Histórico
Acontece
Mestre da bola no ar
postado em 22 de agosto de 2014

CLAUDEMIR GOMES

Nesta quinta-feira o jornalista Jota Alcides, cearense de Juazeiro do Norte, que mora em Brasília, prestou uma homenagem a um dos maiores comentaristas esportivo da história do rádio pernambucano, Luís Cavalcante, ao lançar o livro "Mestre da Bola no Ar". Para que os amigos leitores conheçam um pouco da história deste baiano que se apaixonou por Pernambuco e conquistou o respeito e admiração de todos nós, estamos transcrevendo entrevista concedida por Cavalcante a outro mestre da crônica esportiva, Lenivaldo Aragão e que foi publicada na revista Clássico.

Como foi sua trajetória profissional?

Comecei na Rádio Cultura de Ilhéus, passei pela Rádio Sociedade, em Salvador, vim para a Rádio Olinda, em 1955, fui para a Rádio Clube em 1958. Lá formei uma nova equipe, com uma meninada que tinha você, Wagner Mendes, Uiraquitã Lima e Estanislau Oliveira. Diziam que era o jardim de infância de Luís Cavalcante. Foi sucesso de audiência. Em 59 fui pra São Paulo. Passei um ano, mais ou menos, na Panamericana (atual Jovem Pan), voltei em 60 pra Rádio Olinda. Em 62 venderam a rádio e eu fui embora pra Rádio Assunção, do Ceará. Voltei em 63 e daí por diante não saí mais daqui. Decidi: "Não saio. Fico aqui, empregado ou desempregado, em rádio, fora de rádio, morador de rua, seja lá o que for. Até hoje estou por aqui".

O baiano virou pernambucano...

Na verdade, eu nunca me considerei muito baiano. Sempre fui fixado em Ilhéus, ou seja, sou ilheense. O ilheense, na minha geração, pelo menos, pensava em se emancipar. Naquele tempo a Bahia não tinha ainda o petróleo. A região cacaueira - Ilhéus era o centro - produzia sessenta por cento da renda estadual. Assim, praticamente carregou a Bahia nas costas, um Estado daquele tamanho. Então, o ilheense sempre foi pautado pra ser ilheense. Um negócio curioso, a gente conversando, em Ilhéus, alguém perguntava: "Cadê fulano?". "Ele viajou pra Bahia", respondia alguém. O cara tinha ido pra Salvador. Mas eu vim pra cá e aqui sou benemérito da ACDP, da Federação Pernambucana de Futebol, sou cidadão pernambucano, cidadão recifense, e tenho um monte de títulos. De maneira que tudo isso vale muito mais do que uma certidão de nascimento.

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Campeonato Brasileiro
Nível técnico e leitura equivocada
postado em 21 de agosto de 2014

CLAUDEMIR GOMES

 

O nível técnico da atual edição do Campeonato Brasileiro - Séries A e B - é um dos piores desde que a competição passou a ser disputada pelo sistema de pontos corridos, fato que propicia o equilíbrio da disputa e alimenta a análise dos fatos com base apenas nos resultados. Dois sinais incontestes da queda de qualidade do futebol brasileiro.

Sob o comando do novo treinador, Dado Cavalcanti, o Náutico contabilizou seis pontos em dois jogos. O aproveitamento de 100% levou o time alvirrubro a dar um salto significativo na tabela de classificação, resgatou o crédito da torcida que passou da aflição de uma iminente entrada na zona de rebaixamento, para a otimista previsão de que na virada do turno - faltam duas rodadas para tal momento - o clube já esteja brigando por uma vaga no G4. Afinal, o que lhe separa da cobiçada posição são apenas cinco pontos.

A qualidade do futebol apresentado nas vitórias sobre a Luverdense e o Oeste mereceu restrições até do treinador, contudo, os resultados foram fundamentais para a implantação de um novo trabalho, pois credenciou o novo comandante e acalmou os bastidores e a torcida, fatores decisivos para a transição que se busca no clube dos Aflitos. Uma sequência de resultados positivos no momento será determinante para a mudança de foco. A estratégia inicial de Dado Cavalcanti é focar o grupo numa campanha de manutenção, mas os números são imperativos, e a dinâmica do futebol pode levar o treinador a falar em acesso no returno.

O Santa Cruz tem um ponto a menos que o Náutico e mesmo se mantendo numa distância confortável da zona de rebaixamento, o que preocupa no clube tricolor é o número de vitórias: 5. O time comandado por Sérgio Guedes foi o que mais empatou (8) e menos perdeu (3). Os números legitimam uma campanha de manutenção, cobrança pertinente de sua torcida neste retorno do clube a Segunda Divisão nacional após afastamento de sete anos. Entretanto, o equilíbrio da disputada mostra que, a vinte e uma rodadas do final estão abertas todas as possibilidades: ascensão, manutenção e queda. O que vai determinar o futuro é a qualidade.

 

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Artigos
Leonardo, o bola da vez
postado em 20 de agosto de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, LEONARDO, O BOLA DA VEZ


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Muito boa a participação do ex-jogador Leonardo no programa Bola da Vez, levado ao ar no dia de ontem pela ESPN-Brasil.

Na realidade vimos um profissional preparado, maduro e que foi favorecido pelos anos passados na Europa, principalmente pela sua formação familiar. O útil juntou-se ao agradável.

Anotamos algumas respostas dados pelo entrevistado, em especial aquelas que se coadunam com o que discutimos em nossos artigos.

Para Leonardo, o treinador brasileiro está totalmente desatualizado, vivendo uma outra realidade, bem distante da vivenciada na Europa.

Para ele, os nossos treinadores não conseguem uma continuidade real no trabalho, e não estão no conceito mundial. Como todo brasileiro tem que estudar, e se aproximar mais do que acontece no mundo europeu.

Uma crítica construtiva, mas Leonardo conviveu muitos anos na Europa, e lá o Calendário esportivo permite que os treinadores façam as suas reciclagens, participem de cursos, seminários, entre outros eventos.

No Brasil termina-se um ano esportivo, quando a Europa está em pleno vapor com suas competições, e que impedem a presença de nossos profissionais nesse período. As programações são realizadas no final dos seus campeonatos, período esse que está sendo utilizado em nosso país para centenas de jogos.

O sistema produziu treinadores desatualizados, e esses assimilaram-no, acomodando-se e lutando por seus empregos com as táticas defensivistas e defasadas.

Se não procurarmos os centros mais evoluídos, e hoje esses encontram-se no Velho Continente, nada irá mudar no futebol brasileiro. Lá estão os nossos concorrentes, os bons jogadores, inclusive brasileiros, e as novas formações táticas.

Para Leonardo a função de um dirigente europeu é bem diferente do que acontece no Brasil, onde não se verifica o preparo ideal para tal função.

Existe uma realidade em nosso país que está bem lastreada na ausência de um comando no Circo Brasileiro de Futebol que atente para as necessidade desse esporte no país. A entidade só tem os pensamentos virados para uma seleção que é a sua vaca leiteira, sustentando um bando de aspones, que nada fazem por esse produto.

O esporte não é diferente de outros segmentos. A educação para a sociedade é fundamental, e para que isso possa acontecer torna-se imperioso grandes investimentos.

No caso do futebol, existe a necessidade de investimentos de conteúdo, que aprimorem os seus componentes, principalmente os seus treinadores, que são comparados aos professores de uma escola, quando os alunos dependem de suas capacidades, e para que esses as tenham, necessitam de um bom aprendizado e isso só acontece com investimentos em massa.

São programas como esse que colaboram com o futebol brasileiro, e não os que só fazem imbecilizar os seus consumidores.

No mundo esportivo ainda temos algo de bom, e com ensinamentos produtivos.

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Artigos
O pior espetáculo do mundo
postado em 20 de agosto de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O PIOR ESPETÁCULO DO MUNDO


Moisés Mendes - Jornal Zero Hora de Porto Alegre


¨Assim como o ciclo da borracha, o cinema novo e a arte moderna, o futebol brasileiro extingiu-se. Não existe mais o futebol brasileiro, como não existe mais o país das bananas, da Bossa Nova e da Tropicália. É o fim, você viu na última rodada do Brasileiro.

Pelé está agora ao lado de Carmem Miranda, de João Gilberto e de Caetano Veloso, como representante de algo que um dia ajudou a nos definir como brasileiros, mas se esgotou.

O futebol se afundou na mediocridade. Sobraram as chuteiras cor-de-rosa, os amigos da dinastia da CBF, as máfias, ingressos impagáveis e estádios vazios.

Nunca antes neste país, como dizem os cronistas, o futebol esteve tão igual. Pernas de pau e treinadores que se repetem. Igualaram o futebol brasileiro. As séries A,B,C,D,E,F, G são todas as mesmas coisas.

A Copa apenas nos proporcionou o grand finale. Fomos expostos pelo vexame dos 7 a 1, como o futebol mais decadente de todos os continentes.

O Brasileirão é só a continuação do processo de extinção. Se não fosse a Copa, continuaríamos nos enganando. Venceu o futebol dos times com cinco volantes. Nas arquibancadas, adolescentes e marmanjos rosnam cânticos macabros. Nem os quero-queros aguentam mais o nosso futebol.

Já me reuni com amigos, numa equina aqui na Redação, para saber se esse é um sentimento generalizado e se não há exagero pensar que o futebol acabou. Se, passada a ressaca da Copa, poderemos voltar ao normal. Alguns resistem, mas a maioria acha que não tem mais o que fazer. Esse agora é o nosso normal.

O melhor momento do nosso futebol é o da corrida de cavalinhos de Tadeu Schmidt no Fantástico. Nosso futebol durou muito. Nasceu em 1958 quando o Brasil tomou aquele primeiro gol na final contra a Suécia. Se o Brasil não tivesse tomado aquele gol no começo, se Didi não tivesse andado até o meio do campo com a bola embaixo do braço, e se o Brasil não virasse aquele jogo, tudo poderia ter sido diferente. O futebol nasceu ali.

E começou a morrer com aquele primeiro gol da Alemanha na tragédia de 8 de julho no Mineirão. Assim como, lá em 1958 todos sabiam que o Brasil de Pelé desmoralizaria a Suécia, sabia-se agora na Copa, depois do primeiro gol dos alemães, que o Brasil de Fred seria irremediavelmente desmoralizado.

Só que a nossa tragédia é incompleta. Para que o horror se consumasse e o país mergulhasse nas trevas, seria preciso que a Argentina tivesse vencido a final da Copa. Sem a vitória da Argentina, ainda ficamos esperneando por alguns dias, até a retomada do Brasileiro.

Agora, diante dos jogos patéticos do Campeonato Brasileiro, sabemos que não dá mais. O futebol acabou. A extinção do futebol nacional será sempre associada à era dos jogadores com cabelos moicanos que jogavam com chuteiras amarelas e bolas roxas.

É dantesco. É o pior espetáculo da Terra. Mas há um consolo. Poderia ser pior. Poderíamos estar vivendo hoje a segunda era daqueles assustadores calções Adidas.

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Náutico
O acerto do novo comandante
postado em 18 de agosto de 2014

Dado Cavalcanti acertou no primeiro passo.


CLAUDEMIR GOMES

 

Dado Cavalcante não é milagreiro, nem mago, tampouco bruxo. Tal convicção torna a vitória do Náutico - 2x0 - sobre a Luverdense, que estava creditada pela sua brilhante campanha a contabilizar os pontos em disputa, ainda mais surpreendente. O melhor: reascendeu a esperança dos alvirrubros. O resultado construído na condição de visitante, e diante de um adversário apontado como franco favorito pelo respaldo de sua excelente campanha, distanciou o time dos Aflitos da zona de rebaixamento. Antes da conclusão da décima-sexta rodada o Náutico tinha 49% de risco de cair para a Série C. Após o fechamento da rodada o percentual caiu para 21,2%, segundo o site Chance de Gol.

A expressiva vitória não chega a ser a solução de todos os problemas alvirrubros, mas acalmou os bastidores, o que é essencial para o início de um trabalho. Dado aportou no clube em meio a uma turbulência assustadora. E, com muito equilíbrio, foi moderado e ponderado em suas primeiras entrevistas. Não prometeu o impossível, tampouco se deixou abater por um pessimismo que sentenciava o clube ao rebaixamento.

Dado definiu uma meta palpável: a manutenção. E manter o ritmo do primeiro passo será o seu desafio no jogo desta terça-feira diante do Oeste, na Arena Pernambuco, que será sua estréia diante da torcida do seu novo clube. O acerto inicial na definição da titularidade de novas peças é um ponto a favor do novo treinador que buscará a regularidade. Uma vitória na rodada do meio de semana pode proporcionar ao Náutico um salto significativo, que a depender da combinação de resultados dará ao clube um ganho de quatro posições na tabela de classificação, inclusive, superando o coirmão Santa Cruz que, no momento, tem um ponto de vantagem.

Apesar de fazer parte de uma geração que busca a maturidade para chegar ao grupo de elite dos treinadores brasileiros, Dado deu mostra, com palavras e ações, que as experiências vivenciadas nos muitos clubes que comandou lhes deixaram grandes ensinamentos. Agora, é apostar no novo comandante e lhe dar tempo para levar o clube à guinada que todos sonham. Capacidade ele mostrou que tem. O que lhe falta é prazo e crédito.

Não podemos esquecer que, a retomada no crescimento do futebol somente será possível se a diretoria cumprir a sua parte. Aliás, Dado mandou este recado na sua primeira coletiva.  

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