Histórico
Mudanças
Atento aos sinais
postado em 16 de julho de 2014

CLAUDEMIR GOMES


O New York Times, considerado por muitos o melhor jornal do mundo, abriu espaço em suas prestigiadas páginas para uma matéria elogiosa sobre a Copa do Mundo. E pontuou: "O futebol ganhou tal importância no mundo que seus responsáveis precisam ser sérios".

O mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, que diariamente nos brinda com artigos espetaculares em seu blog, nesta quarta-feira nos premiou com Os idiotas da objetividade, o qual publicamos aqui no nosso espaço através do qual tentamos levar algo de positivo aos nossos diletos leitores.

É oportuno fazer um link entre a sábia citação feita pelo jornal norte-americano com o artigo de Azevedo para mostrar que o futebol brasileiro não precisa de mudança de técnico nem de profissionais. O futebol pentacampeão do mundo necessita de uma metamorfose na qual esteja incluída a mudança de conceitos dos cronistas esportivos.

O despreparo da maioria dos formadores de opinião é uma agressão ao bom senso, além de revelar a falta de sintonia com a nova ordem. Acompanho atentamente as mesas redondas, os programas de debates e as resenhas nacionais e locais. Defendo a tese de que há sempre algo a aprender. Contudo, é doloroso ver profissionais defenderem alguns conceitos com tanta veemência, numa prova inconteste de desconhecimento de causa. A falta de embasamento na maioria das questões mostra que o universo de determinados cronistas está restrito a aldeia.

O mundo mudou e a informação está ao alcance de todos. O mal do futebol brasileiro é a falta de seriedade dos homens que o administra. CBF, federações, ligas, clubes estão corroídos pela falta de seriedade. A grande mídia se cala por conta de patrocínios e jabás. É cultural. E depois ficam buscando o sexo dos anjos. Assim se comportam Os idiotas da objetividade.

A Copa nos deixou uma clara lição de que, os números, se analisados erradamente, nos levam aos erros. O futebol de resultados não traduz a realidade dos fatos. A Seleção Brasileira em nenhum momento foi convincente, mas a comissão técnica manipulou a mídia através dos números até a acachapante queda diante da Alemanha.

Ontem à noite o Santa Cruz, que fez uma boa apresentação, foi goleado pelo Vasco - 4x1 - na Arena Pantanal, em Cuiabá, com a ajuda do apito amigo. Um exemplo típico onde o placar não conta a história do jogo. Por outro lado, na Arena Pernambuco, apresentando um futebol pobre tecnicamente, o Náutico venceu o Sampaio Corrêa por 1x0. Por certo as análises a serem feitas serão baseadas nos resultados.

Foi a partir da Copa de 1994 nos Estados Unidos que o futebol evoluiu como negócio, sendo hoje um dos mais rentáveis do planeta. O intercambio, em todos os setores passou a ser imperativo para que se acompanhe tal crescimento. O mestre José Joaquim nos mostra isso há muito tempo. É! Nem todos estão atentos, ou não enxergam os sinais.

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Artigos
Os idiotas da objetividade
postado em 16 de julho de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, OS IDIOTAS DA OBJETIVIDADE


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Não temos dúvida que a seleção do Circo foi a pior da história do futebol nacional. Ganhou disparada da de 1966, que foi avacalhada na sua preparação para atender a ditadura implantada no Brasil, mas tinha craques entre os convocados, que foram as vítimas do poder.

Não estamos aguentando mais, o que chamou o jornalista Arnaldo Jabor, de idiotas da objetividade, que ficam discutindo horas a fio os motivos da debacle da seleção do Circo, quando as respostas estão bem as suas frentes.

Na realidade derrota não se explica. Ela acontece por conta de uma soma de erros acumulados há anos, e que em um determinado dia explode, e se concede um 7x1, desmoralizante, acachapante e humilhante.

A derrota é um produto de uma sociedade do Pão e Circo, que vive numa Ilha da Fantasia, e não observa o que acontece em seu entorno.

A derrota fica por conta de um país em que é dominado pela corrupção, do método ¨científico¨ de se levar vantagem em tudo, e com alguns políticos sem escrúpulos, que usam os seus cargos para fins pessoais.

A seleção representou tudo isso, mas os idiotas da objetividade ainda continuam perseguindo as causas da debacle de um time, que serviu por alguns dias como atenuante para uma população constantemente estuprada pelos seus governantes.

A seleção do Circo era a cara do país. A sua desorganização era geral. Os 10 gols sofridos em dois jogos não vieram do aleatório, e sim do real.

Um time que tinha como armador David Luiz, na base da ligação direta, não poderia chegar a lugar algum.

Nunca uma seleção tomou tantos gols em uma Copa. O ano de 2014 superou tudo que tinha de negativo na história de nosso futebol.

Hoje se discute um novo técnico e um novo corrdenador, mas não ouvimos nada que possa permitir uma campanha Fora Marin, Fora Del Nero. Essas raposas são espertas, ficam na espreita de um bom galinheiro, na certeza de que farão uma escolha populista para os cargos, que possa enganar os trouxas dos torcedores.

Vem ai Leonardo para coordenador, e Zico para a seleção. Populismo maior do que esse não poderia existir.

Ontem, no Jornal do Brasil On-Line, foi estampado uma crônica do poeta Carlos Drumond de Andrade, publicada no mesmo periódico há 32 anos, e essa está mais atualizada do que aqueles que procuram as respostas para o fiasco.

¨Perder, ganhar, viver¨ é o seu título, e no texto o poeta retratou a frustação pela derrota da seleção de 1982, comparável a que tomou conta do torcedor brasileiro nos dias de hoje.

A respeito da reação dos políticos, Drumond escreveu:

¨...Vi a decepção controlada do presidente, que se preparava, como torcedor número um do país, para viver o seu grande momento de euforia pessoal e nacional, depois de curtir tantas desilusões de governo; vi os candidatos do partido da situação aturdidos por um malogro que lhes roubava um trunfo poderoso para a campanha eleitoral; vi as oposições divididas, unificadas na mesma perplexidade diante da catástrofe que levará talvez o povo a desencantar de tudo, inclusive das eleições¨.

Drumond está vivo, pois vimos tudo isso com a derrota da seleção de 2014, e as reações dos governantes e dos candidatos.

O Jornal do Brasil nos trouxe algo que não conhecíamos, e que retrata um sentimento de 1982, que está presente em nosso país.

Os erros estão bem claros, não precisamos procurá-los.

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Futebol Brasileiro
De volta a nossa realidade
postado em 14 de julho de 2014

CLAUDEMIR GOMES

Em todas as coberturas da Copa do Mundo em que estive envolvido como enviado especial do DIARIO DE PERNAMBUCO, no regresso para o Recife, dizia aos companheiros: Preparem-se para voltar a nossa realidade. Evitem comparações. O mestre Adonias de Moura esboçava um sorriso e balançava a cabeça em tom afirmativo.

Copa do Mundo é uma competição de excelência, de alto rendimento. Funciona como protótipo e serve como modelo para o ciclo de quatro anos que separa a próxima edição. A tendência é que o modelo que deu certo seja copiado. Mas é fundamental não esquecer que tudo o que foi posto em prática foi exercitado por uma seleção de atletas de nível técnico elevado. Portanto, traçar paralelo entre nossos campeonatos e o mundial de seleções é uma injusta comparação de valores.

A Copa das Copas nos transportou ao país dos nossos sonhos. Foram trinta dias de festas, de alegria, de interação com uma população mundial. E tudo funcionou a contento. O Brasil da Copa foi fantástico. Afinal, a mídia colocou um tapume em tudo que acontecia de ruim, de negativo. Segundo dados divulgados na manhã desta segunda-feira, no Bom dia Brasil, da Rede Globo, nos últimos sessenta dias foram registradas mais de mil mortes nas BRs em todo o País. Absurdo.

Nossa realidade também mostra um povo cada vez mais dissociado da educação; a saúde pública na indigência e a segurança atrelada à fé em Deus.

O Mundial também é um torneio de elite. O público que encheu as arquibancadas não é o mesmo que se sente atraído pelo pobre fascínio que exerce os nossos campeonatos interclubes. Os 64 jogos da Copa do Mundo levaram para as arenas um público de 3.429.873 torcedores registrando a excelente média de 53.591 por jogo. No Brasileiro da Série A, competição que reúne os maiores clubes do país, a média de público nas nove primeiras rodadas realizadas antes da Copa do Mundo foi de 12.504 torcedores por partida, o que representa 34% da taxa de ocupação dos estádios.

Durante o Mundial circulei em todas as camadas sociais. Foi gratificante observar como todos se inteiravam dos acontecimentos, como sabiam os nomes dos melhores jogadores estrangeiros. Por mais leigo que fosse o torcedor sazonal, aquele que só aparece a cada quatro anos, a impressão que repassava era de uma extrema intimidade com o futebol.

Amanhã o Náutico volta a jogar na Arena Pernambuco. Por certo apenas um terço dos assentos do estádio estarão ocupados. Aliás, nesse período de ressaca de Copa do Mundo a média de público em todas as séries do Brasileiro deve baixar. Naturalmente que haverá uma reação a medida que as disputas forem avançando e esquentar a briga por acesso e pelo não descenso. Esta é a nossa realidade. A fantasia passou e nos deixou a lição de que, dentro da nova ordem do futebol, para se concretizar sonhos é preciso planejamento. Isto está escrito com a assinatura pragmática da Alemanha 4.   

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Copa 2014
O EMAIL DE DONA LÚCIA
postado em 12 de julho de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O EMAIL DE DONA LÚCIA


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


O nosso imbecilômetro ganhou mais 500 pontos, por conta do email de Dona Lúcia.

No dia de ontem, bem cedo fomos cobrados pelo jornalista Claudemir Gomes, pela ausência de um artigo sobre o email de Dona Lúcia, e embora com o atraso estamos comentando que a imbecilidade extrapolou todos os seus limites nesse bagaço de seleção que os ¨espertos¨ da CBF desejaram vender como brasileira.

Em plena entrevista coletiva dos membros da Comissão Técnica do Circo, o coordenador Carlos Alberto Parreira, afirmou que acabara de receber um email de uma senhora com o nome de Dona Lúcia, em que afirmava que estava assistindo à coletiva, e elogiando Scolari, ¨que como sempre mais uma vez vibrante, um homem  Ã­ntegro e corajoso, com grande honra¨.

Dona Lúcia deve ser a irmão gêmea da Velhinha de Taubaté, personagem criada por Luiz Fernando Veríssimo, que era a única que acreditava no Brasil.

Na realidade essa bandalha que tomou conta do futebol brasileiro ou passaram do excesso de imbecilidade, ou vivem em outro planeta, considerando os terráqueos como imbecis.

No lugar de pedirem desculpas pelos erros cometidos na preparação da seleção do Circo, criaram um apagão, e depois um email virtual de uma senhora inexistente, que saiu na defesa do chefe do bagaço amarelo.

Não conseguiram comprovar a veracidade desse email e, se existe, saiu de alguma Lan House, e editado por pessoas da entidade que dirige o futebol, desde que foram feitas várias tentativas de contato com Dona Lúcia, sem sucesso.

Segundo Parreira, quem recebeu a mensagem foi a FIFA, que nega o fato, e que tinha repassado-o para a CBF.

Não precisamos de mais nada para verificarmos a quem o futebol brasileiro foi entregue. Pessoas que vivem no mundo da lua, de inocentes não têm nada, e sim um bando de espertalhões, que usaram e abusaram de uma seleção.

A entrevista da última quinta-feira, além do choro de Neymar, não pela derrota, mas pelos seus ganhos que foram afetados, foi uma comprovação de que o futebol brasileiro, e isso há muito já dizíamos, está ultrapassado, dirigido por barões do medievo, que o tratram como uma Capitania Hereditária.

Dona Lúcia certamente não sabe que o esporte da chuteira no país é uma soma de clubes falidos, de péssimas gestões, sem um trabalho planejado em suas categorias de base, de técnicos desatualizados, a incompetência da maioria de seus gestores, tanto em agremiações, como nas Federações e na Confederação.

Sem dúvidas foi uma tentativa infeliz e forçada de mais uma vez usar o emocional durante uma gestão de crise. O problema é que ainda existem pessoas no país que ainda não ingressaram na imbecilidade desejada pelos cartolas e reagiram, inclusive com ironias.

Foi criado um Fake Dona Lúcia, e em poucas horas já tinha mais de 5 mil visitas, com mensagens diversas, e copiamos uma que mostra a cara de pau dessa gente que ajudou a afundar o futebol nacional.

@DonaLuciaCBF

¨Maria chuteira nada, sou maria Prancheta. Vou com Felipão.

Depois de Dona Lúcia só um dilúvio de b...

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Artigos
As lições do TRAGIJOGO
postado em 10 de julho de 2014

ALFREDO BERTINI


8 de julho de 2014. Atentado futebolístico. O placar inusitado de 7 a 1 reflete mais um dos "pesadelos" que farão história no chamado país do futebol. Definitivamente, criamos um neologismo para o futebol: os tragijogos. Mescla de tragédia e jogo - que tal e qual o ocorrido na Copa de 50 - também foi capaz de silenciar toda uma nação. Mas, afinal, será que desta vez,  num outro contexto de se fazer futebol, a gente pode extrair verdadeiras lições?

Março de 2014. Em depoimento ao jornal Folha de São Paulo, o Senhor Presidente da CBF afirmou que a hipótese de "perder uma Copa no Brasil", significaria o mesmo que "entrar no inferno". Vale dizer que essa colocação foi dita no meio de uma avalanche de otimismos destilados por parte da mídia e, em especial, pela Comissão Técnica. Favoritismo sempre foi marca. Mas, só se realiza, na forma de  ganhar jogo e conquistar título, no trivial das quatro linhas, com um nível de organização que privilegie o esmero técnico, as opções táticas e o controle emocional. Fora disso, favoritismo sem exercício, é engodo, bravata, conversa fiada. Ou, amparado nas "sábias palavras" do Presidente da CBF, pode ser mesmo o melhor caminho para o "inferno".

9 de julho de 2014. Nova data de uma "ressaca nacional" promovida pela força do futebol. De posse daquelas palavras sábias do Senhor Presidente da CBF,  amanhecemos "no inferno". Mas, como temos a Certidão de Nascimento Divina, há como escapar do crivo do purgatório. Ou seja, a purificação da "alma do futebol brasileiro" tem como acontecer ainda. É só uma questão de "negociarmos prazos" com as "autoridades infernais" e recuperamos o tempo perdido...com cartolagens e ideais superados , situações essas que alguns "concorrentes" já mandaram para incineração há décadas. E essa postura é tão urgente quanto o tamanho da humilhação travada no peito desde ontem. Se chegar ao "inferno" em condições naturais de "temperatura", perdendo naturalmente o jogo, já era complicado, imagine só humilhado. É trágico mesmo.

10 de julho de 2014. A chance do purgatório existe e precisa ser considerada. Tal e qual Fênix é preciso ressurgir. É para isso que servem as lições mais cáusticas. São os ensinamentos da crise que apontam para os caminhos alternativos, caso todos se unam também por essa causa. No mesmo entusiasmo daquele velho favoritismo que não deu em nada.  Da minha modesta parte, se é que pode ser encarada como uma contribuição, o que se tem a fazer - que não é nada tão simples e rápido porque muda uma cultura - passa por:

- reformar de modo vertical a carcomida estrutura política do futebol brasileiro (a começar, pela sua entidade máxima até chegar aos clubes), de forma que se possa daí ter mais democracia, transparência e organização, dentro de uma visão atualizada de se fazer futebol;

- estabelecer uma política geral de formação de valores para o setor futebolístico, seja na profissionalização de atividades como na formação de atletas de base;

- criar mecanismos de conexão permanente com os exemplos de sucesso no mundo do futebol, retirando da atividade a visão provinciana (política de portas abertas e em mão dupla).

O caminho é longo e árduo. Mas, é preciso ter coragem e civismo para começar.

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