JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
Por conta dos 50 anos do Golpe Militar que tomou
conta do paÃs por 21 anos, muito se tem falado e comentado sobre o tema, e como
sempre o lado futebolÃstico foi praticamente deixado ao largo e esquecida a sua
participação.
Na realidade esse esporte foi aproveitado pela ditadura implantada, como um alicerce para a propaganda do governo, sendo mais acentuado na década de 70, inclusive com a conquista da Copa do Mundo no México.
O perÃodo de maior repressão da história desse golpe foi de 1969 a 1974, com o Governo do general gaúcho Emilio Medici, e apesar disso foi um dos mais populares de todo ciclo de governos militares, por conta do aproveitamento do futebol como uma âncora para o seu marketing.
Em 1970, o paÃs cantava o milagre econômico, com um crescimento jamais visto, e a Assessoria Especial de Relação Públicas da Presidência da República, aproveitou muito bem dos temas economia e futebol, e os juntaram à imagem do governo.
Um ano anterior ao da Copa de 70, Pelé era recebido por Médici para a entrega de uma comenda por conta do seu milésimo gol. A foto do jogador abraçado ao general foi divulgada em todo o paÃs, para mostrar o interesse dos governantes sobre o assunto.
No ano de 1970, a influência foi maior ainda, quando o treinador João Saldanha foi demitido do comando da seleção por ter dado uma reposta dura ao general presidente, por conta da convocação de Dario, e para seu lugar entrou Zagallo, que tinha as simpatias do poder dominante e, obediente, convocou o atacante mineiro.
Quem poderá esquecer a grande festa ocorrida na Praça dos Três Poderes pela conquista do tÃtulo mundial, com Médici recebendo toda a delegação, sendo abraçado pelos jogadores, e as fotos correndo por todo o Brasil?
Quem poderá esquecer o ¨Prá Frente Brasil¨, ou ¨Brasil eu te Amo¨, tão cantado e decantado nessa época de ufanismo?
Não somos insentatos ao ponto de criticarmos os atletas campeões, desde que o sistema implantado, principalmente na ocasião, não dava suporte para uma rebelião, e sendo ¨obrigados¨ a tais procedimentos.
Uma contradição grotesca e que mostra a cara do torcedor do futebol brasileiro, que pouco mudou durante os anos seguintes a Copa de 1970, está caracterizada pelos aplausos ao general presidente ao ser encontrado no Maracanã assistindo a uma partida de futebol, com um radinho no ouvido, que se transformou em sua marca registrada.
A ditadura era aliada aos esportes, e tinha nas Federações vários dirigentes que faziam parte do sistema implantado. Era o tempo de ¨Quando a Arena Vai Mal, um time no Nacional¨.
Chegamos a ter 94 clubes em 1979, um Almirante como presidente da CBD, Heleno Nunes, um Capitão como técnico da seleção, Claudio Coutinho.
São dados reais, e que mostram a simbiose do futebol com os governos militares, e que ainda tem as suas raÃzes em plena democracia, através dos métodos aplicados pelos que dirigem o segmento, e tendo no presidente do Circo o seu maior representante, José Maria Marin, que continua sendo um membro dos anos de chumbo que tomaram conta do paÃs por 21 anos.
Uma dura realidade.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013







