, órfãos pernambucanos, foi uma espécie de tsunami sentimental. A população ficou atordoada, atônita, incrédula e sem norte.

Quarta-feira, 13 de agosto de 2014. No final da manhã resolvi fazer uma visita ao amigo Iranildo Silva, presidente da ACDP, na Rádio Olinda. Após uma participação relâmpago no programa do Jorge Soares, fomos surpreendidos com a notícia, via internet e pela televisão, da queda do avião no qual se encontrava Eduardo Campos e alguns assessores. O fato impôs o fim à programação esportiva. Parentes e amigos começaram a ligar para se certificar dos fatos. A notícia era real, o fato aconteceu, mas todos permaneciam incrédulos.

Rubem Souza Filho e Luciano Duarte de imediato transformaram o programa de debate esportivo %u2013 A verdade é %u2013 num debate político do qual participamos no primeiro bloco. Todos os políticos postos no ar estavam surpresos e chocados com a tragédia. Recebi um telefonema de minha irmã relatando o que aconteceu quando ela fazia fisioterapia no IMIP e a notícia chegou ao hospital. %u201CTodos ficaram assustados, perdidos e indagavam insistentemente: e agora, o que vamos fazer, em quem vamos votar?%u201D. Tal revelação me levou as ruas. Queria testemunhar a reação do povo.

O Recife estava chorando. As coisas seguiam num ritmo lento. Impossível mensurar a dor que a população estava sentindo. Não era dor física. Era a dor da perda de uma referência. É como se todos nós descobríssemos, da pior forma possível, que a esperança também morre. Logo Eduardo que nos dava lições contínuas de que não devemos esmorecer jamais.

No dia 21 de julho de 1975, me encontrava dentro de um ônibus, na Avenida Conde da Boa Vista, quando o boato - "Tapacurá estourou" - ecoou pelos quatro cantos da cidade. A população entrou em pânico. A histeria coletiva me assustou. Com um equilíbrio emocional elogiável, o motorista do coletivo me aconselhou a permanecer no ônibus. O surto passou e horas depois tudo voltou ao normal.

Ontem foi diferente. À medida que o tempo passava a população se dava conta de que estava órfã. A morte de Eduardo não era um boato como foi o "Tapacurá estourou". Ninguém correu, mas a alma de todos sangrou. Afinal, perdemos a maior liderança política do Estados nos últimos tempos.

 

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Futebol Brasileiro
A realidade vem à tona
postado em 12 de agosto de 2014

CLAUDEMIR GOMES

 

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, um dos maiores estudiosos do futebol brasileiro, um dos poucos que não se perde no varejo e consegue chegar ao Q das questões, nos havia chamado a atenção para uma entrevista que o ex-jogador, Leonardo, havia dado ao jornal O Globo. Ontem, acompanhei o mesmo Leonardo, hoje com um conhecimento profundo do futebol internacional, no programa Bem Amigos na SporTV, do qual também participou o ex-técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes.

Naturalmente que Leonardo não é o dono da verdade. Entretanto, todas as colocações feitas por ele, ao longo do programa, foram pertinentes, deixando expostos erros que são repetidos há anos por todos os seguimentos envolvidos no futebol brasileiro, a começar pela mídia com o seu ufanismo exacerbado. Em quatro edições de Copa do Mundo - 58,62,66,70 - o Brasil conquistou três títulos. Época de ouro do futebol arte. Nas cinco edições seguintes tivemos três títulos europeus - Alemanha dois e Itália um - e dois sul-americanos com a Argentina. Foi a primeira resposta dos europeus no pós guerra. Uma nova realidade estava posta para quem quisesse enxergar: o surgimento do equilíbrio da tática com a técnica.

De 94 a 2002 o Brasil chegou a três finais conquistando dois títulos. A qualidade técnica do jogador brasileiro parecia insuperável. E surge a ilusão do mais, mais: somos os melhores, o país do futebol, somos insuperáveis. A Seleção Brasileira era sinônimo de farra, uma mina de dinheiro. E vieram os fiascos de 2006, 2010 e 2014. O pano caiu. O cenário real do futebol brasileiro era devastador. O futebol praticado no país não era de boa qualidade técnica; os grandes clubes deixaram de seduzir os jovens valores, que sonham em jogar na Europa, fato que mudou o foco das exportações. Os estádios foram ficando vazios. Os sinais eram claros, grandes e visíveis, mas a grande imprensa seguiu cega e embriagada pelo ufanismo. Os marqueteios nos "vendiam" carne de pescoço como se fosse caviar.

Leonardo mostrou que nossa estrutura está corroída em todos os quadrantes. Nossos jogadores não são bem formados taticamente, e até nosso maior craque na atualidade, Neymar, tem limitações táticas reconhecidas pelo seu ex-técnico, Mano Menezes. O trabalho de base é deficitário porque os "professores" não são qualificados. A insatisfação é comum aos atletas, aos torcedores, aos clubes, a alguns políticos. O momento é de tristeza com a falência de um modelo que alimenta a corrupção e o clientelismo, afugentando os grandes investidores.

Olho para a nossa realidade estadual e vejo o caos. Clubes atuando no vermelho, uma federação sem um planejamento para fortalecer o futebol do Interior, que poderia ser transformado no celeiro formador e uma imprensa discutindo o factual, resultados de jogos e entrevistando jogadores que são definidos pelas assessorias de imprensa, e não que os que os repórteres tenham vontade e deveriam ouvir.

Nos últimos três anos o futebol pernambucano tem jogado para trás, quando muito, faz passes laterais, mas nunca avança. Um dos maiores problemas é a nominação. Aqui não se discute projetos, se discute nomes. Até os novos, que se apresentam como alternativa para colocar o nosso futebol em sintonia com o novo tempo, não têm projetos, nem sequer um norte para dar o primeiro passo. O Náutico é o maior exemplo, e o mesmo deve ocorrer com Sport e Santa Cruz, que vivem um ano eleitoral sem nenhuma expectativa de mudança.

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Artigos
A bola e a Lei Maria da Penha
postado em 12 de agosto de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, A BOLA E A LEI MARIA DA PENHA


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


A Lei Maria da Penha é aquela que pune as agressões acontecidas contra as mulheres brasileiras, e tem funcionado por enquanto muito bem.

A bola de futebol é feminina, e está sendo tratada de forma agressiva, violenta, sendo muitas vezes estuprada quando da realização das partidas de futebol.

Esse final de semana por mais que as interessadas mídias desejassem através de seus analistas encontrar algo de positivo nos jogos realizados, não conseguiram enganar os espectadores ou ouvintes, desde que tudo que foi apresentado foi de uma mediocridade frustante.

Não é apenas a falta de qualidade dos jogadores, visto que esse fato já acontece no Brasil por um bom tempo, mas o problema maior está na formatação dos jogos, nas táticas defensivistas que são as apostas dos treinadores, e um futebol sem emoções, sem gols, que a cada dia se apequena.

Muitas vezes o mais chato dos resultados, o empate de 0x0 é bem assimilado quando a partida é boa, tem competitividade, chutes a gols, defesas dos goleiros e bolas nas traves.

Nada disso assistimos. O jogo do Flamengo vs Sport foi tão ruim na sua qualidade que espantou. Para os torcedores do time da Gávea a alegria de uma vitória, mas para o futebol a tristeza de ter sido contemplado com algo tão monstruoso e grotesco.

De um lado, um time que não queria ganhar (Sport), e o empate faria a felicidade de todos e, do outro, um que teria que ganhar a qualquer preço, mas não conseguia por conta da mediocridade do seu elenco, que só no final após um erro da defesa do adversário chegou à vitória.

A bola foi maltratada. Cada chutão que recebia era uma agressão violenta. Os contra-ataques mal feitos e que terminavam em cruzamentos, arranhavam o seu couro, e as lágrimas fluíam pelos seus gomos.

Cada passe dos mais de 60 errados, era uma dor no coração, e a bola que faz a magia do futebol funcionar tornava-se igual a uma mulher sofrendo uma agressão de um imbecil de plantão.

No final, o treinador do time pernambucano afirmou que o jogo tinha sido perdido por conta de um detalhe. A bola não aguentou, e prestou uma queixa na delegacia da mulher por agressão com base na Lei Maria da Penha.

Foram 10 jogos de violência contra esse equipamento do jogo. O Coritiba no seu encontro contra o Fluminense atuou com 7 volantes e meias. Conseguiu barrar o adversário, com uma marcação perfeita, entretanto os dois times deixaram uma pergunta no ar: Onde estava o futebol?

E assim seguiu mais uma rodada do Brasileirão, contando com Robinho (gordinho), Kaká, Scolari, e que continuou com o sofrimento dos torcedores que estão recebendo o que de pior poderia acontecer no futebol: o anti-jogo para a manutenção dos empregos dos treinadores.

Não estamos pedindo uma seleção da Alemanha jogando em nosso Campeonato, mas que pelo menos os jogos sejam alegres, com um futebol taticamente livre das amarras que estão sendo colocadas, e que no final de 10 jogos tenhamos 30 gols, no lugar dos 17 acontecidos.

Essa revolta da bola contra tais fatos, deveria ser apoiada pelos torcedores, com uma única solução, a de abandonar os estádios e desligarem as suas televisões.

O resto é conversa mole para boi dormir, e que seja implantada a Lei Maria da Penha contra os agressores.

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Futebol Brasileiro
Nacionalização em passos lentos
postado em 08 de agosto de 2014

CLAUDEMIR GOMES

 

A nacionalização do futebol brasileiro se arrasta há mais de 30 anos. Tudo começou nos anos 80, quando os clubes se insurgiram contra o modelo da CBF, que chegou a promover um Campeonato Brasileiro com mais de cem clubes. Surgiu então o Clube dos 13, entidade que funcionou como um guarda-chuva que abrigava os "maiores clubes" do futebol do País no que seria chamado de Série A.

Era o início de uma revolução cujos princípios excludentes acabaram achatando o futebol das regiões Norte e Nordeste. Com o apoio da maior rede de televisão do País foi criado um apartheid econômico através de uma divisão de renda que dificulta, e torna quase impossível, a retomada do crescimento por parte de alguns clubes das regiões.

Passaram-se trinta anos e a nacionalização, que é um processo irreversível, caminha a passos lentos por conta da incapacidade dos dirigentes - CBF, Clubes e Federações - que não têm uma visão macro e se perdem no varejo. A mídia, que tem as grandes empresas de comunicação comprometida com o arcaico modelo, pouco contesta, e mantém discussões superficiais sobre problema tão grave.

Ano passado surgiu o Bom Senso, entidade constituída por jogadores e ex-jogadores que passaram a exigir direitos que nunca são respeitados. A revolta dos nanicos surtiu efeito inesperado. Mas no momento trata apenas da ponta de um iceberg que tem como maior efeito da catástrofe administrativa o desemprego em massa.

Quarta-feira a CBF divulgou o calendário do futebol brasileiro para a temporada 2015. Como se todo o problema fosse resolvido numa definição de tempo para os clubes realizarem uma pré-temporada que atenda às necessidades, poucos enxergaram o novo "monstro" que deixará a maioria dos clubes profissionais inativos por um período de 8 meses.

Com a definição de 19 datas para os Campeonatos Estaduais é de se indagar o que as federações programaram para manter em atividade as agremiações que estarão de fora do Campeonato Brasileiro em suas diferentes séries?

O Pernambucano é disputado por 12 clubes. Seis desses clubes ficarão sem atividades a partir do mês de maior. Os que representarão o Estado no Brasileiro da Série D amargarão uma espera de 75 dias até o início da competição nacional.

Enfim! Estamos num estágio onde sequer se definiu o conceito de nacionalização.

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