JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejj.esporteblog.com.br
As
mudanças no futebol brasileiro só serão possÃveis quando os clubes profissionais
entenderem que esse esporte só vive por conta de suas existências.
Enquanto os dirigentes não tiverem a consciência que sem os seus clubes o futebol não existiria, certamente o sistema permanecerá vigente por muitos anos.
O que acontece em Pernambuco é o retrato do resto do Brasil, quando os responsáveis pelas agremiações vão para uma reunião, aprovam tudo que foi apresentado e posteriormente começam a criticar, condenando a formatação de um campeonato, que fora discutido por todos.
Quando são questionados, afirmam que ficam com medo de represálias por parte das entidades que dirigem o futebol, que poderão prejudicá-los nos Campeonatos disputados, através das arbitragens ou de outros pontos. São desculpas esfarrapadas.
Na realidade o sistema produziu uma dependência dos filiados com as suas entidades, desde que essas se tornaram ricas às custas dos clubes, enquanto estes vivem de pires nas mãos e muitas vezes ficam dependendo de favores que são fornecidos pela Confederação ou federações.
O princÃpio básico para as transformações a serem procedidas está ligado a necessidade de que os clubes possam entender que são fortes, posto que sem eles não existiriam federações ou a própria Confederação, além da realização dos eventos.
Uma competição para ser realizada tem que ser discutida amplamente, com antecedência, com um tratamento isonômico para todos, e não serem colocados como ¨pratos feitos¨ e já definidos. Esse é pecado mortal do sistema.
Sempre em nossas postagens lembramos o peso de um clube nas competições, quando a diretoria do Sport em 1978 criou uma briga imaginária com o presidente da federação, Rubem Moreira, que foi o ¨bode expiatório¨ dos seus problemas financeiros, e retirou-o do estadual, causando um prejuÃzo elevado, perdendo a motivação e com uma queda dos torcedores, que teve a pior média da década.
O Sport sofreu um tempo para recuperar-se, mas na verdade sobreviveu e mostrou o quanto de força um clube do seu porte pode ter, o que poderia acontecer se os grandes clubes resolvessem não disputar um estadual ou o próprio Brasileiro.
Ou muda-se a relação do medo, e se impõe uma em que os clubes realmente decidam, ou vamos continuar assistindo todos os anos aos mesmos debates, aos mesmos problemas, que tiram o esporte do campo e leva-o para as notÃcias das mÃdias.
As federações não são as donas do futebol, e sim entidades que deverão repercutir os desejos dos seus filiados, que por impotência ou por submissão não se impõem.
O sistema do futebol nacional é o da Casa Grande e da Senzala, e já perdura há muitos anos.
O chicote nas mãos, e os escravos nos troncos, e com o presidente da federação local afirmando que os problemas com a sua tabela foram motivados por um ¨excesso de democracia¨.
Depois disso sómente um dilúvio.

Folha de Pernambuco - 02/06/2013











