Histórico
Acontece
O Maracanã não existe mais
postado em 06 de fevereiro de 2014

ROBERTO MUYLAERT - FOLHA DE SÃO PAULO


Em 16 de julho de 1950, o Brasil perdeu para o Uruguai a final da Copa do Mundo no Rio (2 a 1). Ainda não havia televisão e o Cineac Trianon passava filmes dos jogos com alguns dias de atraso. Só quem estava no estádio tinha credibilidade para contar detalhes da partida. O resto era transmissão pelo rádio.

O centro do Rio era só alegria, com as vitrines exibindo o pôster oficial da Taça do Mundo, um meião de jogador com 28 bandeiras de países participantes. Vieram 12, o resto desistiu. Premonitório, o pé do jogador não chutava, já pisava na bola.

O jogo Brasil x Suécia (7 a 1) foi de euforia total, o público vibrando com a goleada imposta ao civilizado país nórdico. A próxima vítima seria a Espanha, que levou de 6 a 1. Parecia que o complexo de vira-lata, a que se referia Nelson Rodrigues, tinha acabado.

No jogo final, só era possível sentar na arquibancada de concreto forçando a traseira como cunha entre dois torcedores já espremidos. Dez por cento da população do Rio no estádio, um prodígio de dimensões e de público, 200 mil pessoas, ou 14 mil toneladas de gente. Na mesma proporção, São Paulo precisaria hoje de um estádio para 1 milhão.

As fundações recalcaram naquele único dia o que estava previsto para afundar em meses de ocupação. O resto se sabe: o único registro do segundo gol do Uruguai, de cinegrafista ignorado, é exibido à exaustão na TV brasileira.

O excelente Museu do Futebol de São Paulo comete uma injustiça contra a Copa de 50, mostrada numa sala escura, como um funeral, onde o filme do gol de Ghiggia roda sem parar. Nada sobre a emoção das goleadas anteriores, como no jogo contra a Espanha, onde a multidão afinada cantou sem ensaio a marcha "Touradas de Madri" enquanto acenava com lenços brancos, como a se despedir do país derrotado.

O cartaz oficial de 2014 parte da mesma ideia do anterior, mas é andrógino. Exibe duas pernas meio femininas de meiões rendados disputando com delicadeza uma bola no mesmo padrão.

Em 1954, na Suíça, a revanche não aconteceu --a mágica Hungria ganhou do Brasil, em Berna. A redenção só chegou em 1958, na Suécia, quando surgiu um menino fenômeno chamado Pelé.

Em 2014, a final será de novo no Maracanã. Agora, o estádio tombado pelo Iphan só tem o nome em comum com o original: encolheu para 78 mil pessoas, jogando fora a recente reforma de 2007 feita para os Jogos Pan-Americanos.

A ideia da Fifa era ter um estádio onde fosse menor a distância do torcedor até o campo de jogo. Sem obedecer à proibição de mexer nas estruturas, o Maracanã foi derrubado, deixando um espaço oco por dentro, mantidas apenas as características colunas externas de concreto e as rampas de acesso.

Ali foi construído um anel concêntrico, de diâmetro menor que o original, onde ficam as novas arquibancadas. Acabou a majestade: a cobertura agora é de fibra de vidro, com luzes azuis, vermelhas, amarelas, como num circo.

As reformas de 2007 e 2014 somaram R$ 1,4 bilhão. Com metade desse dinheiro, o Rio construiria um novo estádio: "Pague um e leve dois". Preferiu o "pague dois e leve um". E o Maracanã de tantas emoções, nesta segunda Copa do Mundo no Brasil, não existe mais.

ROBERTO MUYLAERT é jornalista, autor do livro "Barbosa, um Gol Silencia o Brasil.

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Campeonato Pernambucano
Uma tabela difícil de entender
postado em 04 de fevereiro de 2014

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Recebemos várias ligações no dia de ontem sobre o mesmo tema: a Tabela da 2ª fase do campeonato local.

O problema maior é a repetição do jogo Sport x Náutico, que está programado para a primeira rodada, fato esse que não foi entendido pelos ainda interessados pela competição.

A alegação da mentora é que o problema das datas motivou a primeira rodada com um clássico repetitivo, e que fizeram de tudo para a confecção de uma outra tabela, e até o Sport Recife tinha tentado e não conseguiu formatá-la devidamente.

A frase do presidente da FPF ao afirmar que o Náutico jogará aonde êle mandar, até na lua, Ã© o retrato do futebol brasileiro, onde não existe democracia e sim uma ditadura implantada sob os olhares de clubes submissos.

Achamos que algo de errado aconteceu, pois não existe a necessidade do primeiro clássico ser realizado na rodada inicial, quando poderia ser na 2ª, e os outros dois na 4ª e 5ª.

Pela ordem técnica, a competição deveria começar com os seguintes jogos: Santa Cruz x 3º, 2º x Sport e 1º x Náutico. Daí em diante correria tudo normalmente até a 5º, com o jogo Sport x Santa Cruz.

Não vamos fornecer mais detalhes, mas a confecção de tabela é coisa para quem entende do ramo.

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Futebol Pernambucano
O Santa é 100
postado em 04 de fevereiro de 2014

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Por ROBERTO VIEIRA


Eram alunos de um colégio católico e outro batista. O bairro onde se localizava a Igreja de Santa Cruz transpirava ídiche, sendo a nova pátria de centenas de judeus oriundos do leste europeu. Ambiente tão democrático só podia terminar em Paixão%u2026

Todos eles jovens.

O mais velho com quinze anos.

Rasparam os bolsos e o resultado foram três mil e quinhentos réis.

Dava pra comprar um picolé pra cada um.

Augusto Dornelas pergunta qual vai ser o nome de batismo.

O sino anuncia dezenove horas.

O novo clube passa a se chamar Santa Cruz Football Club.

O sonho pega fogo na rua da Mangueira, nº2.

O Santa Cruz seria o clube de todos os sonhos.

E Lacraia seria a prova disso.

Lacraia que era o apelido de Teófilo Batista de Carvalho.

Lacraia que era filho de médico, mas possuía um defeito congênito.

Era mulato.

Um pecado no futebol sem cor da década de 10.

Mas cadê Lacraia?

Lacraia não está no dia da fundação.

Está estudando para o vestibular de engenharia.

Luís Barbalho redige a ata.

Caligrafia esmerada.

José Luis Vieira é eleito o primeiro presidente.

Por um motivo prosaico.

Luís Vieira era o único que ganhava algum trocado no comércio.

O Santa Cruz será preto e branco.

Preto e branco vai assombrando os outros times.

Disparando goleadas em quem passa pela frente.

Ganhando fãs na massa que se enxerga no sonho dos meninos.

Preto e branco que impera até 1915.

Quando o Santa Cruz teve de mudar suas cores.

O Flamengo do Recife já era preto e branco %u2013 dava confusão.

Conversa de cá e de lá.

O Flamengo do Rio passa de navio por Recife.

Dezembro.

Flamengo que vai de Píndaro e Welfare enfrentar a seleção do Pará.

Uma certa %u2018Taça Jornal Folha do Norte%u2019.

Flamengo que usava o vermelho, preto e branco.

Estava decidida a questão.

O alvinegro Santa Cruz se torna tricolor.

E tricolor seguiu seu caminho nas ruas e becos pernambucanos.

Santa Cruz de Tará e Tiano.

Santa Cruz de Marias e Josés.

Santa Cruz dos Coelhos, do Coque, do Beberibe.

Santa Cruz que de tão pobre era negado mil vezes pelos ricos que torciam por ele.

Santa Cruz que apenas Sherloque pode explicar.

Santa Cruz da Maravilha do Arruda e de Caça Rato.

Santa Cruz de Ramon batendo Pelé.

Santa Cruz que um dia decidiu contratar Moacir Barbosa.

Goleiro da seleção de 50.

Santa Cruz que não tinha um vintém na carteira.

Santa Cruz que pagou Barbosa passando a cestinha nos mocambos de Recife.

Naquele dia.

Muito moleque pegou o dinheiro do picolé e depositou na cestinha.

Porque o Santa Cruz sempre foi assim.

Um sonho de meninos transformado em Paixão%u2026

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Santa Cruz
A torcida merece uma grande festa
postado em 03 de fevereiro de 2014


CLAUDEMIR GOMES

 

Cem anos não são cem dias, razão pela qual sócios e torcedores do Santa Cruz cobram, da diretoria do clube, uma programação mais rica, de melhor qualidade, e mais atrativa, para marcar o centenário do clube mais popular do Estado.

O Santa Cruz Futebol Clube comemora, nesta segunda-feira, cem anos de fundação com uma programação tão discreta quanto a reunião do grupo de jovens, que aconteceu há cem anos, numa rua próxima ao Pátio de Santa Cruz, no centro do Recife, para criar o clube que depois adotou o Arruda como domicílio permanente. Bendita mudança, pois foi na zona norte do Recife que o Tricolor encontrou o seu público, e se transformou no Clube do Povo.

Ao mergulhar na história do Santa Cruz vamos encontrar exemplos de superação, de movimento popular, de resistência, de paixão e de fidelidade que explicam ser hoje, a sua torcida, o seu maior patrimônio.

O clube do Arruda entrou em sintonia com o novo milênio não pelo futebol apresentado dentro de campo, pelo contrário, este foi um período no qual o Tricolor se apequenou dentro das quatro linhas, mas pela grandeza de sua torcida, pela força de uma paixão.

Paixão não se explica. Por mais esforço que façam, sociólogos e antropólogos não conseguem apresentar argumentos que expliquem, e convençam este fenômeno que é a torcida coral.

A grandeza brota da simplicidade. Tão simples e tão misterioso a ponto dos marqueteiros ainda não terem encontrado um mote para uma grande campanha que mobilizasse o imensurável "exército" dos apaixonados tricolores. O Santa Cruz é povão, é varejo, é movimento popular. É povo na avenida com liberdade de expressão alimentando a economia informal.

Em 2013, no jogo em que o Tricolor do Arruda assegurou o seu acesso à Série B, enfrentando o Betim, no Arruda, tivemos uma mostra do que é realmente este clube e o seu povo.

O Santa Cruz não tem torcida, tem amantes. O grupo dos centenários ganha um parceiro diferenciado nesta segunda-feira. O mais humano de todos os presentes até o momento: o Santa Cruz Futebol Clube.

Só faltou uma festa condizente ao fato.

 

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Acontece
Descobriram o Estatuto do Torcedor
postado em 03 de fevereiro de 2014
Blog de blogdejj :BlogdoJJ, O DESCOBRIMENTO DO ESTATUTO DO TORCEDOR


JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br


Finalmente os que acompanham o futebol brasileiro descobriram a existência do Estatuto do Torcedor, muito embora tenha entrado no seu 11º ano de vida, aliás um período que já poderia ter solidificado a sua maturação.

Existem leis no Brasil que não são cumpridas em sua totalidade ou que são cumpridas em parte, e entre essas a 10.671/2003, com as alterações da Lei nº 12.291/2010, que ficou conhecida como Estatuto do Torcedor. Esta está enquadrada no sistema de adoção de alguns artigos, com os demais sendo esquecidos.

Com o caso da Portuguesa, a legislação foi descoberta, os especialistas apareceram, a nossa imprensa lá debaixo começou a interpretá-la pela primeira vez, já que poucas vezes a abriram para que pudessem dirimir as suas dúvidas, e ficaram escandalizados com a descoberta.

A briga judicial da Portuguesa é apenas a ponta do iceberg, desde que não são apenas os artigos 34 e 35 dessa Lei que foram descumpridos pela CBF e STJD, que hoje são discutidos pelos professores, e sim uma infinidade de outros, que passam ao largo, e todos fingem que nada está acontecendo.

Se houvesse o cumprimento das normas emanadas pelo Estatuto, não teríamos nenhum problema no futebol brasileiro, mas os cartolas no alto de suas arrogâncias, de que estão acima de tudo e de todos fazem questão de rasgar as suas páginas, e procederem como ditadores, legislando de acordo com as suas próprias normas.

Temos lido e ouvido muitos ¨especialistas¨ sobre o assunto, e a cada opinião verificamos que o futebol é aquinhoado com muitos Â¨sábios¨ que falam sem o devido conhecimento, e transmitem algo que não é verdadeiro.

Há pouco ouvimos o jornalista Paulo Vinicius Coelho, que nos parece uma pessoa correta na profissão, afirmar que era favorável ao Brasileiro de 20 clubes, mas garantia que se houvesse uma modificação, o de 2014 seria com 21 clubes e não 24, visto que os outros três não teriam tal direito.

PVC esqueceu que existe a Justiça Estatal, a qual tem resolvido as pendências esportivas, e certamente tal fato nunca irá acontecer, por conta do princípio da isonomia, desde que a solução não poderá contemplar apenas um rebaixado e sim os demais.

Quantas vezes ouvimos declarações que o Brasileirão não poderá ser realizado com 24 clubes, desde que o Estatuto do Torcedor não permite modificações no Regulamento, fato esse totalmente equivocado, desde que o atual campeonato tem mais de dois anos com as mesmas normas, e o artigo 9º dessa Lei, em seu parágrafo 5º, inciso II, permite a modificação, bastando para tal a autorização do Conselho Nacional do Esporte.

Trata-se de mais um sinal de terrorismo, vindo dos donos do poder.

O correto seria os 20 clubes, com a Portuguesa que ganhou o direito no campo de jogo, mas se houver alguma modificação que seja feita de forma a contemplar a todos que estão no mesmo barco.

Só um fato temos a certeza de que não poderá acontecer, o que seria a formatação de uma outra competição nos moldes da João Havelange, pois, como o Estatuto do Torcedor foi descoberto, não permite que isso aconteça.

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