JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Não temos dúvida que a seleção do Circo foi a
pior da história do futebol nacional. Ganhou disparada da de 1966, que foi
avacalhada na sua preparação para atender a ditadura implantada no Brasil, mas
tinha craques entre os convocados, que foram as vÃtimas do poder.
Não estamos aguentando mais, o que chamou o jornalista Arnaldo Jabor, de idiotas da objetividade, que ficam discutindo horas a fio os motivos da debacle da seleção do Circo, quando as respostas estão bem as suas frentes.
Na realidade derrota não se explica. Ela acontece por conta de uma soma de erros acumulados há anos, e que em um determinado dia explode, e se concede um 7x1, desmoralizante, acachapante e humilhante.
A derrota é um produto de uma sociedade do Pão e Circo, que vive numa Ilha da Fantasia, e não observa o que acontece em seu entorno.
A derrota fica por conta de um paÃs em que é dominado pela corrupção, do método ¨cientÃfico¨ de se levar vantagem em tudo, e com alguns polÃticos sem escrúpulos, que usam os seus cargos para fins pessoais.
A seleção representou tudo isso, mas os idiotas da objetividade ainda continuam perseguindo as causas da debacle de um time, que serviu por alguns dias como atenuante para uma população constantemente estuprada pelos seus governantes.
A seleção do Circo era a cara do paÃs. A sua desorganização era geral. Os 10 gols sofridos em dois jogos não vieram do aleatório, e sim do real.
Um time que tinha como armador David Luiz, na base da ligação direta, não poderia chegar a lugar algum.
Nunca uma seleção tomou tantos gols em uma Copa. O ano de 2014 superou tudo que tinha de negativo na história de nosso futebol.
Hoje se discute um novo técnico e um novo corrdenador, mas não ouvimos nada que possa permitir uma campanha Fora Marin, Fora Del Nero. Essas raposas são espertas, ficam na espreita de um bom galinheiro, na certeza de que farão uma escolha populista para os cargos, que possa enganar os trouxas dos torcedores.
Vem ai Leonardo para coordenador, e Zico para a seleção. Populismo maior do que esse não poderia existir.
Ontem, no Jornal do Brasil On-Line, foi estampado uma crônica do poeta Carlos Drumond de Andrade, publicada no mesmo periódico há 32 anos, e essa está mais atualizada do que aqueles que procuram as respostas para o fiasco.
¨Perder, ganhar, viver¨ é o seu tÃtulo, e no texto o poeta retratou a frustação pela derrota da seleção de 1982, comparável a que tomou conta do torcedor brasileiro nos dias de hoje.
A respeito da reação dos polÃticos, Drumond escreveu:
¨...Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do paÃs, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a desencantar de tudo, inclusive das eleições¨.
Drumond está vivo, pois vimos tudo isso com a derrota da seleção de 2014, e as reações dos governantes e dos candidatos.
O Jornal do Brasil nos trouxe algo que não conhecÃamos, e que retrata um sentimento de 1982, que está presente em nosso paÃs.
Os erros estão bem claros, não precisamos procurá-los.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013








